segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ensinar a ler: há vários métodos para juntar as letras


Sintéticos, analítico-sintéticos, globais. Os professores têm várias ferramentas para que as crianças aprendam a ler e os pais não devem ficar de fora deste processo. Da palavra à letra, da letra à palavra, passando pelas sílabas, os pré-requisitos são fundamentais.


Aprender a ler é um passo importante. Há vários métodos para ensinar a juntar as letras e reproduzir os sons e os professores têm a tarefa de escolher um ou mais para que a aprendizagem aconteça. Os pais têm também um papel importante e brincar ajuda a valorizar o processo. Segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, referentes aos Censos de 2001, enquanto os números recolhidos este ano ainda não são conhecidos, cerca de 9% da população portuguesa é analfabeta.

A UNESCO, organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, revela que cerca de 16% da população adulta mundial não sabe ler nem escrever, dois terços são mulheres. O Dia Internacional da Alfabetização foi assinalado a 8 de setembro. No nosso país, há sinais de melhorias: 52,4% dos jovens dos 15 aos 24 anos afirmam que a leitura é muito importante para a vida pessoal num inquérito feito em março deste ano, no âmbito da avaliação externa do Plano Nacional de Leitura (PNL). Em 2007, a percentagem era de 30,6%. Em cinco anos de existência, o PNL "ajudou a reforçar as competências de leitura" e agora quase 99% dos professores garantem que os seus alunos leem mais.

"O processo de aprendizagem é complexo. O aluno tem de perceber que as letras reproduzem os sons da fala. Hoje, pede-se ao aluno que analise os sons que produz, a língua oral, antes e em paralelo com a aprendizagem da escrita." Ana Rodrigues, professora do 1.º ciclo do Ensino Básico, explica o caminho. Há vários métodos de aprendizagem da leitura e da escrita que se situam entre os sintéticos, analítico-sintéticos e os globais. Mas esta aprendizagem requer alguns pré-requisitos linguísticos, cognitivos e até emocionais.

Ana Rodrigues aproveita o que considera oportuno de cada método para que os seus alunos aprendam a ler. O importante é que os mais pequenos tenham já algumas ferramentas como, por exemplo, uma boa discriminação fonológica. E os professores têm a tarefa de trabalhar os pré-requisitos com os alunos. "Por onde tenho passado, os métodos mais utilizados pelos professores são aqueles que se dizem sintéticos ou analítico-sintéticos", refere. E porque existem diferentes métodos? "Diria que se deve a uma busca pelo método ideal. A pedagogia, a psicologia, a linguística, entre outras, vão sofrendo evoluções e os processos baseados nessas disciplinas, como a aprendizagem da leitura, também", responde.

Ana Rodrigues não reteve uma imagem do momento em que aprendeu a ler. "Não me ficou nenhuma recordação", diz. Mas tem um episódio curioso para contar. Há quatro anos, numa turma mista do 1.º e 4.º anos de escolaridade, constatou que, ao contrário do que seria de esperar, foram os alunos do 4.º ano que mostraram interesse pelas matérias e conteúdos da primeira classe. "Não esperava ver os alunos do 4.º ano completamente fascinados com o processo de aprendizagem da leitura e escrita dos do 1.º ano." "Falámos sobre isso e eles, apesar de terem efetuado a aprendizagem da leitura há pouco tempo, não tinham memória, consciência, do desenrolar desse processo", lembra.

Manuela Sousa, professora do 1.º ciclo, refere que o método mais utilizado para ensinar a ler é aquele que acompanha os manuais, ou seja, o sintético. "É evidente, quer seja este método utilizado ou outro, ele nunca estará a ser utilizado de forma exclusiva", avisa. O professor tem a liberdade de misturar métodos. Para a professora, mais importante do que isso são as estratégias utilizadas.

"É necessário haver estratégia, gestão e todo um conjunto de criatividade que permitam ao aluno aprender." A estratégia não pode caminhar em apenas um sentido e os conhecimentos que o aluno tem são importantíssimos para juntar as letras e começar a ler. "Acredito que antes de iniciar qualquer tipo de aprendizagem na leitura e escrita de palavras, frases, textos, há que insistir na parte fonológica. Porque o ‘a' não tem sempre o mesmo som", explica. Para Manuela Sousa, não há uma melhor maneira de as crianças aprenderem a ler. "Há um professor, um orientador".

Neste momento, a articulação entre o pré-escolar e o 1.º ciclo acaba por espicaçar a curiosidade dos mais pequenos que têm ao dispor livros do Plano Nacional da Leitura e que se habituam à presença das letras cada vez mais cedo. Joaquina Quintas, professora do 1.º ciclo, também refere que há vários métodos para ensinar a ler e a escrever. Da palavra à letra, ou da letra à sílaba e depois à palavra, ou das histórias que conduzem à letra, há de tudo um pouco para abrir as portas ao mundo das letras. "Não há um método rígido".

"Normalmente, acaba por haver uma fusão de métodos para uma melhor aprendizagem da leitura e da escrita." Os professores podem escolher e adaptar o que acharem mais conveniente ao grupo que encontram pela frente. Este ano, com o plano de leitura da Língua Portuguesa, os docentes acabam por ter mais formação na área. E se há um aluno que se atrasa? "O professor pode usar outras maneiras de estar no grupo, outro método."

Joaquina Quintas aprendeu a ler da maneira tradicional, da letra à palavra, pela memorização. Há mais de 30 anos no ensino, a experiência mostra-lhe que hoje as crianças aprendem a ler mais cedo e com menos dificuldades. "Têm contacto direto com os livros a partir do pré-escolar, dos três anos, e há muitos jogos didáticos magnéticos, para construírem palavras." Há mais contacto com a TV e com os computadores. A professora do 1.º ciclo chegou a ter alunos que aprenderam a ler com o antigo programa da RTP "Rua Sésamo". Há uma nova maneira de estar que naturalmente se reflete quando os mais pequenos dão os primeiros passos na escola.

Aprender a brincar


Maria José Araújo, professora da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, adianta que as crianças aprendem cada vez mais cedo a ler e a escrever ao observar e ao interagir com os adultos e amigos "em aprendizagens focadas em rotinas, histórias e atividades sociais diferenciadas". "Há uma diferença entre colocar crianças a memorizar letras e números, a fazer fichas estandardizadas sem significado social, e o uso de diferentes formas de grafismo e registo que permitem às crianças a possibilidade de usufruir de uma aprendizagem pela descoberta", sustenta.

Literacia é uma prática social. As crianças devem perceber o interesse e a importância do ato de ler e escrever para que se sintam estimuladas por esse processo enquanto atividade social. Maria José Araújo revela que "há diversos estudos que mostram que os aspetos criativos e lúdicos de introdução e valorização regular da atividade de leitura e escrita, facilitando a consciencialização do que está a ser aprendido - mensagens escritas, etiquetagem de cabides e materiais pessoais, ilustrações, vocabulário visual, desenhos, recados, jogos, coleções de objetos, embalagens, etc. -, são especialmente adequados para incentivar as crianças ao desenvolvimento da linguagem escrita".

Os interesses são diferentes, os níveis e conhecimentos acerca da literacia variam, cada família e cada instituição têm diferentes formas e recursos para incentivar as aprendizagens. As crianças aprendem muito ao brincar, ao jogar, ao imaginar e fantasiar. E os mais velhos têm um papel importante nesse processo. "As crianças vão ao supermercado, ao hospital e a outras instituições onde exercitam constantemente a sua capacidade de leitura. É muito importante pensar no papel do adulto nesta forma de as crianças brincarem, pois é uma vantagem muito grande para a aprendizagem da leitura como prática de cidadania", refere.

Os pais sabem que brincar é fundamental, mas no correr do quotidiano e nas rotinas, esse ato acaba muitas vezes por ser desvalorizado. Ao brincar, os pais podem ajudar os filhos na prática da leitura e na escrita formal. "As consequências para as crianças que não aprendem a ler e escrever são muito grandes, quer a nível pessoal e psicológico, quer a nível social, com implicações a longo prazo", repara. De forma a prevenir essas dificuldades, as investigações sobre o assunto não param. Brincar surge como uma vantagem neste processo. "Muitos professores argumentam que as crianças que têm mais facilidade de aprendizagem dos conteúdos, que exigem desenvolvimento cognitivo na escola, são aquelas que mais brincaram".



Autora: Sara R. Oliveira

2011-09-26

FONTE DE CONSULTA: http://www.educare.pt/educare/Atualidade.Noticia.aspx?contentid=90393CF58673521CE0400A0AB8001D4F&opsel=1&channelid=0

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Filho superprotegido.



Neste artigo vamos tratar de um assunto delicado, mas muito necessário. Para entendê-lo é preciso ler com atenção.


