quarta-feira, 21 de março de 2012

Processamento auditivo central: Distraído pelo barulho.


Audição

Distraído pelo barulho

Desatenção e notas baixas na escola não são sinônimo de falta de inteligência. Às vezes o problema está na incapacidade de lidar com barulho, mas poucos médicos sabem disso.






por Fábio Peixoto





Por mais que estudasse, a paulista Glaudys Garcia não tirava notas maiores que 4. A mãe e os professores se esforçavam para lhe ensinar coisas simples, mas ela não prestava atenção em nada. Era insegura, distraída, tinha medo de falar ao telefone e não se concentrava nos livros. Acabou se isolando dos colegas. Depois de passar por vários médicos e psicólogos, sua mãe tentou um último recurso: levou-a a uma fonoaudióloga. Em três meses Glaudys estava curada. Hoje ela tem 13 anos e no seu último boletim não há nenhuma nota menor do que 6.
Pode parecer estranho, mas o problema era de audição. A menina, assim como outras centenas de milhares de crianças, sofria de desordem do processamento auditivo central, ou DPAC, um distúrbio reconhecido há apenas quatro anos que raramente é diagnosticado pelos médicos, mas pode estar afetando milhões de brasileiros. Em geral, a disfunção surge da falta de estímulos sonoros durante a infância. As estruturas do cérebro que interpretam e hierarquizam os sons se desenvolvem nos treze primeiros anos. Até essa idade, as notas musicais, as palavras e os barulhos vão lentamente nos ensinando a lidar com a audição. Justamente nessa fase, Glaudys pode ter tido problemas no ouvido que atrapalharam a entrada de sons. Acabou formando mal o seu sistema auditivo. Todos os inconvenientes pelos quais passou eram conseqüência disso.
Um dos principais sintomas da DPAC é a dificuldade em manter a concentração num ambiente ruidoso. “Quem sofre desse mal não consegue prestar atenção em uma coisa só”, diz a neurologista Denise Menezes, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Na sala de aula, não separa o que a professora diz do latido de um cachorro do lado de fora”, acrescenta.
A DPAC é comum nas grandes cidades, onde o barulho excessivo prejudica a percepção de estímulos sonoros e a poluição provoca alergias que bloqueiam a orelha com muco. Crianças que têm inflamações freqüentes nos ouvidos também podem sofrer da desordem. O pior é que, por ser pouco conhecida, a DPAC costuma ser confundida com falta de inteligência ou com alguma deficiência mental. Mas, como mostra o caso de Glaudys, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

O mundo é barulhento demais
Para uma vítima de DPAC, o mundo se transforma numa interminável confusão de barulhos desconexos e embaralhados de onde é quase impossível pescar os sons que realmente interessam (veja infográfico). O ar-condicionado vira um zunido infernal que se sobrepõe às vozes dos outros. O telefone torna-se uma máquina indecifrável, porque o cérebro não consegue decodificar a fala do interlocutor em meio à distorção normal de qualquer ligação. Também não é fácil entender a entonação das frases. Uma pergunta pode soar como uma afirmação e uma ironia acaba parecendo a frase mais séria do mundo. Os amigos acabam se afastando, já que ninguém gosta de conversar com alguém que não entende o que os outros dizem.
A fala também é prejudicada. “Os processos de linguagem se desenvolvem ao mesmo tempo que os de audição”, explica a fonoaudióloga Liliane Desgualdo, da Universidade Federal de São Paulo, pioneira no diagnóstico da DPAC no Brasil. “Uma criança pode não aprender a falar bem se não souber lidar com os sons.” A leitura acaba igualmente afetada. “Mesmo num lugar silencioso, uma pessoa com DPAC encontra problemas em entender um texto porque, para tanto, é necessário associar as palavras ao som que elas têm”, conta a psicopedagoga Ana Silvia Figueiral, de São Paulo. Todo esse esforço para realizar atividades corriqueiras é demais para o cérebro. Chega uma hora que ele não resiste e “desliga”. Por isso, as vítimas do problema são sempre muito distraídas.
Enfim, tudo se torna uma tarefa dura. O ouvido até percebe os sons, mas o cérebro, iludido pela falta de estímulos na infância, não sabe o que fazer com eles. Os médicos geralmente não percebem a disfunção porque ninguém desconfia que sintomas tão variados possam estar todos ligados à audição, menos ainda quando constatam em exames que o ouvido funciona normalmente. E, se o diagnóstico não é feito, não há como curar (veja quadro à direita).

Reaprendendo a escutar
A DPAC só foi reconhecida nos Estados Unidos em 1996, quando a Associação Americana de Fala, Linguagem e Audição chegou a um consenso sobre seus sintomas e suas formas de tratamento. Ainda se sabe pouco sobre as causas – a falta de estímulos sonoros está entre elas, mas suspeita-se também de razões genéticas e de má alimentação. “Uma coisa é certa: a desordem está relacionada à classe social”, afirma Liliane. Ela fez uma pesquisa em colégios de São Paulo e constatou que, nas escolas particulares, entre 15% e 20% das crianças têm DPAC em algum grau. Nas escolas públicas, onde há uma proporção bem maior de alunos pobres, o índice chega a alarmantes 70%. A razão disso é que crianças mais pobres geralmente ouvem menos música, têm mais inflamações no ouvido, menos acompanhamento de pediatras e psicólogos e se alimentam pior, o que também pode prejudicar a formação do sistema auditivo. Infelizmente, a imensa maioria delas carrega esse estorvo para a idade adulta sem ao menos desconfiar que a cura pode estar ao alcance da mão.

Para Saber Mais
Processamento Auditivo Central – Manual de Avaliação, Liliane Desgualdo Pereira e Eliane Schochat, Editora Lovise, São Paulo, 1997.

fpeixoto@abril.com.br

Algo mais

Se um bebê toma mamadeira deitado, existe a perigosa possibilidade de o leite ser acumulado atrás dos tímpanos, prejudicando o desenvolvimento das vias auditivas. Todo o cuidado é pouco, porque a capacidade de receber sons se forma até os 2 anos.

A culpa é do ouvido

Alergias na infância podem acabar prejudicando a atenção e o desempenho escolar.
Mal urbano

Nas grandes cidades é comum crianças terem alergia causada pela poluição. Dependendo do caso, o muco se acumula atrás dos tímpanos. Essa é uma das causas de problemas no processamento auditivo.

Lápis insuportável
Quem teve problemas de audição na infância pode ficar com os neurônios do tronco cerebral mal conectados. O resultado é que sons triviais, como o de um lápis que cai, tornam-se insuportáveis. Fica impossível concentrar-se numa prova.

Anos cruciais
Até os 7 anos, se desenvolve a parte auditiva do tronco cerebral, importante para localizar a origem dos sons e notar um barulho entre vários.

Bem formado
Aos 13 anos, um menino saudável completa o desenvolvimento auditivo. Os neurônios de suas estruturas já são muitos e estão bem interligados.

Tudo é difícil

Situações banais viram obstáculos para um deficente auditivo.
Sem graça

Por não notar sentidos escondidos, o deficiente auditivo é incapaz de entender muitas piadas.

Falso rebelde
Na escola, como ele não é capaz de ordenar os sons, fica difícil entender as aulas. O professor muitas vezes acha que o menino desafia sua autoridade, pois não consegue seguir atividades simples.

Onde está?
Vítimas do distúrbio não conseguem saber de onde vem um som. É que o cérebro não pode calcular sua origem, uma operação que exige o processamento simultâneo do que ouvem os dois ouvidos.

O que faço?
O menino deficiente não sabe o que fazer com a bola porque não consegue entender o que os colegas gritam. Ele se desconcentra nos momentos que exigem a hierarquização dos sons.

Como funciona o tratamento

Apesar da gravidade do problema, a DPAC tem cura.
Uma das principais responsáveis pela pesquisa da terapia para o distúrbio no Brasil, a fonoaudióloga Liliane Desgualdo conta que o tratamento consiste em dar às pessoas os sons que elas deveriam ter ouvido durante as fases de desenvolvimento do processamento auditivo. Mesmo após os 13 anos, as áreas auditivas do cérebro podem ser aperfeiçoadas, desde que sejam submetidas a uma grande quantidade de estímulos. Uma das atividades é fechar o paciente em uma cabine e submetê-lo a vários sons misturados, acustumando-o aos poucos a distinguir um do outro. A terapia dura de seis meses a um ano.
A equipe de Liliane, uma das poucas especializadas no assunto no país, tem conseguido curar 80% dos pacientes que chegam às suas mãos – dos 20% restantes, pouquíssimos não apresentam alguma melhora.
Além do tratamento fonoaudiológico, é importante que haja também um acompanhamento psicopedagógico. "Os maiores danos da DPAC são na auto-estima. Depois de curado, um sujeito pode ainda se achar incapaz", alerta Ana Silvia. Afinal, não é fácil para um ex-paciente se acostumar com a idéia de que é inteligente depois de ter passado décadas acreditando que não é.

