domingo, 27 de fevereiro de 2011

FILME SOBRE Síndrome de Asperger

Sinopse




Chance (Peter Sellers), um homem ingênuo, passa toda a sua vida cuidando de um jardim e vendo televisão, seu único contato com o mundo. Ele nunca entrou em um carro, não sabe ler ou escrever, não tem carteira de identidade, resumindo: não existe oficialmente. Quando seu patrão morre, é obrigado a deixar a casa em que sempre viveu e, acidentalmente, é atropelado pelo automóvel de Benjamin Rand (Melvyn Douglas), um grande magnata que se torna seu amigo e chega a apresentá-lo ao Presidente (Jack Warden). Curiosamente, tudo dito por Chance ou até mesmo o seu silêncio é considerado genial. Paralelamente a saúde de Benjamin está crítica e Eve Rand (Shirley MacLaine), sua esposa, se apaixona por Chance.

O que caracteriza especificamente a Síndrome de Asperger é que muitas vezes a linguagem está preservada, assim como a capacidade cognitiva pode ser normal ou até elevada (são pessoas consideradas muito inteligentes, em áreas específicas), mas ocorre a dificuldade nos relacionamentos sociais, na compreensão das convenções sociais e da expresso afetiva das outras pessoas. Há uma baixa capacidade para empatizar e para compreender comportamentos não verbais. Estas características fazem com que, muitas vezes, a criança ou adulto portador da Síndrome de Asperger sejam reconhecidos em seu convívio social como pessoas diferentes, mais do que portadoras de uma patologia.








Síndrome de Savant é um mistério que fascina e intriga a ciência!



O Globo lembra que o americano Kim Peek sabe de cor mais de 7500 livros aos 55 anos


2006-04-11

kim PeekOs portadores de Síndrome de Savant são um mistério que fascina e intriga a ciência. Donos de uma memória extraordinária – são capazes de decorar livros inteiros depois de uma única leitura ou tocar uma música com perfeição após a primeira audição –, eles possuem ao mesmo tempo sérios défices de desenvolvimento, como uma grande dificuldade para falar e se relacionar socialmente. É assim que começa um texto da edição on-line do jornal O Globo, de quem Ciência Hoje recebeu autorização expressa para citar e reproduzir parcialmente.

Ainda segundo O Globo, a síndrome costuma aparecer em dez por cento dos autistas e também dois por cento das pessoas que sofrem algum tipo de dano no cérebro, provocado por acidente ou doenças. O mais famoso savant do mundo, o americano Kim Peek, que inspirou o director Barry Levinson a fazer o filme Rain Man, aprendeu a ler aos 2 anos e hoje, aos 55, sabe de cor mais de 7.500 livros.











«Rain Man»: a história de Kim Peek«Eles desenvolvem habilidades excepcionais numa determinada área, mas mal conseguem comunicar-se e relacionar-se com as outras pessoas. Costumamos dizer que são como ilhas de excelência num mar de deficiências», conta a O Globo o psiquiatra Estêvão Valdaz, coordenador do Projecto Autismo do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.


Quem primeiro descreveu o savantismo foi o médico Langdon Down – que ficou famoso por ter identificado a síndrome de Down (vulgo mongolismo). Em 1887, Down apresentou à sociedade médica de Londres a história de dez pacientes que ele chamou, na época, de "idiots savants" ou sábios idiotas. De lá para cá, pouco se avançou no sentido de se descobrir as causas que levam essas pessoas a terem uma memória extraordinária. Muitos cientistas acreditam que a síndrome está relacionada a algum tipo de dano no hemisfério esquerdo do cérebro que forçaria o lado direito a compensar essa falha. Isto porque as habilidades desenvolvidas pelos portadores da síndrome, normalmente nas áreas de música, pintura, desenho e cálculo são todas relacionadas com esse hemisfério. Já as funções ligadas ao lado esquerdo, como a linguagem e a fala tendem a ser pouco desenvolvidas.


O uso de aparelhos que permitem «scanear» o cérebro, como a tomografia e a ressonância magnética, vem reforçando ainda mais essa teoria. O jornal O Globo refere ainda um estudo coordenado pelo americano Bruce Miller, da Universidade da Califórnia: mostrou que idosos que desenvolveram uma espectacular habilidade para a pintura depois de passarem a sofrer da doença de Alzheimer estavam com o lado esquerdo do cérebro danificado.
O psiquiatra Estêvão Valdaz conta ainda àquele jornal brasileiro que no hospital das clínicas onde trabalha, dos 1.500 pacientes autistas cerca de 150 são portadores da síndrome. A maioria tem uma incrível habilidade com os números, muitos fazem contas complicadíssimas em décimos de segundos – tão rápidos quanto uma máquina. Também são expert em calendários, conseguem calcular rapidamente, por exemplo, em que dia da semana vai cair uma determinada data, mesmo que seja um dia qualquer do próximo século.

«Apesar de possuíram uma memória espectacular, essas pessoas não sabem o que fazer com tudo aquilo o que aprendem. Não sabem como aplicar esse conhecimento na sua vida quotidiana. São, na verdade, grandes decorebas», avalia o psiquiatra nas suas declarações a O Globo.


A Síndrome de Savant, que é quatro vezes mais frequente entre os homens, pode ser congénita ou adquirida após algum tipo de dano cerebral. Não é uma doença de diagnóstico fácil. Principalmente, quando surge em consequência do autismo, que costuma se manifestar na infância. Estêvão Valdaz diz que a maioria dos pais costuma ficar tão maravilhada com as habilidades do filho que custa a crer que na verdade a criança tenha algum problema.


fonte de pesquisa: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=2880&op=all




quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Locais de tratamento PARA GAGUEIRA.





Locais de tratamento


Algumas cidades contam com clínicas-escolas especializadas em gagueira que oferecem atendimento gratuito para crianças, adolescentes, adultos ou idosos que gaguejam.
A ABRA GAGUEIRA e o Curso de Fonoaudiologia da Santa Casa de São Paulo fizeram uma parceria para a realização de um projeto de pesquisa com o objetivo de identificar os locais de atendimento especializado em gagueira em todas as regiões do Brasil. Em breve teremos os resultados disponíveis aqui no nosso site.

Atendimento Especializado Gratuito


A ABRA GAGUEIRA disponibiliza uma listagem de locais de atendimento especializados com o objetivo de auxiliar a localização de fonoaudiólogos que possam auxiliar no tratamento da gagueira. A ABRA GAGUEIRA não garante a competência desses profissionais ou a efetividade dos tratamentos oferecidos.
Esta lista não inclui todos os locais e/ou fonoaudiólogos especializados em gagueira e não abrange todas as cidades do nosso país. Caso você não encontre um profissional em sua cidade, sugerimos solicitar indicações do profissional mais próximo de sua cidade.
A ABRA GAGUEIRA incentiva que as pessoas que gaguejam relatem suas experiências terapêuticas tanto com os profissionais listados em nosso site como com outros profissionais e que notifiquem a nossa diretoria caso tenha havido algum erro em nossa lista.

SALVADOR - BA
Clínica Escola do Centro Universitário Jorge Amado
Endereço: Avenida Luis Viana, 6775 - Paralela - Salvador. Fone: (71) 3206-8015
Atendimento gratuito para gagueira

VILA VELHA - ES
Clínica de Fonoaudiologia do Centro Universitário Vila Velha.
Endereço: Rua Comissário José Dantas de Mello, 21 - Boa Vista - Vila Velha. Fone: (27) 3421-2192.
Atendimento gratuito para gagueira.

BELO HORIZONTE - MG
Ambulatório de Fonoaudiologia do Hospital São Geraldo do Hospital das Clínicas da UFMG.
Endereço: Rua Alfredo Balena, 190 - 30130-100. Fone: (31) 3409 9580.
Atendimento gratuito para gagueira. O Posto do SUS deve fazer o encaminhamento e só depois procurar o Hospital São Geraldo (HC/UFMG) em Belo Horizonte.
Maiores informações:
colfono@medicina.ufmg.br

RECIFE - PE
Clínica Escola da Universidade Católica de Pernambuco.
Endereço: Rua do Príncipe, 526 - Boa Vista - Recife. Fone: 81-2119-4000.
Atendimento para gagueira a baixo custo.
Maiores informações:
clifono@unicap.br

RIO DE JANEIRO - RJ
Ambulatório de Transtornos de Fluência da Clínica Escola da Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina da UFRJ.
Endereço: Av. Venceslau Brás, 95, Campus da Praia Vermelha. Fone: (21)-3873-5609
Atendimento gratuito para gagueira. O usuário deverá marcar a triagem no ambulatório de Transtornos de Fluência.
Maiores informações:
leilanagib@hucff.ufrj.br

RIO DE JANEIRO - RJ
Clinica de Fonoaudiologia - Centro de Saúde da Universidade Veiga de Almeida.
Endereço: Rua Ibituruna, 108 - Vila Universitária - casa 9. Fones: 2574-8844 e 2574-8832.
Atendimento a baixo custo sujeito a análise social.

