segunda-feira, 5 de abril de 2010
I SIMPÓSIO CIENTIFÍCO DA NEUROCIÊNCIAS & EDUCAÇÃO
“EDUCAR PARA DIVERSIDADE”
INSTITUTO SABER – (FTP Faculdade de Tecnologia de Palmas) & APAE
COPYRIGTH APAE / SABER / FORMATAÇÃO W2R
Data: 22 de Maio de 2010 (Sábado)
LOCAL: FIEMG
Inscrições: fernandapsicop@yahoo.com.br /
9678 8115
Investimento: R$35,00 até dia: 31/03/10, depósito na conta do Banco Mercantil do Brasil, em nome de :
Fernanda Nascimento Silveira, nº: 01076592-0 agência nº 0068
Participações Especiais: Apresentações das produções científicas das Especialistas da
1ª Turma de Pós Graduação em Neuropedagogia e Psicanálise de Uberlândia e I Mostra APAE Construções: conquistando caminhos para ser e conviver.
PROGRAMAÇÃO DO EVENTO:
8:30h – ABERTURA DO EVENTO:
Apresentações culturais dos alunos da APAE Uberlândia
9:00h - Mesa 1 – NEUROCIÊNCIAS E EDUCAÇÃO - APRENDENDO COM A DIVERSIDADE DA ESCOLA
PALESTRANTE 1 –NEUROPEDIATRA : Drª Nívea Macedo
PALESTRANTE 2 - NEUROPSICOLOGA: Liana Junqueira
COORDENAÇÃO DE MESA – PROFª DRª KELLEY MARQUES
10:00h - Mesa 2 – APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA – FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA DIVERSIDADE
PALESTRANTE 1 – Contribuições da neuropedagogia junto á pessoa com surdez
( Maria de Fátima Sousa F. de Oliveira)
PALESTRANTE 2 - A Formação do vínculo e a construção da aprendizagem: uma visão neurodidática
( Vivían BritoMiranda de Godoy)
PALESTRANTE 3 – Contribuições neuropedagogicas ao processo de aquisição da linguagem
( Viviane Faim de Freitas)
PALESTRANTE 4 – Educação Física e as contribuições da neuropedagogia
(Marisa Chaves da Silveira Guimarães)
PALESTRANTE 5 - Neuropedagogia e a Intervenção da fisioterapia no conceito neuroevolutivo Bobath em crianças com Síndrome de Down
( Fernanda Lima C. Rossi)
COORDENAÇÃO DE MESA – MS Valéria Paiva Casasanta
11 às 14h – AMOSTRA CIENTÍFICA COM EXPOSIÇÃO DE PAINÉIS
14:00h - Mesa 3 – NEURODIDÁTICA APLICADA NA DIVERSIDADE NA ESCOLA
PALESTRANTE 1 – Jogos Cooperativos e suas metodologias , contribuições á neuropedagogia
( Juliana Silveira Tanús )
PALESTRANTE 2 - A Importância do brincar na intervenção neuropedagogica
( Eliane Ferreira Santa Cecília )
PALESTRANTE 3 – Aprendizagem na Educação Infantil – Contribuição neurodidática
( Antônia Gomes de Sousa Soares)
PALESTRANTE 4 – Dificuldades de APRENDIZAGEM ESCOLAR – Um olhar da neuropedagogia em construção
( Claudia Maria Thees de Morais)
COORDENAÇÃO DE MESA :
Fabiana Mendanha
(INSTITUTO SABER – BRASÍLIA)
15:00h - Mesa 4 – QUALIDADE NA EDUCAÇÃO – COMPETENCIAS E HABILIDADES PARA A ESCOLA , A FAMÍLIA E OS PROFISSIONAIS
PALESTRANTE 1 – Gestão Escolar, neuropedagogia e visão sistêmica
( Cássia Marquez Macedo Felice)
PALESTRANTE 2 - Gestão escolar Infantil – Benefícios trazidos pela neuropedagogia
( Regina Helena Borges )
PALESTRANTE 3 – A função social da escola e a neuropedagogia
( Gilda Rios de Sousa)
PALESTRANTE 4 – O Papel dos pais na formação cognitiva de seus filhos
( Rejane S. Ferreira)
PALESTRANTE 5 - Famílias e Crianças Especiais - Intervenção neuropedagogica
( Marislene Nunes da Silva)
16:00h - Mesa 5 – RELATOS DE EXPERIENCIAS –
INTERVENÇÕES NEUROPEDAGÓGICAS
PALESTRANTE 1 – Neurodidática Aplicada – Formação de Professores e Instrumental – Caixas Lúdicas
(PROFª Drª Kelley Marques)
PALESTRANTE 2 - Estimulação neurodidática, Instrumentos Lúdicos e Tecnologia
( Fernanda Nascimento Silveira)
TRABALHOS CIENTÍFICOS INSCRITOS
(sujeito á confirmação - até 28 de fevereiro)
Painel 1: O Papel dos pais na formação cognitiva de seus filhos
( Rejane S. Ferreira)
Painel 2: Educação Física e as contribuições da neuropedagogia
(Marisa Chaves da Silveira Guimarães)
Painel 3: Jogos Cooperativos e suas metodologias , contribuições á neuropedagogia
(Juliana Silveira Tanús)
Painel 4: A Intervenção do professor no desenho infantil (Michele Arantes )
Painel 5: Contribuições da neuropedagogia junto á pessoa com surdez
( Maria de Fátima Sousa F. de Oliveira)
Painel 6: A função social da escola e a neuropedagogia
( Gilda Rios de Sousa)
Painel 7: A Importância do brincar na intervenção neuropedagogica
( Eliane Ferreira Santa Cecília )
Painel 8: Ginástica cerebral com ábaco
( Amanda Alves Santana )
Painel 9: Contribuições neuropedagogicas ao processo de aquisição da linguagem
( Viviane Faim de Freitas)
Painel 10: Intervenções neuropedagogicas das APAES no atendimento de qualidade I –
Empresas e mercado de trabalho
(Fabiana de Melo Mendes)
Painel 11: Intervenções Neuropedagogicas das APAES no atendimento de qualidade II- Sujeitos e Famílias
( Lúcia Helena Medeiros)
Painel 12: Aprendizagem na Educação Infantil – Contribuição Neurodidática
( Antônia Gomes de Sousa Soares)
Painel 13: Dificuldades de Aprendizagem Escolar – Um olhar da neuropedagogia em construção
( Claudia Maria Thees de Morais)
Painel 14: Gestão escolar Infantil – Benefícios trazidos pela neuropedagogia
( Regina Helena Borges )
Painel 15: Neuropedagogia e a Intervenção na fisioterapia pelo instrumental Bobath com crianças
( Fernanda Lima P. Rossi)
Painel 16: Gestão Escolar, Neuropedagogia e visão sistêmica
( Cássia Marquez Macedo Felice)
Painel 17: A Formação do vínculo e a contribuição da neurodidática para a aprendizagem
( Vivían Brito de Godóy)
Painel 18: Intervenção da Neurodidática na mudança de comportamento
( Carmen Lúcia P. de Oliveira )
Painel 19: Famílias e Crianças Especiais - Intervenção neuropedagogica
( Marislene Nunes da Silva)
Painel 20: Inclusão da pessoa com deficiência intelectual no mundo do trabalho
( Marília Batista Marques e Santos )
Painels 21: Estimulação neurodidática, Instrumentos Lúdicos e Tecnologia
( Fernanda Nascimento Silveira)
PROFª DRª KELLEY MARQUES = ( PROFª DRª EDUCAÇÃO,
(UEX- ES) PSICOPEDAGOGA PREVENTIVA E TERAPÊUTICA, PROFª DOCENTE DE METODOLOGIA CIENTIFICA - NEURODIDÁTICA - BIOÉTICA DO INSTITUTO SABER. CONSULTORA EM EDUCAÇÃO)
FONTE DE PESQUISA: http://uberlandia.apaebrasil.org.br/noticia.phtml/28081/I+SIMPOSIO+CIENTIFICO+DA+NEUROCIENCIAS+EDUCACAO.html
sexta-feira, 19 de março de 2010
Mas o que exatamente acontece no cérebro durante o aprendizado?
Ao longo da vida aprendemos diversas tarefas motoras, desde o simples levar a mão à boca ao mais complexo como dirigir. Com tantas tarefas a serem aprendidas, o cérebro precisa contar com uma de suas mais interessantes características: a plasticidade, que é a capacidade do cérebro de se adaptar a mudanças, sem a qual ele estaria fadado às funções com as quais ele nasce, e nada mais. Aprender, afinal, requer modificar o cérebro.
Mas o que exatamente acontece no cérebro durante o aprendizado? Pesquisadores dos Estados Unidos testaram o aprendizado motor em camundongos e constataram que ele leva a uma rápida formação de novas sinapses no cérebro de camundongos adolescentes e até adultos. O estudo foi publicado em novembro de 2009 na Nature.
Tonghui Xu e colegas, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, estudaram camundongos de 1 mês de idade – considerados adolescentes – e outros de mais de 4 meses de idade, já adultos. Os animais eram colocados em gaiolas onde aprendiam a alcançar sementes através de uma fenda. Menos de uma hora depois do aprendizado, já havia um número significativo de novas conexões formadas entre neurônios do córtex motor do lado do cérebro responsável pelos movimentos, mas não do outro lado, que não havia sido usado na tarefa. As novas conexões formadas, chamadas de espinhas dendríticas, conectam neurônios de diversas camadas do cérebro.
Fazendo a mesma tarefa, camundongos jovens ganharam mais conexões novas do que os adultos, sobretudo quando haviam aprendido melhor a tarefa, em comparação aos que falharam mais vezes no teste de alcançar as sementes.
Ao mesmo tempo em que o aprendizado leva à formação de novas sinapses, outras são perdidas: o resultado do aprendizado não é um aumento no número total de sinapses, mas uma mudança no conjunto de sinapses existentes. Em cerca de duas semanas, o número total de sinapses já está de volta aos níveis anteriores ao aprendizado – embora as sinapses agora sejam outras. Sinapses que já eram estáveis, que podem ser a base da memória motora duradoura, aparentemente não são perturbadas pelo aprendizado – o que ótimo: assim você não vai esquecer como andar de bicicleta se começar a fazer aulas de surfe.
A constatação da modificação rápida do cérebro com o aprendizado é interessante para pacientes que sofreram AVCs ou outras lesões: através da formação de novas sinapses, a prática com a fisioterapia pode ajudá-los a se recuperar mais rapidamente e quem sabe recobrar as funções perdidas, voltando a ter uma vida normal.
Xu e sua equipe mostram que o remodelamento estrutural das sinapses acontece quase imediatamente, ao contrário da hipótese anterior de que a formação de sinapses novas levaria dias para acontecer. Aprender, portanto, é mudar o cérebro – e na mesma hora. (SAC, 02/03/2010)
Fonte: Xu T, Yu X, Perlik AJ, Tobin WF, Zweig JA, Tennant K, Jones T, Zuo Y (2009) Rapid formation and selective stabilization of synapses for enduring motor memories, Nature 462, 915-9.
Aprendizado conhecido como “recuperação”, verdadeiro pesadelo para alguns!
Na época do colégio, muitos experimentam a sensação de chegar ao final de uma disciplina e não obter a nota suficiente para passar de ano. Solução? O período de reforço do aprendizado conhecido como “recuperação”, verdadeiro pesadelo para alguns!