COPIADO DO SITE: http://super.abril.com.br/cotidiano/distraido-pelo-barulho-441352.shtml


Distúrbio auditivo é confundido com deficit de atenção


03/01/2011 - 11h14

Distúrbio auditivo é confundido com deficit de atenção


MARIANA VERSOLATO
DE SÃO PAULO 


Muitos dos sintomas são iguais: dificuldade de se concentrar, desorganização, esquecimento, mau desempenho na escola e problemas de relacionamento.
Marcelo Camargo/Folhapress
Henrique, 10, e Eduarda Lima, 12, de Brasília, têm o distúrbio de processamento auditivo
Os irmãos Henrique, 10, e Eduarda Lima, 12, de Brasília, têm o distúrbio de processamento auditivo
Por isso a dificuldade de saber se uma criança com dificuldade de aprendizagem tem transtorno de deficit de atenção e hiperatividade ou DPAC (distúrbio do processamento auditivo central).
O problema é uma falha na forma como o sistema nervoso central processa o som. Não há deficiência no aparelho auditivo, mas uma dificuldade para compreender o significado da mensagem.
Nomeado oficialmente nos EUA em 1996, o distúrbio ainda está se tornando mais conhecido por pais e professores. Segundo estudos, pode atingir até metade das crianças com dificuldades de aprendizagem.
Ainda se sabe pouco sobre causas -infecções no ouvido na infância estão entre elas, mas suspeita-se também de alterações neurobiológicas genéticas e meningite.
Crianças inteligentes, interessadas e que, mesmo assim, vão mal em várias matérias são candidatas a ter DPAC. É o caso de Eduarda, 12, de Brasília.
A mãe, Luísa Casado Lima, afirma que a filha sempre foi esforçada, mas não conseguia se concentrar e começou a cometer erros de grafia.
Luísa, que é dentista, levou a filha a uma fonoaudióloga, a um neurologista e a um ortopedista. No exame de audiometria, feito em cabine acústica, o processamento auditivo estava alterado.
Eduarda ouvia bem, mas não entendia o que era dito.
Editoria de Arte/Folhapress/Editoria de Arte/Folhapress
MODA
A mãe acha que o DPAC é moda. "Todo aluno tem alguma coisa, qualquer dificuldade é atribuída a alterações."
O filho dela, Henrique, 10, também foi diagnosticado com o problema.
O neuropediatra Paulo Junqueira também percebe um crescimento no número de diagnósticos.
Para a fonoaudióloga Vera Lúcia Garcia, diretora secretária da Associação Brasileira de Fonoaudiologia, os diagnósticos vão ficando mais específicos com a evolução da neurociência.
"Hoje a disseminação do distúrbio é maior e há mais recursos para avaliá-lo."
Nicholas Araujo, 9, do Rio, também foi diagnosticado com o DPAC. A mãe, Rachel, demorou para descobrir quais eram as dificuldades.
O que chamava a atenção da mãe é que qualquer frase era interpretada ao pé da letra. "O Nicholas não entendia brincadeiras, piadas, algo com duplo sentido", diz.
O tratamento é feito com fonoterapia, para ajudar a criança a separar e entender o que ouve.
Além de terem sintomas similares, o deficit de atenção e o distúrbio auditivo podem coexistir -o que é muito comum, segundo o neuropediatra Paulo Alves Junqueira. "É preciso tomar muito cuidado ao colocar um rótulo porque as características são similares. Há uma linha muito tênue entre os dois."



copiado do site: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/854090-disturbio-auditivo-e-confundido-com-deficit-de-atencao.shtml

“Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem”: o que é?


21 de Março de 2012 - 11:45

Leia o conceito sobre “Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem”, por Luciane Zanchi

Conceito sobre “Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem”
A literatura a respeito do diagnóstico e tratamento de distúrbios, transtornos, dificuldades ou problemas de aprendizagem é vasta e fundamentada em concepções muitas vezes, divergentes entre si.
Devido o grande número de obras relacionadas ao assunto, torna-se inviável contemplar todas as possíveis definições e abordagens sobre esses conceitos.
De acordo com o CID – 10os Transtornos Específicos do Desenvolvimento das
Habilidades Escolares são compostos por grupos de transtornos manifestados por comprometimentos específicos e significativos no aprendizado de habilidades escolares.
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM - IV)estima
que a prevalência dos Transtornos de Aprendizagem seja na faixa de 2 a 10% da população, dependendo da natureza da averiguação e das definições explicadas.
As alterações apresentadas por esse contingente maior de alunos poderiam ser designadas como “dificuldades de aprendizagem”. Participariam dessa conceituação os atrasos no desempenho escolar por falta de interesse, perturbação emocional, inadequação metodológica ou mudança no padrão de exigência da escola, ou seja, alterações evolutivas normais que foram consideradas no passado como alterações patológicas.
Conforme pode ser observado na definição acima, podemos considerar que há dois grandes grupos de Dificuldades de Aprendizagem:
(1) Dificuldades Escolares (DE)que podem ter como causas, as falhas no processo de alfabetização, inadequação do método pedagógico aos estilos e características de aprendizagem do aluno, excesso de mudanças de escolas, problemas escolares diversos (na dinâmica escolar), além de poderem ser resultantes de condições neurológicas diversas (epilepsia, paralisia cerebral e outros quadros neurológicos), deficiências em geral (física, mental, auditiva, visual, múltipla) e psicossociais (problemas na dinâmica familiar, estimulação inadequada e outros problemas sociais). É evidente que tais condições não são determinantes para que uma criança apresente uma dificuldade de aprendizagem, no entanto, irão influenciar o processo de aprendizagem.
(2) Distúrbios de Aprendizagem (DA)caracterizados por uma disfunção no Sistema Nervoso Central e decorrentes de uma falha no processamento das informações. Desse modo, a criança recebe adequadamente as informações do meio externo (visuais, auditivas e cinestésicas), porém há uma falha na integração, processamento e armazenamento dessas informações resultando em problemas na "saída" das informações sejam pela escrita, leitura ou cálculo.
O diagnóstico dos Distúrbios de Aprendizagem deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar formada por profissionais das áreas: Psicologia/Neuropsicologia, Fonoaudiologia, Psicopedagogia, Neurologia e Psiquiatria, uma vez que o quadro pode ser acompanhado por alterações em funções diversas que comprometem a aprendizagem da criança ou jovem.
  Dentre os Distúrbios de Aprendizagem, atualmente o que mais tem sido discutido e         abordado é a Dislexia, Disgrafia, Discalculia e TDAH.
As dificuldades de aprendizagem constituem o principal desafio para os           educadores. O fracasso escolar atinge as crianças em desenvolvimento, derrubam sua auto-estima, promovem dificuldades de relacionamento, distúrbios de comportamento e a marginalização daqueles que não se adaptam a regras sociais que não o reconhecem como sujeito em processo de aprendizagem.
Do enorme contingente de crianças com fracasso escolar, apenas uma minúscula fração consegue ser encaminhada a um recurso que permita compreender suas dificuldades, para obter algum atendimento a respeito da dificuldade que apresenta.
O diagnóstico precoce do distúrbio de aprendizagem é fundamental para a superação desta dificuldade. Desta forma se verifica a área mais comprometida e se encaminha para a abordagem terapêutica mais adequada.
Sabemos que existem vários fatores que afetam a cognição, como por exemplo:Fatores Emocionais que invadem os processos de pensamento (ansiedade, insegurança...); Orgânicos ( baixa visão/ audição...);  Neurológicos ( lesão cerebral, PC...); Comportamentais ( TDAH, Asperger...); Sindrômicos e muitos outros, os quais dificultam o diagnóstico, impedindo assim, que se faça uma intervenção precisa e eficaz. Por este motivo, é importante que se faça um trabalho em equipe, onde médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, Especialistas em Educação Especial, cada um em sua área, lançam mão de suas técnicas e conhecimentos específicos, a fim de oferecer um diagnóstico preciso, para que se faça uma intervenção apropriada para cada caso.
Em nosso trabalhonoCENAIPP , especialistas como Psicopedagogas, Psicólogas e Educadoras, observamos a preocupação dos pais com seus filhos que apresentavam dificuldades na escola, e que apesar de seu desempenho, dos professores e da própria criança, víamos a frustração e desânimo dos mesmos quando as metas de aprendizagem não eram alcançadas, o que levava essas crianças a um rebaixamento da autoestima e sentimentos de “não ser capaz”.
Por isso, quanto mais cedo qualquer distúrbio e/ou Dificuldade de Aprendizagem for percebida, maior a chance de iniciar o tratamento e alcançar êxito satisfatório no processo cognitivo e consequentemente, na aprendizagem,
As queixas relatadas pelos professores com maior incidência sobre o aluno que não aprende são:
  • Falta de atenção;
  •  Esquecimento;
  •  Dificuldade na leitura e na escrita;
  •  Dificuldade na matemática;
  •  Dificuldade nos processos de pensamento;
  •  Dificuldade nas atitudes de trabalho;
  • Problemas de comportamento e de motivação pelas atividades escolares;
  •  Frustração e fraca auto-estima;
  •  Problemas de estudo e de organização; 
A identificação precoce das Dificuldades de Aprendizagem no ensino pré-primário, ou mesmo antes, constitui, portanto, uma das estratégias profiláticas e preventivas mais importantes para a redução e minimização dos seus efeitos, pois, neste período crítico de desenvolvimento, a plasticidade neuronal é maior, o que quer dizer que os efeitos de uma intervenção compensatória e em tempo útil podem ter conseqüências muito positivas nas aprendizagens posteriores.
Para se desenvolverem estratégias preventivas temos que considerar para além dos educadores e dos professores, os próprios pais, pois como conhecem muito bem os seus filhos, podem notar neles padrões de desenvolvimento diferentes, mesmo no seio da mesma família.
Os pais, por exemplo: podem notar que um dos seus filhos tem mais dificuldades em dominar o alfabeto que outro, ou que tem mais relutância para aprender a ler ou é mais distraído e descoordenado. As preocupações dos pais respeitantes a estas questões devem ser seriamente consideradas, pois, na sua observação diária e na sua reflexão não profissional, podem evocar sinais muito importantes para organizar uma avaliação dinâmica do potencial de aprendizagem dos seus filhos.
Em suma, cabe aos professores e profissionais da escola, além, é claro, dos familiares, acompanharem o crescimento e o desenvolvimento de suas crianças e jovens, ao menor sinal de problema de aprendizagem, procurar verificar as causas e consultar um profissional. 
Luciane Zanchi Sperafico
Psicopedagoga, Especialista em Educação Especial,
Aperfeiçoamento em Neurociências da Aprendizagem e TDAH