CAXIAS DO SUL - RS
Clínica de Fonoaudiologia da Faculdade Fátima.
Endereço: Rua Alexandre Fleming, 454 - Bairro Madureira. Fone: (54) 2108-8403.
Atendimento para gagueira gratuito, com avaliação do Serviço Social e carência comprovada. Agendar horário para triagem social pelo telefone. Após avaliação será realizada a triagem fonoaudiológica.

PASSO FUNDO - RS
Clínica Escola da Universidade de Passo Fundo.
Endereço: Bairro São José. Fone: (54) 3316-8498
Atendimento gratuito para gagueira.
Maiores informações:
fono@upf.br

GUARULHOS - SP
Clínica de Fonoaudiologia da Universidade de Guarulhos UNG
Endereço: Praça Teresa Cristina, 1 - Campus I Prédio H - Centro Guarulhos. Fone:2464.1797.
Atendimento gratuito para gagueira. Agendar consulta pelo telefone.

SÃO PAULO - SP
Clínica-Escola de Fonoaudiologia da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.
Endereço: Rua Jaguaribe 355 - Vila Buarque - São Paulo. Fone: 2176-7000 ramal 5741.
Atendimento gratuito para gagueira. Marcar triagem no local ou pelo telefone.

SÃO PAULO - SP
Laboratório de Investigação Fonoaudiológica da Fluência, Motricidade e Funções Orofaciais da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Endereço: Rua Cipotânea, 51 - Cidade Universitária - São Paulo. Fone: 3091-7453.
Atendimento gratuito para distúrbios da fluência. Ligar na última segunda-feira do mês a partir das 8:00 horas, para agendar uma triagem.

SÃO PAULO - SP
Núcleo de Investigação Fonoaudiológica da Fluência do Ambulatório de Avaliação Fonoaudiológica da Universidade Federal de São Paulo.
Endereço: Rua Professor Francisco Castro, 36 - Vila Clementino.
(em frente ao Instituto do Sono)
Atendimento gratuito para gagueira.

Como procurar um atendimento especializado


Antes de iniciar qualquer tipo de tratamento para a gagueira é muito importante saber algumas informações a respeito do profissional escolhido:
  • número de pacientes com gagueira que o profissional já tratou e a faixa etária dos mesmos;
  • qual a linha de trabalho e embasamento teórico da prática clínica;
  • quais os objetivos principais da terapia como, por exemplo, diminuição da freqüência da gagueira, redução da tensão envolvida na gagueira, diminuição dos comportamentos de evitação e antecipação, dentre outros;
  • quais os textos/livros sobre gagueira que o profissional indica para leitura, dentro da sua linha de trabalho;
  • quais os cursos, palestras, especialização, mestrado ou doutorado que o profissional realizou na área da gagueira.
É preciso lembrar que o profissional, geralmente um fonoaudiólogo, deve fazer uma avaliação completa e, com base nessa avaliação, selecionar a sua conduta.
Alguns exercícios que não servem para diminuir a gagueira podem ser úteis para o fortalecimento muscular, para melhorar a articulação, a respiração, etc. Com relação especificamente à gagueira, não há comprovação científica de que exercícios como falar de cabeça para baixo, assoprar, vibrar lábios e língua, por exemplo, tenham efeito na diminuição da gagueira (lembrando que o sopro ou as vibrações são ótimos exercícios em outros casos).
O mais importante é saber exatamente a função do exercício proposto e qual o resultado esperado.
O ideal é manter sempre um canal de diálogo aberto e ativo com o profissional.

Autoterapia para Pessoas que Gaguejam


Associação Brasileira de Gagueira
LIF de Fluência, Motricidade e Funções Orofaciais da FMUSP
Editora Manole
2009
No Brasil, 1% da população apresenta alguma forma de gagueira e sofre com o preconceito e as desvantagens econômicas e sociais.
Em 2005, a Associação Brasileira de Gagueira criou o slogan "Gagueira não tem graça. Tem tratamento." atualmente utilizado em campanhas nacionais e internacionais de conscientização sobre a gagueira. No entanto, ainda são poucos os profissionais especializados no atendimento à gagueira em nosso país.
Neste contexto, A Associação Brasileira de Gagueira e o Laboratório de Investigação Fonoaudiológica da Fluência, Motricidade e Funções Orofaciais da FMUSP se reuniram para fazer a tradução e adaptação do livro Autoterapia para a Pessoa que Gagueja, escrito por Malcolm Fraser, da Stuttering Foundation of America.
Este livro é dedicado à todas as pessoas que gaguejam e ainda não encontraram uma forma efetiva de melhorar a sua fluência e também aos profissionais de Fonoaudiologia e Psicologia. Ele descreve o que pode e deve ser feito para aumentar a autoconfiança e superar as dificuldades decorrentes da gagueira.
O livro não substitui o atendimento especializado.
A renda obtida com a venda do livro será destinada para os projetos da ABRA GAGUEIRA.




FONTE DE PESQUISA: http://www.abragagueira.org.br/locaisdetratamento.asp#3

A utilização de recursos DAF/FAF pode melhorar a fluência da pessoa que tem gagueira :Software "Mais Fluência" .



Software MAIS FLUÊNCIA - 



Aviso Importante


Este programa de computador foi desenvolvido com o objetivo de auxiliar no tratamento de alguns distúrbios da fala, mais especificamente a gagueira, utilizando recursos DAF/FAF (Delayed Auditory Feedback/Frequency Altered Feedback - Realimentação Auditiva com atraso/Realimentação com Frequência Alterada). A utilização de recursos DAF/FAF pode melhorar a fluência da pessoa que tem gagueira.
Como qualquer recurso de terapia, este programa deve ser utilizado sob orientação de um fonoaudiólogo de forma a assegurar a correta utilização e aumentar as probabilidades de melhorias.
Não há garantia de que este programa será útil para todos os indivíduos que gaguejam e ele não deve ser utilizado para substituir a terapia com um fonoaudiólogo. É somente uma ferramenta para monitoração da fala, cujos efeitos de realimentação podem ou não ajudar.
O autor deste programa e qualquer pessoa ou instituição associado a este não será responsabilizado pela má utilização do mesmo.
Software Mais Fluência Win DAF/FAF Software
Copyright (c) 2009 Henrique Confessor
Licença de Uso do Programa
Este programa é FREEWARE; Você pode usá-lo ou distribuí-lo livremente, sem custo nenhum.
Este programa é distribuído na esperança de que seja útil, mas SEM QUALQUER GARANTIA; seja garantia implícita comercial ou UTILIZAÇÃO PARA UM FIM ESPECÍFICO.

ALGUMAS DICAS


O software tem duas funções e para funcionar precisa de um microfone e um fone de ouvido (de preferência unilateral). O microfone capta a sua voz e o programa a modifica e devolve para o fone de ouvido.
A primeira função do Software Mais Fluência é o DAF (Delayed Auditory Feedback) que devolve a voz com um atraso de alguns milisegundos. Você pode testar atrasos maiores e menores e ver o efeito que esses atrasos têm na sua fala. Geralmente (mas não em todas as pessoas que gaguejam), nessas condições, há uma modificação da fluência. Em falantes fluentes, muitas vezes observamos uma piora da fluência, mas em falantes que gaguejam, o efeito é oposto.
Além do DAF, o Software Mais Fluência também permite o efeito FAF (Frequency Altered Feedback) que é a alteração da frequência da sua fala (para mais aguda ou mais grave).
Quando utilizamos esses recursos temos o chamado efeito "coro", como se você estivesse falando junto com alguém (em uníssono). Novamente, sob essas condições temos uma melhora significativa da fluência.
O DAF e o FAF podem ser utilizados isoladamente ou associados.
É muito importante lembrar que se você testar o DAF/FAF enquanto estiver falando sozinho, provavelmente não haverá mudança - pois muitas pessoas não gaguejam quando falam nessas condições. A fala espontânea costuma ser a mais prejudicada, portanto, procure testar conversando com seus amigos e familiares e até mesmo falando ao telefone.
Outro ponto importante é que, pare ter o efeito desejado, é importante prestar atenção no retorno auditivo e na modificação da sua fala.
Você pode ler mais sobre esses efeitos no link abaixo:
Encaminhem os seus comentários, dúvidas e sugestões!