Para o desespero dos que esperneiam dizendo que não necessitam de reforço, ou que o reforço não adianta nada, um artigo na revista Neuron de dezembro de 2009 apresenta justamente os benefícios para o cérebro dos alunos que passam por tal período de remediação.
Timothy Keller e Marcel Just, da Universidade Carnegie Mellon em Pittsburgh, EUA, recrutaram crianças em idade escolar com nível de leitura baixo e os separaram em dois grupos: um deles recebeu somente o ensino formal, enquanto o outro passou adicionalmente por aulas de reforço direcionadas para melhorar a capacidade de decodificar fonemas. Comparada às duas semanas usuais de duração da recuperação escolar, a recuperação no estudo foi anormalmente longa: os alunos passaram por 100 horas de estudo remedial, distribuídos em 6 meses, com aulas diárias de 50 minutos, 5 vezes ao semana.
Em crianças com dificuldades de leitura, já havia sido observada uma redução da substância branca semioval do cérebro, que é a porção da substância branca onde se encontram as fibras que conectam os lobos frontal, parietal e temporal, trocando informações necessárias para a leitura. Essa redução pode resultar tanto de uma deficiência de mielinização quanto de uma redução da espessura das fibras ou até do seu número. Com uma menor conectividade entre os lobos cerebrais, a leitura ficaria prejudicada.
Em comparação, Keller e Just observaram que, ao fim dos seis meses do estudo, os alunos submetidos ao programa de recuperação, e somente eles, tiveram um aumento da substância branca semioval. O aumento ocorreu no sentido do envoltório das fibras, o que leva a crer que o efeito da recuperação é um espessamento da bainha de mielina dos axônios da substância branca, que confere isolamento elétrico aos impulsos nervosos que trafegam pelos axônios, tornando a transmissão de sinais mais rápida e fidedigna – o que provavelmente facilita a leitura. De fato, as crianças que fizeram a recuperação, e não as outras, tiveram uma melhora na capacidade de decifrar palavras.
Ou seja: ficar em recuperação pode ser um sofrimento – mas, se serve de consolo, ela é sim capaz de mudar o cérebro! (PfMRI, 10/03/2010)
Fonte: Keller AT, Just MA (2009). Altering Cortical Connectivity: Remediation-Induced Changes in the White Matter of Poor Readers. Neuron. Dec;64(5): 624-631.
Estereótipo acadêmico.
O gosto pela matemática divide as opiniões dos estudantes desde que estão nos primeiros anos do ensino fundamental. Há os que adoram o mundo dos números e há os que torcem o nariz só de pensar em fazer uma multiplicação. Muitos destes últimos manifestam uma grande ansiedade em relação à matemática, que pode ser definida como uma resposta emocional desagradável à matemática, e que é mais comum em mulheres do que em homens. O fato dessa ansiedade em relação à matemática ser mais comum em mulheres, ou meninas, é usado por alguns como evidência de que já na infância as mulheres seriam menos aptas para a matemática do que os homens.
Isso, no entanto, não é necessariamente verdade – e, aliás, há evidências de que não há uma inaptidão inata de qualquer dos sexos para a matemática. Ao contrário, a ansiedade em relação à matemática poderia ser... aprendida. E aprendida, por exemplo, da própria professora de matemática.
Isso é o que descobriram Sian Beilock e colegas, da Universidade de Chicago, em uma pesquisa com estudantes e professoras do ensino fundamental nos EUA, onde 90% dos professores do ensino fundamental são mulheres. O grupo testou as habilidades matemáticas e o grau de ansiedade com relação à matemática de 17 professoras da 1ª e 2ª série do ensino fundamental (mas não professores). Também os estudantes, nos três primeiros meses de aula e nos dois últimos, tiveram testadas suas habilidades matemáticas e sua crença no estereótipo acadêmico de gêneros (“meninos são melhores em matemática e meninas são melhores em leitura”). Afinal, seria possível que a ansiedade matemática das professoras levasse a um menor desempenho das alunas em matemática se estas se acreditassem intrinsicamente ineptas, como sua professora, para a matemática.
Para avaliar a crença no estereótipo acadêmico, os pesquisadores contavam duas histórias isoladas sobre um estudante (sem distinção de sexo, o que funciona em inglês) bom em matemática e um estudante (também sem distinção de sexo) bom em leitura e pediam às crianças para desenhar cada um dos personagens. Os cientistas perguntavam, então, às crianças se os personagens que haviam desenhado eram menino ou menina. O exercício foi realizado duas vezes: no início e no fim do ano letivo.
Resultado: no fim, mas não no início do ano letivo, as meninas lecionadas por professoras com ansiedade matemática tinham maior propensão a acreditar no estereótipo “meninos são bons em matemática e meninas são boas em leitura”. Ao final do ano, essas meninas, alunas de professoras com ansiedade matemática, também tinham menor desempenho matemático em relação aos meninos de sua classe e em relação às meninas da mesma classe que não acreditavam no estereótipo – embora no começo do ano todos tivessem desempenho igual. Os meninos, aliás, não parecem ser afetados pela ansiedade da professora, tenham eles ou não crença no estereótipo acadêmico.
A influência da ansiedade das professoras somente sobre as meninas pode ser atribuída ao fato de crianças em idade escolar (1a e 2a séries) tenderem a se espelhar nos adultos de mesmo sexo para compor seu repertório de comportamentos socialmente aceitáveis. Além disso, essas crianças já conhecem crenças comumente aceitas sobre gêneros e habilidades a elas atribuídas, e tendem a adotar comportamentos e atitudes que elas pensam ser adequados a cada sexo. Sendo assim, se a professora demonstra ansiedade em relação à disciplina e o senso comum diz que os meninos são melhores do que as meninas em matemática, muitas meninas acreditam nisso e sentem-se desmotivadas em desafios matemáticos. Essa falta de motivação tem uma influência direta no desempenho dessas meninas, que acaba sendo pior do que o esperado. Aliada à aceitação do estereótipo, a ansiedade matemática da professora, portanto, leva a queda do desempenho na disciplina, mesmo que a pessoa tenha habilidades suficientes para obter sucesso com os números.
Não se deve, contudo, colocar a culpa só na professora: há muitas outras fontes prováveis de influência no desempenho matemático das meninas, como professoras anteriores, pais, mães e irmãos, que reforçam ou não o estereótipo de habilidades acadêmicas.
O importante é lembrar que o desempenho geral de meninas e meninos não apresenta diferenças inatas: as habilidades são as mesmas entre os sexos, e o que difere é o estímulo que é dado a meninos e meninas para desenvolver suas competências. (SAC, 12/03/10).
Fontes: Beilock SL, Gunderson EA, Ramirez G, Levine SC (2010) Female teacher´s math anxiety affect girls’ math achievement. PNAS 107, 1860-1863.
Para ler mais: veja Mulheres e matemática, aqui nO Cérebro Nosso de Cada Dia.
DISTÚRBIOS, TRANSTORNOS, DIFICULDADES E PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM:
DISTÚRBIOS, TRANSTORNOS, DIFICULDADES E PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM:
Juliana Zantut Nutti
A definição do que se considera como distúrbio, transtorno, dificuldade e/ou problema de aprendizagem é uma das mais inquietantes problemáticas para aqueles que se atuam no diagnóstico, prevenção e reabilitação do processo de aprendizagem, pois envolve uma vasta literatura fundamentada em concepções nem sempre coincidentes ou convergentes. O grande número de obras relacionadas à temática impede que se contemplem todas as definições e abordagens sobre os conceitos mencionados. Pretende-se, no presente artigo, a partir de uma revisão bibliográfica, empreender uma descrição dos conceitos recorrentes na literatura especializada e discutir-se algumas perspectivas de análise sobre o que se vem denominando como “dificuldade de aprendizagem”, a fim de propor um painel provisório acerca da temática. Como síntese apresenta-se a análise de Romero (1995), que situa as diversas teorias ou modelos de concepção sobre as dificuldades de aprendizagem em um contínuo pessoa - ambiente, defendendo uma posição intermediária, integradora e interacionista, baseada em um concepção dialética das dificuldades de aprendizagem, na qual posições aparentemente opostas podem dialogar e serem complementares entre si.
Introdução
A literatura a respeito do diagnóstico e tratamento de distúrbios, transtornos, dificuldades ou problemas de aprendizagem é vasta e fundamentada em concepções, muitas vezes, divergentes entre si.
Devido o grande número de obras relacionadas ao assunto, torna-se inviável contemplar todas as possíveis definições e abordagens sobre esses conceitos. Portanto, nesse texto pretendemos analisar os conceitos mais comumente utilizados na literatura especializada e algumas das muitas perspectivas de análise sobre as dificuldades de aprendizagem, procurando traçar um panorama (ainda que provisório) sobre essa temática.
Segundo Moojen (1999), os termos distúrbios, transtornos, dificuldades e problemas de aprendizagem tem sido utilizados de forma aleatória, tanto na literatura especializada como na prática clínica e escolar, para designar quadros diagnósticos diferentes.
Na mesma perspectiva, França (1996) coloca que a utilização dos termos distúrbios, problemas e dificuldades de aprendizagem é um dos aspectos menos conclusivos para aqueles que iniciam a formação em Psicopedagogia. Para o autor, aparentemente os defensores da abordagem comportamental preferem a utilização do termo distúrbio, enquanto os construtivistas parecem ser adeptos do termo dificuldade. Ainda de acordo com o autor, aparentemente a distinção feita entre os termos dificuldades e distúrbios de aprendizagem esteja baseada na concepção de que o termo “dificuldade” está mais relacionado à problemas de ordem psicopedagógica e/ou sócio - culturais, ou seja, o problema não está centrado apenas no aluno, sendo que essa visão é mais freqüentemente utilizado em uma perspectiva preventiva; por outro lado, o termo “distúrbio” está mais vinculado ao aluno, na medida em que sugere a existência de comprometimento neurológicos em funções corticais específicas, sendo mais utilizado pela perspectiva clínica ou remediativa.
Distúrbios de aprendizagem
Collares e Moysés (1992) analisaram o conceito de distúrbios de aprendizagem do ponto de vista etimológico e a partir do conceito proposto pelo National Joint Comittee for Learning Disabilities (Comitê Nacional de Dificuldades de Aprendizagem), Estados Unidos da América.
Etimologicamente, a palavra distúrbio compõem-se do radical turbare e do prefixo dis. O radical turbare significa “alteração violenta na ordem natural” e pode ser identificado também nas palavras turvo, turbilhão, perturbar e conturbar. O prefixo dis tem como significado “alteração com sentido anormal, patológico” e possui valor negativo. O prefixo dis é muito utilizado na terminologia médica (por exemplo: distensão, distrofia). Em síntese, do ponto do vista etimológico, a palavra distúrbio pode ser traduzida como “anormalidade patológica por alteração violenta na ordem natural”
Segundo as autoras, seguindo a mesma perspectiva etimológica, a expressão distúrbios de aprendizagem teria o significado de “anormalidade patológica por alteração violenta na ordem natural da aprendizagem”, obviamente localizada em quem aprende. Portanto, um distúrbio de aprendizagem obrigatoriamente remete a um problema ou a uma doença que acomete o aluno em nível individual e orgânico.