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A ALFABETIZAÇÃO NA SÍNDROME DE DOWN


See full size image

A ALFABETIZAÇÃO NA SÍNDROME DE DOWN


Josiane Mayr Bibas

Maria Izabel Valente

A alfabetização de crianças e jovens com SD tem sido cada vez mais observada e concretizada, como resultado de uma expectativa mais elevada e conseqüente maior investimento nesta aprendizagem, e também pelo efeito positivo da inclusão, que está despertando nos educadores a visão da diversidade e o respeito às especificidades de cada aluno, trazendo consigo a busca do caminho de acesso aos diferentes aprendizes.

O processo de aquisição da leitura e escrita em pessoas com a Síndrome de Down (SD) é tema de estudo freqüente e de visões distintas, de acordo com diversos autores. Segundo Martini (1996, pg.125), por exemplo, a linguagem oral deve anteceder a escrita, quando afirma que "o desenvolvimento das competências lingüísticas é preliminar em relação à aprendizagem da escrita". Para este autor, esta aprendizagem necessita de funções básicas: as lingüísticas, que envolvem a consciência fonológica e a associação de fonemas a grafemas, e as viso-perceptivas (reconhecimento dos caracteres que definem cada letra) e práxicas (execução de um projeto motor específico para cada letra), aspectos nos quais a criança com Síndrome de Down frequentemente tem dificuldades.

Buckley (1992, citada em Troncoso, 1988, pg. 64) apóia a tese do uso da leitura como método para ensinar a linguagem oral. Afirma que "a deficiência de memória a curto prazo e a informação que a criança com SD recebe por via auditiva lhe dificultam a compreensão da linguagem falada. As palavras faladas existem durante um breve período, enquanto que as palavras escritas, os símbolos, os desenhos e fotos, podem permanecer todo o tempo que seja necessário".

Muito já se estudou sobre os aspectos cognitivos de crianças com SD que vêm justificar uma eventual dificuldade em sua alfabetização, assim resumidos por Troncoso (1998, pg. 2): comprometimento dos mecanismos de atenção e iniciativa; da conduta e sociabilidade; dos processos de memória; os mecanismos de correlações, análise, cálculo e pensamento abstrato e dos processos de linguagem expressiva e receptiva. Também Oelwein (1995, pg. 46) levanta motivos que explicariam porque algumas crianças com SD apresentam dificuldades para aprender a ler:

fracasso ou medo do fracasso: o uso de métodos não adequados às habilidades ou interesses da criança pode fazer com que a alfabetização se torne uma experiência negativa ou desagradável, da qual o aluno tende a fugir.

a criança pode ter dificuldade para compreender o conceito de ler, não entende o que se espera dela. Pode ser difícil para a criança entender que palavras impressas representam pessoas, lugares, ações, objetos, sentimentos e idéias. Ela pode achar que olhar e descrever figuras é ler.

a criança pode não estar motivada a ler. Não captou o valor a longo termo deste aprendizado, o quanto a habilidade de ler e escrever pode ser útil em sua vida cotidiana.

a criança pode ter distúrbios de visão ou audição que prejudicariam a aquisição da leitura e escrita.

algumas crianças com SD não possuem as ferramentas necessárias para entender as relações simbólicas que permitem a leitura.

Para Troncoso (1998, pg. 69), os jovens com SD hoje, em relação aos de gerações passadas, têm capacidades de leitura que lhes permitem acessar informações escritas em geral, com isso melhorando suas possibilidades de interação pessoal e suas habilidades sociais. Estas são razões suficientes para estabelecermos como objetivo a alfabetização de todas as crianças e jovens com SD. Ela diz: "Será raro aquele que não poderá aprender a ler e escrever - antes de abandonar o ensino da escrita, precisamos estar absolutamente seguros que tenham sido tentados diferentes procedimentos de aprendizagem". Martini (1996, pg. 132) reforça esta idéia ao dizer que a alfabetização de uma criança ou jovem com SD não deve ser apenas uma atividade mecânica e repetitiva, mas sim deve representar um enriquecimento real de sua personalidade. "A escrita é uma forma de suporte para a memória e um modo de transmitir significados; a leitura é um modo de receber significados e informações e é na direção desses valores e objetivos que se devem incrementar as capacidades da criança". Leitura e escrita estariam atuando como importantes ferramentas na construção de um sujeito autônomo.

No que se refere às diferentes perspectivas metodológicas que podem ser empregadas na alfabetização de pessoas com SD, encontramos divergências, mas de maneira geral todas as abordagens procuram respeitar as especificidades que estão presentes no aluno, além de sua síndrome, como idade, personalidade, interesses e capacidades de cada um.

Por um lado temos, por exemplo, Troncoso (1998, pg. 70) que afirma que "pessoas com SD têm a atenção, percepção e a memória visuais como pontos fortes e que se desenvolvem com um trabalho sistemático e bem estruturado. Porém, se verificam dificuldades importantes na percepção e memória auditivas, que com freqüência se agravam por problemas de audição agudos ou crônicos. Por essa razão, a utilização de métodos de aprendizagem que tenham um apoio forte na informação verbal, na audição e interpretação de sons, palavras e frases, não é muito eficaz". Partindo dessa premissa, essa autora desenvolve um trabalho de alfabetização com crianças com SD baseado na aprendizagem perceptivo-discriminativa (associações, seleção, classificação, denominação, generalização), que vai possibilitar-lhes o desenvolvimento de sua organização mental, pensamento lógico, observação e compreensão do ambiente que os rodeia, todos aspectos considerados como pré-requisitos para uma alfabetização eficiente. A leitura e escrita propriamente ditas são trabalhadas partindo da percepção global e reconhecimento de palavras com significados (nome da criança e de seus familiares, objetos do cotidiano) sempre associados a estímulos visuais. Em uma segunda etapa, se desenvolve a aprendizagem de sílabas.