Percebemos claramente no nosso trabalho quão difícil é para o filho superprotegido se dar bem na vida. Além do mais, esta questão a nível psicocientífico é comprovadamente uma realidade: as relações de afeto originadas em filhos superprotegidos, especialmente em filho único.

O Dr. G. Stanley Hall, notável psicólogo americano, afirmava que "ser superprotegido ou ser filho único é, em si mesmo, uma doença". Esta afirmação tão radical poderá ser considerada com muita porcentagem de verdade a nível psíquico. A nível socioeconômico, tem a vantagem dos pais concentrarem no filho único os seus recursos de tempo e especialmente de dinheiro, tornando-lhe tanto quanto possível a caminhada existencial demasiadamente fácil, tornando-o freqüentemente egocêntrico, caprichoso. Parece possuir tudo, toda a superproteção e apoio material, mas, à medida que cresce, instala-se no seu íntimo um vazio, uma sensação de não saber que rumo tomar. Fica inquieto e insatisfeito e tende a maltratar, principalmente o pai.

Os pais são para o filho os referenciais mais poderosos de apoio e segurança. É necessário cuidar dessa confiança, deixar que por si só crie seus alicerces para um crescimento normal, evitando discussões e conflitos na frente da criança, o que a torna insegura, com medo e desprotegida. Deve-se evitar também entrar em desacordo, em desautorização no processo educacional utilizado. Jamais utilizar o recurso da mentira, e deverá haver sempre uma explicação com base verdadeira, seja para o que for, adaptada a uma mente infantil. Esta situação deve ser cuidada especialmente entre os 2 e 7 anos de idade, período de tempo em que as impressões se gravam mais profundamente na mente da criança. Nunca se deve tratar os questionamentos da criança com desatenção, pois a criança capta as coisas no ar, têm dúvidas, procura copiar o que os adultos fazem. Ela entende e sente além de nós, motivo pelo qual as orientações devem ser claras.

A perda da confiança nos seus mais poderosos referenciais conduz a criança também à mentira, à insegurança (as fontes seguras de apoio falharam), provocando uma rebeldia que poderá afetar ao longo da vida. A criança é um verdadeiro radar que capta o real, mesmo parecendo distraída. E, muitas vivências captadas durante a infância, passam para o inconsciente e, mais tarde, as situações traumáticas afloram e criam personalidades distorcidas, mentes confusas e desencontradas.

Nunca se deve repreender nem castigar uma criança na presença de outras pessoas, intimidando-a, introvertendo-a. É preciso entender a forma de pensar da criança, onde muitas vezes não cabe repreensão ou castigo injusto. A mente infantil fica confusa e deformada, e é deveras humilhante e revoltante receber uma repreensão, principalmente em público. Essas são normas básicas da psicologia educacional, mas são tão importantes para o desabrochar no crescimento da criança, pois são noções que a conduzem à construção ou à destruição.

Normalmente, o filho único ou até o filho mais novo na hierarquia familiar, sofre de superproteção: é mimado, e como consequencia, cria-se laços excessivos de dependência que podem ser reforçados e explorados mais conscientemente pela própria criança, a fim de conservar o seu estado de favorito.

Superproteção é dar à criança o que ela não necessita, e as conseqüências são tristes. Em regras gerais, a criança mais inteligente cria um anseio premente de independência e libertação, que a conduz a caminhos desencontrados da sua real necessidade. O menos inteligente, mais amedrontado, que não vivencia tão fortemente a rebeldia, acomoda-se, anula-se e segue dependente, inseguro e permanentemente angustiado.

Quantas mulheres frustradas sentimentalmente, afetivamente solitárias, separadas ou mães solteiras fixam-se no filho, ou filhos, como propriedade. Fazem isso porque é o que elas têm para minimizar a solidão de amor. Por vezes a filha é bem pequena, na sua infância ainda, e a mãe comete o absurdo de torná-la sua confidente, contando suas frustrações de mulher e criando um mundo de culpas contra o pai.



O filho ou filha única suporta todas as cargas, e tendo tudo. Mas, normalmente nunca tem uma infância própria, e na adolescência continua vivendo em função da problemática mãe solitária ou queixosamente doente, quase sempre não dormindo preocupado com o que pode acontecer. Simultaneamente há a desastrosa superproteção, em que a criança nada tem que ajudar, porque está tudo feito, não há responsabilidade de tarefas, há um controle ansioso, um cuidado excessivo que tira da criança a oportunidade de crescer. Então, o jovem mais tarde tenta fugir.

O filho superprotegido, na adolescência ou até mesmo na vida adulta pode tornar-se indolente, exigente, inseguro, mascarado e com atitudes de arrogância, pouco responsável, egoísta, sem defesas psíquicas e sempre fixado especialmente na mãe como referencial seguro onde se pode acolher. Pode, e acontece freqüentemente, tornar-se um adulto insatisfeito, complexado, infeliz e facilmente sujeito à neuroses depressivas (todas estas situações são de análise com base na psicanálise sistêmica e na ciência psíquican pelos diversos casos tratados no IPTH).

Porém, os pais não fazem melhor por ignorância, somatizada ao longo dos séculos. A ignorância da psicologia educacional é a causa primordial de muitas enfermidades psíquicas que podem desencadear graves psicossomatizações, e naturalmente poderiam ser evitadas, desde que haja orientações voltadas à família a respeito de como tratar corretamente o filho. E neste ponto, a estrutura sócio-educacional peca.

Não dar limites ao filho não significa dar Vida. É necessário aprender a ciência única – a ciência da boa vivência familiar – que conduz ao encontro do verdadeiro "Eu", à afinidade vibratória com os sentimentos nobres com que cada ser humano nasce e pode desenvolver. E talvez a Paz pudesse um dia ser uma realidade vivida e sentida na generalidade do Universo Humano, começando dentro dos nossos próprios lares.



Dr. Celso Scheffer

FONTE DE PESQUISA: http://www.ipth.com.br/site/publicacoes/artigos/7-artigos/61-filhos-superprotegidos.html

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Cursos ou livros sobre o Método Fônico de Alfabetização


Tenho recebido vários e-mail de profissionais da educação ou mesmo pessoas interessadas pedindo alguma indicação de Bibliografia a respeito do Método Fônico de Alfabetização. Por isso, preparei a listagem abaixo, com todas as indicações que conheço a respeito do assunto. São as que conheço e provavelmente não são as únicas existentes. Não se trata de comercial nem anúncio, apenas uma lista para auxiliar quem estiver precisando se aprofundar no assunto, ok?

Método fônico


O método fônico consiste no aprendizado através da associação entre fonemas e grafemas, ou seja, sons e letras. Esse método de ensino permite primeiro descobrir o princípio alfabético e, progressivamente, dominar o conhecimento ortográfico próprio de sua língua, através de textos produzidos especificamente para este fim.

O método é baseado no ensino do código alfabético de forma dinâmica, ou seja, as relações entre sons e letras devem ser feitas através do planejamento de atividades lúdicas para levar as crianças a aprender a codificar a fala em escrita e a decodificar a escrita no fluxo da fala e do pensamento.

O método fônico nasceu como uma crítica ao método da soletração ou alfabético. Primeiro são ensinadas as formas e os sons das vogais. Depois são ensinadas as consoantes, sendo, aos poucos, estabelecidas relações mais complexas. Cada letra é aprendida como um fonema que, juntamente com outro, forma sílabas e palavras. São ensinadas primeiro as sílabas mais simples e depois as mais complexas.

Visando aproximar os alunos de algum significado é que foram criadas variações do método fônico. O que difere uma modalidade da outra é a maneira de apresentar os sons: seja a partir de uma palavra significativa, de uma palavra vinculada à imagem e som, de um personagem associado a um fonema, de uma onomatopéia ou de uma história para dar sentido à apresentação dos fonemas. Um exemplo deste método é o professor que escreve uma letra no quadro e apresenta imagens de objetos que comecem com esta letra. Em seguida, escreve várias palavras no quadro e pede para os alunos apontarem a letra inicialmente apresentada. A partir do conhecimento já adquirido, o aluno pode apresentar outras palavras com esta letra.

Os especialistas dizem que este método alfabetiza crianças, em média, no período de quatro a seis meses. Este é o método mais recomendado nas diretrizes curriculares dos países desenvolvidos que utilizam a linguagem alfabética.


