segunda-feira, 2 de maio de 2011

A gaguez, ou tartamudez .

A gaguez na infância
A gaguez na infância


A gaguez, ou tartamudez, como tecnicamente se designa, é um distúrbio da linguagem que afecta cerca de 1 por cento das crianças e 0,8 por cento dos adolescentes.

Caracteriza-se por uma alteração no ritmo da locução, surgindo repetições ou bloqueios. Esta descontinuidade provoca uma ruptura ao nível do ritmo e da melodia do discurso. Embora não se saibam muito bem os motivos, o certo é que os rapazes são mais afectados que as raparigas, e a proporção é de 3 para 1.

Actualmente, constata-se que cerca de 80 por cento das pessoas com gaguez acabam por recuperar de modo espontâneo. Vulgarmente, essa recuperação faz-se até aos 16 anos, idade em que termina a adolescência.
Tipos de gaguez

- A gaguez Clónica caracteriza-se pela repetição de uma sílaba no início da frase ou quando está a pronunciá-la. Há uma repetição compulsiva das sílabas que ficam presas ( por exemplo : Por-Por-Por-Portugal).

- A gaguez Tónica é acompanhada por uma paragem no discurso, impedindo a articulação da palavra. Parece que se tropeça nas palavras. De repente, a palavra em falta explode e a frase completa-se – por exemplo: queres comer, comer, comer, um gelado? A gaguez pode ser acompanhada de movimentos motores como piscar os olhos, tiques e tremores.


- A balbuciação ou titubeação , são também distúrbios que se enquadram na gaguez. O balbuciador possui um pensamento que, por assim dizer, se desenrola mais rapidamente do que é possível verbalizar o que provoca um choque de palavras. Na titubeação, as frases são imperfeitas, incoerentes no modo como se constroem, mas não na sua articulação.


Quando surge?


A gaguez tende a surgir entre os 3 e os 6 anos, mas é mais frequente aos 5 anos. Estas idades constituem por si só, duas fases críticas do desenvolvimento infantil, uma vez que é por volta dos 3 anos que a criança começa a utilizar a linguagem como instrumento privilegiado de comunicação.

O pensamento formal está consolidado e há necessidade de o colocar em prática. A criança experimenta comunicar verbalmente, mas atrapalha-se com as palavras. Estas dificuldades geram ansiedade, que aumenta quando percebe que a mãe também está preocupada por esse motivo.

Por vezes, nos estadios de evolução da linguagem, podem surgir alguns episódios de gaguez, mas que são transitórios. Este facto não deverá constituir um motivo de inquietação para os pais. A situação geralmente resolve-se por si e a insistência em corrigi-la é que poderá provocar uma fixação.

Algumas crianças chegam, inclusive, a manifestar grande receio em falar. As crianças também têm tendência para repetir frases inteiras, o que não deve ser confundido com gaguez.

Aos 6 anos, chega o momento do ingresso na escola primária e há crianças que sofrem intensamente nesta altura, já que são inundadas de sentimentos de abandono. Embora a maioria das famílias opte por colocar os seus filhos no infantário, o certo é que este momento poderá constituir uma situação traumática para as crianças que estiveram sempre com a mãe e que de repente se vêm privadas dela.

O medo do abandono, a fantasia de terem feito algo errado e que estejam por isso a ser punidas, aumenta-lhes a ansiedade a tal ponto que podem surgir sintomas de gaguez.


As causas da gaguez



Alguns estudos em gémeos gagos, levaram autores a afirmar a existência de um factor genético como causa da gaguez. Constatou-se também que, em 34 por cento das situações, existiam outros casos na família.

Tendo por base estes estudos, os cientistas são de opinião que, nos sujeitos do sexo masculino com história de gaguez, as suas filhas têm 10 por cento de hipóteses de também o serem, enquanto que 20 por cento poderão também vir a sofrer deste problema.

Constata-se também que muitos gagos são também canhotos, canhotos contrariados, ou então crianças com dificuldades ao nível da lateralidade isto é, com má coordenação dos gestos.

Estas situações podem ser identificadas em crianças que têm pouca habilidade para enfiar contas, fazer puzzles, recortes, etc. embora inicialmente tudo apontasse para a existência de uma correlação entre a lateralização e as perturbações da linguagem, o certo é que numerosos canhotos jamais apresentam distúrbios ao nível da linguagem.

Um grande número de autores privilegia, de entre os factores desencadeadores da gaguez, a relação mãe-filho, insistindo na relação precoce com a figura materna. A atitude emocional da mãe é vital para estimular o bebé a comunicar, sendo que a qualidade da comunicação depende inteiramente dessa relação e dos estímulos do meio.

Mães ansiosas ou, no pólo oposto, distantes e pouco calorosas poderão desencadear na criança uma ansiedade tal que provocam o surgimento dos primeiro sintomas de gaguez. Frequentemente este tipo de mães assume um comportamento que oscila, de um modo contraditório, entre uma atitude possessiva ou asfixiante e outra de rejeição ou agressão.

Podem num momento ser extremamente carinhosas, mas no momento seguinte a paciência e a disponibilidade deixam de existir, afastando a criança de um modo abrupto. Estas atitudes podem provocar nos filhos uma tal insatisfação que, de entre outros modos, se manifesta por distúrbios ao nível da linguagem.

O adolescente gago


A gaguez tem aborrecidas repercussões na vida social do adolescente. A reacção deste situa-se em dois pólos opostos. Sendo a adolescência, por si só, uma época de grandes conflitos internos, alguns adolescentes quando se vêem perante este problema, tornam-se ávidos de contactos sociais, efectuando uma verdadeira "fuga para a frente".

Outros tornam-se objecto de troça para os seus pares. Este facto provoca-lhes uma baixa auto-estima que poderá conduzir ao isolamento.

Os psicólogos escolares têm constatado que o gago possui muitas vezes um QI superior à média. Contudo, apesar da gaguez não ser um defeito mental, não é por isso que não deixa de constituir uma pesada desvantagem para a adaptação escolar.

É por esse motivo que o atraso escolar médio dos gagos está estimado em um ano e meio. Curiosamente, podemos encontrar uma face positiva na gaguez, quando o adolescente associa automaticamente as proibições paternas ao seu problema.

Deste modo são evitados os conflitos familiares. Mas o que daí pode advir são os benefícios secundários desta patologia, que aqui se revelam numa renúncia no assumir de um comportamento adulto, devido á superprotecção de que é alvo.

O que a família pode fazer


- Não lhe aumente a ansiedade. Fale calmamente, fazendo-a perceber que tem tempo para ouvir a resposta. Não a pressione, só vai fazer com que gagueje mais.