Para Capovilla, entretanto, a alfabetização necessita imperiosamente da consciência fonêmica e do conhecimento da relação fonema-grafema. O método fônico baseia-se na constatação experimental de que crianças com dificuldades de leitura têm dificuldades em discriminar, segmentar e manipular, de forma consciente, os sons da fala. Para este autor, "esta dificuldade pode ser diminuída significativamente com a introdução de atividades explicitas e sistemáticas de consciência fonológica, durante ou mesmo antes da alfabetização". A consciência fonológica, de fundamental importância para a aquisição da escrita e leitura nesta abordagem, refere-se à habilidade de discriminar e manipular segmentos da fala. Essa consciência do sistema sonoro da língua não se desenvolve espontaneamente, e requer experiências específicas para que ocorra, em que se expõe a criança a instruções de correspondência entre letras e sons.

É preciso treinar o ouvido: as rimas, cantigas, brincadeiras com palavras são importantes para que a criança possa associar os sons de sua língua a letras.

Podemos considerar ainda a abordagem construtivista, que se dá pelo método ideovisual ou global com ênfase no ensino a partir do texto e das palavras inteiras. A criança é levada a levantar hipóteses, partindo de um contexto, sobre as palavras que constituem uma frase ou um texto e, em seguida, a memorizar a forma visual das palavras. Nesse método, supõe-se que a criança passaria diretamente dos traços visuais ao significado do texto "sem passar pelo som".

O método multissensorial (Montessori, 1948) busca combinar diferentes modalidades sensoriais no ensino da linguagem escrita às crianças. Ao usar as modalidades auditiva, visual, cinestésica e tátil, esse método facilita a leitura e a escrita ao estabelecer a conexão entre aspectos visuais (a forma ortográfica da palavra), auditivos (a forma fonológica) e cinestésicos (os movimentos necessários para escrever aquela palavra).

As abordagens utilizadas para alcançar a aprendizagem de leitura e escrita em crianças com SD serão tão diversas quanto diversas são suas características e peculiaridades.

Para complementar, é sempre bom lembrar alguns aspectos que deveriam estar presentes no processo de aprendizagem da leitura e da escrita de qualquer criança:

Motivação: a criança precisa querer aprender, estar comprometida com sua própria aprendizagem. A motivação é resultado de um trabalho de valorização da leitura e da escrita, da curiosidade despertada e permitida de saber mais.

Significado: produções ou reproduções mecânicas de letras, sílabas ou palavras que não traduzam sentido para a criança, que não se baseiem em seus temas de interesse ou não sejam utilizadas para transmitir o que ela tem a dizer, não são motivadores.

Funcionalidade: ler e escrever tem uma função, servem para receber e transmitir mensagens. Dar funcionalidade à alfabetização a torna mais concreta e mais desejada.

Instigar a curiosidade: provocar a aprendizagem, mostrar como é bom saber, aprender, como facilita a vida e permite conseguir o que se quer. Despertar na criança o interesse pelos jogos que envolvam leitura e escrita, deixar bilhetes que contenham mensagens que a criança deseja saber, faz com que ela se mobilize na direção dessa aprendizagem.

Recurso visual associado: a retenção da informação visual é mais eficiente e amplia a possibilidade do lúdico e da atenção. Portanto, facilita a aprendizagem.

Retomada: rever conteúdos aprendidos antes de avançar no processo de aprendizagem tranqüiliza a criança pelo contato com informações dominadas e fortalece o aprendizado do novo.

Dinâmica: deve ser um processo, em constante movimento, atual, com estratégias diferentes, utilizando todos os sentidos para estimular, envolver a criança, levar a pensar, se movimentar e aplicar o que é aprendido.

Respeitar o desenho das letras: a criança que define sozinha o modo de escrever uma letra pode eleger traçados complexos e desnecessários. Aprender o traçado de cada letra vai facilitar o aprendizado da escrita. Não deixar como certo o que está errado, pois a criança percebe quando não é corrigida - só não exigimos competência de quem não acreditamos ser capaz

Caixa alta: o uso da letra de imprensa maiúscula pode ser facilitadora, por exigir traçados com menos curvas e letras separadas que favorecem sua identificação.

Estimular todas as formas de leitura e escrita: ler e escrever não estão ligados apenas a letras e palavras. Podemos ler figuras, rótulos e marcas; podemos escrever símbolos, desenhos e figuras. A recepção e expressão gráficas podem se realizar através de muitas maneiras.

Histórias podem e devem ser contadas e recontadas, não há problema em manter um único interesse por determinado tempo, desde que se criem variações sobre o mesmo tema.

Falar e escrever sobre si mesmo: quando a criança é estimulada a perceber e relatar o que vive, faz interpretação de texto constante na vida.

Envolver a família: a família é um modelo muito importante. Valorizar a leitura, comunicar-se através de bilhetes, presentear com livros e fazer de idas a bibliotecas e livrarias um programa legal, desperta na criança o desejo de compartilhar esse conhecimento.

O aluno é o norte, a referência maior. Ele está interessado? Ele está envolvido? Suas competências estão sendo valorizadas? Ele sabe o seu papel nesse processo de aprender? Ele está aprendendo? É olhando para o aluno que o professor será capaz de buscar a metodologia, as estratégias e os recursos mais eficientes.

Referências Bibliográficas

BARGAGNA, S. e Massei, F. (1996) Un Progetto Integrato per la Síndrome di Down - Aspetti Clinici, ribilitativi e psicosociali. Edizioni del Cerro - Pisa Itália

TRONCOSO, Maria Victoria e Del Cerro, Maria Mercedes. Síndrome de Down: lectura y escritura - Cantabria, Espanha. Masson S.A. - 1998.

VOIVODIC, Maria Antonieta. Inclusão Escolar de Crianças com Síndrome de Down - Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.

OELWEIN, Patricia L. Teaching Reading to children with Down syndrome: a guide for parents and teachers - Woodbine House Ed. - Bethesda/USA, 1995.

BISSOTO, M. L. (2005). O desenvolvimento cognitivo e o processo de aprendizagem do portador de Síndrome de Down: revendo concepções e perspectivas educacionais. Ciências & Cognição; Ano 02, Vol 04, mar/2005. Disponível em www.cienciasecognicao.org

Informações complementares

Alfabetização Fônica - www.memnon.com.br
http://sitededicas.uol.com.br/software.htm
http://sitededicas.uol.com.br/index.htm
http://www.cardapiodosaber.com.br/

Projeto Roma

http://www.adiron.com.br/mznews/data/aprendi.pdf


FONTE DO TEXTO ORIGINAL: http://www.reviverdown.org.br/

CARTILHA SOBRE A SÍNDROME DE DOWN.

CARTILHA SOBRE A SÍNDROME DE DOWN

See full size image


SEU BEBÊ TEM SÍNDROME DE DOWN?
CALMA, NÃO SE ASSUSTE...
É SÓ O COMEÇO DE UMA LINDA HISTÓRIA...

PROCURE-NOS SE QUISER.

PODEMOS AJUDAR VOCÊ A ENTENDER O QUE ESTÁ ACONTECENDO.


BRASÍLIA/DF, 21 de março de 2007





Você não está sozinho!



Nós entendemos que, ao receber a notícia, você se sente como se fosse a única pessoa do mundo que tem um problema para resolver. Sentimentos de insegurança e incerteza, bem como dúvidas sobre como tratar a criança e o que o futuro lhe reserva, podem surgir.

Procure informações corretas, junto a profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais...), e outros pais. Várias pessoas já passaram e passam todos os dias pelas dúvidas e incertezas pelas quais você está passando e podem ajudá-lo a entender melhor o que está acontecendo.

A Internet é um recurso fabuloso, mas é, ao mesmo tempo, o melhor e o pior dos mundos. Como a rede não tem limites de espaço você vai encontrar tudo o que já foi escrito a respeito do assunto, desde a descoberta mais recente, até os conceitos mais ultrapassados. E o pior é que nem sempre o que você encontra tem data. Assim, você corre o risco de acreditar em afirmações que foram feitas há mais de 50 anos, só porque o site é bonitinho.