Cursos ou livros sobre o Método Fônico de Alfabetização


Alfabetização: Método Fônico

Autores: Fernando C. Capovilla e Alessandra G. S. Capovilla
EDITORA MEMNOM
• SINOPSE: Após examinar a fundo 115 mil estudos à procura do método de alfabetização mais eficaz, os Estados Unidos, a França e o Reino Unido decidiram adotar oficialmente o método fônico. Infelizmente, contudo, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do MEC ainda insistem em pregar um outro método de alfabetização que, de acordo com aqueles países, é ultrapassado, improcedente e ineficaz. Isto tem custado caro ao aluno brasileiro, cuja competência em leitura e escrita tem caído de modo alarmante, sendo classificado em último lugar no Programa Internacional de Avaliação de Alunos. 'Alfabetização - método fônico' explica os dados científicos nacionais e internacionais que comprovam a clara superioridade do método fônico e demonstra, passo a passo, como implementá-lo na sala de aula para a alfabetização eficaz, tal como faz o Reino Unido, a França e os Estados Unidos, de modo a reverter as alarmantes taxas de fracasso escolar de nossas crianças.


Alfabetização Fônica Livro do aluno
Construindo a competência de leitura e escrita
Autores: Fernando Capovilla e Alessandra Capovilla


Sumário do Livro:
clique nas imagens para ampliar








Alfabetização com as boquinhas
Livro do professor e livro do aluno
Autoras Renata Savastano R. Jardini
Patrícia Thimóteo S. Gomes
Editora Pulso
Inúmeras atividades que fogem da memorização e fixam a escrita e o movimento dos lábios na pronúncia de letras, sílabas e palavras. Na medida que o livro exercita a diferenciação de fonemas e incentiva a elaboração de frases, amplia a percepção da criança em relação ao mundo a sua volta; ao passo que desenvolve a articulação e o correto posicionamento da língua, contribui ao enriquecimento simbólico: o primeiro contato com a linguagem é fundamental à capacidade cognitiva do indivíduo.


Na companhia de fotos que ilustram os movimentos da boca em cada fonema, um espelho para a auto-regulação do exercício, e de um cd-rom com imagens e sons, a criança aprende brincando, e o profissional ensina com a certeza do sucesso pedagógico. “Alfabetização com as boquinhas” é simples e exime qualquer barreira técnica ao aprendizado; pelo contrário, é um elo definitivo entre o aprendiz e a esfera lingüística.


SUMÁRIO:



LIVRO FONEMAS, SONS E BRINCADEIRAS
AUTORA FERNANDA MIGUEL TORRES
EDITORA REVINTER


Este livro aborda cada fonema, associando-o a brincadeiras, jogos lúdicos e sons do dia-a-dia, para que haja uma fixação do fonema em questão.
Ao final do livro, foram anexadas fichas de fonemas as quais poderão ser utilizadas pelo profissional no trabalho com crianças.
A autora pretende desmistificar o fonema que pareça difícil, de maneira ilustrativa e informativa, fazendo com que família e paciente fiquem surpresos com os resultados conquistados.
Sumário
•Vogais
•Fonema /v/
•Fonema /f/
•Fonema /j/
•Fonema /z/
•Fonema /ch/
•Fonema /p/
•Fonema /b/
•Fonema /t/
•Fonema /d/
•Fonema /k/
•Fonema /g/
•Fonema /s/
•Fonema /m/
•Fonema /n/
•Fonema /nh/
•Fonema /r/
•Fonema /R/
•Fonema /l/
•Fonema /lh/




Método de Alfabetização A Casinha Feliz
ou Método Iracema Meireles


O Método Iracema Meireles é um método que tem como ponto de partida o fonema. Neste método, as letras aparecem associadas a figuras do universo do aluno. Essas figuras servem para desencadear um processo de associação que facilita a descoberta das correspondências grafema-fonema. O aspecto lúdico deste método cria uma ligação afetiva forte entre alunos e letras, o que torna a aprendizagem muito rápida. Ao contrário dos outros métodos, este não exige esforço de memória porque as figuras-fonema funcionam como uma chave para ajudar na decifração do código da língua escrita.



Conheça todo o material visitando o site: A Casinha Feliz




Coleção de cadernos Ruth Bicudo (8 cadernos)
Editora Livro Pronto
•Caderno 1 - Aperfeiçoamento das trocas ortográficas, auditivas e visuais (uso do x e do s)
• Cad 2 - Fonemas p/b, f/v, t/d;
•Cad 3 - Fixação Ortográfica;
•Cad. 4 - Sugestões para o trabalho de estimulação do desenvolvimento da Consciência Fonológica nas crianças em fase de alfabetização.
•Cad. 5 - Vários exercícios nas áreas do léxico, gramática e sintaxe, que auxiliarão no desenvolvimento da habilidade de redigir.
•Cad. 6 - Jogos do Caderno 2, que aperfeiçoam trocas ortográficas, auditivas e visuais (P e B, T e D, F e V).
•Cad. 7 - Aceleração na identificação de sílabas simples e complexas, estimulação do nível de atenção, promoção da fluência, favorecimento da compreensão.
•Cad. 8 - Dislexia - Compreendendo melhor o disléxico e oferecendo ao disléxico melhores condições de aprendizagem;



Para saber mais sobre o Método das boquinhas
e conhecer o material, visite o site:
Boquinhas


Alfabetização fônica computadorizada

Alessandra G. S. Capovilla / Eliseu Coutinho de Macedo / Fernando César Capovilla
/ Cleber Diana


A Alfabetização Fônica é composta da articulação sistemática entre instruções metafonológicas e fônicas. O ensino metafonológico é feito por meio de atividades para desenvolver a consciência fonológica, o ensino fônico, por meio de atividades para ensinar correspondências entre grafemas e fonemas no alfabeto.
Implementada no Brasil sob forma de livros como Problemas de leitura e escrita: como identificar, prevenir e remediar numa abordagem fônica, Alfabetização: método fônico, e Alfabetização fônica: construindo competência de leitura e escrita, a Alfabetização Fônica teve sua eficácia amplamente demonstrada em dezenas de artigos científicos publicados no Brasil e no exterior voltado à prevenção e ao tratamento de atrasos de leitura e escrita.
Implementada agora sob forma de CD-ROM a Alfabetização fônica computadorizada complementa o pacote, tornando ainda mais lúdica e eficaz a alfabetização, bem como a intervenção para prevenção e tratamento de problemas de leitura e escrita.
O presente livro acompanha o CD-ROM Alfabetização fônica computadorizada e explica sua fundamentação teórica e as atividades que compõem.



Cartilha da ABD - 2ª EDIÇÃO






Errata: Acordo Ortográfico

Adaptação

Em função do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que passou a vigorar em 2010, acrescentamos esta adaptação, pois a vigente edição da cartilha foi impressa antes de ser firmado o acordo acima citado.

Nas páginas 61 a 67 (vol. 1) : introduzindo as letras k-w-y, considerar que agora essas letras fazem parte do alfabeto, que passa a ter 26 letras: A-B-C-D-E-F-G-H-I-J-K-L-M-N-O-P-Q-R-S-T-U-V-W-X-Y-Z

Nas páginas 64 e 65 (vol. 1) a palavra fôrma perde o acento, pois o acento diferencial passou a ser usado apenas em pôde e pôr.

Na página 67 (vol. 1), onde se lê “Letras de Origem Estrangeira” considerar que agora as referidas letras estão incluídas, que foram reintroduzidas no alfabeto.

Na página 39 (vol. 2) a palavra geléia perde o acento por ser uma paroxítona terminada em ditongo aberto. O mesmo acontece com jibóia (páginas 66-67 – vol. 2) e colméia (página 99 – vol. 2).



Autoras: Áurea Maria Stavale Gonçalves e Maria Ângela Nogueira Nico



A cartilha "Facilitando a Alfabetização – Multissensorial, Fônica e Articulatória", foi aprovada e reconhecida pelo Ministério da Educação. Foi testada em campo nas cidades de Brasília e Goiás. As autoras da obra: Maria Angela Nogueira Nico e Áurea Maria Stavale Gonçalves cederam os direitos autorais. A cartilha foi produzida com a mobilização de profissionais e voluntários da ABD, com recursos próprios vindos de sua forma de administração auto-sustentável.

Kit Completo - 2ª Edição

A cartilha atende aos profissionais da área de educação para suprir as principais dificuldades dos disléxicos, e vem acompanhada de um caderno multissensorial , que tem a função de estimular o visual, o auditivo, e o tátil sinestésico. Inclui um vídeo explicativo sobre o método, exercícios e aplicabilidade. O material pode ser usado na alfabetização e re-alfabetização de qualquer individuo, seja ele portador de dislexia ou não.


Reserve a sua pelos telefones: 11-3258-7568 / 11-3231-3296 / 11-3237-0809 ou através do contato@dislexia.org.br informando nome completo, telefone, e e-mail.