Ficha Cadastral / Faça o download gratuitamente NO SITE ABAIXO.

Gagueira é um problema genético.


11/2/2010 13:32,  Redação, com agências internacionais
O problema pode ser provocado por distúrbios metabólicos
O problema pode ser provocado por
distúrbios metabólicos
Pesquisa divulgada no New England Journal of Medicine mostrou que cientistas do Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios de Comunicação (NIDCD, sigla em inglês), dos Estados Unidos, identificaram três genes defeituosos que podem explicar o problema da gagueira em algumas pessoas.
Batizados de GNPTAB e GNPTG, esses dois genes estão ligados ao metabolismo celular. O estudo mostra que o problema acontece quando há uma desordem metabólica que provoca o acúmulo de uma substância potencialmente perigosa que pode causar problemas em quase todas as áreas do corpo, incluindo o cérebro.
Segundo o estudo, quando há dois desses genes com defeito, ao menos um está associado com a gagueira. 
O problema pode ser provocado por distúrbios metabólicos que afetam a função cerebral.
Um terceiro gene defeituoso também foi identificado entre os gagos, mas os cientistas não souberam precisar essa relação.
O estudo avaliou dezenas de famílias com casos de gagueira e milhares de indivíduos isolados, gagos ou não, nos Estados Unidos, na Inglaterra e no Paquistão. Em quase um de cada dez doentes examinados foram identificados uma mutação em pelo menos um dos três genes.
Um tratamento que está sendo testado pelos médicos consiste na injeção de uma enzima fabricada em laboratório. Normalmente, essa enzima é produzida na corrente sanguínea. No caso dos gagos, ela não existe.

Gagueira pode se tornar um entrave na busca por emprego.


Gagueira - um entrave
Gagueira pode se tornar um entrave na busca por emprego ou no ambiente de trabalho e escolar
O cantor Armandinho, Aristóteles, Bruce Willis, Rei Carlos I, Charles Darwin, Demóstenes, Isaac Newton, José Saramago, Julia Roberts, Lewis Carrol, Rei Luís II, Marylin Monroe, Moisés, Murilo Benício, Imperador Napoleão, Nelson Gonçalves, Robert Boyle, Scatman John, Theodore Roosevelt, Virgílio... o que todos eles têm em comum? A gagueira.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Fluência (IBF), a incidência da gagueira no Brasil é de 5%, ou seja, 9,5 milhões de brasileiros estão passando por um período de gagueira neste momento. Já a prevalência da gagueira é de 1%, ou seja, 1,9 milhão de brasileiros sofre de disfluência, distúrbio da fala popularmente conhecido como gagueira e que é comumente associado ao nervosismo ou à ansiedade.
Na verdade, segundo especialistas, a gagueira tem origem neurológica e não deveria ser tratada de forma pejorativa ou ser motivo de gozação, como acontece na maioria das vezes. Isto pode desencadear uma série de conflitos sociais e emocionais na pessoa que gagueja.
Durante a infância, é comum que as crianças gaguejem durante a fase em que começam a articular as primeiras palavras e iniciam o desenvolvimento da linguagem oral. A fala se desenvolve nos três primeiros anos de vida e, até os 6 anos de idade, ainda é comum que as crianças tenham certa dificuldade em pronunciar algumas palavras mais complexas.
Mas até que ponto gaguejar não é um problema? Como saber se essa gagueira não é crônica? Quanto mais cedo for diagnosticado o problema, maior será a possibilidade de realizar um tratamento adequado.
A gagueira pode atrapalhar o desenvolvimento da personalidade, o aprendizado da criança na escola e o convívio social. Ao não conseguir pronunciar corretamente determinada palavra, a criança pode ficar insegura e se sentir incapaz, acarretando bloqueios de ordem psicológica que afetarão sua vida mais adiante, além de ocasionar ansiedade e timidez excessivas.
Quando adulta, a pessoa que gagueja pode acabar sendo prejudicada em uma entrevista para um emprego ou não é levada a sério no ambiente corporativo. No entanto, o fato de o indivíduo ser gago não tem qualquer influência sobre a sua capacidade intelectual ou seu desempenho profissional.
Mas esse problema tem tratamento? Sim. A fonoaudiologia e algumas especialidades médicas, por exemplo, dispõem de técnicas e procedimentos específicos para tratar a gagueira. Porém, até o momento, não existe nenhum tratamento que realmente cure a gagueira (no sentido de fazer com que a gagueira desapareça completamente sem que o indivíduo precise tomar nenhum cuidado adicional com sua fala). Os tratamentos disponíveis promovem uma diminuição significativa da gagueira, mas poderão persistir alguns resquícios, mesmo que sutis.
Acima de tudo, motivação e determinação são essenciais para que resultados positivos sejam alcançados no combate a essa disfluência.
Mitos da gagueira refletem desinformação sobre o problema
A fonoaudióloga Érica Ferraz responde algumas dúvidas comuns sobre o tema, ensina a conviver com os portadores de disfluência e apresenta formas de amenizar este problema.
A gagueira é contagiosa ou pode-se ficar gago ao conviver com uma pessoa que têm este distúrbio da fala?
Não, a gagueira não é contagiosa e não “pega”. Portanto, não é transmitida pelo convívio com pessoas que gaguejam. Ninguém deve ter receio de conversar ou interagir com pessoas que gaguejam. Os estudos científicos mostram que a gagueira tem um caráter genético. Desta forma, nos casos de herança genética, pessoas da mesma família, de diferentes gerações, podem manifestar gagueira.
A disfluência tem cura? Quais são os tipos de tratamento?
Por enquanto, não há cura para a gagueira, no sentido de eliminar o caráter genético e/ou orgânico envolvido. O que existem são diferentes linhas de tratamento para a promoção da fluência, de forma a reduzir os sintomas, que são repetições, prolongamentos, pausas, bloqueios e outros problemas ao falar. Por ser um distúrbio de fala, o tratamento mais adequado para a gagueira é o fonoaudiológico. Atualmente, a tecnologia é uma grande aliada no tratamento de algumas pessoas que gaguejam. Alguns aparelhos têm mostrado excelentes resultados na promoção de fluência da fala.
Como uma pessoa normal deve lidar com um gago?
As pessoas devem encorajar a pessoa que gagueja a falar, dando atenção e demonstrando interesse em conversar com ela. Não se deve pedir para a pessoa ter calma, pensar, respirar e falar devagar. Além disso, deve-se esperar que a pessoa que gagueja termine de falar, sem completar a fala dela, o que muitas vezes acontece de forma equivocada.
A partir de que idade pode se detectar/diagnosticar o distúrbio?
A fala se desenvolve principalmente nos três primeiros anos de vida. Entre os 2 e os 6 anos, é comum que a criança apresente dificuldade em falar algumas palavras ou alguns sons mais difíceis. Neste período de aquisição de linguagem, a criança pode gaguejar, por estar em plena fase de aprendizagem da língua e por ainda não ter certeza de como pronunciar determinados sons. Nesses casos, pode haver a remissão espontânea da gagueira, quando o processo de aprendizagem se completa. Porém, a gagueira pode evoluir e se manifestar de diversas formas e intensidades entre as pessoas e em diferentes períodos da vida de uma mesma pessoa. A gagueira costuma oscilar entre períodos de maior ou menor fluência. Caso a gagueira comece a ficar mais frequente, recomenda-se avaliação e tratamento ou acompanhamento fonoaudiológico. Quanto mais cedo o tratamento for iniciado, melhores poderão ser os benefícios da terapia.
Quais são os problemas que os gagos enfrentam no dia-a-dia?
A gagueira é um distúrbio de fala que é facilmente notado. Como estamos em uma sociedade em que a fala fluente é importante e comumente associada à inteligência, competência e domínio em relação a um determinado assunto, uma pessoa disfluente pode ser vista como ansiosa, incompetente e até mesmo com problemas emocionais. Aliás, a maior parte das pessoas acredita que a origem da gagueira é apenas emocional, sendo que, na verdade, é uma associação de fatores genéticos, sociais e psicológicos.
A pessoa que gagueja muitas vezes é prejudicada em uma entrevista para um emprego, por exemplo. Falar ao telefone é outra situação em que o indivíduo que gagueja encontra, geralmente, grandes dificuldades. Esses problemas, associados às crenças equivocadas sobre a origem da gagueira e o preconceito contra as pessoas que gaguejam, podem provocar isolamento e outros problemas sociais a esses indivíduos.
É comum as pessoas não terem paciência para escutar o que a pessoa que gagueja tem a dizer, interferindo na sua fala ou até mesmo completando o que acredita-se que o disfluente iria falar. Muitas pessoas que gaguejam relatam histórias em que aceitaram alguma coisa que não desejavam apenas para não estenderem a situação desconfortável. Por exemplo, podemos citar um paciente no restaurante que, ao tentar pedir um prato de sua preferência, viu-se diante de uma situação em que sua dificuldade de fala gerou impaciência nas pessoas da mesa e no garçom que anotava o pedido. Ele acabou apenas dizendo “o mesmo”, referindo-se ao pedido de outra pessoa, que nada tinha a ver com o que ele realmente desejava jantar e terminou a noite insatisfeito.
Grande parte das pessoas que gaguejam se queixa, portanto, de ter sua disfluência associada a aspectos de sua capacidade intelectual e profissional. Algumas delas referem a não conseguir acompanhar o curso de faculdade, arrumar um trabalho ou até mesmo namorar em consequência da sua disfluência. Por esses motivos, a pessoa que gagueja muitas vezes pode apresentar baixa auto-estima e grande sofrimento interno.
Em se tratando de um distúrbio que não afeta a inteligência nem outras habilidades do indivíduo, a gagueira não deve impedir que a pessoa que gagueja trabalhe, estude e seja bem sucedida profissional e pessoalmente.
Por outro lado, algumas pessoas que gaguejam encaram a sua disfluência de outra forma e acabam por “usá-la” a seu favor no seu grupo de amigos ou com a família, tornando-se o centro das atenções, por meio de brincadeiras e piadas. A forma como a gagueira interfere na vida social do indivíduo depende muito de como é a personalidade do mesmo e de sua relação com as pessoas.