Não confie demasiadamente em textos com mais de 5 anos. A evolução, tanto na área médica quanto na qualidade de vida de pessoas com síndrome de Down tem sido enorme e acontecido a passos largos. Algumas dicas podem ser úteis:

• Não se deixe influenciar pela opinião de pessoas que nunca conviveram diretamente com uma criança ou com um adulto com síndrome de Down, pois geralmente elas têm informações desatualizadas, preconceituosas e erradas. Essas informações equivocadas são inclusive transmitidas pela mídia (jornais, revistas, tvs) e até por profissionais da saúde. É freqüente passarem informações muito negativas sobre a síndrome de Down, mas essa forma de ver a situação é fruto da desinformação e da falta de convivência com pessoas com síndrome de Down.

• Não entre em paranóia porque algumas questões médicas têm uma maior incidência nas pessoas com síndrome de Down. Converse com outras pessoas - especialmente com o pediatra do seu filho - a respeito delas. Com o tempo você vai começar a distinguir as que lhe serão úteis das demais.

• Não fique correndo atrás de "cura milagrosa": Existem dezenas de promessas na Internet, algumas até bem intencionadas (pessoas que realmente acreditam no que falam, mesmo que tecnicamente estejam totalmente erradas), e muitas mal-intencionadas, que só querem se aproveitar de um momento delicado das famílias. Se você se deixa iludir por falsas promessas de cura ou de terapias que vão fazer do seu filho uma criança "normal", você deixa de aproveitar o tempo para investir nos potenciais e habilidades dele.

• Conheça outros pais e outras crianças: a experiência dos outros sempre vai ser útil, mas não esqueça que você é diferente dos outros pais e seu filho é diferente de outras crianças que tenham a mesma "deficiência". Participe de grupos de discussão, conheça associações, descubra o que eles estão fazendo, como estão fazendo. Mas nunca deixe de usar o seu filtro crítico para julgar o que, dentro dos seus valores familiares, é melhor para o seu filho.

• Cuidado com o excesso de informação: existe muita informação que, dependendo do momento, é desnecessária, mesmo quando é verdadeira e atualizada. Seu filho ainda está sendo gerado ou acabou de nascer; então, não se angustie sobre as questões da adolescência.

• Diagnóstico não é profecia: o futuro do seu filho vai depender daquilo que você der condições e oportunidade para ele fazer.

• E o mais importante: Seu filho é um bebê com as mesmas necessidades de qualquer outra criança: atenção, afeto, carinho, respeito, projeto de futuro, reconhecimento, orgulho etc. Ele, mais do que ninguém, vai surpreendê-lo e mostrar a você os caminhos a seguir. Viva um dia de cada vez, e desfrute de sua companhia.

Se o seu bebê ainda não nasceu, não deixe de acessar o blog “Grávida de um bebê especial”, da Michele, que descobriu durante a gravidez que a filha, Gabriela, teria SD

http://www.chele_pp.weblogger.terra.com.br





Você sabe o que é síndrome de Down?



Todos nós somos formados por pequenos pedacinhos chamados células. No meio destas células existe o núcleo e, dentro dele, encontramos os cromossomos. São eles que determinam as nossas características genéticas, aquelas que vêm de família, como a cor do cabelo, o tom da pele, etc.

A maioria das pessoas tem 46 cromossomos em cada célula, divididos em 23 pares, sendo que cada par é formado por um cromossomo da mãe e um cromossomo do pai.

A pessoa com síndrome de Down tem um cromossomo a mais no par 21. Por isso a síndrome de Down também é chamada "Trissomia do 21".

Quem tem síndrome de Down pode fazer tudo o que os outros fazem, só que o seu ritmo, normalmente, é mais lento, ou seja, vai aprender as coisas um pouco mais devagar do que as outras pessoas.

E porque podem aprender mais devagar, precisam ser estimulados desde bem pequeninos. Com o auxílio de algumas terapias, seu bebê se desenvolverá muito bem!

É importante que você dê ao seu bebê todas as oportunidades de aprender, crescer e ser independente. Deixe-o brincar com as outras crianças, deixe-o fazer travessuras! Quando ele tiver idade para ir à escola, coloque-o numa escola regular. O convívio com outras crianças é um grande estimulante e, ao mesmo tempo, uma importante troca, pois todos ganham com a convivência! Você perceberá que seu filho tem muito a aprender e muito a ensinar!

E, mais do que qualquer coisa, não se esqueça de que seu filho é uma CRIANÇA! Uma criança como qualquer outra, que dá risada, chora, faz gracinha, faz manha...

E que precisa de educação, limites e, principalmente, de muito AMOR!

Características

Existem alguns sinais que caracterizam a pessoa com síndrome de Down: a hipotonia (flacidez muscular, que faz o bebê ser mais molinho), o comprometimento intelectual (a pessoa aprende mais devagar) e o fenótipo (aparência física).

Algumas das características físicas são: olhos amendoados, uma linha única na palma de uma ou das duas mãos, dedos curtinhos, entre outras. Mas apesar da aparência por vezes comum entre pessoas com síndrome de Down, é preciso lembrar que o que caracteriza mesmo o indivíduo é sua carga genética familiar, o que faz com que seja parecido com seus pais e irmãos. Cerca de 50% dos bebês que nascem com SD apresentam alguma cardiopatia congênita. Não deixe de pedir ao médico para que examine o coração de seu filho antes de deixar o hospital.



Estimulação Precoce

Os efeitos do material genético adicional variam enormemente de indivíduo para indivíduo. Não há exames que determinem, no nascimento, como a pessoa vai se desenvolver. Para que ela tenha condições de alcançar todo seu potencial é importante que seja encaminhada, ainda bebê, a profissionais habilitados para um programa de estimulação precoce. Converse com o pediatra de seu filho a respeito.

E, não esqueça... Mais do que qualquer terapia, é importante que a criança seja também estimulada em casa, na rua, na escola. Ao estar integrada em todas as atividades, ela estará constantemente aprendendo e crescendo.



Vivendo com síndrome de Down

Hoje pessoas com síndrome de Down têm apresentado avanços impressionantes e rompido muitas barreiras. Em todo o mundo, e também aqui no Brasil, há pessoas com síndrome de Down estudando, trabalhando, vivendo sozinhas, se casando e até chegando à universidade.

A melhor forma de combater o preconceito é através da informação e da inclusão de TODAS as pessoas, na família, na escola, no mercado de trabalho e na comunidade.

Lembre-se: pessoas com síndrome de Down são pessoas como outras quaisquer, não são eternos bebês. Devem ser tratados de acordo com a sua idade sempre!



Expectativa de Vida

Devido aos avanços da medicina, que hoje trata problemas médicos associados à síndrome com relativa facilidade, a expectativa de vida das pessoas com síndrome de Down vem aumentando incrivelmente nos últimos anos. Para se ter uma idéia, enquanto em 1947 a expectativa de vida era entre 12 e 15 anos, em 1989 subiu para 50 anos. Atualmente, é cada vez mais comum pessoas com síndrome de Down chegarem aos 60, 70 anos, ou seja, uma expectativa de vida muito parecida com a da população em geral.

Portanto, esqueça os mitos! Esqueça os medos! Viva e curta seu filho! Deixe-o brincar, fazer travessuras. Deixe-o crescer, porque ele tem um futuro lindo pela frente!



Livros



Mas ele não é Mesmo a sua Cara? - Claudia Werneck, WVA editora

Liane, Mulher como Todas - Liane Collares, WVA Editora

Construindo o Caminho - Cecília Dias, Editora Augustus

Inclusão Começa em Casa - O Diário de uma Mãe - Iva Proença, Editora Agora

Cadê a síndrome de Down que estava aqui? O gato comeu! – Elisabeth Tunes – Autores Associados

Aprendiendo a conocer a las personas con sindrome de Down – Miguel Lopes Melero – Ediciones Aljibe



Internet

* sites brasileiros *

Especial síndrome de Down da BBC do Brasil - Série jornalística sobre o tema

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/cluster/2003/08/s_down.shtml

Síndrome de Down - Site do Dr Zan Mustacchi, pediatra e geneticista de São Paulo – SP

http://www.sindromededown.com.br/

Espaço Down - Site da Dra Meire Gomes - pediatra em Natal – RN

http://www.meiregomes.med.br/down.php

Associação Reviver Down – PR

http://www.reviverdown.org.br/

Associação Carpe Diem – SP

http://www.carpediem.org.br

Portal síndrome de Down – RJ

http://www.portalsindromededown.com/



Internet

* You Tube *

Páginas da Vida - Cena em que a médica Helena revela a avó Marta que a neta tem síndrome de Down

http://www.youtube.com/watch?v=ivqGDUhztXU

Momentos - Clip com imagens de vários bebes, crianças, jovens e adultos com SD ao som da canção "Esse seu Olhar", de Tom Jobim

http://youtube.com/watch?v=g8DYTeDNdV0

Você - Clip com imagens de vários bebes, crianças, jovens e adultos com SD ao som da canção "Você", de Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal

http://www.youtube.com/watch?v=82TeaJIgw4s

Breno Viola – judoca, 26 anos, depoimento para a novela Páginas da Vida

http://www.youtube.com/watch?v=reTA4byLi3I

Fernanda Honorato – depoimento para a novela Páginas da Vida

http://www.youtube.com/watch?v=TzHlPIQZsrs



Internet

* Grupos de Discussão *

Síndrome de Down - Grupo com mais de 1300 participantes, não só do Brasil. Além de parentes e pessoas com SD, também conta com a participação de diversos profissionais.