O MÉTODO FÔNICO DE ALFABETIZAÇÃO

Cartaz com os personagens da "História da Abelhinha":





Os métodos fônicos também são conhecidos por métodos sintéticos ou fonéticos. Partem das letras (grafemas) e dos sons (fonemas) para formar, com elas, sílabas, palavras e depois frases. No principal modelo de Método Fônico utilizado pelos professores alfabetizadores, as crianças não pronunciam os nomes das letras, mas sim os seus sons.
O lingüista americano Bloomfield, propositor do módulo fônico desse método, defende que a aquisição da linguagem é um processo mecânico, ou seja, a criança será sempre estimulada a repetir os sons que absorve do ambiente. Assim, a linguagem seria a formação do hábito de imitar um modelo sonoro. Os usos e funções da linguagem, neste caso, são descartados (em princípio), por se tratarem de elementos não observáveis pelos métodos utilizados por essa teoria, dando-se importância à forma e não ao significado. No tocante à aquisição da linguagem escrita, a fônica é o intuito de fazer com que a criança internalize padrões regulares de correspondência entre som e soletração, por meio da leitura de palavras das quais ela, inconscientemente, inferir as correspondências soletração/som.

De acordo com esse pensamento, o significado não entraria na vida da criança antes que ela dominasse a relação, já descrita, entre fonema e grafema. Nesse caso, a escrita serviria para representar graficamente a fala.

O método fônico baseia-se no aprendizado da associação entre fonemas e grafemas (sons e letras) e usa, em princípio, textos produzidos especificamente para a alfabetização.
O método que o Brasil empregava antes dos anos 80 não era o fônico, mas o alfabético-silábico, baseado no ensino repetitivo de sílabas.
Fonte do texto: http://espacoeducar-liza.blogspot.com/2009/01/o-mtodo-fnico-de-alfabetizao.html#ixzz1WBE36bAs
 
 
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Não encontrei curso de método Fônico online, por isso sugiro os cursos abaixo, que são reconhecidamente bons, do Portal Educação. Abordam a alfabetização de modo global: Métodos, técnicas, teorias, sugestões, idéias etc. Ambos os cursos de alfabetização oferecem certificado de conclusão.




Fonte do texto: http://espacoeducar-liza.blogspot.com/2011/07/cursos-ou-livros-sobre-o-metodo-fonico.html#ixzz1WB3gZ9RH

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

SOCIOPSICOMOTRICIDADE RAMAIN-THIERS







SOCIOPSICOMOTRICIDADE RAMAIN-THIERS


Avaliação

O Programa de Avaliação Ramain-Thiers resulta da experimentação e aplicação do Método Ramain-Thiers no trabalho psicoterapêutico grupal e individual. Serve para a avaliação diagnóstica de crianças a partir de seis anos de idade e de adolescentes. Como instrumento de avaliação diagnóstica, segue os princípios básicos da Sociopsicomotricidade. As atividades propostas no Programa de Avaliação envolvem, em uma seqüência estabelecida, orientações para desenvolvimento e análise da entrevista inicial, orientação e material para uma sessão de "hora livre", programa de uma sessão de Trabalho Corporal e determinadas atividades de Psicomotricidade Diferenciada compostas por Cópia, Recorte, Entrelaçamento e Memória. O caráter projetivo do Método Ramain-Thiers é a principal fonte de sustentação, funcionalidade e eficácia do Programa de Avaliação enquanto instrumento diagnóstico.

São ao todo seis itens que compõem o material do Programa de Avaliação:

1 - Caderno de Aplicação;

2 - Caixa Ramain-Thiers para crianças, contendo os materiais básicos utilizados pelo Método e padronizados para o uso na sessão de "hora livre" e uma família de bonecos feitos em arame;

3 - Pasta Ramain-Thiers para adolescentes, contendo os materiais básicos utilizados pelo Método e padronizados para o uso na sessão de "hora livre" e uma "Apostila de Assuntos Interessantes";

4 - Seis desenhos-modelo utilizados na atividade de Cópia

a) para crianças: o carro, o sol e a lua, o aquário (AV.CR.01, 02 e 03);

b) para adolescentes: o sapo, o cachorro e o totem (AV.AD. 01, 02 e 03)

5 - Memória

a) para crianças: um jogo contendo 12 pares de peças com desenhos coloridos;

b) para adolescentes : 1 desenho-mandala e um jogo com peças para montagem do desenho-mandala;

6 - Um conjunto de linhas coloridas para a atividade de Entrelaçamento.

O objetivo do Programa de Avaliação é levar o socioterapeuta à compreensão da estrutura psíquica do sujeito através da análise dos elementos psicodinâmicos que nele são observados: a personalidade, a adaptabilidade, a integração, a imagem corporal, as estruturas do Id, Ego e Superego e, as organizações psicopatológicas. É um material que deve ser utilizado como um referencial para a construção do Perfil Sociopsicomotor do sujeito, considerando seus aspectos emocionais, corporais e sociais.

O Perfil Sociopsicomotor resulta dos entrelaçamento dos aspectos observados em cada uma das atividades desenvolvidas no decorrer da aplicação do Programa: a recorrência de determinadas atitudes; a negligência em relação a algum tipo específico de material ou de atividade, os diferentes sentimentos que experimenta frente a determinadas atividades, reações inesperadas. A análise destes aspectos leva, por sua vez, à percepção de quais são os componentes ativos das dificuldades apresentadas, bem como a observação das condições grafo-perceptivo-motoras do sujeito.



quarta-feira, 27 de julho de 2011

Hebiatra, o médico dos adolescentes : nem criança, nem adulto.




Quando os filhos crescem, uma das principais dificuldades dos pais, além de conversar, é conseguir levá-los ao médico. Os adolescentes nunca acham que estão doentes e, normalmente, ficam tímidos para tratar de assuntos relacionados ao próprio corpo.


O problema é que para esta turma se um pediatra é "coisa de criança", a simples menção de fazer uma consulta com um urologista – no caso dos meninos – ou um ginecologista – caso das meninas – pode se transformar num grande transtorno doméstico. É aí que entra em cena o hebiatra.

O hebiatra é um dos profissionais da área médica que pode ajudar a diminuir a ansiedade dos jovens e esclarecer algumas das muitas dúvidas que surgem nesta fase da vida - que vai dos 10 aos 18 anos. O médico é um pediatra com formação específica para lidar com adolescentes.


A especialidade, apesar de não ser muito conhecida, existe há pelo menos 40 anos, e o nome hebiatria é uma referência à Hebe, deusa da juventude na mitologia grega. A Associação Médica Brasileira reconheceu a especialidade em 1998, mas são poucos os cursos de medicina que oferecem essa formação, explica Nilson Becker, pediatra com formação em hebiatria, que atende cerca de 150 consultas por mês, destas 20% são de adolescentes.

O crescimento da especialidade tem ocorrido devagar, as pessoas ainda não têm conhecimento da existência de um profissional que atenda especialmente esta faixa etária, mas assim que "os adolescentes começarem a perceber o hebiatra como um médico diferente, que entende suas dúvidas e problemas, a procura deve aumentar substancialmente", prevê Becker.

Adolescência, época de muitas mudanças

Do ponto de vista biológico, não há outra época marcada por tantas mudanças físicas, psíquicas e emocionais, além de hormônios em profusão para possibilitar o amadurecimento sexual.

Segundo o médico, as mudanças físicas começam na puberdade, antes ainda de caracterizar a adolescência, que é marcada pelas modificações psicológicas e comportamentais. "No início da puberdade, seria interessante fazer uma consulta ao hebiatra, pois este está preparado para orientar e tranqüilizar os jovens", sugere o especialista.

TIMIDEZ - Becker afirma que não se deve fazer generalizações quanto ao comportamento dos adolescentes, como a de que são todos tímidos. "Alguns são extrovertidos, outros são tímidos. Não existe um padrão de comportamento", afirma, mas admite que é preciso ter um bom preparo e jogo de cintura para lidar com pessoas nesta faixa de idade. O profissional deve ter habilidades especiais para conquistar a confiança do jovem e tranqüilizar os pais.

Principais problemas abordados nas consultas

Segundo Becker, os problemas ambulatoriais mais abordados nas consultas com os adolescentes são ligados ao crescimento. Os meninos se preocupam com seu desenvolvimento físico e dos órgãos genitais. As meninas procuram o médico por atraso da menstruação e preocupação com o crescimento dos seios e de pêlos, ou com a falta deles.

O Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), grupo formado por hebiatras e outros especialistas, desenvolveu uma pesquisa que apontou os principais problemas abordados pelos jovens durante as consultas. O resultado foi mensurado separadamente para meninos e meninas.