- Mostre-se disponível. Ouça as histórias que ela conta, valorizando sempre que possível, a capacidade que ela tem em observar as coisas. Deste modo, pode transmitir-lhe o quanto gosta de a ouvir e de falar com ela, apesar do seu problema de linguagem.

- Resista à tentação de a interromper, de a ajudar a completar as frases.

- Aumente-lhe o vocabulário e a capacidade de expressão, através da leitura de uma história ao deitar. Sendo um momento em que estão juntos, pode também constituir uma boa ajuda porque estes conhecimentos serão colocados em prática no infantário.

- Evite expô-la a situações complicadas, que lhe provoquem ansiedade. Tente encontrar um equilíbrio nunca caindo na tentação de a superproteger, mas tendo sempre presente que a auto-estima do seu filho está fragilizada e que todos os ataques são muito sentidos. Não permita que a família comente ou goze com esse problema.

- Faça jogos com o seu filho, que incluam canções e versos. A criança gaga reage muito bem a tudo o que é decorado ou entoado com ritmo. Assim, o seu filho sentir-se-á mais preparado quando ingressar na pré-escolar.

Soluções para a gaguez


Existem várias maneiras de abordar este problema:

- Terapia da Fala – para que a linguagem se torne fluída.

- Relaxamento – para que o sujeito aprenda a relaxar-se quando estiver perante situações de grande ansiedade.

- Psicoterapia – isoladamente ou em complemento de outro tipo de intervenção, a psicoterapia revela-se eficaz. Nos adolescentes, as psicoterapias focalizadas nos problemas específicos da crise da adolescência podem ter um efeito muito feliz neste distúrbio. Nas crianças, a psicoterapia é também uma opção a considerar, de modo a libertá-la das suas ansiedades ou conflitos.


Texto da autoria de Drª Teresa Paula Marques
Psicóloga Clínica, especialista em Psicologia Infantil e do Adolescente

Consultórios:
PORTUGAL/ Clínica da Criança - Avenida Jaime Cortesão, 27 b, Miraflores
Telef.: 21 4155850
Para mais informações aceda ao site: www.teresapaulamarques.com
consultório no Sapo : http://psicologiacriancaeadolescente.blogs.sapo.pt/

A criança canhota

A criança canhota

Uma criança canhota é tanto ou mais inteligente que as outras. Importa ajudá-la a adaptar-se a um mundo de objectos construído para os dextros.


Quando alguém está infeliz afirmamos que “acordou com o pé esquerdo”. Certo é que os canhotos nunca tiveram a vida facilitada, já que o mundo está concebido para a maioria, que é dextra.

As maçanetas das portas estão do lado contrário, para usar uma tesoura é necessário apoiar o dedo polegar da mão direita, as facas, os abre-latas, os ratos do computador, instrumentos musicais… tudo está adequado a uma realidade dextra.

Na escola é difícil usar a secretária porque no caso de ter um colega mesmo ali ao lado, vão haver alturas em que dificilmente conseguem escrever, ou desenhar os dois ao mesmo tempo e poucos são os colégios que pensam neste pormenor.


O canhoto na escola


Há uns anos, as crianças eram obrigadas a usar a mão direita e para isso, tanto pais como professores, socorriam-se das mais variadas estratégias. Chegavam a amarrar-lhes a mão esquerda, batiam e davam castigos de forma a desmotivar o seu uso. Acreditava-se que deste modo se poderia combater eficazmente a tendência, como se tudo não passasse de puro e simples capricho infantil.

Pouco a pouco, foi-se mudando um pouco as mentalidades e, hoje sabe-se que um “canhoto contrariado” pode resultar em quadros bastantes mais complexos, como é o caso da Dislexia. Assim, é completamente desaconselhado obrigar uma criança ao uso da mão direita, até porque não tem sentido algum.

Quanto muito o que os pais e educadores podem fazer, é cuidar que os problemas infantis relativos à dificuldade do uso dos objectos dos dextros possa ser minorada, ainda que se constate que os canhotos acabam por adaptar-se perfeitamente à realidade que os cerca já que desenvolvem competências que os colocam em pé de igualdade com os dextros.


Causas



Sabe-se agora que a criança quando nasce já tem a lateralidade definida. Para isso contribuíram as imagens obtidas através de ecografias 3D. No entanto, só quando se inicia o processo de escolarização começa a perceber-se se poderá vir a ser canhota, ainda que muitas vezes surjam indícios que baralham um pouco os pais e os professores.

Por exemplo, é comum que as primeiras letras sejam escritas em espelho (o E, F, B, ) , mas isso não quer dizer nada e só por volta dos 6-7 anos é que a lateralidade está completamente estabelecida.

Os cientistas ainda não conseguiram definir os factores que estão na base desta questão, mas apontam-se motivos de ordem genética, neurológica ou ligados à posição fetal. A nível cerebral tudo se manifesta pela predominância motora de um dos lados do cérebro, mas de uma forma cruzada. Assim, o hemisfério esquerdo controla o lado direito do corpo, já o hemisfério direito se ocupa do lado direito. Enquanto que o dextro utiliza mais o lado esquerdo do cérebro, o esquerdino tem o lado direito 11% maior que o esquerdo, portanto a dominação do lado esquerdo é muito mais forte, o que faz com que os canhotos possam também facilmente usar as duas mãos de um modo indiscriminado, ou seja, se tornem ambidextros.

É também sabido que há famílias com alta incidência de preferência pelo uso da mão esquerda, o que soma pontos a favor da teoria genética. As hipóteses de ter uma criança canhota é de 10% quando ambos os pais são dextros, sobe para 20% quando um dos progenitores é esquerdino e aumenta ainda mais (26%) quando são ambos canhotos.

Pode também ficar a dever-se a factores ligados ao posicionamento no útero durante a gravidez. Consta-se que muitas vezes um dos gémeos é canhoto. Além disso, as complicações no parto são também mais comuns entre canhotos, o que se encontra igualmente associado ao surgimento de outras patologias como o autismo, a epilepsia, a paralisia cerebral, sindroma de Down, de entre outros.


Falsos mitos



Como já vimos o canhoto foi muitos anos considerado diferente dos outros e, face ao desconhecimento dos factores que estavam na base dessa diferença as pessoas começaram a associá-la ao sobrenatural. Assim, praticamente todos os Continentes possuem falsas crenças acerca dos canhotos.