http://br.groups.yahoo.com/group/sindromededown/

HappyDown – Muito acolhedor, formado em grande parte por famílias com crianças pequenas

http://br.groups.yahoo.com/group/happydown/

Construindo o Caminho – É um grupo pequeno, ainda recente, mas muito aconchegante

http://br.groups.yahoo.com/group/construindocaminho/

Orkut: Comunidade "Amigos síndrome de Down“

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=74419



Internet

* Em inglês *

Riverbend Down Syndrome Parent Support Group - Associação de St Louis nos Estados Unidos, muito conteúdo e bastante atual

http://www.altonweb.com/cs/downsyndrome/index.htm

Down Syndrome Health Issues - Site do pediatra americano e pai Dr Len Leshin, traz explicações científicas sobre várias polêmicas da SD

http://www.ds-health.com/National

Down Syndrome Society - site que congrega as principais associações americanas

http://www.ndss.org/Down´s

Syndrome Association - Associação da Grã-Bretanha. Tem textos ótimos para download

http://www.downs-syndrome.org.uk/

The Down Syndrome Educational Trust - Fundação da Grã-Bretanha dedicada ao desenvolvimento e à educação das pessoas com síndrome de Down

http://www.downsed.org/Adult

Down Syndrome Center - material sobre questões médicas na fase adulta

http://www.advocatehealth.com/adultdown/

Disability Solutions - Não só sobre SD, mas pode-se consultar todas as edições antigas da revista desde 1999

http://www.disabilitysolutions.org/

Down Syn Listserv - Grupo de discussão americano (mas cheio de estrangeiros de todo o mundo)

http://listserv.nodak.edu/archives/down-syn.html



Internet

* Em Espanhol *

Fundación Iberoamericana de SD - Provavelmente o mais recomendado site sobre SD da atualidade (Baseado na Espanha, mas com conteúdo de outros países de língua espanhola)

http://www.down21.org/

Associación Catalana de síndrome de Down - Também bastante rico em conteúdos

http://www.fcsd.org/cas/index.htm

Fundación síndrome de Down de Cantabria - O melhor site em termos de pesquisas científicas. Link para a Revista síndrome de Down, com artigos disponíveis para download

http://www.downcantabria.com

Associación de síndrome de Down da Argentina

http://www.asdra.org.ar/



Créditos

Os textos deste material foram copiados e/ou adaptados de textos escritos por Fábio Adiron (fadiron@terra.com.br) e Patrícia Almeida (pat_lucas@yahoo.com), moderadores do grupo síndrome de Down do Yahoo Grupos. Além deles, vários amigos “palpitaram”, contribuindo para que chegássemos a esse texto. Ana Claudia Correa, Carla Codeço, Juliana Soares Santos, Sandra Mansueti Ribeiro, Sandra Tavares, Zelinda Martins... Vocês foram mais que demais! Muito obrigada a todos!

Agradecimentos especiais aos pais das crianças e aos jovens e adultos que permitiram o uso das fotos.

Projeto: Andréa Tikhomiroff

andrea.tikhomiroff@gmail.com



FONTE DO TEXTO ORIGINAL: http://www.dfdown.org.br/dfdown/index.php/arquivos.html?view=files&id=7

INCLUSÃO NA PRÁTICA PEDAGÓGICA .




EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO: CONSIDERAÇÕES PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA NA ESCOLA Ruth Eugênia Cidade Universidade Federal do Paraná - Doutoranda na Unicamp Patrícia Silvestre Freitas Universidade Federal de Uberândia - Doutoranda na Unimep


Obs: Este texto encontra-se em processo de publicação na revista INTEGRAÇÃO - MEC

A Inclusão, como processo social amplo, vem acontecendo em todo o mundo, fato que vem se efetivando a partir da década de 50. A inclusão é a modificação da sociedade como pré-requisito para que pessoa com necessidades especiais possa buscar seu desenvolvimento e exercer a cidadania (Sassaki, 1997). Segundo o autor, a inclusão é um processo amplo, com transformações, pequenas e grandes, nos ambientes físicos e na mentalidade de todas as pessoas, inclusive da própria pessoa com necessidades especiais. Para promover uma sociedade que aceite e valorize as diferenças individuais, aprenda a conviver dentro da diversidade humana, através da compreensão e da cooperação (Cidade e Freitas, 1997).

Na escola, "pressupõe, conceitualmente, que todos, sem exceção, devem participar da vida acadêmica, em escolas ditas comuns e nas classes ditas regulares onde deve ser desenvolvido o trabalho pedagógico que sirva a todos, indiscriminadamente" (Edler Carvalho, 1998, p.170).

A escola como espaço inclusivo têm sido alvo de inúmeras reflexões e debates. A idéia da escola como espaço inclusivo nos remete às dimensões físicas e atitudinais que permeiam a área escolar, onde diversos elementos como a arquitetura, engenharia, transporte, acesso, experiências, conhecimentos, sentimentos, comportamentos, valores etc. coexistem, formando este locus extremamente complexo. A partir disto, a discussão de uma escola para todos tem suscitado inúmeros debates sobre programas e políticas de inserção de alunos com necessidades especiais. A grande polêmica está centrada na questão de como promover a inclusão na escola de forma responsável e competente.

Quanto a área da Educação Física, a Educação Física Adaptada surgiu oficialmente nos cursos de graduação através da Resolução 3/87 do Conselho Federal de Educação e que prevê a atuação do professor de Educação Física com o portador de deficiência e outras necessidades especiais. Por isso sabemos que, muitos professores de Educação Física e hoje atuantes nas escolas não receberam em sua formação conteúdos e/ou assuntos pertinentes a Educação Física Adaptada ou a Inclusão.

Sabemos também que nem todas as escolas estão preparadas para receber o aluno portador de uma deficiência e por vários motivos, entre eles, porque os professores não se sentem preparados para atender adequadamente as necessidades daqueles alunos e porque os escolares que não têm deficiência não foram preparados sobre como aceitar ou brincar com os colegas com deficiência.

A Educação Física Adaptada "é uma área da Educação Física que tem como objeto de estudo a motricidade humana para as pessoas com necessidades educativas especiais, adequando metodologias de ensino para o atendimento às características

de cada portador de deficiência, respeitando suas diferenças individuais" (Duarte e Werner, 1995: 9).

Segundo Bueno e Resa (1995), a Educação Física Adaptada para portadores de deficiência não se diferencia da Educação Física em seus conteúdos, mas compreende técnicas, métodos e formas de organização que podem ser aplicados ao indivíduo deficiente. É um processo de atuação docente com planejamento, visando atender às necessidades de seus educandos.

A Educação Física na escola se constitui em uma grande área de adaptação ao permitir, a participação de crianças e jovens em atividades físicas adequadas às suas possibilidades, proporcionando que sejam valorizados e se integrem num mesmo mundo. O Programa de Educação Física quando adaptada ao aluno portador de deficiência, possibilita ao mesmo a compreensão de suas limitações e capacidades, auxiliando-o na busca de uma melhor adaptação (Cidade e Freitas, 1997).

Segundo Pedrinelli (1994: 69), "todo o programa deve conter desafios a todos os alunos, permitir a participação de todos, respeitar suas limitações, promover autonomia e enfatizar o potencial no domínio motor". A autora coloca que o educador pode selecionar a atividade em função do comprometimento motor, idade cronológica e desenvolvimento intelectual.

Na escola, os educandos com deficiência leve e moderada podem participar de atividades dentro do programa de Educação Física, com algumas adaptações e cuidados. A realização de atividades com crianças, principalmente aquelas que envolvem jogos, devem ter um caráter lúdico e favorecer situações onde a criança aprende a lidar com seus fracassos e seus êxitos. A variedade de atividades também prevê o esporte como um auxílio no aprimoramento da personalidade de pessoas portadoras de deficiência (Bueno e Resa, 1995). As crianças com algum nível de deficiência (auditiva, visual, física e mental) podem participar da maioria das atividades propostas.

IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA PEDAGÓGICA NA ESCOLA É importante que o professor tenha os conhecimentos básicos relativos ao seu aluno como: tipo de deficiência, idade em que apareceu a deficiência, se foi repentina ou gradativa, se é transitória ou permanente, as funções e estruturas que estão prejudicadas. Implica, também, que esse educador conheça os diferentes aspectos do desenvolvimento humano: biológico (físicos, sensoriais, neurológicos); cognitivo; motor; interação social e afetivo-emocional (Cidade e Freitas, 1997).

Conhecer para prevenir.......por exemplo: No caso da deficiência física/motora a Disreflexia Autonômica: A disreflexia ou hiperreflexia autonômica pode ocorrer em um aluno que tenha lesão medular alta (T4 -6 ou acima). Um episódio de disreflexia autonômica pode acontecer súbita e dramaticamente. Uma dor de cabeça em marteladas, sudorese, manchas cutâneas acompanham hipertensão e queda na freqüência cardíaca. A hipertensão pode ser maligna, se não tratada, pode resultar em perda da consciência total, crises convulsivas, distúrbios visuais, apnéia e acidentes vasculares cerebrais por hemorragia. Pode ocorrer óbito (Okamoto, 1990). As causas mais comuns da Disreflexia são: problemas urinários, especialmente bexiga cheia demais, infeccionada ou com pedras; dilatação do intestino causada por prisão de ventre; escaras ou áreas sob pressão exagerada, e até mesmo a irritação causada por

deitar-se sobre um objeto pequeno sem perceber; queimaduras e espamos uterinos, principalmente antes e nos primeiros dias da menstruação ou durante o parto (Werner, 1994). A disreflexia é uma emergência médica. Como medida preventiva em suas aulas o professor que tiver um aluno com lesão medular, usuário de cadeira de rodas, deve pedir que o aluno faça o esvaziamento da bexiga e intestino antes da aula de Educação Física. Observar os locais de maior contato com a cadeira de rodas (glúteos e as costas) para ver se não há a formação de escaras. E ainda observar que as aulas de Educação Física não sejam na hora mais quente do dia, para que não haja complicações do tipo: febre e insolação.

No caso da deficiência mental os professores de Educação Física precisam saber que os portadores de Síndrome de Down apresentam problemas associados, dos quais destacamos: cardiopatia - 50%; problemas respiratórios - 40%; hipotonia generalizada - quase 100%; variação térmica - 100%; obesidade - acima de 50%; problemas de linguagem - quase 100%; retardo mental - 100%; instabilidade atlantoaxial - 12 a 20%; problemas de visão - 60%; problemas de audição - 50%; má formação da tireóide - 4%; problemas odontológicos - quase 100%; hérnia umbilical - quase 50%; distúrbios digestivos - 12%; leucemia - 10%; hepatite (A ou B) - 70%. (Tezza, 1995). A instabilidade atlantoaxial, destacada aqui, é descrita como instabilidade, subluxação ou deslocamento da primeira e segunda vértebras cervicais (C1 e C2), onde se situa a articulação atlantoaxial. A instabilidade atlantoaxial é um fator predisponente a complicações neurológicas. Aos alunos com Síndrome de Down recomenda-se a investigação com Raio X lateral da coluna cervical em posição neutra, flexão e extensão dentro da máxima amplitude de movimento possível, antes de entrar na prática da atividade motora. Algumas das atividades de risco para esta parcela de portadores da Síndrome de Down são: ginástica olímpica, salto em altura, nado golfinho, mergulho, alguns exercícios de aquecimento que causem o stress da região cervical e esportes de contato direto. Observem que estas recomendações só são válidas para os acometidos de instabilidade atlantoaxial.

No caso de deficiência visual assegure-se de que ele está familiarizado com o espaço físico, percursos, inclinações do terreno e diferenças de piso, estas informações são úteis pois previnem acidentes, lesões e quedas. É importante que toda a instrução seja verbalizada, dando possibilidade para o que o aluno portador de deficiência visual entenda a atividade proposta No banheiro ou vestiário mostre-lhe onde está o vaso sanitário, o papel, a pia, etc. Cuidados especiais com os alunos de visão subnormal, com patologia de deslocamento de retina, não deverão fazer atividade física onde haja possibilidade de traumatismo na cabeça

No caso da deficiência auditiva veja se a prótese está bem adaptada, para evitar ruídos, se está suja ou entupida, verifique as condições das pilhas e se está bem regulada.

No caso da epilepsia é preciso saber que é uma situação que se caracteriza pela existência de crises anômalas que tendem a repetir-se e que partem de descarga cerebrais patológicas, não estando necessariamente associada a deficiência mental ou outra deficiência (CORDE, 1992). São mais comuns as convulsões e as ausências. Nas convulsões há vários tipos, há um tipo de crise convulsiva mais severa, com movimentos violentos e descontrolados e perda da consciência. Neste caso não tente mover a pessoa, a não ser que ela esteja em um lugar perigoso. Proteja-a o melhor que puder contra ferimentos, mas não tente controlar os

movimentos. Retire de perto qualquer objeto cortante ou duro. Não coloque nada na boca da pessoa enquanto ela está tendo uma convulsão, e nem qualquer objeto para impedi-la de morder a língua. No intervalo entre espasmos, vire gentilmente a cabeça da criança para um lado, para que a saliva caia da boca e não seja levada para os pulmões quando ele respira. Quando a crise acabar, a pessoa poderá ficar sonolenta e confusa. Deixe que durma (Werner, 1994). Nos casos de ausência há uma parada das atividades. O olhar fica vago e não responde se lhe falamos, pode pestanejar, poucos minutos depois retoma a atividade sem se dar conta.

Conhecendo o educando, o professor poderá adequar a metodologia a ser adotada, levando em consideração:

" Em que grupo de educandos haverá maior facilidade para a aprendizagem e o desenvolvimento de todos; " Por quanto tempo o aluno pode permanecer atento às tarefas solicitadas, para que se possa adequar as atividades às possibilidades do mesmo; " Os interesses e necessidades do educando em relação às atividades propostas; " A avaliação constante do programa de atividades possibilitará as adequações necessárias, considerando as possibilidades e capacidades dos alunos, sempre em relação aos conteúdos e objetivos da Educação Física. Segundo Bueno e Resa (1995), tais adequações envolvem: " adaptação de material e sua organização na aula: tempo disponível, espaço e recursos materiais; " adaptação no programa: planejamento, atividades e avaliação; " aplicar uma metodologia adequada à compreensão dos educandos, usando estratégias e recursos que despertem neles o interesse e a motivação, através de exemplos concretos, incentivando a expressão e criatividade; " adaptações de objetivos e conteúdos: adequar os objetivos e conteúdos quando forem necessários, em função das necessidades educativas, dar prioridade a conteúdos e objetivos próprios, definindo mínimos e introduzindo novos quando for preciso.

As considerações acima levam em conta a remoção das barreiras para a aprendizagem (Edler Carvalho, 1998), colocando o educando como o centro das preocupações e interesses do professor.

Ao analisarmos a aprendizagem motora de portadores de deficiência não podemos desconsiderar a atuação de suas habilidades cognitivas (atenção, memória, resolução de problemas, generalização da aprendizagem) durante o todo o processo. As dificuldades para a aprendizagem de um determinado movimento ou tarefa estão relacionadas à deficiência e nível de comprometimento que o aluno apresenta. Dentro do processo de aprendizagem motora, Marteniuk em 1976, propôs um modelo para analisar os mecanismos internos básicos responsáveis pela produção do movimento com os seguintes elementos: órgãos dos sentidos, mecanismos perceptivo, mecanismo de decisão, mecanismo efetor, sistema muscular e circuitos de feedback. Nesta abordagem o homem é visto como um processador de informações, um sistema que recebe, processa, transmite, armazena e utiliza informações. Neste caso o professor de Educação Física poderá ser capaz de analisar em que parte do modelo proposto pode estar prejudicado, segundo o tipo de

deficiência presente, e utilizar estratégias necessárias para adequar o movimento ou tarefa motora. Para uma melhor compreensão do assunto, adaptamos de Bueno e Resa (1995), o modelo de execução motriz que ilustra a relação entre os possíveis problemas decorrentes do tipo de deficiência e a produção do movimento:

" Captação da informação/entrada da informação/Input Problemas - visuais, auditivos, cinestésicos e cognitivos. Ex.: se o problema é visual, o professor, como uma das alternativas, poderá verbalizar, explicar o movimento/tarefa. " Processamento central ou tomada de decisão/Mecanismo de decisão Problemas - cognitivos e alterações neurológicas. Ex.: se o aluno é portador de deficiência mental, ele levará mais tempo que os outros alunos para processar a informação e tomas a decisão. " Resposta ou mecanismo efetor/output Problemas - incoordenação motora (paralisia cerebral), problemas orgânicos, cognitivos, ortopédicos e falta de aptidão física. Ex.: no caso da paralisia cerebral a resposta motora, à tarefa/movimento solicitado, o aluno terá dificuldades no controle dos movimentos. " Feedback - retroalimentação Problemas - visuais, auditivos, neurológicos (ex.: incoordenação motora na paralisia cerebral) e cognitivos. (adaptado de Bueno e Resa, 1995).