O jeito como você trata a criança gaga é decisivo para que ela fale com mais fluência.


O jeito como você trata a criança gaga é decisivo para que ela fale com mais fluência, se relacione com os colegas e se sinta bem em classe. A primeira coisa a fazer é deixar a ansiedade de lado
A pergunta é simples: onde você guardou o seu caderno? O aluno começa, então, a bater o pé no chão, a mexer nos cabelos e a repetir uma mesma sílaba. Ele vai ficando cada vez mais nervoso ao tentar, sem sucesso, responder à sua questão. Você percebe o mal-estar e fica na dúvida: espero ou ajudo o menino a completar as palavras? Lidar com um estudante gago traz insegurança mesmo. Não é para menos. Algumas atitudes até agravam o problema — que se não for tratado afeta também a auto-estima, a socialização e a aprendizagem. Por isso, sua atuação positiva em sala pode contribuir para a melhora ou a cura no futuro.
As causas da gagueira, chamada por especialistas de disfluência da fala, são um verdadeiro mistério. Várias pesquisas sugerem que ela pode ser genética, decorrente de disfunções fisiológicas ou de origem psicológica. Mas nenhuma é conclusiva. "Não há provas de que uma emoção forte desencadeie a gagueira. Mas emoções provocadas por críticas ou humilhações pioram o quadro", diz a fonoaudióloga Leila Nagib, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A falta de fluência é muito comum na pré-escola. Nessa fase, os pequenos estão aprendendo a falar e é natural que cometam alguns errinhos ao pronunciar palavras e frases — o que não é considerado gagueira. "O ato de falar exige precisão, e a criança nessa idade está adquirindo a linguagem e conhecendo seus movimentos e o próprio corpo", afirma Leila. É normal que ela hesite, faça pausas longas e repita palavras, pois é o ensaio da fala. "Em crianças na pré-escola, é aceitável no máximo 10% da fala disfluente. A partir dos 8 anos, isso deve diminuir progressivamente", explica a especialista em gagueira Claudia Regina Furquim Andrade, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O problema só é preocupante quando o aluno repete sons e sílabas, demonstra esforço para falar, faz movimentos repetidos — como piscar os olhos, bater a mão ou o pé ou mexer nos cabelos — e não olha para a pessoa com quem conversa.

Respeito e incentivo: as melhores atitudes

Além da gagueira, o aluno também tem que lidar com a tensão e a ansiedade que surgem com as críticas. "Ao censurar a criança, o adulto mostra insatisfação com o modo de ela falar. O professor precisa pesquisar sobre como agir e encaminhar os casos a um especialista", afirma a fonoaudióloga Liliane Campos Stumm, professora da Universidade do Sagrado Coração, em Bauru (SP). Ela entrevistou 15 professores de 1ª a 4ª série de uma escola pública da cidade. No início, muitos confundiam gagueira com outros problemas da fala e, apesar da boa vontade, a atitude deles até aumentava a dificuldade. Com o tempo, os professores foram orientados e a maioria dos estudantes passou a fazer terapia. "Eles melhoraram muito não só na fluência mas também na socialização", conta Liliane.
A insegurança e o medo do ridículo geram tanta pressão que as conseqüências são terríveis: a gagueira se agrava, o aluno se isola e seu rendimento cai. Portanto, a atitude positiva dos adultos e dos colegas de classe é essencial. Todos devem ter paciência e evitar interromper o aluno ou chamar a atenção dele. Quando muito pequeno, ele se importa mais com o que quer falar do que como fazer isso. Como não percebe se está se expressando corretamente, não se sente rotulado nem deixa de conversar. Mas, se o adulto ressaltar os seus "erros", a criança começa a dar muita importância ao jeito de falar e fica com medo de abrir a boca outra vez. Isso pode transformar o que seria algo natural da idade em gagueira. "É possível que o problema não se agrave e acabe com o tempo, mas a baixa auto-estima, a dificuldade de se socializar e a insegurança ficam", alerta Leila. Enfrentar isso na infância pode tornar o jovem frustrado e inseguro no futuro. "Um adolescente já me disse que era melhor passar por burro do que por gago", conta Leila.
Fingir que o problema não existe também não resolve. Você é um modelo para a turma. Portanto, se agir espontaneamente com o aluno gago, respeitá-lo e incentivar os colegas a fazer o mesmo, vai ajudá-lo a se sentir aceito e à vontade. Para ensinar a turma a lidar com as diferenças, você pode elaborar atividades ligadas à linguagem em que todos digam o que pensam e sentem, sempre trabalhando o respeito às peculiaridades de cada um. Brincadeiras com rimas, músicas e instrumentos musicais também são úteis. Além disso, olhe sempre nos olhos do aluno. "Manter contato visual e até físico com a criança, como segurar a mão dela, mostra apoio, e não pena", sugere Leila.
Fonte: novaescola.abril.com.br

ORIENTAÇÕES A PAIS DE CRIANÇAS COM GAGUEIRA






A DISFLUÊNCIA (GAGUEIRA):

A gagueira é um distúrbio de Linguagem, na qual a pessoa apresenta alteração da fluência de sua fala, que passa a apresentar repetições e bloqueios, além de uma série de outras questões, como alteração da articulação, da respiração, da velocidade da fala, movimentos corporais e facias associados, entre outros.
É comum que tais características inibam a pessoa de falar, para tanto é necessária uma abordagem interdisciplinar a fim de se obter melhores resultados durante a terapia.

A CRIANÇA GAGUEJA QUANDO QUER?

Não. É importante que o pai/ responsável tenha consciência de que a criança está apresentando uma dificuldade com relação ao uso de sua linguagem, portanto deve ser apoiada, e não cobrada a falar corretamente.

COMO POSSO AJUDAR MEU FILHO QUE GAGUEJA?