Os esquimós e os marroquinos acreditam que ser canhoto significa possuir capacidades de feitiçaria. Nos países islâmicos é proibido comer com a mão esquerda por a considerarem impura. No Irão, o castigo dado aos ladrões passa por lhe amputarem a mão canhota. Mesmo em países mais civilizados, a mão direita é sempre eleita como a preferida. Basta pensarmos, por exemplo, com que mão os católicos executam o sinal da cruz …



Texto da autoria de Drª Teresa Paula Marques


Psicóloga Clínica, especialista em Psicologia Infantil e do Adolescente

Para mais informações aceda ao site: www.teresapaulamarques.com

Perturbação na atenção, no controlo motor e na percepção (DAMP)

Perturbação na atenção, no controlo motor e na percepção (DAMP)

Pode conduzir a sérios problemas escolares



Trata-se, de um ponto de vista formal, de um conjunto de sintomas e sinais com causas diferentes e pode ter diversas causas. O DAMP é a associação de uma Perturbação da Atenção, a problemas no controlo motor e a problemas da percepção visual.

Para uma adequada formulação do diagnóstico de DAMP, torna-se necessário o envolvimento de uma equipa multi-disciplinar, que integre, no mínimo, um pediatra desenvolvimentalista, um psicólogo e um terapeuta da fala.


Primeiro critério – Défice de Atenção


O primeiro critério de diagnóstico de DAMP está relacionado com o Défice de Atenção (ou desatenção ou falta de atenção), expressa comportamentos como: não prestar atenção aos detalhes, cometer erros na escola ou em outras actividades por desatenção ou descuido; dificuldades em manter a atenção durante as tarefas ou jogos; parecem não ouvir o que se lhes diz, mesmo quando estamos a falar directamente com eles; não seguirem instruções e não terminarem os trabalhos escolares ou as tarefas caseiras.

Podem também revelar grandes dificuldades na organização de tarefas e de actividades; evitarem ou não gostarem de tarefas que requeiram concentração (como trabalhos escolares, em casa ou na escola); perderem objectos importantes ou imprescindíveis a um adequado desempenho em tarefas ou em jogos; frequentemente distraírem-se com estímulos desinteressantes (ex: uma mosca que passa).

Segundo critério - Perturbação do controlo motor



O segundo critério diagnóstico está relacionado com uma perturbação no controlo motor. Esta disfunção, corresponde a uma alteração quantitativa (atraso significativo na aquisição das competências motoras) ou qualitativa (desajeitamento ou falta de destreza na execução de movimentos) dos desempenhos motores.

Estas manifestações variam consoante a idade da criança. Por exemplo, antes dos 24 meses de idade, pode em vez de se sentar pelos seis ou sete meses, só adquirir essa capacidade aos nove ou dez meses; a aquisição da marcha (andar autonomamente) deverá surgir entre os onze e os quinze meses, mas as crianças com DAMP podem só começar a andar por volta dos dezoito meses.

À medida que a criança cresce é importante que os pais se mantenham atentos, a outras manifestações, por vezes mais subtis, como sejam a maneira desajeitada como a criança dá um pontapé na bola ou dá um nó aos atacadores dos sapatos.

Terceiro critério - Dificuldades perceptivas


O terceiro critério diagnóstico está relacionado com uma perturbação da percepção (sobretudo visual). Para a formulação deste diagnóstico, torna-se necessário administrar testes específicos.

Notam-se problemas nos desempenhos cognitivos não-verbais. As crianças com perturbações da percepção visual têm sérias dificuldades na execução de tarefas que exijam competências visuo-espaciais, como reproduzir padrões com cubos de madeira, realizar puzzles ou reproduzir construções a partir de modelos (desenhos ou fotografias, por exemplo).

Poderão ser notadas, também, perturbações na percepção auditiva e táctil, embora os problemas perceptivos visuais sejam os mais relevantes. Por vezes, torna-se difícil saber se determinada incapacidade está relacionada com disfunções na coordenação motora, na percepção visual, ou com ambas.

Quarto critério - Problemas de Linguagem


Muitas vezes, existem também problemas linguísticos (sobretudo da articulação mas também podem surgir no volume da voz). Nos casos graves de DAMP, há disfunções em quatro áreas: Atenção; Motricidade (grosseira; fina); Percepção Visual; Linguagem. Nos casos ligeiros ou moderados, só algumas destas cinco áreas estão atingidas.

Após o diagnóstico, é importante que a criança/jovem tenha um seguimento psicopedagógico, de forma a ultrapassar as suas maiores dificuldades. Os estudos demonstram que, com a intervenção adequada, as melhorias são evidentes.

As crianças e as dificuldades de aprendizagem

As crianças e as dificuldades de aprendizagem

A educação nem sempre é composta somente de sucessos e aprovações. Muitas vezes, no decorrer do ensino, deparamo-nos com problemas que deixam os alunos “paralisados” diante do processo de aprendizagem.



É importante que todos os envolvidos no processo educativo estejam atentos a essas dificuldades, observando se são momentâneas ou se persistem por algum tempo. As dificuldades podem advir de factores orgânicos ou mesmo emocionais e é importante que sejam descobertas a fim de auxiliaras resolver e facilitar o desenvolvimento do processo educativo, percebendo a que factores estão associadas e como podemos ajudar a criança.

O termo “Dificuldades de Aprendizagem” refere-se a um grupo de perturbações, manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e uso da compreensão auditiva, fala, leitura, escrita, raciocínio ou habilidades matemáticas. Estas dificuldades são intrínsecas, presumivelmente devem-se a disfunções do sistema nervoso central, e podem ocorrer ao longo da vida. Algumas dificuldades de aprendizagem são:

Hiperactividade


A hiperactividade é um problema de ordem neurológica, que trás consigo sinais evidentes de inquietude, desatenção, falta de concentração e impulsividade.

Dislexia

A dislexia é uma perturbação da linguagem que se manifesta na dificuldade de aprendizagem da leitura e da escrita, isto é, na dificuldade de distinção ou memorização de letras ou grupos de letras, e problemas de ordenação, ritmo e estruturação das frases, afectando tanto a leitura como a escrita.

Disortografia


A disortografia constitui uma dificuldade da escrita, que pode manifestar-se independentemente de haver ou não alterações na leitura. Muitas vezes constitui-se como um conjunto de erros da escrita, feitos de forma sistemática, que afectam a palavra mas não o seu traçado ou grafia e que podem provocar a total ilegibilidade dos escritos.

Disgrafia

A disgrafia é uma alteração da escrita que a afecta na forma ou no significado, sendo do tipo funcional. Há uma perturbação na componente motora do acto de escrever, provocando compressão e cansaço muscular, que por sua vez são responsáveis por uma caligrafia deficiente, com letras pouco diferenciadas, mal elaboradas e mal proporcionadas.

