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segunda-feira, 11 de outubro de 2010
O que é Léxico Mental?
O nosso Léxico Mental [em inglês, Mental Lexicon] é o que nos ajuda a compreender como o cérebro armazena o vocabulário que aprendemos em nossa língua [e também em um língua estrangeira]. Para comprovar isto, veja a atividade abaixo! Nela há algumas sentenças com espaços em branco, complete os espaços com a primeira palavra que vir à cabeça; desde que faça sentido na sentença:
01. O presidente disse que todas as acusações não passam de intriga da ....................
02. Como o produto estava danificado, eu o devolvi e pedi meu dinheiro de ...................
03. Eu acho que vale a .................. fazer um curso no exterior.
04. Se ela acha que vou ajudar, ela está redondamente ....................
05. Depois de muitos e muitos anos, um terrível segredo de família acabou .................... à tona.
Veja que com o contexto certo, o seu cérebro foi capaz de “puxar” a palavra que está faltando. As repostas mais frequentes e esperadas são oposição, volta, pena, enganada e vindo, respectivamente. Caso alguém resolva mudar mudar as palavras nestas sentenças causará risos em que lê ou ouve. Ou seja, nós entenderemos o que a pessoa quis dizer, embora compreendamos automaticamente que algo está “estranho”.
Isto se dá por que nosso Léxico Mental está em ação o tempo todo. Isto significa que nosso cérebro possui um repositório – uma espécie de arquivo mental – que guarda estas expressões – conhecidas como Itens Lexicais [Lexical Items ou chunks of language]. Quando alguém usa uma combinação ou outra de modo diferente ou com outra palavra - mesmo que sinônima - a reação é estranha e engraçada.
De acordo com neurocientistas cerca de 80% a 85% do vocabulário [léxico] armazenado em nossa mente – ou seja, em nosso Léxico Mental – está organizado como expressões prontas e semi-prontas, sentenças completas, collocations, polywords, frases fixas e semi-fixas. O restante [menos de 15%] é ocupado por palavras isoladas. É por esta razão que somos capazes de fazer a atividade acima sem maiores dificuldades. Experimente dar esta atividade a um estrangeiro que tenha algum conhecimento de língua portuguesa e veja como ele ou ela se sai.
Tudo isto mostra que seu Léxico Mental é a parte do seu cérebro que armazena palavras isoladas, expressões prontas, frases fixas e semi-fixas, que usamos com maior frequência em nossa língua. É graças ao Léxico Mental que somos capazed de entender o texto abaixo, embora estejam faltando algumas palavras:
“É totalmente desnecessário ___________ que todos nós precisamos evitar a poluição dos mananciais; devemos também economizar a ___________ tratada. Deixar a torneira ___________ enquanto escovamos os ___________ nos coloca na lista dos responsáveis. Atitudes de respeito e preservação do meio ___________, em particular o uso racional da água, podem ser desenvolvidas em atividades em sala de ___________. Podemos contribuir de várias formas para a preservação da água, elemento essencial à vida na ___________”
Escreva as palavras que faltam no texto e depois poste-as na área de comentários deste post e vamos ver como anda o seu Léxico Mental. Você poderá se surpreender! Caso conheça algum estrangeiro que esteja no Brasil já há algum tempo, teste-o e veja o resultado! Compare as respostas! O resultado será curioso e a reação das pessoas também!
FONTE DE PESQUISA: http://www.listown.com/rssdetial/159592.htm
domingo, 25 de outubro de 2009
Cientistas desvendam segredos da aprendizagem
Cientistas desvendam segredos da aprendizagem
por BRUNO ABREU19 Outubro 2009
Uma equipa de investigadores espanhóis, britânicos e colombianos conseguiu medir as alterações cerebrais à medida que se aprende a ler. Uma evolução que é difícil de perceber nas crianças, mas que nos adultos é mais visível. Para isso usaram um grupo de ex-guerrilheiros da Colômbia, que, após anos de luta no meio da selva, decidiram alfabetizar-se
Aprender a ler pro- voca alterações no cérebro, concluiu uma equipa de investigadores, espanhóis, britânicos e colombianos. Os investigadores estudaram um grupo de ex-combatentes das FARC [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia] que estavam a alfabetizar-se e descobriram que os seus cérebros tiveram aumentos de massa cinzenta.
"Trabalhar com ex-guerrilheiros da Colômbia proporcionou-nos uma oportunidade única para ver como se altera o cérebro quando se aprende a ler", explica Manuel Carreiras, director do Centro de Cognição, Cérebro e Linguagem do País Basco, em San Sebastián. Como o ensino da leitura é feito nos primeiros anos de vida, é difícil fazer esta experiência com crianças porque a aprendizagem social e de habilidades motoras impedem um estudo centrado apenas na alfabetização.
O estudo, publicado na revista Nature, indica que Carreiras e os seus colegas analisaram, por ressonância magnética (RMN) os cérebros de 20 guerrilheiros que, após décadas de luta, decidiram reintegrar-se na sociedade colombiana e aprender a ler.
Compararam imagens dos seus cérebros com as de 22 outros ex-FARC que ainda não haviam feito o curso e descobriram que os guerrilheiros alfabetizados tinham mais massa cinzenta nas cinco áreas do córtex cerebral, envolvidas na aprendizagem da leitura.
Os investigadores observaram que para quem aprendeu a ler, tanto em adulto como em criança, a densidade da massa cinzenta (onde ocorre o "processamento" cerebral) é maior em diversas áreas do hemisfério esquerdo do cérebro. Essas áreas são responsáveis pelo reconhecimento da forma das letras e pela sua tradução em sons e significados. Ler também aumenta a intensidade das conexões da massa branca (constituída pelas fibras que interligam os neurónios) entre diversas regiões do cérebro.
O estudo destaca que as conexões de uma área conhecida por "giro angular" são especialmente importantes. Os cientistas sabem há mais de 150 anos que essa região do cérebro é importante para a leitura, mas este estudo mostra que o seu papel não era ainda totalmente compreendido.
Até agora achava-se que o giro angular reconhecia as formas das palavras antes de associar os seus sons e significados. O estudo mostra que o giro angular não está envolvido directamente na tradução de palavras visuais em sons e significados. Em vez disso, ele apoia este processo ao fornecer previsões do que o cérebro espera ver.
"A visão tradicional tem sido a de que o giro angular actua como uma espécie de dicionário que traduz as letras de uma palavra num significado. Na realidade mostramos que o seu papel é mais uma antecipação do que o nosso olho vai ver. É algo parecido com a função de sugestão de texto dos telemóveis quando se escreve mensagens", explica Cathy Price, da University College London, uma das autoras da pesquisa.
As conclusões deste estudo podem ter implicações importantes na investigação de problemas neurológicos como a dislexia. Estes doentes têm diminuições das áreas de massa branca e cinzenta em zonas que cresceram com a leitura.
Tags: Ciência
FONTE DE PESQUISA: http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1394641
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