De acordo com Collares e Moysés (1992), o uso da expressão distúrbio de aprendizagem tem se expandido de maneira assustadora entre os professores, apesar da maioria desses profissionais nem sempre conseguir explicar claramente o significado dessa expressão ou os critérios em que se baseiam para utilizá-la no contexto escolar. Na opinião das autoras, a utilização desmedida da expressão distúrbio de aprendizagem no cotidiano escolar seria mais um reflexo do processo de patologização da aprendizagem ou da biologização das questões sociais.
De acordo com a definição estabelecida em 1981 pelo National Joint Comittee for Learning Disabilities (Comitê Nacional de Dificuldades de Aprendizagem), nos Estados Unidos da América,
Distúrbios de aprendizagem é um termo genérico que se refere a um grupo heterogêneo de alterações manifestas por dificuldades significativas na aquisição e uso da audição, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas. Estas alterações são intrínsecas ao indivíduo e presumivelmente devidas à disfunção do sistema nervoso central. Apesar de um distúrbio de aprendizagem poder ocorrer concomitantemente com outras condições desfavoráveis (por exemplo, alteração sensorial, retardo mental, distúrbio social ou emocional) ou influências ambientais (por exemplo, diferenças culturais, instrução insuficiente/inadequada, fatores psicogênicos), não é resultado direto dessas condições ou influências. (Collares e Moysés, 1992: 32)
O National Joint Comittee for Learning Disabilities é considerado, nos Estados Unidos da América, como o órgão competente para normatizar os assuntos referentes aos distúrbios de aprendizagem. A fim de prevenir a ocorrência de erros de interpretação o Comitê publicou a definição acima apresentada com explicações específicas ao longo de cada frase.
A frase “estas alterações são intrínsecas ao indivíduo e presumivelmente devidas à disfunção do sistema nervoso central”, por exemplo, vem acompanhada da explicação de que a fonte do distúrbio deve ser encontrada internamente à pessoa que é afetada e que a causa do distúrbio de aprendizagem é uma disfunção conhecida ou presumida no sistema nervoso central. Acerca da evidência concreta de organicidade relacionada ao distúrbio de aprendizagem, o Comitê afirma que, apesar de não ser necessário que tal evidência esteja presente, é necessário que, pelo menos, uma disfunção do sistema nervoso central seja a causa suspeita para que o distúrbio possa ser diagnosticado.
No entanto, segundo Ross (1979, citado por Miranda, 2000), a utilização do termo “distúrbio de aprendizagem”, chama a atenção para a existência de crianças que freqüentam escolas e apresentam dificuldades de aprendizagem, embora aparentemente não possuam defeitos físicos, sensoriais, intelectuais ou emocionais. Esse rótulo, segundo o autor, ocasionou durante anos que tais crianças fossem ignoradas, mal diagnosticadas ou maltratadas e as dificuldades que demonstravam serem designadas de várias maneira como “hiperatividade”, “síndrome hipercinética”, “síndrome da criança hiperativa”, “lesão cerebral mínima”, disfunção cerebral mínima”, “dificuldade de aprendizagem” ou “disfunção na aprendizagem.”
Para Collares e Moysés (1992), os distúrbios de aprendizagem seriam frutos do pensamento médico, surgindo como entidades nosológicas e com o caráter de doenças neurológicas.
Transtornos de aprendizagem
Outra terminologia recorrente na literatura especializada é a palavra “transtorno”. Segundo a Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de Doenças - 10, elaborado pela Organização Mundial de Saúde:
O termo “transtorno” é usado por toda a classificação, de forma a evitar problemas ainda maiores inerentes ao uso de termos tais como “doença” ou “enfermidade”. “Transtorno” não é um termo exato, porém é usado para indicar a existência de um conjunto de sintomas ou comportamentos clinicamente reconhecível associado, na maioria dos casos, a sofrimento e interferência com funções pessoais (CID - 10, 1992: 5).
A Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de Doenças - 10 (ou, simplesmente CID - 10) situa os problemas referentes à aprendizagem na classificação Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares (F81), que, por sua vez, está inserida na categoria mais ampla de Transtornos do desenvolvimento psicológico (F80 - 89).
Segundo o CID - 10, todos os transtornos incluídos na categoria Transtornos do desenvolvimento psicológico (F80 - 89), inclusive os Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares (F81), possuem os seguintes aspectos em comum:
- um início que ocorre invariavelmente no decorrer da infância;
- um comprometimento ou atraso no desenvolvimento de funções que são fortemente relacionadas à maturação biológica do sistema nervoso central;
- um curso estável que não envolve remissões (desaparecimentos) e recaídas que tendem a ser características de muitos transtornos mentais.
Segundo o CID - 10:
Na maioria dos casos, as funções afetadas incluem linguagem, habilidades visuoespaciais e/ou coordenação motora. É característico que os comprometimentos diminuam progressivamente à medida que a criança cresce (embora déficits mais leves freqüentemente perdurem na vida adulta). Em geral, a história é de um atraso ou comprometimento que está presente desde tão cedo quando possa ser confiavelmente detectado, sem nenhum período anterior de desenvolvimento normal. A maioria dessas condições é mais comum em meninos que em meninas. (Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da Classificação Internacional de Doenças - 10, 1992: 228).
Em relação aos Transtornos do desenvolvimento psicológico (F80 - 89), o documento coloca que é característicos a esses tipos de transtornos que uma história familiar de transtornos similares ou relacionados esteja presente e que fatores genéticos tenham um papel importante na etiologia (conjunto de possíveis causas) de muitos (mas não de todos) os casos. Os fatores ambientais freqüentemente podem influenciar as funções de desenvolvimento afetadas, porém, na maioria dos casos, esses fatores não possuem uma influência predominante. E adverte que, embora exista uma concordância na conceituação global dos transtornos do desenvolvimento psicológico, a etiologia na maioria dos casos é desconhecida e há incerteza contínua com respeito a ambos (CID - 10, 1992: 228).
Acerca dos Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares (F81), o documento coloca que
(...) são transtornos nos quais os padrões normais de aquisição de habilidades são perturbados desde os estágios iniciais do desenvolvimento. Eles não são simplesmente uma conseqüência de uma falta de oportunidade de aprender nem são decorrentes de qualquer forma de traumatismo ou de doença cerebral adquirida. Ao contrário, pensa-se que os transtornos originam-se de anormalidades no processo cognitivo, que derivam em grande parte de algum tipo de disfunção biológica (CID - 10, 1992: 236).
Quanto ao diagnóstico desses tipos de transtornos, o CID - 10 alerta que existem cinco tipos de dificuldades para que esse seja estabelecido, dos quais destacam-se:
- a necessidade de diferenciar os transtornos de variações normais nas realizações escolares;
- a necessidade de levar em consideração o curso do desenvolvimento, pois, em primeiro lugar, o significado de um atraso de um ano em leitura, na idade de 7 anos é diferente do atraso de um anos aos 14 anos de idade. Em segundo lugar, é comum que um atraso de linguagem nos anos pré - escolares desapareça no que diz respeito à linguagem falada, mas seja seguido por um atraso específico na leitura, o qual, por sua vez, pode diminuir na adolescência, ou seja, a condição é a mesma ao longo do tempo, mas o padrão se altera com o aumento da idade;
- a dificuldade de que as habilidades escolares têm que ser ensinadas e aprendidas: essas habilidades não são apenas resultados da maturação biológica e, dessa maneira, o nível de habilidades de uma criança dependerá das circunstâncias familiares e da escolaridade, além de suas próprias características individuais.
Fazem parte da categoria Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares (F81), as seguintes subcategorias:
F81.0 - Transtorno específico da leitura
F81.1 - Transtorno específico do soletrar
F81.2. - Transtorno específico de habilidades aritméticas
F81.3 - Transtorno misto das habilidades escolares
F81.8 - Outros transtornos do desenvolvimento das habilidades escolares
F81.9 - Transtornos do desenvolvimento das habilidades escolares, não especificado
De acordo com o CID - 10, os Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares são compostos por grupos de transtornos manifestados por comprometimentos específicos e significativos no aprendizado de habilidades escolares, comprometimentos esses que não são resultado direto de outros transtornos, como o retardo mental, os déficits neurológicos grosseiros, os problemas visuais ou auditivos não corrigidos ou as perturbações emocionais, embora eles possam ocorrer simultaneamente com essas condições. Os transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares geralmente ocorrem junto com outras síndromes clínicas, como por exemplo, o transtorno de déficit de atenção ou o transtorno de conduta, ou outros transtornos do desenvolvimento, tais como o transtorno específico do desenvolvimento da função motora ou os transtornos específicos do desenvolvimento da fala e linguagem.
As possíveis causas dos Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares não são conhecidas, mas supõe-se que exista a predominância de fatores biológicos, os quais interagem com fatores não biológicos, como oportunidade para aprender e qualidade do ensino. É um fator diagnóstico importante que os transtornos se manifestem durante os primeiros anos de escolaridade. Portanto, segundo o CID - 10, o atraso do desempenho escolar de crianças em um estágio posterior de suas vidas escolares, devido à falta de interesse, a um ensino deficiente, a perturbações emocionais ou ao aumento ou mudança no padrão de exigência das tarefas, não podem ser considerados Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares.
Ao lado da definição proposta pelo CID - 10, apresentados a análise realizada por Moojen (1999) sobre o conceito de Transtornos de Aprendizagem, a partir do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM - IV). Segundo essa análise, o termo Transtorno de Aprendizagem situa-se na categoria dos Transtornos geralmente diagnosticados pela primeira vez na infância ou adolescência, sendo classificado em Transtorno de Leitura, Transtorno de Matemática e Transtorno da Expressão Escrita. Os Transtornos de Aprendizagem são diagnosticados quando o desempenho de indivíduos submetidos a testes padronizados de leitura, matemática ou expressão escrita está significativamente abaixo do esperado para a idade, escolarização e nível de inteligência. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM - IV) estima que a prevalência dos Transtornos de Aprendizagem seja na faixa de 2 a 10% da população, dependendo da natureza da averiguação e das definições explicadas.
Dificuldades ou problemas de aprendizagem
Moojen (1999) afirma que, ao lado do pequeno grupo de crianças que apresenta Transtornos de Aprendizagem decorrente de imaturidade do desenvolvimento e/ou disfunção psiconeurológica, existe um grupo muito maior de crianças que apresenta baixo rendimento escolar em decorrência de fatores isolados ou em interação. As alterações apresentadas por esse contingente maior de alunos poderiam ser designado como “dificuldades de aprendizagem”. Participariam dessa conceituação os atrasos no desempenho escolar por falta de interesse, perturbação emocional, inadequação metodológica ou mudança no padrão de exigência da escola, ou seja, alterações evolutivas normais que foram consideradas no passado como alterações patológicas.
Pain (1981, citado por Rubinstein, 1996) considera a dificuldade para aprender como um sintoma, que cumpre uma função positiva tão integrativa como o aprender, e que pode ser determinado por:
1. Fatores orgânicos: relacionados com aspectos do funcionamento anatômico, como o funcionamento dos órgãos dos sentidos e do sistema nervoso central;
2. Fatores específicos: relacionados à dificuldades específicas do indivíduo, os quais não são passíveis de constatação orgânica, mas que se manifestam na área da linguagem ou na organização espacial e temporal, dentre outros;
3. Fatores psicógenos: é necessário que se faça a distinção entre dificuldades de aprendizagem decorrentes de um sintoma ou de uma inibição. Quando relacionado ao um sintoma, o não aprender possui um significado inconsciente; quando relacionado a uma inibição, trata-se de uma retração intelectual do ego, ocorrendo uma diminuição das funções cognitivas que acaba por acarretar os problemas para aprender;
4. Fatores ambientais: relacionados às condições objetivas ambientais que podem favorecer ou não a aprendizagem do indivíduo.