Discalculia

Discalculia é um transtorno adquirido da habilidade para realizar operações matemáticas, depois de estas se terem desenvolvido e consolidado. Encontra-se sobretudo em crianças, é de carácter evolutivo ou desenvolvimental, não resulta de uma lesão e associa-se sobretudo a dificuldades de matemática.

A influências das causas emocionais

Hoje em dia é muito comum vermos crianças e adolescentes sendo rotulados com estas patologias apenas porque apresentam alguma agitação, nervosismo e inquietação, factores que podem advir de causas emocionais. É por isso muito importante que o diagnóstico seja feito por um profissional capacitados e que o “rótulo” não seja utilizado, quer tenha ou não fundamento.

Os professores são sem dúvida profissionais muito importantes no processo de identificação e descoberta destes problemas, porém não possuem formação específica para fazer tais diagnósticos, que devem ser feitos por médicos especialistas ou psicólogos.

Há que saber determinar as causas por detrás dos problemas de aprendizagem. Depois há que ter as ferramentas correctas para corrigir essas causas. Se existe dificuldade em aprender, há que determinar exactamente as razões pelas quais isso acontece. Só depois se pode fazer algo para resolver a situação.



Desmotivação e frustração

Crianças com dificuldades de aprendizagem geralmente apresentam desmotivação e incómodo com as tarefas escolares gerados por um sentimento de incapacidade, que leva à frustração. É fundamental valorizar o que a criança sabe para fortalecer sua auto-estima, mostrando-lhe o quanto ela é boa em tarefas nas quais tem habilidade e incentivando-a a desenvolver outras tarefas nas quais não é tão boa.

Criar um ambiente adequado para que a criança desenvolva o estudo e estabelecer limite de horários para a realização das tarefas é também muito importante. As causas variam muito de pessoa para pessoa e de situação para situação. No entanto hoje em dia já se sabe bastante acerca destas e de outras patologias, suas causas e soluções apesar de ainda muito pouco faladas.





Mãe, não quero ir para a escola!

Mãe, não quero ir para a escola!

O seu filho tem medo de ir para as aulas?


É normal que a criança apresente alguma recusa em ir para a escola, sobretudo após um período grande de ausência, nomeadamente nas férias. Algumas crianças apresentam maior dificuldade na adaptação do que outras, podendo mesmo manifestar sintomas físicos, como dores de cabeça ou fazerem “chichi” na cama nos primeiros dias.

Estes sintomas são considerados normais e fazem parte do processo adaptativo e só se tornam preocupantes se persistirem e se a criança continuar a rejeitar a escola.

No entanto, há que estar sempre presente e atenta pois todos os medos que permanecem durante bastante tempo no imaginário da criança e/ou que condicionam o quotidiano em diferentes contextos, devem ser analisados. Muitos destes medos podem consolidar-se, tornando-se fóbicos, pois a criança não os consegue eliminar de forma natural. Relativamente à escola, estes medos podem constituir-se como uma fobia escolar.

Quando o medo se transforma em fobia

A fobia escolar aparece, com maior incidência, entre os 6 e os 10 anos de idade, após a criança ter ultrapassado a ansiedade do primeiro contacto com a escola e quando parece já perfeitamente adaptada. É uma patologia que se distingue dos vulgares medos ou da banal recusa esporádica em ir à escola pelo facto de ser mais intensa e prolongada no tempo, interferindo com o quotidiano e com a rotina diária da criança e da sua família. É um medo acentuado, desmedido, excessivo de ir à escola.

As crianças com esta patologia apresentam sintomas somáticos, como vómitos, diarreia, palpitações ou dores diversas, perturbações do sono e da alimentação, podem fazer chichi na cama e chorar desesperadamente, sobretudo quando se aproxima a hora da ida para a escola, no final do fim-de-semana ou das férias mais ou menos prolongadas. Os sintomas desaparecem de forma milagrosa se os pais deixarem o filho ficar em casa.

Embora os trabalhos de casa sejam, na maioria das vezes, feitos com gosto e não exista recusa em estudar, muitas vezes, são as crianças que preferem ficar em casa com os pais a brincar, na rua ou na casa de um amigo. Cabe aos pais estimular a criança com fobia escolar para brincar com outras crianças, mostrando-lhe o lado bom das brincadeiras e das amizades.

Nestes casos, é necessário que os pais procurem um psicólogo que possa avaliar a criança e identificar concretamente o que está na origem da fobia escolar que, muitas vezes, não está directamente relacionada com a escola mas sim com a dinâmica familiar. É também comum que esta patologia esconda uma depressão infantil, pelo que o diagnóstico diferencial feito por um especialista é essencial. No entanto, os pais também podem agir, quer em casos de fobia escolar, quer nos medos mais vulgares que a criança possa ter.


Cuidados parentais

Os pais não devem subestimar nem ridicularizar os medos da criança, e muito menos ignorá-los. Uma criança com medo necessita de compreensão e tolerância. É importante conversar com a criança, procurando perceber o que causa esse medo. No caso da Fobia Escolar, tente perceber o que lhe desagrada tanto na escola. É também muito importante ter consciência de que, quanto mais ceder às pressões da criança, mais difícil será a sua (re)adaptação à escola e maior será a dificuldade da criança em vencer os seus receios. Assim, é importante que a criança não deixe de ir à escola. O medo da criança não deve ser sobrevalorizado e a rotina da família não deve ser gerida em redor desse medo. Os pais devem procurar responder de forma adequada, mostrando-se seguros e firmes na sua explicação, pois a criança está muito atenta à ansiedade dos pais.

Quando os pais deixam a criança na escola, devem permanecer um pouco junto dela, embora mantendo uma posição firme e segura e não vacilando no momento da despedida. Se a criança desejar, podem deixar-lhe um brinquedo preferido, o que a reconfortará enquanto estiver longe dos pais. Nunca devem sair sem se despedir dela e é importante referirem quando a irão buscar. Devem chegar sempre a horas e, se por algum motivo se atrasarem, devem avisar. A criação de uma expectativa positiva em relação à escola é também muito importante, pois a sua atitude face à situação é fundamental para ajudar a eliminar os receios do seu filho.


Sugestões práticas aos pais


- Não devem subestimar nem ridicularizar os medos da criança, e muito menos, ignorá-los;

- devem procurar perceber o que causa esses medos;

- devem tentar perceber o que lhe desagrada tanto na escola;

- devem ter consciência de que, quanto mais cederem às pressões da criança, mais difícil será a sua (re)adaptação à escola e conseguir que ela vença os seus receios;

- não devem permitir que a criança deixe de ir à escola;

- não devem sobrevalorizar os medos da criança;

- não devem gerir a rotina da família em redor desses medos;

- devem procurar responder de forma adequada, mostrando-se seguros e firmes na sua explicação, pois a criança está muito atenta à ansiedade dos pais;

- devem procurar criar uma expectativa positiva em relação à escola.