Existem algumas orientações que podem ajudar você e seu filho a estabelecerem uma boa relação comunicativa:
  • Não deixe a criança perceber que você está preocupado com sua maneira de falar. Isso acaba por criar resistências na criança, que pode passar a evitar fala.
  • Demonstre interesse, olhe para a criança enquanto ela fala. Ela pode ficar preocupada em querer falar algo e não conseguir, o que aumentará sua excitação e seu nervosismo, não contribuindo para a fluência da fala.
  • Não permita que a criança seja ridicularizada, e evite piadinhas, apelidos.
  • Evite interromper a fala da criança. Espere que ela termine o que está falando.
  • Dê sempre um bom modelo de linguagem, conversando bastante com seu filho, de maneira clara, bem articulada, com boa velocidade de fala.
  • Evite propor à criança que fale em algum momento que ela se encontra bastante excitada, eufórica. Atenção, cuidado para não ser superprotetor  e excluir seu filho de momentos que são importantes para seu desenvolvimento.
  • O ambiente de casa é barulhento, todos gritam? Lembre-se que o ambiente é fundamental no desenvolvimento da Linguagem de toda criança, portanto procure perceber como se dão as relações entre os familiares.
  • Não termine nenhuma frase por seu filho, grande parte das pessoas que tem disfluência, diz não gostar que façam isso por ela.
  • O diálogo é fundamental para o estabelecimento de um bom ambiente comunicativo. Além disso, favorece a dinâmica familiar. Converse sempre com seu filho, proponha atividades diferentes, novos conhecimentos. Alimente o hábito da leitura, evite televisão ao excesso.
  • Procure não deixar a criança nervosa, explique com antecedência fatos que poderão deixá-la ansiosa.
  • Lembre-se de que o que mais importa é o que a criança fala, e não como ela fala. Isso é fundamental para que seu filho dê um grande passo em direção à fluência.
QUANDO PROCURAR AJUDA?

Crianças, durante o desenvolvimento da linguagem (entre dois e três anos e meio), podem passar por um processo de disfluência (gagueira). Persistindo a disfluência por mais de seis meses, o fonoaudiólogo é o profissional adequado para orientar corretamente, de acordo com a necessidade específica de cada criança.

FONOAUDIOLOGIA

A fala é um privilégio concedido pela natureza somente à espécie humana. Algumas aves até podem repetir a fala humana, mas utilizá-la para expressar sentimentos apenas o homem o faz.
Usamos a fala para expressar nossos interesses, gostos, sentimentos e conhecimentos. Por ser algo comum no nosso dia-a-dia, esse processo nos parece muito além de um ambiente familiar e social favorável, muitas estruturas do corpo humano precisam funcionar com perfeição.
Desde que nascemos ações como sugar, morder, mastigar, engolir, rir, chorar preparam os músculos de nossa face para a fala. Além desses músculos, para falar precisamos também que o cérebro tenha registrado os sons e nomes das palavras ouvidas, que organize o pensamento, relacione idéias e que deseje se comunicar.
Uma fala clara e correta é primordial para transmitirmos nossos pensamentos com exatidão e confiança a quem ouve. Alterações no modo de falar ou na forma de organizar os pensamentos a serem transmitidos podem levar à incompreensão da mensagem falada. Por outro lado, a fala pode até ser transmitida com exatidão, mas se a audição não estiver funcionando bem, a mensagem ouvida também poderá não ser compreendida em sua totalidade.
Desta forma é importante saber que a FONOAUDIOLOGIA é a profissão de saúde que atua com os aspectos relacionados à comunicação humana, no que se refere ao seu desenvolvimento, aperfeiçoamento, distúrbios e diferenças, em relação à audição, ao equilíbrio (função vestibular), à função cognitiva, à linguagem oral e escrita, à fala, à fluência, à voz, às funções orofaciais e à deglutição.

Fala Rápida.



Outras Disfluências > 
Fala Rápida
Fala rápida ou falar rápido são expressões populares para os distúrbios taquilalia e taquifemia. Esses distúrbios podem se confundir com a gagueira na medida em que o aumento da taxa de elocução (velocidade de fala) geralmente aumenta o número de hesitações/disfluências na fala, ocasionando a falsa impressão de gagueira.A taquilalia e a taquifemia também estão codificadas na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) com os caracteres F98.6. Desta forma, são cientificamente consideradas distúrbios ou transtornos de fluência.

Taquilalia

A taquilalia é caracterizada por uma taxa de articulação (velocidade de fala) elevada, suficientemente intensa para prejudicar a inteligibilidade da mensagem. Não ocorre aumento significativo no número de hesitações/disfluências comuns ou gaguejadas. Também não estão presentes outras alterações de linguagem, como dificuldades sintáticas ou dificuldades com macroestruturas textuais (discurso confuso).

Taquifemia

Assim como a taquilalia, a taquifemia é caracterizada por uma taxa de articulação (velocidade de fala) elevada, suficientemente intensa para prejudicar a inteligibilidade da mensagem. Entretanto, dois outros sintomas também são obrigatórios para o diagnóstico de taquifemia: aumento significativo no número de hesitações/disfluências comuns e pouca consciência do distúrbio de fluência. Apesar de não serem sintomas obrigatórios, costumam estar presentes na taquifemia:
- História familial para distúrbio de fluência ou de linguagem
- Distúrbio fonológico (troca de letras na fala e/ou na escrita)
- Dificuldades de acesso lexical (dificuldade para encontrar as palavras)
- Dificuldades sintáticas
- Dificuldades com macroestruturas textuais (discurso confuso)
- Dificuldades de leitura e escrita
- Retardo no desenvolvimento de linguagem
- Retardo no desenvolvimento motor
- Desatenção, hiperatividade e/ou impulsividade.

Referências bibliográficas:
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. (2003). Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. Volume 1. 10ª revisão. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo.
ST. LOUIS, Kenneth O. & MYERS, Florence L. (1997). Management of cluttering and related fluency disorders. In: Curlee, Richard F. & Siegel, Gerald M. (eds). Nature and Treatment of Stuttering: New Directions. 2nd ed. Boston: Allyn and Bacon. p. 313-332.


FONTE DE PESQUISA: http://www.gagueira.org.br/conteudo.asp?id_conteudo=102

Um recurso tecnológico no tratamento da gagueira.


Tratamentos > SpeechEasy - um recurso tecnológico no tratamento da gagueira
Autora: Sandra Merlo (fonoaudióloga)
Revisores: Ignês Maia Ribeiro (fonoaudióloga) e Grupo Microsom
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O Instituto Brasileiro de Fluência costuma receber diversos emails com dúvidas sobre o aparelho SpeechEasy. Esperamos que as respostas abaixo possam esclarecer o público.