Além disso, é conveniente que o professor de Educação Física considere alguns aspectos fundamentais, necessários e já conhecidos para uma melhor adequação das tarefas ao tipo de necessidade (como forma de minimizar as barreiras para a aprendizagem) que os alunos possam apresentar. Destacamos:

1. Aprendizagem global versus aprendizagem por partes - a aprendizagem por partes é conveniente quando a complexidade da tarefa vai aumentando. A demonstração do modelo total pode ser o mais adequado quando o movimento não pode ser decomposto ou quando a tarefa se apresenta de fácil execução. O objetivo é conseguir que o aluno perceba a globalidade do ato motor e seja capaz de executá-lo.

2. Importância da propriocepção na aprendizagem de uma habilidade motora - a aprendizagem do movimento é influenciado e facilitado pela percepção cinestésica. Assim o aluno pode vivenciar o movimento, visualizar, apontar no outro, observar e comparar os seus movimentos com o do colega.

3. Capacidade lingüística - é de suma importância que o professor conheça a capacidade lingüística de seus alunos, já que a comunicação verbal é um dos meios mais utilizados no processo de aprendizagem motora.

4. Tipo de ajuda prestada - o professor de Educação Física deverá prestar ajuda ao aluno que necessite dela para executar o movimento, procurando escolher a que seja mais adequada a situação, seja ela verbal ou por demonstração. Em alguns casos a ajuda manual ou mecânica poderá ser necessária para os portadores de deficiência mais comprometidos ou a medida que aumente a complexidade da resposta

motora. No caso do portador de deficiência visual a ajuda verbal se configura como elemento básico a ser utilizado pelo professor, constituindo-se em muitas ocasiões no elemento que desencadeia o movimento. Pelo contrário, no caso dos portadores de deficiência mental o tipo de ajuda verbal poderá ser descartado em numerosas ocasiões devido as dificuldades de compreensão da mensagem (quando estas são muito longas).

5. Conhecimento dos resultados - o conhecimento dos resultados por parte dos alunos se constitui em fator motivacional para a execução do movimento ou tarefa por ele realizado, possibilitando feedback válido de sua performance. O professor deve assegurar-se de que o aluno compreendeu a tarefa, entretanto, se não houver esta compreensão o professor poderá recorrer a diferentes estratégias que permitam o entendimento da mensagem emitida. Geralmente, é no aluno portador de deficiência mental onde com mais freqüência e facilidade vão surgir os problemas de compreensão (Bueno e Resa, 1995).

Considerações Finais

Nesta nova situação, a Inclusão, é preciso como forma adicional, considerar as peculiaridades da população associadas as estratégias que serão utilizadas. Com base no que foi colocado, o professor de Educação Física poderá conhecer a necessidade, os interesses e as possibilidades de cada aluno e de cada grupo com que trabalha (o que já têm sido feito por ele). Existem uma infinidade de fatores que influem na aprendizagem de portadores de deficiência entre elas as características das tarefas motoras, o sujeito que aprende, aprendizagem prévia, o contexto da aprendizagem, o tipo de informação, etc. Não existe nenhum método ideal ou perfeito da Educação Física que se aplique no processo de Inclusão, porque o professor sabe e pode combinar numerosos procedimentos para remover barreiras e promover a aprendizagem dos seus alunos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BUENO, S. T.; RESA, J.A.Z. Educacion Fisica para niños y ninãs com necessidades educativas especiales. Malaga : Ediciones Aljibe, 1995. CIDADE, R. E.; FREITAS, P. S. Noções sobre Educação Física e Esporte para Pessoas Portadoras de deficiência. Uberlândia, 1997. CORDE. Escola para todos. Brasília: Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência - CORDE, 1992. DUARTE, E.; WERNER, T. Conhecendo um pouco mais sobre as deficiências. In: Curso de atividade física e desportiva para pessoas portadoras de deficiência: educação à distância. Rio de Janeiro: ABT: UGF, 1995, v. 3. EDLER CARVALHO, R. Temas em Educação Especial. Rio de Janeiro: WVA Ed., 1998. PEDRINELLI, V. J. Educação Física Adaptada: Conceituação e Terminologia. In: Educação Física e Desporto para Pessoas Portadoras de Deficiência. Brasília: MEC-SEDES, SESI-DN, 1994, p. 7-10. SASSAKI, Romeu K. Inclusão. Construindo uma sociedade para todos. Rio de Janeiro, Ed. WVA 1997.

TEZZA, E. M. A . O que é Sindrome de Down. Texto Didático, UFPR, Curitiba, 1995. WERNER, D. Guia de Deficiências e Reabilitação Simplificada. Brasília: Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência - CORDE, 1994
 
 
TEXTO ORIGINAL FONTE http://www.dfdown.org.br/dfdown/index.php/arquivos.html?view=files&id=2:

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Produtos, Livros, Camisetas, Canecas, Dvds, Livros sobre DS.

Produtos, Livros, Camisetas, Canecas, Dvds, Livros

VOÇÊ ENCONTRA NO SITE: http://www.fsdown.org.br/site/pasta_85_0__livros.html

O arquiteto dos deuses


R$ 100,00 + Frete Quem eu seria se pudesse ser



R$ 15,00 + Frete O direito ao trabalho



da pessoa deficiente

R$ 10,00 + Frete

A Fundação Síndrome de Down

nasceu a partir da idealização e sonhos de um grupo de pais que, acreditando nas capacidades das pessoas com síndrome de Down, pensaram que poderiam agir e oferecer a seus filhos um espaço educacional e terapêutico integrado, no qual o individuo fosse considerado em sua totalidade.


Por isso a missão da Fundação é: “promover o desenvolvimento integral da pessoa com síndrome de Down nos aspectos físico, intelectual, afetivo e ético, mediante a integração de pesquisas interdisciplinares e pratica educacional inovadora.”

A sua equipe técnica é formada por profissionais de diversas áreas do conhecimento: psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia, pedagogia, terapia ocupacional e neuropediatria. A Fundação conta ainda com a consultoria de profissionais especializados nas áreas de psiquiatria, além de manter permanente contato com profissionais de referência nas áreas de organização de serviços para pessoas com síndrome de Down, inclusão no mercado de trabalho, dentre outras.

O caráter pioneiro da Fundação foi construído, desde seu inicio, com pais que queriam inovar na educação e formação de seus filhos e, assim, investiram na busca de profissionais, entidades, estudos e eventos que pudessem trazer fundamentos teóricos e práticos para que seus ideais se transformassem em realidade.

Nos últimos cinco anos a Fundação vem promovendo mudanças importantes no seu modo de conceber, pensar e agir em relação à vida das pessoas com síndrome de Down, o que tem sido favorecido pelas experiências já acumuladas, bem como pela valiosa contribuição de prestigiosos profissionais internacionais relacionados com os temas que envolvem a deficiência intelectual. A partir destas intersecções a Fundação passou a estruturar seus serviços. Destacamos as contribuições de Carlo Lepri, psicólogo de Gênova, Itália, integrante do Serviço Público de Saúde italiano, que trouxe um novo olhar sobre as capacidades da pessoa com deficiência, abrindo novas perspectivas e, o mais importante, mudando paradigmas na forma de ver e pensar a pessoa com síndrome de Down; e da Fundação Catalana Síndrome de Down que auxiliou nossa Instituição na estruturação de seus serviços atuais.Vídeo Institucional

FONTE: http://www.fsdown.org.br/site/pasta_1_0__a-fundacao.html

SÍndrome de Down: Guia Para Pais E Educadores