Quando deixam a criança na escola:

- devem permanecer um pouco junto dela, embora mantendo uma posição firme e segura e não vacilando no momento da despedida;

- se a criança desejar, podem deixar-lhe um brinquedo preferido, o que a reconfortará enquanto estiver longe dos pais;

- nunca devem sair sem se despedir dela;

- devem referir sempre quando a irão buscar e chegar sempre a horas;

- se por algum motivo se atrasarem, devem avisar;

- devem utilizar frases tranquilizadoras como: “Já estás grande! Até vais para a escola!”; “Vais brincar muito e ter muitos amigos novos! Quando os conheceres melhor podemos convidá-los para virem cá a casa brincar contigo!”;

- devem deixá-la participar em algumas decisões, como a roupa que vai vestir, para que se sinta mais importante e confiante.

A fobia escolar é um medo acentuado, desmedido, excessivo de ir à escola

Os pais também podem agir, quer em casos de fobia escolar, quer nos medos mais vulgares que a criança possa ter

É importante conversar com a criança, procurando perceber o que causa esse medo

Quando os pais deixam a criança na escola, devem permanecer um pouco junto dela, embora mantendo uma posição firme e segura e não vacilando no momento da despedida


Os pais devem deixar a criança participar em algumas decisões, como a roupa que vai vestir, para que se sinta mais importante e confiante

Sinais de alerta para a detecção da dislexia

Sinais de alerta para a detecção da dislexia

A dislexia é uma dificuldade específica na aquisição da linguagem. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, não resulta de uma má alfabetização, de falta de atenção, de desmotivação ou de baixa inteligência. Trata-se, sim, de uma perturbação neurológica



Hoje em dia, há uma elevada tendência para classificar uma criança como disléxica sem que tenha havido um despiste adequado por parte de especialistas. Facilmente um professor ou um pai referem que uma criança é disléxica, apenas porque confunde algumas letras ou porque tem maus resultados escolares. Muitas vezes, estes sintomas escondem, não uma dislexia, mas sim questões emocionais de fundo, que acabam por se reflectir na aprendizagem porque a criança não tem disponibilidade para aprender. Provavelmente estará a viver preocupações e angústias que não lhe permitem dedicar-se ou estar motivada para a escola. Por tudo isto, o ideal é, perante a dúvida, procurar um especialista que possa fazer uma avaliação adequada e perceber o que de facto se passa com a criança.

Em relação à dislexia, depois de convenientemente diagnosticada, sabe-se que há características que quase sempre estão presentes. Assim, aquilo que os pais devem fazer, tal como em muitas outras situações, é sobretudo estarem atentos, pois se não houver um acompanhamento adequado, os sintomas persistirão e poderão resultar em prejuízos emocionais.

Deixamos algumas indicações que poderão ajudar os pais a perceber o que de facto é relevante e indicar a existência de uma dislexia ou de outra dificuldade específica. No entanto, salientamos que a presença de alguns destes sintomas não significam obrigatoriamente que haja dislexia.


Sintomas que não deve ignorar


Na idade pré-escolar, se a criança apresenta uma tendência para a dispersão, com pouca capacidade de estar atenta, em conjunto com um atraso ao nível da linguagem (que se manifesta, por exemplo, na dificuldade de aprender canções e rimas) e com dificuldades na coordenação motora, então é conveniente a procura de um especialista, que possa verificar a que se devem estes sintomas.

Na idade escolar as principais dificuldades com que os pais se podem preocupar são:

- Copiar textos e decorar matérias;

- Consultar dicionários, mapas, listas telefónicas;

- Lateralidade;

- Organização de memória (esquecimentos, atrasos, perda de material);

- Vocabulário (frases curtas e imaturas ou longas e confusas);

- Desenho geométrico;

- Escrita (troca de letras).

É comum que as crianças disléxicas expressem a sua frustração através de comportamentos inadequados dentro e fora da sala de aula. Portanto, é muito importante perceber a diferença entre a dislexia e a preguiça ou mau comportamento só por si.

Acompanhamento e compreensão precisam-se!

Se não houver um acompanhamento adequado nestas fases, na idade adulta, continuarão a estar presentes algumas dificuldades, nomeadamente ao nível da leitura e da escrita, da memória imediata, de lateralidade, de organização e, obviamente, aspectos afectivos e emocionais, como baixa auto-estima, depressão e ansiedade.

É também extremamente importante haver uma troca de informações entre a escola, a família e outros profissionais envolvidos. A criança disléxica é sobretudo uma criança que tem uma forma muito própria de pensar e de aprender, pelo que requer muita paciência por parte de todos os que interagem com ela e estão encarregados da sua educação.

A dislexia não é motivo de vergonha para a criança ou para a sua família. Não significa falta de inteligência e não conduz obrigatoriamente a insucesso escolar ou profissional. No entanto, é necessário um acompanhamento adequado e prolongado, sem o qual não poderá ser ultrapassada.

Facilmente um professor ou um pai referem que uma criança é disléxica, apenas porque confunde algumas letras ou porque tem maus resultados escolares

Se não houver um acompanhamento adequado, os sintomas persistirão e poderão resultar em prejuízos emocionais

É comum que as crianças disléxicas expressem a sua frustração através de comportamentos inadequados dentro e fora da sala de aula

A dislexia não é motivo de vergonha para a criança ou para a sua família. Não significa falta de inteligência e não conduz obrigatoriamente a insucesso escolar ou profissional



A Dislexia começou por se chamar «cegueira verbal congénita»


A Dislexia

Se tem um filho disléxico fique a saber que isso não significa que ele é menos inteligente que as outras crianças.


A Dislexia começou por se chamar «cegueira verbal congénita», até que em 1917 Hinshelwood propôs este termo, para designar a dificuldade que algumas crianças apresentavam na aprendizagem da leitura e da escrita, apesar de possuírem todas as capacidades intelectuais necessárias.

Estima-se que cerca de 5 a 10% da população sofra deste distúrbio, sendo que os rapazes são três vezes mais afectados que as raparigas. Dos 25% de crianças que todos os anos ficam retidos na 1ª classe, cerca de 90% apresentam dificuldades na aprendizagem de leitura e escrita, sem que este problema lhes seja diagnosticado.