  1. O que é o SpeechEasy?
    Visualmente ele é semelhante a um aparelho auditivo, pois é utilizado na orelha, mas não é destinado a pessoas com perda de audição e, sim, a pessoas com gagueira.
  2. Como funciona o SpeechEasy?
    Muitas pessoas que gaguejam referem que são fluentes quando falam ou leem simultaneamente com outras pessoas. O SpeechEasy procura simular exatamente esta situação. Com o aparelho, a pessoa vai ouvir sua própria voz com outro tom (mais fino ou mais grosso) e com um leve atraso. Isso faz com que o cérebro pense que a pessoa está falando em uníssono com outra.
  3. Por que a gagueira melhora com a fala simultânea (em uníssono)?
    O cérebro tem duas maneiras de controlar a fala: com um circuito de fala automática e com outro circuito de fala não-automática. A gagueira é um problema com o circuito de fala automática, quando a expressão verbal ocorre de forma espontânea. A fluência da fala ou da leitura simultânea deriva da ativação do circuito de fala não-automática do cérebro. O efeito do SpeechEasy é creditado à ativação deste sistema de fala não-automática do cérebro.
  4. A gagueira melhora com o uso do SpeechEasy porque a pessoa se sente mais segura para falar?
    A gagueira não é causada por fatores emocionais, embora as emoções possam contribuir para piorar ou melhorar o problema de fala. A gagueira é causada por herança genética ou lesão cerebral. Essas predisposições alteram a maneira como o cérebro processa a fala espontânea. O SpeechEasy faz com que o processamento cerebral da fala não seja mais tão espontâneo e, sim, mais consciente e menos automatizado (porque o usuário precisa prestar atenção à voz gerada pelo aparelho). A segurança para falar é consequência da melhora da fluência com o uso do aparelho e não o contrário.
  5. É só colocar o SpeechEasy e sair falando?
    Não, é necessário que o usuário preste atenção na voz com frequência e tempo alterados. É o prestar atenção que vai ativar o sistema de fala não-automática do cérebro e que propiciará a melhora da fluência.
  6. É necessário usar o SpeechEasy nas duas orelhas?
    Não, o aparelho é utilizado em apenas uma das orelhas.
  7. O SpeechEasy é igual àqueles aparelhos auditivos grandes?
    Existem três modelos de SpeechEasy. O modelo retroauricular é como aquele aparelho auditivo grande, que fica atrás da orelha. Este é o modelo mais visível, mas é muito confortável. O modelo canal é bem menor, mas pode ser visto caso se preste atenção. O modelo microcanal é muito pequeno e praticamente não pode ser visto. No Brasil, é comercializado apenas o modelo microcanal. Veja como ficam os modelos na orelha.
  8. A melhora da gagueira ocorre apenas quando o SpeechEasy é utilizado ou depois de retirado também?
    O SpeechEasy é como óculos: seus benefícios ocorrem enquanto é utilizado. Entretanto, algumas pessoas referem melhora na fala por algumas horas depois que retiraram o aparelho, mas isso não ocorre com todos.
  9. O SpeechEasy cura a gagueira?
    Não, o SpeechEasy é uma opção de tratamento que auxilia na redução da gagueira e que promove o bem-estar e a melhor qualidade de vida ao usuário.
  10. O SpeechEasy funciona para todas as pessoas que gaguejam?
    Não, o SpeechEasy funciona para boa parte das pessoas com gagueira, mas não para todas. Um estudo científico sugeriu que o SpeechEasy funciona para pessoas que apresentam assimetria do plano temporal esquerdo em relação ao direito, ou seja, quando uma determinada região do lobo temporal esquerdo do cérebro é maior do que sua homóloga no lado direito. Na prática, não se faz exame de neuroimagem para medir o plano temporal esquerdo e direito. O que se faz é o teste do aparelho. Se ocorrer melhora significativa da gagueira, considera-se que o aparelho é efetivo.
  11. Qualquer pessoa com gagueira pode usar o SpeechEasy?
    Não, o SpeechEasy é recomendado para pessoas acima de 10 anos e sem perda auditiva na orelha em que o aparelho será utilizado.
  12. É possível testar o SpeechEasy no dia-a-dia antes de comprá-lo?
    Sim, é possível testar o aparelho durante a consulta que é feita para adquirir o aparelho. Além disso, é garantida, por contrato, a devolução do aparelho em até 60 dias após a compra do mesmo, com reembolso de 80% do valor total do aparelho, caso o paciente não tenha a adaptação esperada. Na prática, funciona como um empréstimo do SpeechEasy por até 60 dias, para testá-lo amplamente no dia-a-dia, onde é cobrado aluguel do aparelho pelo tempo de uso.
  13. Vale a pena comprar o SpeechEasy?
    Se a gagueira interfere significativamente na qualidade de vida e se a melhora obtida com o aparelho for significativa, pode valer muito a pena, sim. Se a gagueira não interferir negativamente na vida da pessoa ou se a melhora obtida com o aparelho for pequena, talvez não valha. Esta é uma decisão individual.
  14. Como eu faço para comprar um SpeechEasy?
    Procure um fonoaudiólogo especializado em gagueira que faça o teste e a adaptação do aparelho. No site da empresa Microsom, é possível encontrar os profissionais cadastrados.
  15. Quanto custa o SpeechEasy?
    Atualmente, o valor do aparelho é de R$ 9.900,00. Este valor pode ser parcelado em 10 vezes diretamente com a Microsom ou em 24 vezes através de financiamento bancário.
  16. Por que o SpeechEasy é tão caro?
    Existem diversos fatores que contribuem para o alto preço do aparelho. Primeiro, a tecnologia, porque ele utiliza um microchip. Segundo, os impostos referentes à importação do aparelho, que é fabricado nos Estados Unidos.
  17. O SUS distribui o SpeechEasy?
    Ainda não, mas a empresa Microsom está em contato com o Ministério da Saúde para que o aparelho seja disponibilizado pelo SUS.
  18. O SpeechEasy é aprovado pelo órgão responsável no Ministério da Saúde?
    Sim, ele é devidamente registrado pela ANVISA.


 Vídeo institucional da Microsom que apresenta dois adultos com gagueira usando o SpeechEasy.


FONTE DE PESQUISA: http://www.gagueira.org.br/conteudo.asp?id_conteudo=157

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O bullying: uma nova forma de preconceito



Silvio Profirio
Chegamos ao novo milênio e, com ele, à intensificação das diversas formas de preconceito. Esse problema não é

algo recente. Contudo, tem se intensificado nos últimos anos e se refletido continuamente nos mais diversos

âmbitos sociais. Tal situação fez com que ele adquirisse outras denominações, como bullying. Mas,

independentemente de sua denominação, esse mal leva as pessoas a julgarem outras com base em diversos fatores,

tais como: sociais, econômicos, linguísticos, etários, de orientação sexual, de aparência física, de cor, etc.

Essa nova denominação, bullying, tem sido objeto de inúmeras discussões, ganhando espaço em diversos meios de

comunicação. Ele pode ser definido como ato de violência por meio de palavras, gestos e ações. Dito de outra

forma, ele pode ser conceituado como ato de agressão, intencional e repetido, por intermédio da violência física

ou simbólica (psicológica). Tais atos podem ser cometidos por uma pessoa ou por um grupo. Em geral, eles têm como

objetivo se sobrepor a alguém ou a um grupo concebido como inferior.
E, ainda que não tenham fundamentação alguma, os agressores atacam suas vítimas de forma impiedosa para

evidenciar sua preponderância e superioridade.

Esse mal ocorre de inúmeras formas. A primeira delas é a indireta, em que o bullyng, na maior parte dos casos,

por meio de atos velados e discretos, como olhares, imagens e ilustrações depreciativas, comentários maldosos e

negativos, etc. Em alguns casos, tais comentários podem até abranger a família da vítima, o que se conceitua como

agressão social, que, muitas vezes, ocasiona o isolamento da vítima.

Entretanto, na maior parte dos casos, a violência acontece de forma direta e agressiva. Nesse caso, ela ocorre

através de agressões físicas, gestos ameaçadores, chantagem, recusa social, diversos tipos de crítica (à

aparência, às vestimentas, à orientação sexual, à etnia, à regionalidade), submissão da vítima a situações

constrangedoras e problemáticas diante de outras pessoas, etc.

Além dessas duas formas, existe uma terceira, que se dá com base nas Tecnologias da Informação e Comunicação, as

famosas TICs. É o bullying virtual, mais conhecido como cyberbullying. Nesse caso, as vítimas são expostas em

sites de bate-papo e de relacionamento por intermédio de comentários depreciativos, falsos perfis da vítima e,

sobretudo, publicação de fotos (muitas delas montagens). Diante desse cenário, percebe-se que sua disseminação é

tão intensa que não ocorre apenas presencialmente, mas também virtualmente.

De todas as formas ele ataca suas vítimas e, acima de tudo, as diferenças, que são percebidas como

inferioridades. Assim, todos os atos de violência, cada qual à sua maneira, ocorrem em função da intimidação e da

humilhação. Com isso, eles atingem a autoestima de seus alvos e, especialmente, restringem acessos, privando o

cidadão de seus direitos.

Todos sabem que, nas últimas décadas, a ciência progrediu bastante, o que ocasionou grandes descobertas

científicas e avanços tecnológicos. Tal situação propiciou o surgimento de diversas concepções positivas acerca

da evolução da espécie humana. Contudo, a evolução do ser humano não se restringe à multiplicação de recursos e

artefatos tecnológicos,
mas, sobretudo, engloba os aspectos imateriais das pessoas. Nesse sentido, é primordial que elas evoluam em

termos de condição humana.

Silvio Profirio é aluno do curso de Letras da UFRPE. Email: silvio_profirio@yahoo.com.br. 

Como ajudar seus alunos a superarem as dificuldades?



Para ajudar seu aluno a superar alguma dificuldade de aprendizagem e aproveitar ao máximo seus pontos fortes, você precisa conhecê-lo em habilidades e limitações, e falar abertamente com ele sobre os problemas observados. Você deve procurar estratégias que venham ajudá-lo da melhor forma possível. Segue aqui algumas providências indispensáveis:

Note seus esforços e elogie-os.
Demonstre seu orgulho quando ele é bem-sucedido, por menor que seja o empreendimento. Ajude-o a valorizar a persistência e a obter uma sensação de domínio sobre seu ambiente, instituindo metas objetivas que ele seja capaz de alcançar.

Nunca demonstre desapontamento pelas limitações de seu aluno. 
Não espere mais do que ele possa dar. Não interfira quando ele estiver tentando fazer algo por si mesmo, senão ele poderá sentir que não é competente para fazê-lo.