Fernández (1991) também considera as dificuldades de aprendizagem como sintomas ou “fraturas” no processo de aprendizagem, onde necessariamente estão em jogo quatro níveis: o organismo, o corpo, a inteligência e o desejo. A dificuldade para aprender, segundo a autora, seria o resultado da anulação das capacidades e do bloqueamento das possibilidades de aprendizagem de um indivíduo e, a fim de ilustrar essa condição, utiliza o termo inteligência aprisionada (atrapada, no idioma original).
Para a autora, a origem das dificuldades ou problemas de aprendizagem não se relaciona apenas à estrutura individual da criança, mas também à estrutura familiar a que a criança está vinculada. As dificuldades de aprendizagem estariam relacionadas às seguintes causas:
1. Causas externas à estrutura familiar e individual: originariam o problema de aprendizagem reativo, o qual afeta o aprender mas não aprisiona a inteligência e, geralmente, surge do confronto entre o aluno e a instituição;
2. Causas internas à estrutura familiar e individual: originariam o problema considerado como sintoma e inibição, afetando a dinâmica de articulações necessárias entre organismo, corpo, inteligência e desejo, causando o desejo inconsciente de não conhecer e, portanto, de não aprender;
3. Modalidades de pensamento derivadas de uma estrutura psicótica, as quais ocorrem em menor número de casos;
4. Fatores de deficiência orgânica: em casos mais raros.
A aprendizagem e seus desvios, para Fernández, compreendem não somente a elaboração objetivante, como também a elaboração subjetivante, as quais estão relacionadas às experiências pessoais, aos intercâmbios afetivos e emocionais, recordações e fantasias (Miranda, 2000).
Em busca de uma síntese (ainda que provisória)
Em uma tentativa de síntese, apresentaremos a proposta de análise de Romero (1995), o qual afirma que, apesar da proliferação de teorias e modelos explicativos com a pretensão, nem sempre bem - sucedida, de esclarecer as dificuldades aprendizagem, em geral essas costumam ser atribuídas a:
1. Variáveis pessoais, como a heterogeneidade ou a lesões cerebrais;
2. Variáveis ambientais, como ambientes familiares e educacionais inadequados;
3. Combinação interativa de ambos os tipos.
Segundo o autor, é possível situar as diferentes teorias ou modelos de concepção das dificuldades de aprendizagem em um contínuo pessoa - ambiente, dependendo da ênfase na responsabilidade da pessoa ou do ambiente na causa da dificuldade.
Em um extremo estariam todas as explicações que se centram no aluno e que compartilham a concepção da pessoa como um ser ativo, considerando o organismo como a fonte de todos os atos. No outro extremo, estariam situadas as correntes de cunho ambiental, que estão ligadas, em maior ou menor grau, a uma concepção mecanicista do desenvolvimento, considerando que a pessoa é controlada pelos estímulos do ambiente externo.
Para melhor visualização, reproduz-se abaixo o quadro originalmente elaborado pelo autor:
As teorias sobre a origem das dificuldades de aprendizagem
situadas em um contínuo pessoa - ambiente segundo a ênfase na importância
daquela ou deste na causa das dificuldades
P ® Teorias sobre déficits neurológicos
E ® Teoria sobre déficits de processos
S psiconeurológicos subjacentes: - Perceptivos
S ® Linguísticos
O ® Teorias sobre atrasos maturativos: Do Sistema Nervoso Central
A ® De funções psicológicas
® Teorias sobre deficiências no processamento ativo da informação
A
M - Baseadas em processos psicológicos subjacentes
B ® Teorias integradoras - Baseadas no processamento da informação
I
E ® Teorias centradas no ambiente
N sócio - educacional do aluno: - No ambiente sociológico
T - No ambiente educacional
E ® Teorias centradas na tarefa
Fonte: ROMERO, J. F. Os atrasos maturativos e as dificuldades de aprendizagem. In: COLL. C., PALACIOS, J., MARCHESI, A. Desenvolvimento psicológico e educação: necessidades educativas especiais e aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995, v. 3
No entanto, segundo Romero (1995), as posições nem sempre limitam-se a uma ou outra dessas categorias: será difícil encontrar, nos dias de hoje, um defensor de causas neurológicas que descarte completamente a importância dos diversos determinantes ambientais, assim como que quem enfatiza a importância dos fatores puramente acadêmicos não pode ignorar a influência de certos processos psiconeurológicos e ambientais.
Nesse sentido, Scoz (1994: 22) coloca que
(...) os problemas de aprendizagem não são restringíveis nem a causas físicas ou psicológicas, nem a análises das conjunturas sociais. É preciso compreendê-los a partir de um enfoque multidimensal, que amalgame fatores orgânicos, cognitivos, afetivos, sociais e pedagógicos, percebidos dentro das articulações sociais. Tanto quanto a análise, as ações sobre os problemas de aprendizagem devem inserir-se num movimento mais amplo de luta pela transformação da sociedade.
Portanto, em posições intermediárias do contínuo pessoa - ambiente deve-se situar a maioria dos autores, os quais defendem posturas integradoras e interacionistas, baseadas em um concepção dialética das dificuldades de aprendizagem, na qual posições aparentemente opostas podem dialogar e serem complementares entre si.
Para fazer o download clique aqui.
Referências bibliográficas
Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: Descrições clínicas e diretrizes diagnósticas. Organização Mundial de Saúde (Org.). Porto Alegre: Artes Médicas, 1993
COLLARES, C. A. L. e MOYSÉS, M. A. A. A História não Contada dos Distúrbios de Aprendizagem. Cadernos CEDES no 28, Campinas: Papirus, 1993, pp.31-48.
FERNÁNDEZ. A. A inteligência aprisionada: abordagem psicopedagógica clínica da criança e da família. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991
FRANÇA, C. Um novato na Psicopedagogia. In: SISTO, F. et al. Atuação psicopedagógica e aprendizagem escolar. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996
MIRANDA, M. I. Crianças com problemas de aprendizagem na alfabetização: contribuições da teoria piagetiana. Araraquara, SP: JM Editora, 2000
MOOJEN, S. Dificuldades ou transtornos de aprendizagem? In: Rubinstein, E. (Org.). Psicopedagogia: uma prática, diferentes estilos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999
ROMERO, J. F. Os atrasos maturativos e as dificuldades de aprendizagem. In: COLL. C., PALACIOS, J., MARCHESI, A. Desenvolvimento psicológico e educação: necessidades educativas especiais e aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995, v. 3
RUBISTEIN, E. A especificidade do diagnóstico psicopedagógico. In: SISTO, F. et al. Atuação psicopedagógica e aprendizagem escolar. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996
SCOZ, B. Psicopedagogia e realidade escolar, o problema escolar e de aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 1994
Publicado em 01/05/2002
FONTE DE PESQUISA:
http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=339
terça-feira, 2 de março de 2010
Tocar música aumenta a capacidade intelectual das crianças
De acordo com um novo estudo crianças que tocam instrumentos musicais ficam mais sensíveis aos sons, incluindo a fala das pessoas e, por conseqüência, aumentando a capacidade delas de aprender novas línguas.
Os testes mostraram as vantagens da exposição de crianças à música, incluindo aquelas que são autistas ou que têm dislexia. Os pesquisadores estabeleceram, então, um elo entre o “ouvido musical” e a capacidade do sistema nervoso de absorver qualquer tipo de som.
De acordo com o estudo, quando as crianças tocavam um instrumento elas tinham um impacto em uma área do cérebro que controla a respiração, as batidas do coração e a reação aos sons.
Os resultados mostraram que crianças “musicais” têm mais facilidade de se comunicar, de interagir com os outros, de relaxar e de expressar suas emoções. Parece que a conversa da sua tia sobre como seu primo pirralho que aprendeu a tocar banjo é incrivelmente inteligente pode não ser só síndrome de mãe coruja. [Telegraph]
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Reorganização Neurofuncional : Método Padovan
Beatriz Padovan: “Da curiosidade à vontade de ajudar”
Por Anna Ruth Dantas
Conhecida mundialmente por ter criado o Método Padovan, a fonoaudióloga Beatriz Padovan é uma referência no tratamento de crianças e adultos com síndromes, paralisia cerebral, vítimas de Acidente Vascular Cerebral. O modelo de tratamento que ela desenvolveu é focado na “reconstrução” das fases do desenvolvimento, atuando na organização do sistema nervoso.
A eficácia desse método é comprovada pela proliferação dele no mundo todo. Desde 1979 Beatriz Padovan ministra cursos em países europeus ensinando o modelo de tratamento. A fonoaudióloga ressalta que o centro de todo trabalho não é a doença, mas o ser humano, o próprio paciente.
“Uma criança que tem um retardo no seu desenvolvimento você pode curá-la com o método. Ou uma pessoa que tenha tido um derrame cerebral, você pode levá-la a ter uma vida normal outra vez, depende da extensão, da lesão, depende do tempo”, destaca a criadora do método, que esteve em Natal para ministrar um curso a convite da fonoaudióloga Yara Caldas.
E, acreditem, todo esse trabalho de Beatriz Padovan surgiu por curiosidade. Ela trabalhava como professora em uma escola pública quando percebeu que cinco alunos não acompanhavam o aprendizado. Informada que se tratava de um caso de Dislexia, a então educadora foi em busca de descobrir como tratar a doença. Começava aí todo o processo de descoberta que viria, mais tarde, a originar o Método Padovan.
É com toda autoridade de quem desenvolveu o método, que Beatriz afirma: o Rio Grande do Norte é referência nesse trabalho para o Norte e Nordeste. Inclusive é no Estado potiguar que está instalado o Centro Nordestino Padovan.
A convidada de hoje do 3 por 4, é uma pessoa muito carismática, simpática no trato, simples no falar e que empolga com o importante método que desenvolveu. Com vocês, Beatriz Padovan.
O Método Padovan é conhecido e aplicado hoje mundialmente. Quando a senhora concebeu esse tipo de tratamento imaginava que fosse chegar tão longe?
Não. Honestamente não. Eu era professora de uma escola onde eu comecei a observar que algumas crianças não aprendiam a ler e escrever e eram inteligentes. E eu me incomodava com isso. Eu dava um reforço para essas crianças, eram cinco de um grupo de 32, e elas pareciam que iam para frente e depois elas regrediam quando eu parava. E isso me incomodava muito até que eu fiquei sabendo que uma delas havia sido diagnosticada como disléxica. E aí pensei que as outras também eram porque as características eram muito semelhantes. E aí pensei: onde vou aprender sobre dislexia? Seria numa faculdade de Fonoaudiologia. E lá fui eu fazer a faculdade de Fono. Essas crianças iam mal em todas as matérias, principalmente naquelas que exigiam corpo, educação física e fazer trabalhos manuais era difícil para elas. Deixei a escola e fui fazer o curso para aprender mais sobre dislexia. Lá eu aprendi e vi a importância da dislexia, não estava relacionada com inteligência, não estava relacionada com preguiça, mas era uma dificuldade real que elas tinham e chegavam (especialistas) a dizer que poderia estar relacionada à disfunção cerebral mínima, que significa alguma coisa neurológica. Fiquei bem interessada em conhecer todo processo, por que isso acontecia e como tratava? Quando chegou na hora de tratar não gostei da metodologia (da universidade) que era o tratamento. Eu vi que eles faziam trabalhar a dificuldade da criança, mas não a criança toda para que ela superassse aquela dificuldade. Cheguei a perguntar para o professor, comentando que via nas crianças dificuldade motora de atenção, concentração e hiperatividade muito grande. E perguntei o que fazer? Ele disse que faria avaliação e ia direto no assunto, se ela não sabe ler vamos ensinar a ler. Muitas abordagens terapêuticas trabalham mais o sintoma e não a causa. E eu pensei: preciso descobrir algo que me convença a trabalhar essas crianças ou vou voltar a ser professora. Estava disposta a fazer isso, quando comecei a estudar muito, ler muito e encontrei a solução do que procurava, mostrando que todo processo de amadurecimento de uma criança estava intimamente relacionado com a capacidade que ela teria mais tarde para manifestar todo aprendizado. Encontrei um neurocirurgião americano que descrevia o desenvolvimento da criança e dizia que se houvesse falha no desenvolvimento se manifestaria mais tarde.