As principais queixas dos meninos se referem à baixa estatura, desenvolvimento físico dos músculos e aumento das mamas, doenças associadas ao pênis e também procuram ajuda para aconselhamento na prática de esportes. As meninas já se preocupam mais com o peso e procuram os especialistas em caso de obesidade e transtornos alimentares, além de queixas que envolvem a menstruação, corrimentos e infecções vaginais.

No atendimento aos adolescentes, questões ligadas às doenças sexualmente transmissíveis (DST) sempre são abordadas como forma de prevenção. Atualmente, existem 27 doenças que podem ser transmitidas pelo contato sexual, e no Brasil, são cerca de dois milhões de pessoas contaminadas com algum tipo delas.

Como é a consulta?

Os especialistas alertam para a necessidade de realização de alguns exames de rotina, e aconselham pelo menos uma consulta no início da puberdade, que deve ser repetida a cada seis meses. Depois desse contato inicial, é recomendada pelo menos uma visita anual ao especialista.

O atendimento é feito junto com os pais ou responsáveis e depois o adolescente fica sozinho com o médico. Esses momentos servem para o jovem ficar à vontade em expor outros problemas e dúvidas que o afligem, e não querem compartilhar com a família. O médico fala com os pais sobre a conduta a seguir e, se o jovem permitir, o médico pode contar o que foi conversado em particular, sempre respeitando sua privacidade.

A adolescência traz dificuldades em tantas áreas que somente o olhar atento de um especialista a todo esse universo pode ajudar a prevenir muitos problemas de saúde e diminuir a ansiedade dos jovens. O período é difícil e necessário ao pleno desenvolvimento do adulto que virá. O aprendizado e o apoio psicológico é que trarão segurança para os jovens em suas próprias decisões na vida.

O médico, nas consultas, deve observar e analisar vários quesitos que influenciam na saúde e na qualidade de vida do adolescente, como seus hábitos alimentares, comportamentais e sexuais, além do relacionamento com a escola e com a família. Por essa razão, alguns especialistas defendem o atendimento do adolescente pelo hebiatra com o apoio de outros profissionais como nutricionistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos, psiquiatras e professores de Educação Física.

Quer saber um pouco mais sobre Medicina do Adolescente? Leia "Entrevista com um hebiatra" e "O que é hebiatria".

Última atualização: 28/06/2011.


FONTE DE PESQUISA: http://www.pediatriabrasil.com.br/2010/07/hebiatra-o-medico-dos-adolescentes.html

terça-feira, 26 de julho de 2011

Os modelos behavioristas de intervenções em crianças disléxicas.


Os modelos behavioristas de intervenções em crianças disléxicas, disgráficas e disortográficas teriam uma base em teoria e método em duas abordagens: (1) psicológica, cuja intervenção psicopedagógica procura examinar do modo mais objetivo o comportamento humano e dos animais, com ênfase nos fatos objetivos (estímulos e reações), sem fazer recurso à introspecção e (2) lingüística, cuja intervenção psicopedagógica é apoiada na psicologia behaviorista e proposta inicialmente por L. Bloomfield (1887-1949) e depois por B.F. Skinner (1904-), que busca explicar os fenômenos de erros da comunicação lingüística e da significação na língua em termos de estímulos observáveis e respostas produzidas pelos falantes em situações específicas de uso da linguagem escrita.
Esta visão tem caráter empirista, isto é, os profissionais trabalham na perspectiva filosófica de aliar suas atividades, no programa de treinamento, à doutrina segundo a qual todo conhecimento provém unicamente da experiência, limitando-se ao que pode ser captado do mundo externo, pelos sentidos, ou do mundo subjetivo, pela introspecção, sendo geralmente descartadas as verdades reveladas e transcendentes do misticismo, ou apriorísticas e inatas do racionalismo. É, na verdade, o empirismo uma atitude de quem se atém a conhecimentos práticos. No campo da psicopedagogia, especialmente clínica, a abordagem empirista ocorre quando a intervenção se orienta pela experiência, com desprezo por qualquer metodologia científica.
Os modelos inatistas de intervenções em crianças disléxicas, disgráficas e disortográficas teriam uma base a concepção de inato e inatismo. Aqui, as atividades ou programas de treinamento reconheceriam que os disléxicos não são uma tabula rasa, isto é, teriam condições de dar respostas compensatórias, com seu esforço próprio, de suas dificuldades na linguagem escrita.
Os modelos inatistas de intervenção se afirmam na idéia de um caráter inato das idéias no homem, sustentando que independem daquilo que ele experimentou e percebeu após o seu nascimento .
Os modelos de intervenção se apóiam na lingüística gerativa, hipótese segundo a qual a estrutura da linguagem estaria inscrita no código genético da natureza humana e seria ativada pelo meio após o nascimento do homem.
Numa perspectiva psicolingüística, os modelos de intervenção fazem à teoria de que a criança nasce com uma predisposição biológica para aprender uma língua.Segundo a hipótese do inatismo, o rápido e complexo desenvolvimento da competência gramatical da criança só pode ser explicado pela hipótese de que ela nasceu com uma conhecimento inato de pelo menos alguns dos princípios estruturais universais da linguagem humana. O inatismo se baseia na doutrina que privilegia a razão como meio de conhecimento e explicação da realidade.
O racionalismo é o conjunto de teorias filosóficas (eleatismo, platonismo, cartesianismo etc.) fundamentadas na suposição de que a investigação da verdade, conduzida pelo pensamento puro, ultrapassa em grande medida os dados imediatos oferecidos pelos sentidos e pela experiência.
Exemplo de modelos behavioristas bem sucedidos durante a intervenção dislexiológica podemos extrair entre as sugesões presentes no livro Dislexia: manual de leitura corretiva (Artes Médicas,1989), de Mabel Condemarín e Marlys Blomquist.
Os profissionais devem ter, preferencialmente, um olha r racionalista sobre as atividades abaixo, apostando que os disléxicos têm competência para responderem, com seus esforços, às propostas de atividades do programa de treinamento.
Segundo Mabel Condemarín e Marlys Blomquist, os elementos fonéticos nos quais os disléxicos tendem a apresentar maior número de problemas referem-se à discriminação de vogais, de letras de grafia similar e de letras de sons próximos.
Com base nas autoras, vamos propor a seguir exercícios para discriminar vogais. A lista de palavras que expomos pode ser utilizada pelo reeducador para grafar as vogais orais iniciais e para ampliar os exemplos de outros exercícios.
Os timbres das vogais indicadas para leitura poderão ser abertos (´) ou fechados (^), conforme a variação regional. Uma observação importante é que elegemos palavras cognatas, isto é, palavras
que vêm de uma mesma raiz que outra(s).
Uma vez que os disléxicos apresentam déficit de memória de trabalho as palavras cognatas favorecem a memorização dos itens lexicais. Também os itens lexicais são organizados na forma alfabética exatamente para facilitar a memorização dos mesmos, recursos disponível em programa de word (em tabela, classificar as palavras).
Batizamos aqui esta atividade de atividade de discriminação dos elementos fonéticos das palavras, uma vez que trabalhamos duas habilidades: a consciência fonológica e a memória de trabalho. Podendo, assim, ser aplicada tanto para exercício de leitura em voz (decodificação leitora) como treinamento ortográfico (codificação escritora)
Lista de palavras para serem lidas em voz e levaram os educandos a terem a percepção do sistema vocálico da língua portuguesa: anedota, eletricista, Imortalizar, Ouvidor, Último, Amoroso, Eletricidade, Imortalidade, Ouvido, Úmido, Amor, Eletivo, Imortal, Ouvinte, Universal, Ameixeira, Elenco, Imobilizar, Ouvir, Universalismo, Amável, Elementar, Imobiliária, Ovelha, Universalista, Ameixa, Elemento, Imobilismo, Overdose, Universalizar, Arrastão, Eletrocutar, Imigração, Ovo, Universidade,Anedotário, Elétrico, Imitação, Oxigenar, Universitário, Arrastar, Eletrocussão, Imigrante,Oxigênio, Universo, arrastamento, Eletrizante, Imitar, Oxítono, Urna
No campo da expressão oral, em geral, os disléxicos, disgráficos e disortográficos tendem a confundir auditivamente aqueles fonemas, representados em letras ou grupos de letras (dígrafos), que possuem um ponto de articulação comum. Três conceitos são fundamentais para esta tarefa:
(1) Letra, entendida como cada um dos sinais gráficos que representam, na transcrição de uma
língua, um fonema ou grupo de fonemas;
(2) dígrafo, definido como grupo de duas letras us. para representar um único fonema; digrama,
monotongo [No português são dígrafos: ch, lh, nh, rr, ss, sc, sç, xc;incluem-se tb. am, an, em, en,
im, in, on, om, um, un (querepresentam vogais nasais), gu e qu antes de e de , e tb. ha, he, hi, ho,
hu e, em palavras estrangeiras, th, ph, nn, dd, ck, oo etc.] e
(3) Grafema, definido como unidade de um sistema de escrita que, na escrita alfabética,
corresponde às letras (e tb. a outros sinais distintivos, como o hífen, o til, sinais de pontuação, os
números etc.), e, na escrita ideográfica, corresponde aos ideogramas.