Contudo, tal como é importante que os Educadores estejam despertos para a existência deste problema, também há que não cair na tentação de dizer automaticamente que uma criança é disléxica, só porque esta apresenta algumas dificuldades ao começar a ler. A dislexia é algo mais complexo e só é possível efectuar o diagnóstico um pouco mais tarde, uma vez que uma má adaptação é frequentemente recuperável.


Como se manifesta ?


Algumas crianças invertem as letras quando começam a aprender a escrever, mas esse problema é temporário. Assim, não se devem valorizar este tipo de dificuldades antes dos 7 anos ou seja, até ao final do 1ª ano, embora seja importante estar atento.

A dislexia progride muitas vezes de uma forma silenciosa e só quando já existe um historial de insucesso escolar é que todos se apercebem que algo não está bem.

A criança disléxica tem tendência para a escrita invertida, ou mesmo em espelho – por exemplo um «p» passa a ser um «q». Os sons parecidos são-lhes impossíveis de distinguir, sendo que letras como o «d» frequentemente são substituídas pelo «b».

Também se assiste há troca da ordem das letras dentro da palavra (ex.: «perguntar» passa a ser «preguntar») ou a inversão de algarismos (59 passa a 95). Os textos escritos por um disléxico são difíceis de entender, uma vez que há uma quebra de ritmo, que impossibilita o uso correcto quer da pontuação quer das regras de ortografia.

É-lhes complicado aprender sequências como por exemplo os dias da semana, assim como há também dificuldades ao nível da lateralização isto é, em identificar automaticamente a direita e a esquerda, cima e em baixo, à frente e atrás.


As causas possíveis


Existem múltiplas explicações para o surgimento da dislexia. Alguns estudiosos da matéria consideram os factores genéticos como determinantes no desencadear de um problema deste tipo. Embora não hajam certezas, o que é certo é que muitas crianças disléxicas possuem familiares que apresentam problemas semelhantes, em grau mais ou menos severo que estes.

Outra possível causa, está relacionada com alterações neurológicas. Assim, a nível cerebral tudo se explicaria, pelo facto de os disléxicos usarem excessivamente o hemisfério esquerdo, ao mesmo tempo que a utilização das potencialidades do hemisfério direito seria feita de modo incorrecto.

Constata-se também, que muitas crianças disléxicas são também canhotas ou mal lateralizadas, o que leva a concluir que existe alguma relação entre estes dois factores. Não quer dizer que os canhotos ou as pessoas que têm dificuldades em localizar automaticamente a direita e a esquerda, sejam necessariamente disléxicos, o que se pode dizer é que parecem estar de algum modo mais sujeitos a problemas de leitura e escrita.

Consequências


As consequências mais graves têm a ver com as repercussões ao nível da personalidade do disléxico. Muitas crianças não percebendo concretamente o problema que as afecta, podem encará-lo como algo muito grave e até sentirem vergonha por não serem capazes de acompanhar os colegas na leitura. Os níveis de atenção revelam-se muito baixos, o que intensifica o problema.

O disléxico manifesta também problemas de comportamento, uma vez que há o aumento do desinteresse pelas tarefas escolares devido ao insucesso. As disciplinas mais problemáticas são em regra a História, a Geografia e o Português já que existem grandes dificuldades ao nível da ortografia e compreensão do enunciado dos problemas.

É impossível separar a ortografia da leitura, por isso mesmo a Disortografia é frequentemente resultado directo da Dislexia, embora possa surgir também em crianças não disléxicas. O disortográfico continua a dar os mesmos erros típicos da 1ª ano, sem conseguir corrigi-los.

São palavras mal separadas, confusões, omissão de acentos, inversões de letras dentro da palavra, deformações como por exemplo «queria-mos diser qeu vamus contigu». É importante detectar estas situações já que tanto a dislexia como a disortografia se revelam sérios entraves ao sucesso escolar, se não detectadas a tempo de modo a ser possível efectuar-se um tratamento específico.

O que fazer?


Primeiro que tudo é necessário esperar até à idade escolar, estando depois atento às dificuldades que vão surgindo quer ao nível da leitura, quer da escrita. Nesta altura se as dificuldades se mantiverem, há que procurar ajuda especializada.

É importante que o tratamento se inicie o mais tardar aos 9 anos, por forma a revelar-se eficaz. Com apoio é perfeitamente possível que a criança disléxica, progrida na escola e recupere grande parte do atraso.

O trabalho de reeducação requer uma equipa multidisciplinar que deverá incluir necessariamente um Neurologista e um Psicólogo devidamente habilitado neste campo. O Neurologista avaliará se existem factores orgânicos que estejam a ser determinantes quer para o surgimento, quer para a evolução.

Há também que considerar a hipótese de fazer um rastreio oftalmológico, uma vez que as perturbações de percepção visual podem ser corrigidas.

Através de uma série de testes o Psicólogo, vai concluir se se trata realmente de dislexia e qual o grau de severidade. Frequentemente são pedidas informações à escola, já que é importante manter uma articulação psicólogo-professor. O psicólogo, após avaliar a situação, enviará informações ao professor acerca daquele aluno.

O Ministério de Educação prevê que se faça a sinalização destes alunos, para que as suas dificuldades tenham a devida atenção no meio escolar. Assim, a avaliação correcta do problema e da sua intensidade, torna-se fundamental para que a equipa escolar saiba os meios que deve accionar (inclusivamente, os alunos disléxicos quando chegam ao 9º ano de escolaridade, têm possibilidade de ser avaliados de modo distinto nas provas de final de ciclo).

O apoio psicopedagógico


O disléxico está demasiado atento para tentar evitar a falha, mas só consegue ser mal sucedido. É como quando aprendemos a andar de bicicleta ou mesmo a dançar. Se estivermos demasiado preocupados com os nossos movimentos, ser-nos-á difícil progredir na aprendizagem, assim como toda a criatividade fica comprometida.

Há que referir que a intervenção está longe de resolver todos os problemas. Existem crianças que melhoram mas que nunca conseguem atingir os 100%. A maior vantagem da reeducação será sempre o abrir da possibilidade para que o insucesso escolar seja minorado.

Como já referimos, quanto mais cedo se detectar este problema, maiores são as hipóteses de haver uma solução. Quando a dislexia só é detectada numa idade avançada, o trabalho do Técnico centra-se muito no aumento da auto-estima, de modo a que o indivíduo se adapte a esta realidade de uma forma positiva e diminua a ansiedade que entretanto foi surgindo a par com as tarefas escolares. Por este motivo, sempre que seja viável, um apoio psicoterapêutico é bastante adequado.