Ou seja, o Método Padovan surgiu de uma grande curiosidade?
De uma grande curiosidade e uma grande vontade de ajudar as crianças.
Mas o método que a senhora desenvolveu é aplicado também a crianças e adultos. Como um tratamento pode atuar em fases tão distintas?
A relação é que quando nós nascemos temos uma programação genética a ser cumprida. Com o filho você espera que ele vá se desenvolvendo, rasteje, engatinhe, fique em pé e depois ande. E se eu tenho uma criança que não alcançou tudo isso por alguma razão, que poderia ser até uma falha de amadurecimento do sistema nervoso central, então o que nós poderíamos fazer era recapitular as fases do desenvolvimento, atingindo e estimulando o sistema nervoso central em cada nível correspondente a cada uma das atividades. Com isso, você vai organizando, estimulando e até nutrindo o sistema nervoso central para que ele retome ou adquira a maturidade para poder estar no seu ambiente, agindo e reagindo.
No Método Padovan a senhora não trabalha a doença, mas o ser humano?
Trabalho com o ser humano, que pode estar doente e pode estar sã. Uma criança com dislexia ela é ativa, muitas vezes a pessoa nem pensa que ela tem alguma doença.
Qual a doença mais difícil de ser tratada com Método Padovan? São síndromes, paralisias?
Tem todas as síndromes, tem as doenças degenerativas do sistema nervoso central, como Parkinson, Alzeimer e outras doenças neurológicas. Com essas doenças que são degenerativas você pode levar a uma melhor qualidade de vida, mas você não pode dizer que cure isso. Mas uma criança que tem um retardo no seu desenvolvimento você pode curá-la com o método. Ou uma pessoa que tenha tido um derrame cerebral, você pode levá-la a ter uma vida normal outra vez, depende da extensão, da lesão, depende do tempo. Você pode levar a ter uma vida normal em qualquer idade. Até as pessoas que ainda estão em coma você começa a aplicar o método, você vai fazer no indivíduo os movimentos que são considerados movimentos genéticos do ser humano.
Mas a senhora conseguiria aplicar esses exercícios com o paciente em coma?
Sim. A gente vai atingindo os níveis neurológicos. O paciente não precisa ter consciência e nem colaborar. Eu faço nele os exercícios. O Método é dividido em duas partes: os exercícios corporais, que é uma recapitulação de todo desenvolvimento do indivíduo. A gente vai repetindo os movimentos sempre na mesma ordem de aquisição e chega até o ponto onde o indivíduo se encontra na sua maturação. A segunda parte é restabelecer e fortalecer, melhorar as funções orais. Nós não temos um órgão para falar, usamos a boca, que foi feita para comer. Esses exercícios seriam toda recapitulação do desenvolvimento que recapitula a própria evolução. Você faz primeiro exercício corporal, em seguida restabelece as funções orais, usando a própria função, respiração, de mastigação, sucção e deglutição.
Mas, mesmo sem a colaboração do paciente, tem resultado?
Mesmo assim tem resultado, um bom resultado. Até com crianças autistas, elas não colaboram nada e você vai fazendo os exercícios e elas vão melhorando cada vez mais.
O que leva o Rio Grande do Norte a ser apontado como uma referência para o Nordeste nesse Método Padovan?
Como o Método veio para cá? Conheci Yara Caldas (coordenadora do Centro Nordestino Padovan, que funciona em Natal), quando eu estava dando um curso em Recife de especialização, do qual ela participou. Esse foi o primeiro curso do Nordeste, foi um curso de dois anos. E a partir de 1997 o Método começou a ser aplicado no Rio Grande do Norte. Em 1999 vim ao Rio Grande do Norte para apresentar o Método, com evento organizado por Yara Caldas, que foi pioneira aqui. Foi aberto o curso de especialização para Norte e Nordeste em Natal. O Rio Grande do Norte é referencial hoje para essa região.
Qual o paciente que lhe deixou mais emocionada?
Se eu não fiz nada na minha vida eu vou contar a história de uma paciente. Era uma paciente autista, tinha 14 anos de idade, isso foi em 1973, e comecei a trabalhar e fui fazer as funções orais. Muitos pacientes demoram a fazer cada função de forma correta. Mas essa menina não falava nada e o prognóstico era nunca falar. Mas fui trabalhando primeiro o corpo e as funções orais. E chegou na hora da sucção e foi muito complicado. Levei um ano e dois meses para conseguir fazê-la dá umas três sugadas. E eu trabalhava todos os dias, cinco vezes por semana. Quando ela começou a sugar, continuei a fazer os exercícios corporais e em seguida os orais e depois de um ano e meio, que ela já estava sugando bem, começou a balbuciar. Ela levou uns cinco anos para falar e hoje ela é uma mulher de mais de 40 anos e hoje fala. De vez em quando ela me telefona. Se eu não fiz nada nesse mundo eu fiz isso, que me deu uma satisfação muito grande.
Detalhes
Sonho concretizado:
ajudar as pessoas a se desenvolverem
Em que acredita:
em Deus, foi Ele quem fez toda
a natureza
Plano:
é uma boa pergunta. Meu plano é divulgar o mais possível, não para mim, mas para pessoas que recebem a terapia. É uma alegria muito grande quando se vê a melhora do paciente.
FONTE DE PESQUISA: http://www.padovan.pro.br/
Por Anna Ruth Dantas
Conhecida mundialmente por ter criado o Método Padovan, a fonoaudióloga Beatriz Padovan é uma referência no tratamento de crianças e adultos com síndromes, paralisia cerebral, vítimas de Acidente Vascular Cerebral. O modelo de tratamento que ela desenvolveu é focado na “reconstrução” das fases do desenvolvimento, atuando na organização do sistema nervoso.
A eficácia desse método é comprovada pela proliferação dele no mundo todo. Desde 1979 Beatriz Padovan ministra cursos em países europeus ensinando o modelo de tratamento. A fonoaudióloga ressalta que o centro de todo trabalho não é a doença, mas o ser humano, o próprio paciente.
“Uma criança que tem um retardo no seu desenvolvimento você pode curá-la com o método. Ou uma pessoa que tenha tido um derrame cerebral, você pode levá-la a ter uma vida normal outra vez, depende da extensão, da lesão, depende do tempo”, destaca a criadora do método, que esteve em Natal para ministrar um curso a convite da fonoaudióloga Yara Caldas.
E, acreditem, todo esse trabalho de Beatriz Padovan surgiu por curiosidade. Ela trabalhava como professora em uma escola pública quando percebeu que cinco alunos não acompanhavam o aprendizado. Informada que se tratava de um caso de Dislexia, a então educadora foi em busca de descobrir como tratar a doença. Começava aí todo o processo de descoberta que viria, mais tarde, a originar o Método Padovan.
É com toda autoridade de quem desenvolveu o método, que Beatriz afirma: o Rio Grande do Norte é referência nesse trabalho para o Norte e Nordeste. Inclusive é no Estado potiguar que está instalado o Centro Nordestino Padovan.
A convidada de hoje do 3 por 4, é uma pessoa muito carismática, simpática no trato, simples no falar e que empolga com o importante método que desenvolveu. Com vocês, Beatriz Padovan.
O Método Padovan é conhecido e aplicado hoje mundialmente. Quando a senhora concebeu esse tipo de tratamento imaginava que fosse chegar tão longe?
Não. Honestamente não. Eu era professora de uma escola onde eu comecei a observar que algumas crianças não aprendiam a ler e escrever e eram inteligentes. E eu me incomodava com isso. Eu dava um reforço para essas crianças, eram cinco de um grupo de 32, e elas pareciam que iam para frente e depois elas regrediam quando eu parava. E isso me incomodava muito até que eu fiquei sabendo que uma delas havia sido diagnosticada como disléxica. E aí pensei que as outras também eram porque as características eram muito semelhantes. E aí pensei: onde vou aprender sobre dislexia? Seria numa faculdade de Fonoaudiologia. E lá fui eu fazer a faculdade de Fono. Essas crianças iam mal em todas as matérias, principalmente naquelas que exigiam corpo, educação física e fazer trabalhos manuais era difícil para elas. Deixei a escola e fui fazer o curso para aprender mais sobre dislexia. Lá eu aprendi e vi a importância da dislexia, não estava relacionada com inteligência, não estava relacionada com preguiça, mas era uma dificuldade real que elas tinham e chegavam (especialistas) a dizer que poderia estar relacionada à disfunção cerebral mínima, que significa alguma coisa neurológica. Fiquei bem interessada em conhecer todo processo, por que isso acontecia e como tratava? Quando chegou na hora de tratar não gostei da metodologia (da universidade) que era o tratamento. Eu vi que eles faziam trabalhar a dificuldade da criança, mas não a criança toda para que ela superassse aquela dificuldade. Cheguei a perguntar para o professor, comentando que via nas crianças dificuldade motora de atenção, concentração e hiperatividade muito grande. E perguntei o que fazer? Ele disse que faria avaliação e ia direto no assunto, se ela não sabe ler vamos ensinar a ler. Muitas abordagens terapêuticas trabalham mais o sintoma e não a causa. E eu pensei: preciso descobrir algo que me convença a trabalhar essas crianças ou vou voltar a ser professora. Estava disposta a fazer isso, quando comecei a estudar muito, ler muito e encontrei a solução do que procurava, mostrando que todo processo de amadurecimento de uma criança estava intimamente relacionado com a capacidade que ela teria mais tarde para manifestar todo aprendizado. Encontrei um neurocirurgião americano que descrevia o desenvolvimento da criança e dizia que se houvesse falha no desenvolvimento se manifestaria mais tarde.
Ou seja, o Método Padovan surgiu de uma grande curiosidade?
De uma grande curiosidade e uma grande vontade de ajudar as crianças.
Mas o método que a senhora desenvolveu é aplicado também a crianças e adultos. Como um tratamento pode atuar em fases tão distintas?
A relação é que quando nós nascemos temos uma programação genética a ser cumprida. Com o filho você espera que ele vá se desenvolvendo, rasteje, engatinhe, fique em pé e depois ande. E se eu tenho uma criança que não alcançou tudo isso por alguma razão, que poderia ser até uma falha de amadurecimento do sistema nervoso central, então o que nós poderíamos fazer era recapitular as fases do desenvolvimento, atingindo e estimulando o sistema nervoso central em cada nível correspondente a cada uma das atividades. Com isso, você vai organizando, estimulando e até nutrindo o sistema nervoso central para que ele retome ou adquira a maturidade para poder estar no seu ambiente, agindo e reagindo.