Ajude-o a desenvolver habilidades de linguagem. 
Habilidades verbais são uma freqüente fonte de problemas para uma criança que tem dificuldade de aprendizagem. Para melhorar sua linguagem, fale freqüentemente com ele, encoraje-o a falar, responda diretamente ao que ele estiver dizendo e aumente seu vocabulário com palavras que descrevam suas atividades. Enquanto estiver trabalhando para melhorar a comunicação de seu aluno, aceite pantomimas e expressões gestuais como uma forma válida de linguagem. Quando estiver dando instruções a seu aluno, fale claramente, seja preciso e repita-as quantas vezes forem necessárias. Você pode também fazê-lo repetir instruções importantes, para certificar-se de que ele entendeu o que você está dizendo e pode memorizá-las.

Discipline-o apropriadamente. 
Disciplina é um problema especial no caso de algumas crianças com necessidades especiais de aprender, porque os professores têm de distinguir entre um comportamento deliberadamente desobediente e o comportamento que a criança não consegue mudar. Nunca puna seu aluno por coisas que estão fora de seu controle. Do mesmo modo, não permita que ele tire vantagem de você. Uma disciplina regular e apropriada é importante para todas as crianças.

Use as habilidades que seu aluno desenvolveu numa área para melhorar suas habilidades em outras. 
Caso ele goste mais de passear entre as árvores do que de estudar, combine um passeio ao ar livre que possibilite uma lição sobre plantas e animais. Aumente suas habilidade de leitura selecionando livros sobre assuntos que interessam a ele.

Eleve sua auto-estima. 
Estimular a auto-estima de uma criança enfatizando seus pontos fortes é crucial. Imagine que seu aluno está tendo problemas em ciências, por exemplo, ajude-o, mas não o force implacavelmente a aprender a matéria.

Estabeleça rotinas. 
Pelo fato de terem razões para não confiar em seus próprios julgamentos, as crianças com dificuldade de aprendizagem, sentem-se mais à vontade em situações estáveis e previsíveis, podendo tornarem-se extremamente perturbadas quando as rotinas são quebradas. Sempre que possível, mantenha as rotinas habituais e assegure-se de que seu aluno saiba o que se espera dele. Tendo dificuldade de aprender ou não, a criança que consegue encarar contrariedades sem dificuldades, ao invés de vê-las como reflexo de seu valor como indivíduo, está preparada para enfrentar as frustrações, os desafios e as oportunidades da vida. Ajudando a criança a aceitar e compensar suas dificuldades de aprendizagem, o professor pode desempenhar um papel muito importante ao longo do processo de construção do conhecimento.

AVALIAR... - O quê? Quem? Como? Quando?


Medir, quantificar, dar notas... Como se pensa hoje a avaliação do processo de ensino e aprendizagem? O professor pernambucano Janssen Felipe da Silva fala desse assunto na entrevista às professoras Lêda Cavalcanti e Vera Lúcia Lopes.

"Avaliar não é apenas constatar, mas sobretudo analisar, interpretar, tomar decisões e reorganizar o ensino."

Professoras - Como vem sendo vivida a avaliação do processo educativo?
Janssen Ferreira - Hoje predominam formas de avaliação que podem ser consideradas como um instrumento de exclusão. Há uma cultura de mensuração que classifica e exclui o aluno, seleciona os melhores. O professor começa a excluir já no modo de organizar seu trabalho — ele se baseia em um tipo de ensino para o qual acredita que há um tipo de aprendizagem, e o aluno que não consegue se aproximar desse modelo é classificado e excluído do processo. Enfim, é uma visão classificatória, punitiva e coercitiva, sendo um instrumento de controle da conduta comportamental e cognitiva do aluno. É preciso criar uma cultura que de fato avalie.

P - Na prática, de que modo criar essa nova cultura?
JF - O professor que só apresenta um tipo de aula e quer adequar todos os alunos pode ser comparado com um alfaiate que faz só um tipo de roupa para todo mundo vestir. O professor deve compreender, primeiro, que a prática avalista não está dissociada do contexto do trabalho pedagógico. Não adianta querer mudar o sistema avaliativo sem mudar também o trabalho pedagógico e as condições de trabalho do próprio professor. As pesquisas no campo de educação mostram que todos aprendem, mas de forma e em ritmo diferentes. Cabe a cada educador descobrir a forma e o ritmo de aprender de cada aluno, para reconstruir sua prática pedagógica.

P - Qual o caminho para mudar o processo avaliativo?
JF - Tudo deve começar pela Escola, que precisa estabelecer objetivos e critérios em seu planejamento e em seu projeto político-pedagógico. É indispensável ter clareza a respeito do que se pretende avaliar, para poder realizar o que se pretende, e saber qual metodologia adotar e quais recursos utilizar. Cada contexto tem suas especificidades. E, ao se construir esse instrumento de avaliação, ele tem de ser coerente com a prática pedagógica do professor e com o que foi ensinado. Não se pode ensinar de uma forma e avaliar de outra, é preciso haver coerência. E é aí que ocorre a grande mudança: os instrumentos de avaliação são aplicados no momento em que se ensina. O professor cria situações de aprendizagem e, ao mesmo tempo, produz situações de avaliação. Segundo Paulo Freire, ensinamos se a aprendizagem tiver acontecido; se não aconteceu aprendizagem, não ocorreu o ensino.

P - Como criar espaços de ensino e aprendizagem?
JF - Para cada tipo de conteúdo — conceitual, factual, procedimental e atitudinal —, há formas específicas de ensinar e, conseqüentemente, de avaliar. Os instrumentos de avaliação atendem à multiplicidade dos conteúdos e à multidimensionalidade do sujeito a avaliar. O aluno deve ser avaliado não só nos aspectos cognitivos, mas em sua plenitude, o que hoje se costuma chamar integralidade do sujeito. Mas é indispensável que haja uma coerência interna nesses instrumentos, que todos se pautem pelos critérios dos objetivos, que foram definidos e comunicados a alunos e alunas. Essa decisão não mais será tomada para punir ou selecionar, mas sim para avaliar se o ensino está dialogando com as aprendizagens.

P - É possível avaliar conjuntamente o ensino e a aprendizagem?
JF - Ao se avaliar a aprendizagem, também está se avaliando o ensino, pois há o questionamento da forma ensinada e a sua adequação às várias aprendizagens encontradas em sala de aula, levando à avaliação da prática pedagógica. É o momento para o professor repensar sua prática e rever sua organização pedagógica, contextualizando-a. Quanto mais ele conhecer as formas pelas quais os alunos aprendem, melhor será sua intervenção pedagógica. Ou seja, avaliação é a mediação entre o ensino do professor e as aprendizagens do aluno, é o fio da comunicação entre formas de ensinar e formas de aprender. É preciso considerar que os alunos aprendem de formas diferentes porque têm histórias de vida diferentes, são sujeitos históricos, e isso condiciona sua relação com o mundo e influencia sua forma de aprender. Avaliar, então, é também buscar informações sobre o aluno (sua vida, sua comunidade, sua família, seus sonhos...), é conhecer o sujeito e seu jeito de aprender.

P - Avaliações diagnóstica, reguladora, somativa...
O que significa isso?
JF - O professor não pode planejar pensando em um aluno ideal, mas sim no contexto real de sua sala de aula. Para conhecer o aluno real, se faz necessária uma avaliação diagnóstica, ou prognóstica, que dirá quem são esses indivíduos, qual é sua perspectiva histórica e cognitiva. No momento seguinte, o professor quer ver como o que ensinou contribuiu para modificar o aluno, não para dar nota, mas para verificar se atingiu os objetivos pretendidos — esta é a avaliação reguladora. Quer dizer, se o aluno não aprendeu os conceitos, os procedimentos e as atitudes que constam no meu planejamento, então eu volto para regular meu trabalho, para pensar como vou atendê-lo. Minha preocupação é conscientizá-lo do que ele aprendeu e da maneira pela qual está aprendendo, para que ele se auto-avalie e se auto-regule.

A avaliação somativa expressa minha atuação em um tempo pedagógico determinado, para que eu possa repensar minha prática e dar um parecer sobre o aluno; em outras palavras, a avaliação somativa avalia a qualidade da totalidade do objetivo avaliado em um período pedagógico previsto. As avaliações diagnóstica, reguladora e somativa compõem uma perspectiva de avaliação formadora, que busca acompanhar o processo de ensino.