As sessões de reeducação deverão ser, no mínimo, com uma periodicidade semanal. Serão trabalhados aspectos da sonoridade das palavras, da escrita, da leitura… a par de uma consciencialização da criança para os seus problemas e da sua capacidade para os resolver. É importante sempre reforçar a auto-estima pois, apesar de os Disléxicos possuírem níveis de inteligência médios, ou mesmo superiores à média, o constante insucesso faz com que se desmotivem das tarefas escolares.

O papel da família


É de extrema importância que a família aceite e compreenda o problema da criança disléxica. Deste modo pode-se evitar o surgimento de sentimentos de culpa que só serve para provocar uma falha ao nível da auto-estima e aumentar a desmotivação, agravando assim o problema.

Uma aprendizagem mais lenta não significa que a criança não possa vir a revelar-se mais tarde um bom estudante!

A família tem que se esforçar por :

Mostrar a utilidade da escrita e da leitura. É uma boa estratégia por exemplo, incentivar a criança a escrever postais para a família, quer nas férias, quer mesmo ao longo do ano;

Não mostrar pressa quando a criança está a tentar fazer os trabalhos escolares.

Aumentar a ansiedade só faz com que falhe ainda mais;

Mostrar que o aceita tal e qual é, e acima de tudo, acredita que ele é capaz de ultrapassar esse problema com a ajuda do plano de reeducação;

Reforçar positivamente cada progresso ao invés de punir os insucessos.

Dislexia infantil


Dislexia infantil
O que os pais podem fazer para ajudar


Confrontados com a dislexia infantil dos filhos, muitos pais não sabem como devem reagir.

Foi também esse o caso de Paulo Fonseca, um empregado bancário residente em Vila Nova de Gaia.

«A minha filha sempre teve algumas dificuldades de aprendizagem e foi recentemente diagnosticada com dislexia. Na altura, fiquei atrapalhado, sem saber qual a melhor atitude para a apoiar e ajudar. Fiquei na dúvida se deveria falar com a professora dela mas também não queria que se sentisse marginalizada ou diferente dos colegas?», desabafa.

De acordo com as estatísticas, a dislexia afecta, em maior ou menor grau, 10% a 15% da população escolar e adulta. Este fenómeno ocorre em pessoas de todos os estratos socio-económicos e de todas as profissões, independentemente do factor cultural ou intelectual, desde pessoas com baixo grau de escolaridade até pessoas com graus académicos elevados.

As pessoas disléxicas de todas as idades podem aprender com eficiência mas é frequente necessitarem de o fazer de maneira diferente dos não disléxicos. «Os efeitos da dislexia vão para além do corpo e da inteligência. Afectam os sentimentos, a família, as relações de amizade, os ideais de vida. Ao sofrer constantes discriminações, as crianças disléxicas perdem a confiança em si próprias, o que gera uma baixa auto-estima», alerta Alexandre Nunes de Albuquerque, psicoterapeuta psicanalítico.

«A dislexia é um problema de índole cognitiva, que afecta as capacidades linguísticas associadas à modalidade escrita, particularmente a codificação visual e verbal, a memória a curto prazo, a percepção de ordenação e de sequência. Perante situações deste tipo, os pais devem falar com os professores dos filhos e dizer-lhe isso mesmo, que não gostariam de ver a sua filha marginalizada», enfatiza.

«As escolas devem ter técnicos para acompanhar estas crianças em exercícios próprios que as ensinem a tirar partido de todos os recursos internos para aprender e ensinar técnicas para dar a volta às dificuldades criadas pelas dislexia», conclui o especialista.





No labirinto das palavras : dislexia !!

Dislexia

As crianças disléxicas sentem-se perdidas no mundo das letras, das palavras e das frases.


Na sua cabeça, só as imagens fazem sentido. Um método que chegou a Portugal vem abrir um caminho para o domínio da leitura e da escrita.

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, o universo mental de uma criança disléxica é infinitamente mais rico do que o de qualquer outra.

Mas isso conta pouco quando chega a hora de aprender a ler e a escrever. Pelo contrário, essa riqueza visual faz com que seja para ela muito mais difícil dominar todas as matérias escolares que exijam decifrar símbolos.

Pôr letras em vez de sons, ter palavras em vez das coisas que representam, seguir uma sequência frásica com princípio, meio e fim e com o seu ritmo próprio são tudo missões difíceis para alguém que não pensa através da linguagem.

Ana Vasconcelos, pedopsiquiatra com vasta experiência no acompanhamento de crianças disléxicas, descreve-as como tendo «um pensamento muito concreto e uma percepção visual que lhes faz chegar ao cérebro tudo a três dimensões.

A dislexia é definida como uma perturbação específica da aprendizagem da leitura e da escrita, presente em crianças com um índice de inteligência médio ou acima da média e em contexto familiar e escolar apropriado para uma aprendizagem sem dificuldades.

Calcula-se que cerca de 10 a 15% das crianças seja afectada por esta perturbação, mas nem todos os casos serão diagnosticados.

Os disléxicos sempre foram classificadas de pouco inteligentes, preguiçosos e maus alunos. Com a auto-estima em baixo, torna-se ainda mais difícil aprender e está criado o cenário para o insucesso escolar.

É preciso apoio específico para ajudar estas crianças e, muitas vezes, também acompanhamento psicológico, precisamente devido a todos os problemas que vêm associados à dislexia.

O Método Davis

é uma nova abordagem ao problema. Na opinião de Ana Vasconcelos, é o método que vem de encontro à forma de pensar destas crianças, ao seu processamento cognitivo não verbal. Daí o seu sucesso. «Davis descobriu a receita!», considera.


«Olhar para uma palavra, um conjunto de letras, sem nada que o ligue ao real, e ir automaticamente buscar o conceito correspondente a esse símbolo parece fácil, mas é complicado para uma pessoa que pensa por imagens», explica Rita Alambre, especialista em Educação Especial e Reabilitação e directora-geral da Fundação Renascer.

Aí, acompanha crianças com perturbações do desenvolvimento e da aprendizagem, entre as quais a dislexia, através do Método Davis.

«A forma convencional de apoiar estas crianças é centrada na consciência fonológica, ou seja, no treino da associação entre sons e fonemas. O Método Davis é bastante mais abrangente e não pretende apenas que as crianças automatizem a leitura. É como uma caixa de ferramentas que lhes damos e que as ajuda a ultrapassar as suas dificuldades», explica Rita.

O Método Davis ensina-lhes a encontrar imagens para essas palavras, a encontrar assim o seu sentido. As crianças moldam em plasticina imagens que possam corresponder às palavras difíceis.