No Método Padovan a senhora não trabalha a doença, mas o ser humano?
Trabalho com o ser humano, que pode estar doente e pode estar sã. Uma criança com dislexia ela é ativa, muitas vezes a pessoa nem pensa que ela tem alguma doença.
Qual a doença mais difícil de ser tratada com Método Padovan? São síndromes, paralisias?
Tem todas as síndromes, tem as doenças degenerativas do sistema nervoso central, como Parkinson, Alzeimer e outras doenças neurológicas. Com essas doenças que são degenerativas você pode levar a uma melhor qualidade de vida, mas você não pode dizer que cure isso. Mas uma criança que tem um retardo no seu desenvolvimento você pode curá-la com o método. Ou uma pessoa que tenha tido um derrame cerebral, você pode levá-la a ter uma vida normal outra vez, depende da extensão, da lesão, depende do tempo. Você pode levar a ter uma vida normal em qualquer idade. Até as pessoas que ainda estão em coma você começa a aplicar o método, você vai fazer no indivíduo os movimentos que são considerados movimentos genéticos do ser humano.
Mas a senhora conseguiria aplicar esses exercícios com o paciente em coma?
Sim. A gente vai atingindo os níveis neurológicos. O paciente não precisa ter consciência e nem colaborar. Eu faço nele os exercícios. O Método é dividido em duas partes: os exercícios corporais, que é uma recapitulação de todo desenvolvimento do indivíduo. A gente vai repetindo os movimentos sempre na mesma ordem de aquisição e chega até o ponto onde o indivíduo se encontra na sua maturação. A segunda parte é restabelecer e fortalecer, melhorar as funções orais. Nós não temos um órgão para falar, usamos a boca, que foi feita para comer. Esses exercícios seriam toda recapitulação do desenvolvimento que recapitula a própria evolução. Você faz primeiro exercício corporal, em seguida restabelece as funções orais, usando a própria função, respiração, de mastigação, sucção e deglutição.
Mas, mesmo sem a colaboração do paciente, tem resultado?
Mesmo assim tem resultado, um bom resultado. Até com crianças autistas, elas não colaboram nada e você vai fazendo os exercícios e elas vão melhorando cada vez mais.
O que leva o Rio Grande do Norte a ser apontado como uma referência para o Nordeste nesse Método Padovan?
Como o Método veio para cá? Conheci Yara Caldas (coordenadora do Centro Nordestino Padovan, que funciona em Natal), quando eu estava dando um curso em Recife de especialização, do qual ela participou. Esse foi o primeiro curso do Nordeste, foi um curso de dois anos. E a partir de 1997 o Método começou a ser aplicado no Rio Grande do Norte. Em 1999 vim ao Rio Grande do Norte para apresentar o Método, com evento organizado por Yara Caldas, que foi pioneira aqui. Foi aberto o curso de especialização para Norte e Nordeste em Natal. O Rio Grande do Norte é referencial hoje para essa região.
Qual o paciente que lhe deixou mais emocionada?
Se eu não fiz nada na minha vida eu vou contar a história de uma paciente. Era uma paciente autista, tinha 14 anos de idade, isso foi em 1973, e comecei a trabalhar e fui fazer as funções orais. Muitos pacientes demoram a fazer cada função de forma correta. Mas essa menina não falava nada e o prognóstico era nunca falar. Mas fui trabalhando primeiro o corpo e as funções orais. E chegou na hora da sucção e foi muito complicado. Levei um ano e dois meses para conseguir fazê-la dá umas três sugadas. E eu trabalhava todos os dias, cinco vezes por semana. Quando ela começou a sugar, continuei a fazer os exercícios corporais e em seguida os orais e depois de um ano e meio, que ela já estava sugando bem, começou a balbuciar. Ela levou uns cinco anos para falar e hoje ela é uma mulher de mais de 40 anos e hoje fala. De vez em quando ela me telefona. Se eu não fiz nada nesse mundo eu fiz isso, que me deu uma satisfação muito grande.
Detalhes
Sonho concretizado:
ajudar as pessoas a se desenvolverem
Em que acredita:
em Deus, foi Ele quem fez toda
a natureza
Plano:
é uma boa pergunta. Meu plano é divulgar o mais possível, não para mim, mas para pessoas que recebem a terapia. É uma alegria muito grande quando se vê a melhora do paciente.
FONTE DE PESQUISA: http://www.padovan.pro.br/
Engatinhar é preciso para desenvolve conexões cerebrais
Engatinhar é preciso
por TATIANA ARANHA, FILHA DE MARIA DO CARMO
Quando seu filho descobre que pode se movimentar sem a sua ajuda, ele desenvolve conexões cerebrais que vão ser importantes para o aprendizado da fala e da escrita. Quem anda direto pode sentir falta essa etapa depois. Caia no chão com ele.
Muito pai e mãe ficam cheios de orgulho quando o filho pula a fase do engatinhar. Andar direto é isto como sinônimo de precocidade, quase um atestado de QI acima da média, daquelas coisas que a gente gosta de comentar na sala de espera do pediatra. Não é à toa que nos espantamos quando o médico aconselha a pôr o filho no chão e estimulá-lo a, exatamente, engatinhar. ′Ué, mas isso não é voltar atrás?′ Não mesmo. Essa é uma etapa tão importante que pode ajudar seu filho depois, na hora de aprender a falar, a escrever, a copiar a lição...
A coisa parece meio maluca, mas faz sentido. ′Quanto mais possibilidades motoras a criança tem, mais preparada a estrutura neurológica estará para as funções superiores - aprendizado da escrita, da fala e do pensamento′, afirma Fernanda Rombino, filha de Odette, que trabalha com reorganização neurofuncional utilizando o método Padovan.
Ao engatinhar, o campo visual do bebê aumenta, e ele adquire percepção de espaço e tempo - começa a notar volume, distância...
′Fica mais fácil fazer a progressão espacial, que é a noção de que a criança vai precisar, por exemplo, para passar ao caderno o que vê na lousa′, exemplifica Izabel Bicudo, mãe de Pedro e Luiza, psicomotricista e presidente da Sociedade Brasileira de Psicomotricidade.
O fato de o bebê saltar essa fase está ligado à maturação do seu sistema neurofuncional. ′Pode ter causa genética (talvez você mesmo ou os avós nunca tenham engatinhado) ou se dever à falta de estímulos′, diz Dr. Mauro Muszkat, pai de Débora, Renata, Vitor e Daniel, neuropediatra e coordenador do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil. Nada de pânico. ′O sistema neurológico vai se desenvolver normalmente′, garante o médico.
O interessante é proporcionar oportunidades para que seu filho se movimente dessa maneira, mesmo que ele já caminhe.
Foi o que fez Carolina Campos, mãe de Dylan. O menino começou a andar aos 9 meses. ′Primeiro ele circulava pela casa se apoiando em tudo. De repente, começou a andar′, conta a mãe, que estuda arte-terapia. ′Hoje ele também engatinha. Procuro deixar alguns brinquedos próximos para que ele exercite o engatinhar, mas, se o percurso é de
longa distância, ele levanta e vai andando.′
O QUE É O MÉTODO PADOVAN
Quem diria que engatinhar poderia ser um exercício usado em tratamentos fonoaudiológicos? Para tratar problemas de fala, escrita e de doenças como o mal de Alzheimer, a fonoaudióloga Beatriz Padovan baseou seu método nos ensinamentos de Rudolf Steiner (1861-1915) sobre a natureza do ser humano e na teoria da reorganização neurológica, criada na década de 50 pelo neurologista americano Temple Fay (1895-1963). Após anos de estudo, elaborou uma série composta por exercícios corporais, respiratórios e oro-bucal-faciais. ′São exercícios como rolar, rastejar, engatinhar.
A idéia é repetir diversas fases do desenvolvimento do sistema neurológico, assim o paciente recapitula alguns processos que podem interferir em sua fala e seu pensamento′, comenta a fonoaudióloga Fernanda Rombino. ′Os pais aos poucos começam perceber a diferença. Às vezes melhora o desenho, a habilidade de recortar, a fala e até o funcionamento do intestino.′
Ele se move!
Engatinhar, no dicionário, é andar de gatinho, sustentando o corpo em quatro pontos. Quando seu filho conseguir virar de bruços, prepare-se! Os bracinhos já estão mais fortes, e, um belo dia, ele joga o corpo para frente, vira a barriga para baixo, apóia as mãos e os joelhos no chão, empina a bundinha e lá vai atrás do que lhe chamar mais a atenção. ′É instintivo fazer movimentos cruzados (braço direito e perna esquerda) como os gatos′, explica a fonoaudióloga Fernanda Rombino. Com o passar do tempo, a cadeia muscular, sob o comando do cérebro, adquire maior organização. Aos poucos os reflexos se tornam ações voluntárias, aprendidas. ′Até então, qualquer ação do bebê era ato reflexo, como buscar o peito da mãe para mamar′, complementa.
A vivência que a criança arrastando-se pelo chão adquire é fundamental para o amadurecimento do mesencéfalo - parte do cérebro responsável pela remessa de mensagens ligadas à realização de movimentos. Com o deslocamento do bebê, os dois hemisférios cerebrais passam a trabalhar unidos.
Não é a mamãe!
Entre o oitavo e o nono mês, aproximadamente, o bebê desfruta dessa incrível sensação de liberdade. Ele está apto para suas primeiras expedições pela casa. ′É a descoberta de um novo mundo, a criança cria novas relações espaciais e ganha um repertório mais amplo′, afirma Dr. Mauro. Agora tudo é uma ação motora. ′A partir da experiência corporal, das novas vivências, o bebê constrói imagens e pensamentos′, acrescenta a psicomotricista Izabel Bicudo. O desenvolvimento das crianças pode ser avaliado por três aspectos: neuromotor, anato-fisiológico e psicológico. O primeiro é responsável pela consciência do eixo corporal, que é fundamental para o equilíbrio e as noções de lateralidade (percepção do que está à direita ou à esquerda, na frente ou atrás...). O segundo está ligado ao fortalecimento muscular, à formação da curvatura cervical e lombar, posicionando a coluna de forma mais correta, e à curva plantar, que o pezinho do bebê não tinha antes. Nessa fase de início de independência, de autonomia e mobilidade, a criança descobre que a mãe é uma coisa e ela outra. ′Até então, o bebê achava que ele e a mãe eram a mesma pessoa. O desenvolvimento psicológico surge a partir das experiências corporais′, completa Izabel. Então, coloque seu filho no chão e deixe que ele ganhe o mundo.
AJUDE SEU FILHO A ENGATINHAR
Não tenha receio de colocar o bebê no chão. Estique um edredom ou um tapetinho próprio para bebês, vendido em loja de brinquedos. A criança precisa de espaço para se exercitar.
Crie um ambiente seguro. A melhor maneira de descobrir onde estão os riscos é sair, você mesmo, engatinhando pela casa.
Coloque no chão objetos que chamem atenção, mas os deixe um uma distância que possibilite que o bebê engatinhe.
Leve a criança diante do espelho para que ela se reconheça. Se possível, instale no quarto do bebê um espelho no sentido horizontal bem próximo ao chão. Ele observará seus movimentos.
Já é possível distraí-los com brincadeiras como: ′Cadê? Achou!′. Eles adoram se esconder atrás de qualquer coisa.