As letras com sons acusticamente próximos que são mais susceptíveis de ser confundisos são as seguintes: b-p; x-j; d-t; c-j; em menor grau confunde-se m-p-b. As listas de palavras figurativas que apresentamos a seguir podem ser empregadas para ilustrar exercícios.

Lista de signos alfabéticos: d,b, p,t, v,f,c, g,m
Lista de palavras: Dado, Bata, Pau, Taco, Vela, Farol,Cara, Gato, Mapa, Dedo,Bote, Puma,Táxi, Vaso, Foca, Casa, Gola, Macaco, Dois, Boca, Pipa, Touro, Vaca Fila, Copa, Gota, Mesa, Disco, Baú, Peru, Tubo, Vale, Folha ,Calha, Galo, Marco, Ducha, Bala, Parede, teto, Vila, Fogo, Carta, Gordo, Muleta,

As crianças com dislexia, disgrafia e disortografia, geralmente, apresentam dificuldades para o reconhecimento rápido da sílaba com ditongo. Por ditongo, o reeducador deve entender, foneticamente, emissão de dois fonemas vocálicos (vogal e semivogal ou vice-versa) numa mesma sílaba, caracterizada pela vogal, que nela representa o pico de sonoridade, enquanto a semivogal é enfraquecida. Além do ditongo intraverbal - no interior da palavra, como pai, muito -, ocorre em português tb. o ditongo interverbal, entre duas palavras, como p.ex.: Ana e Maria, que exerce papel importante na versificação portuguesa.
Dentro da tradição do ensino gramatical do português, existem dois tipos de ditongo: (1) ditongo
crescente, o que tem a semivogal como primeiro som (p.ex., quadro) e (2) ditongo decrescente,
aquele que tem a semivogal como segundo som (p.ex., mau).

A lista de palavras com ditongos que apresentamos abaixo pode ser utilizada em diferentes exercícios: leitura em voz alta e treinamento ortográfico.
Lista dos ditongos: ÃE,ÃO,ÕI,OU,EI,EA,IO,IA,ÕE
Lista de palavras a serem trabalhadas em voz alta: Mãe, Pão, Dói,Dou,Hem, Área, Lírio, Várias, Põe, Pães, Mãos, Herói, Louco,Vivem, Áurea, Curioso, Sábia, Limões, capitães, Falam, Constrói, Estoura, Têm, Orquídea, ópio, Constância, Ações.

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do
Ceará. E-mail: vicente.martins@uol.com.br
Sobre o Autor
Professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Ceará, Brasil.

Progressos em avaliação e intervenção preventiva e remediativa


Transtornos de aprendizagem


Progressos em avaliação e intervenção preventiva e remediativa

Fernando C. Capovilla
Formato: 21X28


ISBN: 9788579540158

Edição: 2 Ano: 2011

N. Pag.: 391

Capa: BROCHURA
 
Este livro multidisciplinar apresenta progressos recentes em modelos teóricos, bem como em recursos para avaliação e intervenção preventiva e remediativa de transtornos de aprendizagem em quadros como dislexia do desenvolvimento, distúrbio de processamento auditivo central, disgrafia, discalculia, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, transtornos do desenvolvimento, transtorno de ansiedade, deficiência auditiva e surdez congênita.


Aborda desde questões de prevalência e etiologia dos quadros, passando por modelos teóricos para sua explicação e compreensão, e estratégias de avaliação clínica e neuropsicológica e psicométrica, até chegar a estratégias de intervenção visando à prevenção e ao tratamento para reabilitação. A ênfase repousa na análise dos mecanismos por meio dos quais os diversos problemas de natureza neuropsicológica (neurossensorial, neuromotora, neurolinguística) e neuropsiquiátrica afetam o desenvolvimento linguístico, cognitivo, afetivo e social e, em especia, o desenvolvimento da aprendizagem escolar, com atenção concentrada na aprendizagem do ler, do escrever, e do contar.

Sumário:

Apresentação

Fernando C. Capovilla

1 - Paradigma neuropsicolinguístico: Refundação conceitual e metodológica na alfabetização de ouvintes, deficientes auditivos, cegos, surdos e surdocegos

Fernando C. Capovilla

2 - Neuromodulação e movimentos oculares na leitura de palavras: Estimulação transcraniana por corrente contínua

Alexandre Tadeu Faé Rosa, Paulo Sérgio Boggio, Daniel Sá Roriz Fonteles, Elizeu Coutinho de Macedo

3 - Avaliando a ASPA (Avaliação Simplificada do Processamento Auditivo): Normalização e efeito de inteligência não verbal sobre localização de fonte sonora e memória sequencial de sonos verbais e não verbais

Fernando C. Capovilla, Luciana F. M. Salido
4 - Avaliando a BTTPA (Bateria de Teste para Triagem do Processamento Auditivo): Normatização e efeito de inteligência não verbal sobre localização de fonte sonora e memória sequencial de sons verbais e não verbais

Fernando C. Capovilla, Luciana F. M. Salido

5 - Processamento auditivo: treino auditivo formal

Karin Ziliotto Dias, Maria Lucy Fraga Tedesco

6 - Avaliando o PHF (Perfil de Habilidades Fonológicas): Efeitos de série escolar e inteligência não verbal e indícios da importância do processamento visêmico

Fernando C. Capovilla, Luciana F. M. Salido

7 - Perfil da escrita da criança com dislexia

Renata Mousinho, Jane Correa, Fernanda Mesquita
8 - Perfil neuropsicológico da criança com dislexia

Maria de Lourdes Merighi Tabaquim

9 - Associações entre habilidades sociais e dificuldades de aprendizagem na escrita em crianças

Daniel Barthomeu, Felipe Fernandes de Lima, Andréia Arruda Guidetti, José Maria Montiel, Afonso A. Machado

10 - Estilos parentais e dificuldades de aprendizagem na escrita: análise de suas correlações

Andréia Arruda Guidetti, Felipe Fernandes de Lima, Daniel Barthomeu, José Maria Montiel, Afonso A. Machado

11 - Disgrafia na infância: aspectos psicomotores

Sônia das Dores Rodrigues, Sylvia Maria Ciasca

12 - A aprendizagem da escrita na criança com disgrafia: Aspectos interventivos

Cíntia Alves Salgado, Sylvia Maria Ciasca

13 - Avaliação de linguagem em pessoas com síndrome de Down: Uso de testes tradicionais e computadorizados

Cíntia Perez Duarte, Elizeu Coutinho de Macedo

14 - Discalculia do desenvolvimento: Identificação e intervenção

Flávia Heloísa dos Santos, Fabiana S. Ribeiro, Rosana Satiko Kikuchi, Paulo Adilson da Silva

15 - Ansiedade à matemática: Identificação, descrição operacional e estratégias de reversão

João dos Santos Carmo

16 - Habilidades sociais na infância e adolescência

Camila Tarif Ferreira Folquitto, Camila Luisi Rodrigues

17 - Indicadores precoces de psicose e sua relação com o processo de aprendizagem

Bruno Sini Scarpato, Arthur A. Berberian

18 - Neuropsicólogo no transtorno de ansiedade na infância e adolescência

Camila Luisi Rodrigues

19 - Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade: Uma revisão conceitual à luz da análise do comportamento

Renata Limongi França Coelho Silva, André Vasconcelos da Silva, Gleiber Couto

20 - A fonoaudiologia e o TDAH

Fernanda Freitas Malerbi

21 - Contribuições da psicologia evolucionista para compreender as necessidades de intervenção no desenvolvimento de crianças autistas

Ana Carolina Wolff Mota, Roberto Moraes Cruz, Mauro Luís Vieira

22 - Avaliação da atenção seletiva e alternada em indivíduos autistas

Lilia Maíse de Jorge, Acácia Aparecida Angeli dos Santos

23 - Habilidades semântico-pragmáticas no autismo de alto desempenho

Renata Mousinho

24 - Estabelecimento de pontos de corte pela Teoria da Resposta do Item (TRI) para uma prova equalizada com o ENADE

Daniel Bartholomeu, Marjorie Cristina Rocha da Silva, Sanyo Drummond Pires, Ricardo Time

25 - Teoria de resposta ao item: equalização da prova de administração do ENADE

Marjorie Cristina Rocha da Silva, Daniel Bartholomeu, Sanyo Drummond Pires, Ricardo Time