«Por exemplo, o conceito “para”: um miúdo desenhou um avião e uma cidade. Disse-lhe que não era suficiente e ele fez o percurso do avião até chegar à cidade, com uma seta. Depois moldou em plasticina a palavra “para”». Assim, pôde visualizar o conceito.


Texto de Ana Esteves

Revista Pais & Filhos



Transtorno de Déficit de Atenção / Hiperatividade – Projeto para Escola


O TDAH só fica realmente evidente durante o período escolar, quando é preciso aumentar o nível de concentração para aprender. O encaminhamento para diagnóstico deve ser feito com baseado observações tanto dos professores como também da família. A parceria entre escola e família é fundamental para se observar e fazer os enquadramentos dentro de um grupo de risco, para possíveis observações.


Geralmente os hiperativos se mexem muito durante o sono quando bebês. São mais estabanados assim que começam a andar. Às vezes, apresentam retardo na fala, trocando as letras por um período mais prolongado que o normal. Em casa, esses sintomas nem sempre são suficientes para definir o quadro. Na escola, porém, eles são determinantes.

A inteligência de pessoas hiperativas não é comprometida com o transtorno, mas, o principal empecilho para elas é a impulsividade e a falta de atenção, ferramentas importantes para o progresso dos estudos.

Se o convívio social é importante para o desenvolvimento da criança, para quem tem TDAH não é diferente. Ao professor cabe observar sinais como agitação e dificuldade de assimilação. No intervalo das aulas a criança costuma se meter em brigas ou brincar quase sempre sozinha, tenta chamar a atenção ou se comporta como se fosse alienada. Proporcionar atividades variadas que ocupem a criança o maior período de tempo possível, dando a ela liberdade de escolha e de movimentos, pode auxiliar uma melhor conduta no trato com o hiperativo. Somente o trabalho livre e diversificado pode favorecer esse tipo de criança que também se mostra satisfeita na incumbência de realizar tarefas auxiliando o professor.

Dicas para o professor lidar com hiperativos

Evite colocar alunos nos cantos da sala, onde a reverberação do som é maior. Eles devem ficar nas primeiras carteiras das fileiras do centro da classe, e de costas para ela;

Faça com que a rotina na classe seja clara e previsível, crianças com TDAH têm dificuldade de se ajustar a mudanças de rotina;

Afaste-as de portas e janelas para evitar que se distraiam com outros estímulos;

Deixe-as perto de fontes de luz para que possam enxergar bem;

Não fale de costas, mantenha sempre o contato visual;

Intercale atividades de alto e baixo interesse durante o dia, em vez de concentrar o mesmo tipo de tarefa em um só período;

Repita ordens e instruções; faça frases curtas e peça ao aluno para repeti-las, certificando-se de que ele entendeu;

Permita movimento na sala de aula. Peça à criança para buscar materiais, apagar o quadro, recolher trabalhos. Assim ela pode sair da sala quando estiver mais agitada e recuperar o auto-controle;

Esteja sempre em contato com os pais: anote no caderno do aluno as tarefas escolares, mande bilhetes diários ou semanais e peça aos responsáveis que leiam as anotações;

O aluno deve ter reforços positivos quando for bem sucedido. Isso ajuda a elevar sua auto-estima. Procure elogiar ou incentivar o que aquele aluno tem de bom e valioso;

Coloque a criança perto de colegas que não o provoquem, perto da mesa do professor na parte de fora do grupo;

Proporcione um ambiente acolhedor, demonstrando calor e contato físico de maneira equilibrada e, se possível, fazer os colegas também terem a mesma atitude;

Nunca provoque constrangimento ou menospreze o aluno;

Proporcione trabalho de aprendizagem em grupos pequenos e favoreça oportunidades sociais. Grande parte das crianças com TDAH consegue melhores resultados acadêmicos, comportamentais e sociais quando no meio de grupos pequenos;

Adapte suas expectativas quanto à criança, levando em consideração as deficiências e inabilidades decorrentes do TDAH. Por exemplo: se o aluno tem um tempo de atenção muito curto, não espere que se concentre em apenas uma tarefa durante todo o período da aula;

Proporcione exercícios de consciência e treinamento dos hábitos sociais da comunidade. Avaliação freqüente sobre o impacto do comportamento da criança sobre ela mesma e sobre os outros ajuda bastante.

Coloque limites claros e objetivos; tenha uma atitude disciplinar equilibrada e proporcione avaliação freqüente, com sugestões concretas e que ajudem a desenvolver um comportamento adequado;

Desenvolva um repertório de atividades físicas para a turma toda, como exercícios de alongamento ou isométricos;

Repare se a criança se isola durante situações recreativas barulhentas. Isso pode ser um sinal de dificuldades: de coordenação ou audição, que exigem uma intervenção adicional.

Desenvolva métodos variados utilizando apelos sensoriais diferentes (som, visão, tato) para ser bem sucedido ao ensinar uma criança com TDAH. No entanto, quando as novas experiências envolvem uma miríade de sensações (sons múltiplos, movimentos, emoções ou cores), esse aluno provavelmente precisará de tempo extra para completar sua tarefa.

Permaneça em comunicação constante com o psicólogo ou coordenador da escola. Ele é a melhor ligação entre a escola, os pais e o médico.



PROGRAMA ESPECÍFICO PARA ALUNOS COM
1º - Sentar-se no centro da sala na primeira carteira de forma contínua e fixa.
2º - Verificar junto a o aluno e familiares a necessidade de se fazer as avaliações fora em de sala de aula. Em local onde haja pouca estimulação visual e sonora.
3º - Gravação da avaliação em meio digital (mp3, ipod, etc – equipamento fornecido pela família) para que o aluno possa escutar o que as questões estão solicitando.
4º - Quando necessário disponibilizar tempo extra para realização das avaliações.
5º - Solicitar que o aluno traga a agenda diariamente para ser data o visto por membro da equipe pedagógica.
6º - Orientação aos professores como o transtorno.
7º - Acompanhamento pelo professor das atividades enviadas tanto para casa como as propostas para classe.
8º - Monitoramento das notas.
9º - Reuniões bimestrais ou quando houver necessidade com a família para acompanhamento individualizado.
Dica:Tenha uma pessoa responsável pelo gerenciamento do projeto. Ela deverá não somente acompanhar o andamento do projeto, como também, terá uma responsabilidade de realizar as avaliações e acompanhamento dos alunos. o importante não é seguir de qualquer forma todos os itens acima, mas sim, desenvolver de forma prática os itens que mais a equipe julguem importantes para a realidade escolar.