Estimule a visão da criança com brinquedos coloridos e objetos externos, relacionados a cenas do cotidiano. Exemplo: dar nome às coisas, mostrar o cachorro, a árvore, os pássaros etc.
FONTE DE PESQUISA:
http://www.revistapaisefilhos.com.br/htdocs/index.php?id_pg=109&id_txt=269
por TATIANA ARANHA, FILHA DE MARIA DO CARMO
Quando seu filho descobre que pode se movimentar sem a sua ajuda, ele desenvolve conexões cerebrais que vão ser importantes para o aprendizado da fala e da escrita. Quem anda direto pode sentir falta essa etapa depois. Caia no chão com ele.
Muito pai e mãe ficam cheios de orgulho quando o filho pula a fase do engatinhar. Andar direto é isto como sinônimo de precocidade, quase um atestado de QI acima da média, daquelas coisas que a gente gosta de comentar na sala de espera do pediatra. Não é à toa que nos espantamos quando o médico aconselha a pôr o filho no chão e estimulá-lo a, exatamente, engatinhar. ′Ué, mas isso não é voltar atrás?′ Não mesmo. Essa é uma etapa tão importante que pode ajudar seu filho depois, na hora de aprender a falar, a escrever, a copiar a lição...
A coisa parece meio maluca, mas faz sentido. ′Quanto mais possibilidades motoras a criança tem, mais preparada a estrutura neurológica estará para as funções superiores - aprendizado da escrita, da fala e do pensamento′, afirma Fernanda Rombino, filha de Odette, que trabalha com reorganização neurofuncional utilizando o método Padovan.
Ao engatinhar, o campo visual do bebê aumenta, e ele adquire percepção de espaço e tempo - começa a notar volume, distância...
′Fica mais fácil fazer a progressão espacial, que é a noção de que a criança vai precisar, por exemplo, para passar ao caderno o que vê na lousa′, exemplifica Izabel Bicudo, mãe de Pedro e Luiza, psicomotricista e presidente da Sociedade Brasileira de Psicomotricidade.
O fato de o bebê saltar essa fase está ligado à maturação do seu sistema neurofuncional. ′Pode ter causa genética (talvez você mesmo ou os avós nunca tenham engatinhado) ou se dever à falta de estímulos′, diz Dr. Mauro Muszkat, pai de Débora, Renata, Vitor e Daniel, neuropediatra e coordenador do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Infantil. Nada de pânico. ′O sistema neurológico vai se desenvolver normalmente′, garante o médico.
O interessante é proporcionar oportunidades para que seu filho se movimente dessa maneira, mesmo que ele já caminhe.
Foi o que fez Carolina Campos, mãe de Dylan. O menino começou a andar aos 9 meses. ′Primeiro ele circulava pela casa se apoiando em tudo. De repente, começou a andar′, conta a mãe, que estuda arte-terapia. ′Hoje ele também engatinha. Procuro deixar alguns brinquedos próximos para que ele exercite o engatinhar, mas, se o percurso é de
longa distância, ele levanta e vai andando.′
O QUE É O MÉTODO PADOVAN
Quem diria que engatinhar poderia ser um exercício usado em tratamentos fonoaudiológicos? Para tratar problemas de fala, escrita e de doenças como o mal de Alzheimer, a fonoaudióloga Beatriz Padovan baseou seu método nos ensinamentos de Rudolf Steiner (1861-1915) sobre a natureza do ser humano e na teoria da reorganização neurológica, criada na década de 50 pelo neurologista americano Temple Fay (1895-1963). Após anos de estudo, elaborou uma série composta por exercícios corporais, respiratórios e oro-bucal-faciais. ′São exercícios como rolar, rastejar, engatinhar.
A idéia é repetir diversas fases do desenvolvimento do sistema neurológico, assim o paciente recapitula alguns processos que podem interferir em sua fala e seu pensamento′, comenta a fonoaudióloga Fernanda Rombino. ′Os pais aos poucos começam perceber a diferença. Às vezes melhora o desenho, a habilidade de recortar, a fala e até o funcionamento do intestino.′
Ele se move!
Engatinhar, no dicionário, é andar de gatinho, sustentando o corpo em quatro pontos. Quando seu filho conseguir virar de bruços, prepare-se! Os bracinhos já estão mais fortes, e, um belo dia, ele joga o corpo para frente, vira a barriga para baixo, apóia as mãos e os joelhos no chão, empina a bundinha e lá vai atrás do que lhe chamar mais a atenção. ′É instintivo fazer movimentos cruzados (braço direito e perna esquerda) como os gatos′, explica a fonoaudióloga Fernanda Rombino. Com o passar do tempo, a cadeia muscular, sob o comando do cérebro, adquire maior organização. Aos poucos os reflexos se tornam ações voluntárias, aprendidas. ′Até então, qualquer ação do bebê era ato reflexo, como buscar o peito da mãe para mamar′, complementa.
A vivência que a criança arrastando-se pelo chão adquire é fundamental para o amadurecimento do mesencéfalo - parte do cérebro responsável pela remessa de mensagens ligadas à realização de movimentos. Com o deslocamento do bebê, os dois hemisférios cerebrais passam a trabalhar unidos.
Não é a mamãe!
Entre o oitavo e o nono mês, aproximadamente, o bebê desfruta dessa incrível sensação de liberdade. Ele está apto para suas primeiras expedições pela casa. ′É a descoberta de um novo mundo, a criança cria novas relações espaciais e ganha um repertório mais amplo′, afirma Dr. Mauro. Agora tudo é uma ação motora. ′A partir da experiência corporal, das novas vivências, o bebê constrói imagens e pensamentos′, acrescenta a psicomotricista Izabel Bicudo. O desenvolvimento das crianças pode ser avaliado por três aspectos: neuromotor, anato-fisiológico e psicológico. O primeiro é responsável pela consciência do eixo corporal, que é fundamental para o equilíbrio e as noções de lateralidade (percepção do que está à direita ou à esquerda, na frente ou atrás...). O segundo está ligado ao fortalecimento muscular, à formação da curvatura cervical e lombar, posicionando a coluna de forma mais correta, e à curva plantar, que o pezinho do bebê não tinha antes. Nessa fase de início de independência, de autonomia e mobilidade, a criança descobre que a mãe é uma coisa e ela outra. ′Até então, o bebê achava que ele e a mãe eram a mesma pessoa. O desenvolvimento psicológico surge a partir das experiências corporais′, completa Izabel. Então, coloque seu filho no chão e deixe que ele ganhe o mundo.
AJUDE SEU FILHO A ENGATINHAR
Não tenha receio de colocar o bebê no chão. Estique um edredom ou um tapetinho próprio para bebês, vendido em loja de brinquedos. A criança precisa de espaço para se exercitar.
Crie um ambiente seguro. A melhor maneira de descobrir onde estão os riscos é sair, você mesmo, engatinhando pela casa.
Coloque no chão objetos que chamem atenção, mas os deixe um uma distância que possibilite que o bebê engatinhe.
Leve a criança diante do espelho para que ela se reconheça. Se possível, instale no quarto do bebê um espelho no sentido horizontal bem próximo ao chão. Ele observará seus movimentos.
Já é possível distraí-los com brincadeiras como: ′Cadê? Achou!′. Eles adoram se esconder atrás de qualquer coisa.
Estimule a visão da criança com brinquedos coloridos e objetos externos, relacionados a cenas do cotidiano. Exemplo: dar nome às coisas, mostrar o cachorro, a árvore, os pássaros etc.
FONTE DE PESQUISA:
http://www.revistapaisefilhos.com.br/htdocs/index.php?id_pg=109&id_txt=269
Consumo de remédios contra déficit de atenção aumenta 1.616%
Consumo de remédios contra déficit de atenção aumenta 1.616%
Agitação, impulsividade e distração podem ser apenas características de crianças mais inquietas, e não sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Estima-se que de 3% a 6% das crianças entre 6 e 13 anos de idade sofram do distúrbio, mas especialistas alertam para o risco de diagnóstico errado.
Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (Idum), o consumo de comprimidos para controlar o TDAH cresceu 1.616% de 2004 a 2008. A Anvisa indica, para o mesmo período, aumento de 71% no número de caixas comercializadas.
Para o presidente do Idum, Antônio Barbosa, é necessário alertar a população sobre possíveis exageros. "Os números mostram que o medicamento está sendo receitado sem critério. Não precisa dopar uma criança para ela se concentrar nos estudos. É preciso ter cuidado", observa o farmacêutico.
Um das dificuldades para o diagnóstico preciso é que o TDAH é diagnosticado clinicamente. Não existem exames que comprovem a doença, por isso é necessário que o médico faça uma avaliação minuciosa do histórico familiar da criança e até da vida escolar.
Coordenador de Neuro-Psiquiatria Infanto-juvenil da Santa Casa de Misericórdia, Fábio Barbirato admite exageros, mas alerta que apesar do aumento da venda de medicamentos que controlam o transtorno, somente 1,6% das crianças que sofrem de TDAH têm acesso ao tratamento. "A venda de remédios aumentou porque existem mais profissionais aptos a identificar a doença. Mas a alta também é explicada pelo erro do diagnóstico. Não é porque a criança está desobediente que ela tem o distúrbio", alerta.
Segundo o especialista, 91% dos brasileiros desconhecem o TDAH. "Muitas crianças sofrem da doença, mas não tem acesso ao tratamento". A atriz Silvia Pfeifer vive o drama na vida real. A filha, Emanuella Pfeifer, 24 anos, sofre de TDAH. Antes de ter o diagnóstico, Emanuella chegou a trocar de escola cinco vezes, e passou por pelo menos três psicólogos e quatro pedagogos.
Segundo a presidente da Associação Brasileira de Déficit de Atenção, Iane Kestelman, na maioria dos casos, o TDAH está associado a outras doenças, como dislexia, depressão e bipolaridade. "A família precisa buscar informações sérias, até para questionar a validade do diagnóstico, que nem sempre é feito corretamente", aconselha a psicóloga.
Agitação, impulsividade e distração podem ser apenas características de crianças mais inquietas, e não sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Estima-se que de 3% a 6% das crianças entre 6 e 13 anos de idade sofram do distúrbio, mas especialistas alertam para o risco de diagnóstico errado.
Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (Idum), o consumo de comprimidos para controlar o TDAH cresceu 1.616% de 2004 a 2008. A Anvisa indica, para o mesmo período, aumento de 71% no número de caixas comercializadas.
Para o presidente do Idum, Antônio Barbosa, é necessário alertar a população sobre possíveis exageros. "Os números mostram que o medicamento está sendo receitado sem critério. Não precisa dopar uma criança para ela se concentrar nos estudos. É preciso ter cuidado", observa o farmacêutico.
Um das dificuldades para o diagnóstico preciso é que o TDAH é diagnosticado clinicamente. Não existem exames que comprovem a doença, por isso é necessário que o médico faça uma avaliação minuciosa do histórico familiar da criança e até da vida escolar.
Coordenador de Neuro-Psiquiatria Infanto-juvenil da Santa Casa de Misericórdia, Fábio Barbirato admite exageros, mas alerta que apesar do aumento da venda de medicamentos que controlam o transtorno, somente 1,6% das crianças que sofrem de TDAH têm acesso ao tratamento. "A venda de remédios aumentou porque existem mais profissionais aptos a identificar a doença. Mas a alta também é explicada pelo erro do diagnóstico. Não é porque a criança está desobediente que ela tem o distúrbio", alerta.