26 - Caracterização do perfil de leitura de escolares com dislexia

Simone Aparecida Capelense, Monique Herrera Cardoso, Regiane Kobal de Oliveira A. Cardoso

27 - Desempenho de escolares de ensino público e particular na adaptação brasileira da avaliação dos processos de leitura (PROLEC)

Simone Aparecida Capellini, Adriana Marques de Oliveira

28 - Disgrafia e sua relação com o processo de aprendizagem e aspectos psicomotores

Patrícia Abreu Pinheiro Crenitte, Thaís dos Santos Gonçalves, Érika Ferraz

29 - Habilidades numéricas elementares: Ensinando de modo mais eficiente

Paulo Sérgio Teixeira do Prado

30 - Avaliação neuropsicológica cognitiva da leitura: Teste de competência de leitura de palavras e pseudopalavras

Alessandra Gotuzo Seabra, Natália Martins Dias, Rodolfo Hipólito

31 - Dificuldades de aprendizagem e funções executivas

Natália Martins Dias, Bruna Tonietti Trevisan, Amanda Menezes, Silvia Godoy, Alessandra Gotuzo Seabra

32 - Como calcular o grau de dificuldade na escrita sob ditado das palavras ouvidas: Tabelas de decodificabilidade fonografêmica e visibilidade orofacial dos fonemas do Português brasileiro

Fernando César Capovilla, Andrea Jacote, Cibele Cecconi Sousa-Sousa, Luiz E. Graton-Santos





Alfabetização no Brasil - Uma metodologia ultrapassada - Fernando C. Capovilla



10/07/2003 - Andréa Antunes


Professor de Neuropsicologia da Universidade de São Paulo (USP), Fernando César Capovilla.

Especialista em distúrbios da comunicação e da linguagem.

Folha Dirigida — Como o sr. avalia nossos alfabetizadores?

Fernando César Capovilla — São pessoas dedicadas e que querem fazer um bom trabalho. No entanto, são impedidas de fazê-lo porque os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) do Ministério da Educação (MEC) estão completamente errados. Quando comparamos os PCN’s brasileiros com os britânicos, finlandeses, franceses ou americanos notamos uma disparidade extraordinária. Eles dizem para não fazer o que o Brasil faz. Existem dois métodos para alfabetização: o ideovisual e o fônico. O mundo inteiro, que usa a escrita alfabética, usa o método fônico porque uma revisão da literatura, de 115 mil estudos científicos publicados, provou que o método fônico é superior ao ideovisual, que continua sendo usado no Brasil e no México.

Folha Dirigida — O que é exatamente o método ideovisual? E o fônico? Qual a diferença entre eles?

Capovilla — No ideovisual o professor dá o texto para o aluno. O MEC recomenda, por meio dos seus PCN’s, que se dê o texto à criança (um texto, como eles dizem, complexo, rico), e afirma ainda que não há necessidade de ensinar a criança a converter letras em sons e sons em letras. Diz também que o professor deve aceitar tudo o que a criança escreve como uma produção legítima. O professor não pode ensinar, corrigir, treinar ou guiar a criança ao longo do processo. O MEC acredita que a criança aprende praticamente sozinha, que basta ter livros no entorno que ela vai aprender a ler e escrever, e isso é falso. O mundo inteiro descobriu, por meio de atividades científicas, que ler e escrever são atividades complexas que requerem um treinamento específico. São necessárias instruções sobre a relação entre as letras e os sons para que a criança possa codificar fonografenicamente (a partir da fala escrever) e decodificar grafonemicamente (a partir da palavra decodificar o texto e produzir fala). O método fônico evoca a fala, a mesma fala com a qual a criança pensa e se comunica. Por isso é um método muito natural.

Folha Dirigida — O Brasil sempre utilizou este método?

Capovilla — Antes a alfabetização era feita pelo método silábico. A partir dos anos 80, com o Construtivismo, foi introduzido o método ideovisual que produziu péssimos efeitos. O Brasil é recordista mundial de incompetência de leitura. O México está em segundo lugar e tanto um quanto outro seguem Emília Ferrero (psicopedagoga argentina), ou seja, o Construtivismo. O mundo inteiro deixou isso como sendo um mito, como sendo pernicioso para a criança. Pelos resultados se conhece o método. Quais são os resultados do método ideovisual empregado no Brasil? Incompetência. Por isso somos recordistas mundiais em incompetência.

Folha Dirigida — O método de alfabetização utilizado no Brasil está ultrapassado?


Capovilla — Ultrapassado, desacreditado e condenado pela França, Dinamarca, Itália, Suécia, Finlândia, Canadá, pelo mundo.


Folha Dirigida — O sr. poderia apontar diferenças entre os alfabetizadores brasileiros e os estrangeiros?

Capovilla — Os alfabetizadores dos países que investem em pesquisa científica para descobrir como melhor alfabetizar são formados para respeitar as etapas de desenvolvimento da linguagem da criança. Começam do simples para o complexo. O Brasil faz o oposto, começa do complexo. O MEC diz: dê um texto rico para a criança, um texto complexo. Isto é ridículo, é criminoso. O Ministério Público devia investigar o que acontece na educação desse país. Por isso que agora a Câmara dos Deputados vai começar a examinar a educação brasileira à luz do conhecimento científico internacional. O Brasil trata suas crianças como se elas fossem marcianas e, depois, elas são taxadas de incompetentes. Será que somos tão inferiores? Uma subraça? Não. A educação é que é inapropriada.

Folha Dirigida — Uma das críticas que se faz é que os jovens não sabem interpretar. Isto seria conseqüência do modelo de nossa alfabetização?

Capovilla — Exatamente. Quando se usa o método fônico se melhora a compreensão do texto. No método ideovisual, onde o professor dá logo o texto, o que acontece é que a criança tende a memorizar as palavras. Porém, o código alfabético não se presta à memorização fácil porque as letras são muito parecidas. Com isso, o que acontece é que a criança troca as palavras quando lê (paralexia) e troca palavras na escrita (paragrafia). Esses erros ocorrem porque o alfabeto não se presta à memorização visual. Ele tem que ser decodificado. Ele foi inventado pelos Fenícios para mapear sons da fala, por isso é eficiente. Se você sabe decodificar não precisa memorizar.

Folha Dirigida — Para introduzir este método seria necessário mudar a formação do professor?

Capovilla — Sim, mas isto é fácil. Quem opta por ser alfabetizador o faz por amor, por idealismo. Uma pessoa idealista é a primeira a se apaixonar pelo seu trabalho quando ele funciona. O método fônico produz resultados extraordinários. Em três meses uma criança está lendo o que não lia em dois anos sob o método ideovisual. As professoras que empregam o método fônico ficam maravilhadas com sua eficácia.


Folha Dirigida — É certo que quando o professor vê um resultado positivo ele se anima. Mas os docentes costumam apresentar resistências a mudanças...

Capovilla — Isto é humano. Mas quando eles experimentam a mudança, se ela for boa, acabam convencidos da importância de mudar.

Folha Dirigida — Há experiência no Brasil de alfabetização pelo método fônico?

Capovilla — Já temos pelo menos 40 escolas, em diversos estados, empregando o método no Brasil. Isto porque as escolas particulares, sensíveis à matrícula, se sentem pressionadas pelos pais que ameaçam cancelar o registro dos seus filhos se elas não produzirem bons resultados. Isto está acontecendo em São Paulo e certamente acontece no Rio. As escolas cujos egressos não passam para universidade pública gratuita são questionadas pelos pais. Preocupadas, algumas escolas perceberam que pelo método ideovisual as contradições e problemas se acumulavam ao longo das séries. Em São Paulo, as escolas que empregavam o Construtivismo viam os seus alunos irem para as universidades pagas. Pressionadas pelos pais começaram a procurar eficiência e descobriram no método fônico o caminho.

Folha Dirigida — O sr. disse que o professor tem que ensinar, tem que avaliar. Como o sr. vê a aprovação automática?

Capovilla — Isto está completamente errado. O objetivo dessa política é melhorar o fluxo, diminuir a disparidade entre a idade e a série escolar. Pelo Brasil existem 8 milhões de crianças fora da série. Isto é resultado de evasão ou repetência, ou seja, fracasso escolar. Nos dois casos isto ocorre porque a escola não está ensinando. Se passarmos a ensinar com eficiência, as crianças aprenderão e serão aprovadas sem precisar de progressão continuada ou do sistema de ciclos. O sistema de ciclos é ruim porque, se a criança não aprende, isto só será percebido daqui a dois, três, quatro anos. Então está se perdendo o que é mais precioso para o desenvolvimento humano, que é tempo. A janela de desenvolvimento da linguagem é até 6 anos, e desperdiçar este tempo prejudica fortemente a criança. Da mesma forma a alfabetização. Se ela não for feita na idade apropriada, que é 6, 7 anos, até 8 anos, na pior das hipóteses, ela vai ser feita num custo muito maior e com resultados muito menores. O método ideovisual não ensina, ele queima o tempo da criança.