P - E quanto à auto-avaliação do professor?
JF - Há reflexões fundamentais: “O que vou avaliar?” “O que é fundamental no que ensino?” “O que é relevante cognitiva e socialmente no que estou ensinando?” Alguns objetivos prévios certamente não serão atingidos, pois, durante o processo de ensino, vão emergindo novas questões. Se o professor não estiver atento às dificuldades apresentadas pelos alunos, para ajustar seu trabalho, não atingirá as metas iniciais. Os objetivos precisam ser flexibilizados durante o processo de ensino.



"Cabe ao educador descobrir a forma de aprender de cada aluno e reconstruir sua própria prática pedagógica."
Janssen Felipe da Silva




P - Que instrumento o professor pode utilizar?
JF - Um exemplo: para trabalhar a construção de um texto, preciso ter ensinado o que é texto e, quando pedir para o aluno construir um texto, devo ter um instrumento para me orientar na análise do que ele escreveu. O instrumento pode ser uma ficha de checagem, individual ou coletiva. De modo geral, anotarei em uma coluna o que acho fundamental ser avaliado e, nas outras, os focos a serem avaliados: coerência, coesão, concordância nominal, verbal, etc., com um espaço para registrar se a produção do texto atingiu ou não o que foi pedido e qual a decisão a tomar em relação aos problemas que aparecerem. Avaliar não é apenas constatar, mas, sobretudo, analisar, interpretar, tomar decisões e reorganizar o ensino.

P - Como dar atendimento individual, trabalhando com classes numerosas?
JF - O professor pode agrupar os alunos por nível de desenvolvimento cognitivo ou por zona de desenvolvimento proximal. E depois propor desafios pedagógicos aos grupos, de acordo com seus níveis de aprendizagem. Segundo Piaget, o desafio tem de ser superável, pertinente ao nível de aprendizagem de quem está aprendendo.

Exemplificando com uma brincadeira, dizemos que existem três tipos de aluno: o primeiro, que aperreia o professor; o segundo, que aperreia o professor; e o terceiro, que fica tentando fazer a tarefa. O primeiro termina a atividade em dois minutos, pois esta não era desafio para ele. O segundo olha a tarefa e não entende nada, não consegue nem interpretar o desafio. O terceiro é aquele que encontra um desafio e tenta superá-lo. O que faltou aos dois primeiros? Atividades pertinentes ao seu nível de aprendizagem. É preciso que o professor atualize sua prática, a partir dos instrumentos avaliativos; ele tem de criar situações por meio das quais o aluno descubra alguma coisa. Só existe situação de aprendizagem quando o aluno é desafiado a descobrir, a utilizar o que sabe para construir o que ainda não sabe.

P - Esse desafio não é muito difícil para os professores?
JF - A formação continuada ajuda o professor a repensar sua prática. Ele precisa questionar o que é aprendizagem, o que é ensino e a função social do que está sendo ensinado. Esses três elementos são fundamentais para o professor repensar sua prática, questionar a concepção de ensino e aprendizagem e dos conteúdos que serão trabalhados. Ele não vai subtrair conteúdo nem deixar de ensinar, imaginando que o aluno não vá entender. Precisará se aproximar do processo de aprendizagem dos alunos e deixar de lado o planejamento rígido, em busca de um planejamento flexível. Mas isso somente será possível com uma boa fundamentação teórica, pois educação não é improviso — é intencional, é planejada.

P - Como é um planejamento flexível?
JF - É importante que a escola seja um espaço de aprendizagem não só para o aluno, mas fundamentalmente para o professor. Também é imprescindível que os professores, em equipe, possam socializar suas formas de planejar e de avaliar e que questionem suas posturas pedagógicas. O professor precisa ter oportunidade de continuar sempre a aprender. Na formação continuada, ele adquire conceitos novos e passa a questionar os que já tem. E, com tudo isso, descobre novos caminhos para o planejamento. Mas também são importantes sua sensibilidade pedagógica e os conhecimentos que acumulou em sua experiência. A sala de aula é como um laboratório da prática pedagógica e da aprendizagem, um ambiente de investigação e um lugar de pesquisa didática, de produção de saberes e desenvolvimento de competências.

P - Os alunos e a família podem entender esse novo conceito?
JF - Os pais pedem notas porque estão acostumados com a avaliação classificatória. Cabe à escola ajudá-los a entender o processo de avaliação, definindo seu projeto político-pedagógico. Um projeto político-pedagógico construído coletivamente, com significado, serve de referência para o planejamento dos professores. E esse projeto deve ser muito bem explicado aos pais, de preferência nos primeiros dias de aula. Naturalmente, a mudança não acontecerá do dia para a noite. Mas a insistência em promover reuniões nas quais os professores expliquem aos pais como ensinam, por que ensinam daquela forma e, conseqüentemente, por que avaliam de maneira diferente sustentará o diálogo entre escola e família. Que esse diálogo nunca seja para dizer que o aluno é ruim, mas para informar como ele está aprendendo.

P - Como conduzir o diálogo com os pais e com os alunos?
JF - Há muitas maneiras, mas veja, por exemplo, o relato de uma professora de primeira série. Ao final de uma etapa de ensino, depois da aplicação de vários instrumentos avaliativos, ela enviou cartas aos pais de cada aluno, informando o que a criança aprendera, o que não conseguira aprender e o que ela pretendia fazer. A carta não substituiu o boletim, mas, ao acompanhá-lo, deu significado a ele. É importante frisar que a nota diz pouco sobre a aprendizagem, apenas classifica o aluno numa escala de valor, numa hierarquia. A carta dessa professora foi um parecer diagnóstico, favorecendo a conscientização dos pais para o processo de mudança.

P - Como corrigir os erros dos alunos?
JF - Quando o aluno erra dentro de uma lógica, ele erra tentando superar um desafio. O professor precisa estar atento para compreender como o estudante está construindo seu conhecimento, suas hipóteses, suas competências. Quando o educador faz do erro fonte de castigo, o aluno deixa de criar hipóteses, de se arriscar, com medo de ser punido — isso favorece a formação de pessoas omissas, não críticas, não criativas. Estimular o aluno a continuar tentando e superar suas dificuldades favorece seu crescimento como aprendiz e como pessoa, fazendo com que ele se sinta mais seguro e confiante; desenvolve sua capacidade crítica, estimulando-o a ser autônomo.

P - De que outra maneira a avaliação pode ajudar no processo de aprendizagem?
JF - Criando situações para que os alunos questionem, ao procurar agrupá-los por zonas de desenvolvimento proximal e apresentar desafios que sejam pertinentes. Também podemos agrupar alunos que já dominaram determinado conhecimento com aqueles que ainda não dominaram, os que sabem ajudarão os outros a questionar, os próprios colegas criarão desafios. A avaliação é o mapeamento da aprendizagem do aluno e do ensino, e, nesse momento, o professor pode fazer uma reflexão consistente da prática pedagógica e reconstruí-la, criando desafios que conduzam o aluno a superar seus estágios cognitivos.

P - Como a escola deve refletir sobre a reprovação?
JF - Ainda hoje, colocamos a responsabilidade total nas costas do aluno. Quando a escola se centra no ensino uniforme, acreditando que existe um aluno ideal e uma única forma de aprender, quem não se aproxima dessa uniformidade é punido, fica com o estigma de fracassado e, conseqüentemente, é excluído da escola e da sociedade. Ao excluir o aluno em situação de aprendizagem, estamos promovendo sua exclusão de uma vida digna, da possibilidade de se construir como cidadão. Precisamos criar uma nova cultura educativa, que construa um nova cultura avaliativa e um novo sentido para o sistema de ensino.



Janssen Felipe da Silva lecionou Avaliações Educacionais da Aprendizagem na Universidade Federal de Pernambuco e na pós-graduação da Faculdade de Ciências Humanas de Olinda (Facho). É professor do curso de magistério do Instituto Profissional Maria Auxiliadora e também do Ensino Fundamental da rede municipal do Recife. Atua como consultor do MEC, na rede de formadores do Programa Parâmetros em Ação, e coordenou a série de vídeos Avaliação e Aprendizagem, da TV Escola. Mestre e doutorando do Núcleo de Pesquisa de Formação de Professores e Prática Pedagógica - UFPE - CE (Centro de Educação).

AS ENTREVISTADORAS
Lêda Cavalcanti é licenciada em Biologia e Vera Lúcia Lopes, em Letras. Além do magistério, ambas têm atuado como consultoras na Secretaria de Educação de Pernambuco e em pesquisas do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC) e do Fundescola.

TV Escola – nº 29 – outubro/novembro 2002 – O Canal da Educação – págs. 40 a 43.