Segundo o especialista, 91% dos brasileiros desconhecem o TDAH. "Muitas crianças sofrem da doença, mas não tem acesso ao tratamento". A atriz Silvia Pfeifer vive o drama na vida real. A filha, Emanuella Pfeifer, 24 anos, sofre de TDAH. Antes de ter o diagnóstico, Emanuella chegou a trocar de escola cinco vezes, e passou por pelo menos três psicólogos e quatro pedagogos.
Segundo a presidente da Associação Brasileira de Déficit de Atenção, Iane Kestelman, na maioria dos casos, o TDAH está associado a outras doenças, como dislexia, depressão e bipolaridade. "A família precisa buscar informações sérias, até para questionar a validade do diagnóstico, que nem sempre é feito corretamente", aconselha a psicóloga.
Curso de Neuropsicopedagogia I
Curso de Neuropsicopedagogia I
A Clínica RECREAR RECRIAR está promovendo o curso de Neuropsicopedagogia I, que objetiva a promoção de conhecimentos que oportunizem a interdisciplinaridade entre a educação, a pediatria, a neurologia, a psicologia, a pedagogia e a fonoaudiologia.
O curso será administrado em módulos mensais, sempre aos sábados, totalizando oito encontros com duração de oito horas aula cada.
Trata-se de curso diferenciado, ministrado por profissionais especializados em suas áreas.
Público alvo: psicólogos, médicos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, professores, estudantes, pais e áreas afins.
Datas: 20/02/2010, 13/03/2010, 10/04/2010, 08/05/2010, 20/06/2010,
Julho – Férias, 14/08/2010, 11/09/2010, 09/10/2010
Horário do Curso: Das 08h00min às 12h00min e das 13h30min às 17h30min, com intervalo para coffee break das 10h15min às 10h30min e das 15h00min às 15h15min.
Local do Curso: O curso vai acontecer em Rio do Sul (Santa Catarina) o local ainda não está definido, assim que eu tiver confirmado o local eu entrarei em contato novamente.
Valor do Curso: Inscrição R$125,00 e sete mensalidades de R$125,00.
Inscrição: A inscrição deverá ser feita até o dia 22/01/2010. O valor da inscrição será de R$125,00. Este pagamento confirmará a participação do inscrito para o primeiro encontro.
Obs.: O valor da inscrição não será devolvido (exceto em casos de força maior – doenças, etc.).
Mensalidades:
Para o pagamento das demais mensalidades o interessado deverá trazer cheques pré datados no primeiro encontro; caso não trabalhe com cheques, poderá fazer o depósito das mensalidades na mesma conta na qual vai depositar a inscrição e nos enviar o comprovante, ou nos entregar esse comprovante na hora do curso.
Certificados: serão fornecidos aos participantes que obtiverem frequência igual ou superior a 75%. Não será permitida a troca de participantes já inscritos. Serão aceitas apenas novas inscrições no decorrer do curso.
PROGRAMA:
NEUROANATOMIA/NEUROFISIOLOGIA
Disfunção/ Lesão
Avaliação Neurológica
Paralisia Cerebral/ Afasias
Deficiência Mental
Distúrbios de Aprendizagem: DDA, TDAH, Dislexia, Discalculia, Disgrafia, Disortografia
Síndromes
Epilepsia – Autismo
Psicose
Exames complementares: EEG, Spect, Mapeamento, Tomografia, Ressonância
FUNÇÕES PSICOLÓGICAS SUPERIORES (concepções de Lúria)
Funções inter-hemisféricas
Plasticidade cerebral
Áreas anteriores do cérebro: Lobo Frontal no planejamento, intenção e controle da ação voluntária
Áreas posteriores do cérebro: Lobo Temporal, Parietal e Occipital
Áreas subcorticais do cérebro – Atenção e Percepção
Memória: teorias, tipos e localizações
Linguagem & Pensamento
Sistema límbico
Formação Reticular
Níveis de Aprendizado: recepção-expressão
ANÁLISE DE FUNÇÕES
Pretende-se mostrar como os dados obtidos pelos profissionais das diferentes áreas, através de instrumentos de avaliação neuropsico-pedagógica e fonoaudiológica, podem orientar a estimulação de áreas funcionais defasadas.
Classificação das Dificuldades de Aprendizagem
Escalas de Desenvolvimento e o Amadurecimento das Funções
Importância da avaliação e sugestões de atividades.
Correlação com o desenvolvimento neuropsicológico.
Escalas de Desenvolvimento de 0 a 6 Anos – Vitor Da Fonseca
Análise Psicomotora da Primeira e da Segunda Infância de Picq e Vayer
Sugestões de atividades psicomotoras. Correlação das áreas avaliadas, com a neuropsicopedagogia e com a aprendizagem.
Bender/ Pré-Bender (Teste gestáltico visomotor de Lauretta Bender)
Correlação com a neuropsicopedagogia e com a aprendizagem.
A Construção da Inteligência e Formas de Analisá-La
Correlação com a neuropsicopedagogia e com a aprendizagem.
WISC III – Escala de Inteligência para Crianças
Importância para o diagnóstico neuropsicopedagógico e a correlação com a aprendizagem.
Avaliação das Estruturas Cognitivas
Apresentação de algumas provas piagetianas, tais como: seriação, dicotomia, conservação de pequenos conjuntos, intersecção, combinação de fichas, matrizes multiplicativas.
Correlação com as áreas neuropsicológicas envolvidas e com a aprendizagem.
Análise dos Aspectos do Desenvolvimento de Habilidades Psicolinguísticas
Correlação com a aprendizagem e com as áreas cerebrais envolvidas.
Sugestões de atividades para estimulação de áreas defasadas (auditivas e visuais)
PROFISSIONAIS RESPONSÁVEIS
Sérgio Antônio Antoniuk - CRM 6753 – Médico Neuropediatra
Maria da Graça Conceição - CRP 08/0145 – Psicóloga
Rosilda dos S. Dallagassa - CRP 08/1585 - Psicóloga
Ursula Marianne Simons - CRP 08/1647 – Psicóloga
INFORMAÇÕES E DÚVIDAS
clex@uol.com.br.
Dúvidas: (47) 99188331 ou 99188661
A Clínica RECREAR RECRIAR está promovendo o curso de Neuropsicopedagogia I, que objetiva a promoção de conhecimentos que oportunizem a interdisciplinaridade entre a educação, a pediatria, a neurologia, a psicologia, a pedagogia e a fonoaudiologia.
O curso será administrado em módulos mensais, sempre aos sábados, totalizando oito encontros com duração de oito horas aula cada.
Trata-se de curso diferenciado, ministrado por profissionais especializados em suas áreas.
Público alvo: psicólogos, médicos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, professores, estudantes, pais e áreas afins.
Datas: 20/02/2010, 13/03/2010, 10/04/2010, 08/05/2010, 20/06/2010,
Julho – Férias, 14/08/2010, 11/09/2010, 09/10/2010
Horário do Curso: Das 08h00min às 12h00min e das 13h30min às 17h30min, com intervalo para coffee break das 10h15min às 10h30min e das 15h00min às 15h15min.
Local do Curso: O curso vai acontecer em Rio do Sul (Santa Catarina) o local ainda não está definido, assim que eu tiver confirmado o local eu entrarei em contato novamente.
Valor do Curso: Inscrição R$125,00 e sete mensalidades de R$125,00.
Inscrição: A inscrição deverá ser feita até o dia 22/01/2010. O valor da inscrição será de R$125,00. Este pagamento confirmará a participação do inscrito para o primeiro encontro.
Obs.: O valor da inscrição não será devolvido (exceto em casos de força maior – doenças, etc.).
Mensalidades:
Para o pagamento das demais mensalidades o interessado deverá trazer cheques pré datados no primeiro encontro; caso não trabalhe com cheques, poderá fazer o depósito das mensalidades na mesma conta na qual vai depositar a inscrição e nos enviar o comprovante, ou nos entregar esse comprovante na hora do curso.
Certificados: serão fornecidos aos participantes que obtiverem frequência igual ou superior a 75%. Não será permitida a troca de participantes já inscritos. Serão aceitas apenas novas inscrições no decorrer do curso.
PROGRAMA:
NEUROANATOMIA/NEUROFISIOLOGIA
Disfunção/ Lesão
Avaliação Neurológica
Paralisia Cerebral/ Afasias
Deficiência Mental
Distúrbios de Aprendizagem: DDA, TDAH, Dislexia, Discalculia, Disgrafia, Disortografia
Síndromes
Epilepsia – Autismo
Psicose
Exames complementares: EEG, Spect, Mapeamento, Tomografia, Ressonância
FUNÇÕES PSICOLÓGICAS SUPERIORES (concepções de Lúria)
Funções inter-hemisféricas
Plasticidade cerebral
Áreas anteriores do cérebro: Lobo Frontal no planejamento, intenção e controle da ação voluntária
Áreas posteriores do cérebro: Lobo Temporal, Parietal e Occipital
Áreas subcorticais do cérebro – Atenção e Percepção
Memória: teorias, tipos e localizações
Linguagem & Pensamento
Sistema límbico
Formação Reticular
Níveis de Aprendizado: recepção-expressão
ANÁLISE DE FUNÇÕES
Pretende-se mostrar como os dados obtidos pelos profissionais das diferentes áreas, através de instrumentos de avaliação neuropsico-pedagógica e fonoaudiológica, podem orientar a estimulação de áreas funcionais defasadas.
Classificação das Dificuldades de Aprendizagem
Escalas de Desenvolvimento e o Amadurecimento das Funções
Importância da avaliação e sugestões de atividades.
Correlação com o desenvolvimento neuropsicológico.
Escalas de Desenvolvimento de 0 a 6 Anos – Vitor Da Fonseca
Análise Psicomotora da Primeira e da Segunda Infância de Picq e Vayer
Sugestões de atividades psicomotoras. Correlação das áreas avaliadas, com a neuropsicopedagogia e com a aprendizagem.
Bender/ Pré-Bender (Teste gestáltico visomotor de Lauretta Bender)
Correlação com a neuropsicopedagogia e com a aprendizagem.
A Construção da Inteligência e Formas de Analisá-La
Correlação com a neuropsicopedagogia e com a aprendizagem.
WISC III – Escala de Inteligência para Crianças
Importância para o diagnóstico neuropsicopedagógico e a correlação com a aprendizagem.
Avaliação das Estruturas Cognitivas
Apresentação de algumas provas piagetianas, tais como: seriação, dicotomia, conservação de pequenos conjuntos, intersecção, combinação de fichas, matrizes multiplicativas.
Correlação com as áreas neuropsicológicas envolvidas e com a aprendizagem.
Análise dos Aspectos do Desenvolvimento de Habilidades Psicolinguísticas
Correlação com a aprendizagem e com as áreas cerebrais envolvidas.
Sugestões de atividades para estimulação de áreas defasadas (auditivas e visuais)
PROFISSIONAIS RESPONSÁVEIS
Sérgio Antônio Antoniuk - CRM 6753 – Médico Neuropediatra
Maria da Graça Conceição - CRP 08/0145 – Psicóloga
Rosilda dos S. Dallagassa - CRP 08/1585 - Psicóloga
Ursula Marianne Simons - CRP 08/1647 – Psicóloga
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clex@uol.com.br.
Dúvidas: (47) 99188331 ou 99188661
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