Folha Dirigida — O sr. diz que para aprender é necessário decodificar. O que é decodificar?

Capovilla — É converter os grafemas em fonemas. Aprender a pronunciar a palavra em presença da escrita. Quando pensamos em palavras usamos nossa voz interna. Quando lemos em voz baixa escutamos nossa voz. Isto é o processo fônico: a invocação da fala interna em presença do texto. O método ideovisual desestimula esta fala interna. Ele tenta estimular a leitura visual direta, portanto, a memorização. Só que não é possível memorizar ideograficamente todas essas palavras. A forma correta é aprender a decodificar. Quando fazemos isso, naturalmente se consegue produzir a fala e entender o que se está lendo.


Folha Dirigida — Como o sr. avalia a qualidade da nossa educação?

Capovilla — A educação brasileira é a pior do mundo.

Folha Dirigida — Na sua visão, este resultado negativo tem relação com nosso processo de alfabetização?

Capovilla — Eu não acho, eu sei que sim! Pesquisas mostram isso, não é questão de discussão. Nos Estados Unidos houve a guerra de leitura. De um lado os cientistas que defendiam o método fônico e, do outro, os pedagogos que defendiam o ideovisual. O governo, consciente da importância da educação - sabia que era importante formar bem as crianças e jovens americanos para continuar à frente dos outros países - e dividido na briga entre cientistas e pedagogos, resolveu chamar um painel de especialistas para analisar 115 mil artigos comparando os dois métodos. Eles descobriram que o fônico era infinitamente mais eficiente do que o ideovisual.

Folha Dirigida — Se este método é tão superior e seus resultados positivos amplamente conhecidos, por que o MEC ainda não os usa?

Capovilla — É fácil entender isso. Os anos 80 foram anos de contestação ao governo militar. As esquerdas começaram a arregimentar as massas. Tanto que, hoje, temos um líder operário como presidente. No Brasil, houve uma reação muito forte aos governos militares. Foram anos de espontaneismo, de liberdade civil. Mas as pessoas acabaram confundindo as coisas. Confundiram ensino sistemático com ensino militarizado, clareza conceitual e especificação de currículo, de objetivos, de competências da criança com autoritarismo. Dessa forma, acharam que deixando a criança sozinha ela iria se desenvolver maravilhosamente. “O bom selvagem”, de Rousseau. É uma visão romântica maravilhosa, mas se o objetivo é tornar a criança competente, pesquisas mostram que este modelo não funciona. A própria Emília Ferrero, a ideóloga desta teoria construtivista que ainda domina o Brasil com garras de aço que nos levam à incompetência, nos seus estudos em psicogêneses da língua escrita constatou uma diferença entre crianças pobres e ricas no seu método. As crianças ricas chegavam ao nível 5, 6 de aprendizagem. As pobres paravam no nível 3. E olha que as crianças pobres de Emília Ferrero eram as nossas crianças de classe média. O melhor método é o que permite às crianças mais pobres um aprendizado tão bom quanto o recebido pelas crianças das melhores classes sociais. Isto porque a escola tem a função de justiça social. Ao aumentar a competência da criança, a escola permite a ascensão social.


Folha Dirigida — O modelo que temos hoje aumenta a desigualdade social?

Capovilla — Exatamente, porque se a escola brasileira não ensina, as crianças vão fracassar, se evadir, repetir de ano. Os pais, vendo isso, têm duas opções: os ricos contratam tutor, compram livros. Já os pais pobres, operários, não podem ajudar os seus filhos. Sob o construtivismo os filhos dos pobres se tornam mais pobres, e os dos ricos mais ricos, porque eles têm profissionais para lhes dar o que a escola está sonegando.


Folha Dirigida — Falamos que a alfabetização no Brasil é feita de forma incorreta. E com relação à formação dos professores? Como o sr. vê esta questão?


Capovilla — Piaget fazia a seguinte pergunta: Por que o professor tem tão má reputação (no sentido de respeito) em relação a outras profissões? Por que um médico é respeitado e o professor não, se educação e saúde caminham lado a lado? Segundo ele, isso ocorre porque o professor não faz pesquisa, não descobre por si mesmo o que funciona e o que não funciona. Ele não conquista o respeito intelectual como as outras profissões fazem.


Folha Dirigida — O sr. acha que a formação do professor alfabetizador deve ter preocupação com a pesquisa?

Capovilla — Sem dúvida. Se o professor tiver uma formação de metodologia de pesquisa ele poderá publicar artigos, livros, trocar idéias em congressos.

Folha Dirigida — É comum se falar na desvalorização do professor e atribuir isto à questão salarial. O sr. diria que não é só isso, mas sim que ele deve se impor enquanto bom profissional?


Capovilla — Para o professor ser valorizado ele tem que se valorizar, ou seja, tem que obter resultados melhores do que tem obtido. Quando alguém obtém bons resultados se sente bem, se valoriza, o auto-respeito aumenta e ele pode falar de igual para igual com qualquer pessoa. Neste caso, o professor pode conseguir financiamento para pesquisa e melhorar o orçamento. Ele deve fazer pós-graduação, que ensina metodologia de pesquisa. Na própria faculdade deve fazer estatística, noções de pesquisa, experimentos para que possa descobrir o que é melhor para as crianças e não ficar dependendo do cientista. Deve especializar-se em descobrir como melhorar o desempenho das mais variadas crianças. Hoje, a escola tem que incluir as crianças portadoras de necessidades especiais, e isto demanda pesquisa.

Folha Dirigida — Os docentes estão preparados para lidar com estes alunos?

Capovilla — Os meus professores estão. O que faço na educação especial faz com que as crianças possam ir para a sala de aula. Se dermos aos professores os instrumentos que eles precisam para avaliar estes alunos e às crianças os instrumentos para que possam aprender a ler, escrever e fazer o dever de casa a inclusão é possível. Estou fazendo pesquisas sobre isso há 25 anos e tenho todos os instrumentos. Basta o governo querer usar. Sou da USP, universidade pública e gratuita. Então, o instrumento do meu trabalho como pesquisador deve estar nas mãos do professor e compete ao governo pegar este material e dar para o professor. Mas o governo fala muito e deixa o professor desassistido. Não dá ao professor instrumento de avaliação, não dá a criança instrumentos de comunicação e espera que ela seja incluída. Como fazer isso? Por milagre? Não, por meio de pesquisa científica, de implantações tecnológicas.


Folha Dirigida — A exigência de que os professores tenham nível superior vai melhorar a qualidade do ensino?

Capovilla — Demandar educação é a tendência universal. Cada vez mais educação, sem dúvida, é bom. Agora é preciso avaliar a qualidade da formação universitária que vai ser dada a estes profissionais. Esta formação deve necessariamente incluir metodologia de pesquisa científica, estatística, como descobrir o que fazer. Assim, o educador brasileiro não vai depender dos outros para lhe dizer o que fazer. Ele poderá observar a melhor forma de alfabetizar.

Folha Dirigida — O Sr. é psicólogo, atuava numa clínica de reabilitação de leitura. Como caminhou para a pesquisa na área educacional?

Capovilla — Comecei como clínico. Tratava de distúrbios de leitura, mas minha clínica não parava de receber crianças. Percebi que uma parte delas tinha um problema de natureza biológica que chamamos de dislexia (distúrbio de aquisição de leitura). Crianças dislexas existem no mundo inteiro, mas no Brasil a taxa parecia ser extraordinariamente maior. Quando avaliava percebia que muitas crianças não eram dislexas, não tinham histórico de dislexia na família. Então, como elas tinham na escola um desempenho tão próximo de dislexia? Na análise descobrimos que os casos ocorrem em crianças de uma mesma turma, de uma mesma escola. O que este país está fazendo? Enchendo as clínicas de reabilitação, públicas e gratuitas, porque a escola não está alfabetizando.


Folha Dirigida — Por isso o sr. resolveu investir na pesquisa nesta área?

Capovilla — Eu já fazia pesquisa. Isto me encaminhou para uma atuação política nas escolas. Vi que o problema não era clínico, e sim educacional. Que é necessário atuar preventivamente para fazer justiça social. Se a escola fizer o seu trabalho, só vai para a clínica quem precisa de tratamento. O Brasil se dá ao luxo de sacrificar, de crucificar as suas crianças no altar da incompetência para adorar a deusa, Emília Ferrero, dos construtivistas. Isto é um crime.

Fonte: Folha Dirigida