O aluno superdotado pode se encaixar em qualquer perfil, desde o mais bagunceiro até o mais tímido.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que pelo menos 5% da população tem algum tipo de alta habilidade. No Brasil, até o ano passado, haviam sido identificados 2,5 mil jovens e crianças assim. Para dar um atendimento mais qualificado a esse público, o Ministério da Educação (MEC) criou em 2005 Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação em todos os estados. Apesar de ainda pouco estruturados, esses órgãos que têm o papel de auxiliar as escolas quando elas reconhecem alunos com esse perfil em suas salas de aula.
Crianças superdotadas também precisam de atendimento especializado em sala de aula. Aprenda a identificá-las e como agir com elas
Trabalhar com alunos com altas habilidades requer, antes de tudo, derrubar dois mitos. Primeiro: esses estudantes, também chamados de superdotados, não são gênios com capacidades raras em tudo - só apresentam mais facilidade do que a maioria em determinadas áreas. Segundo: o fato de eles terem raciocínio rápido não diminui o trabalho do professor. Ao contrário, eles precisam de mais estímulo para manter o interesse pela escola e desenvolver seu talento - se não, podem até se evadir.
No Distrito Federal, tal serviço existe desde 1976 - razão pela qual a identificação de jovens com altas habilidades, embora ainda pequena, seja a maior do país. "Aprendi na prática que a superdotação é democrática e pode ocorrer em qualquer aluno, em qualquer local ou classe social e até naquele com alguma limitação física ou psíquica", afirma a atual coordenadora do projeto no Distrito Federal, Olzeni Leite Costa Ribeiro.
Assim como os estudantes diagnosticados com algum tipo de deficiência, os que têm altas habilidades precisam de uma flexibilização da aula para que suas necessidades particulares sejam atendidas, o que os coloca como parte do grupo que tem de ser incluído na rede regular de ensino. "O que devemos oferecer a eles são desafios", resume a presidente do Conselho Brasileiro de Superdotação, Susana Graciela Pérez Barrera Pérez.
Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Como diagnosticar um superdotado? Mesmo nos casos em que não há a certeza de que o estudante tem altas habilidades, o estímulo do professor é bem-vindo. Foi o que pensou Sandra Nogueira quando percebeu o talento de Guilherme Oliveira de Souza, seu aluno da 7ª série da EE Odylo de Brito Ramos, em Teresina. Ela passava pelas fileiras quando notou um desenho muito bom no caderno. "Vi que ele tinha feito um em cada página. Era o conteúdo das aulas na frente e um desenho no verso."
Ela conversou com o garoto, tido como desinteressado pela maioria dos professores, e percebeu sua paixão por imagens. Nas semanas seguintes, apresentou materiais especiais, como pastel a óleo, bico de pena, nanquim e papel apropriado para desenho. "Ele aprendeu vários estilos", conta. Em História da Arte, Guilherme também se destaca. Quando Sandra pede um exemplo de pintura da fase que está sendo estudada, todos colam figuras recortadas - Guilherme reproduz. Em Ciências, ele ajudou a todos ao desenhar em uma parede uma grande flor decomposta, com todas as suas partes.
Recentemente, quando o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades do Piauí esteve na escola e pediu aos educadores que ficassem atentos à possibilidade de alguns alunos terem altas habilidades, a professora indicou o garoto (que havia chegado até a 7ª série sem ser descoberto). "Agora, os colegas comentam que ele tem estado mais presente também nas outras disciplinas", afirma ela.
Denise Fleith, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (Unb), tem pós-doutorado em altas habilidades no Reino Unido e é formadora de novos especialistas no Brasil. Ela também defende a criação de salas de recurso e acredita que o professor da classe regular pode contribuir com o enriquecimento do currículo. "Ele pode e deve apresentar ao aluno caminhos para o desenvolvimento de seu potencial, desde materiais para pesquisa até contatos de estudiosos dos assuntos." 2. Como identificar a superdotação? Reserve alguns minutos para listar os nomes dos alunos que logo vêm à sua mente quando você lê as descrições abaixo. Utilize essa lista (preparada pelo MEC) como uma "associação livre" e de forma rápida. É provável que você encontre mais do que um estudante em cada item. Quem exibir consistentemente vários dos comportamentos tem fortes chances de apresentar altas habilidades.
-Aprende fácil e rapidamente.
-É original, imaginativo, criativo, não convencional.
-Está sempre bem informado, inclusive em áreas não comuns.
-Pensa de forma incomum para resolver problemas.
-É persistente, independente, autodirecionado (faz coisa sem que seja mandado).
-Persuasivo, é capaz de influenciar os outros.
-Mostra senso comum e pode não tolerar tolices.
-Inquisitivo e cético, está sempre curioso sobre o como e o porquê das coisas.
-Adapta-se com bastante rapidez a novas situações e a novos ambientes.
-É esperto ao fazer coisas com materiais comuns.
-Tem muitas habilidades nas artes (música, dança, desenho etc.).
-Entende a importância da natureza (tempo, Lua, Sol, estrelas, solo etc.).
-Tem vocabulário excepcional, é verbalmente fluente.
-Aprende facilmente novas línguas.
-Trabalhador independente.
-Tem bom julgamento, é lógico.
-É flexível e aberto.
-Versátil, tem múltiplos interesses, alguns deles acima da idade cronológica.
-Mostra sacadas e percepções incomuns.
-Demonstra alto nível de sensibilidade e empatia com os outros.
-Apresenta excelente senso de humor.
-Resiste à rotina e à repetição.
-Expressa ideias e reações, frequentemente de forma argumentativa.
-É sensível à verdade e à honra. 3. Como trabalhar com superdotados? A professora Lucyana de Araújo Domingues de Andrade tem três superdotadas entre seus 35 alunos da Escola Classe 106 Norte, em Brasília. Beatriz foi identificada com altas habilidades em artes na 1ª série. Laura Helena teve a superdotação em conhecimentos gerais reconhecida quando estava na 2ª. E, este ano, Lucyana percebeu que Daniele tem interesse e capacidade acima da média em todas as disciplinas. Como o Distrito Federal conta com salas de recursos disponíveis na rede pública, as meninas têm acesso duas vezes por semana a atividades de estímulo no contraturno, o que não significa que deem mais sossego à professora.
"São ótimas alunas e, por isso mesmo, me dão mais trabalho do que os colegas", diz. Segundo ela, Beatriz chama a atenção quando faz atividades artísticas e as outras duas perguntam o tempo todo, lembram de detalhes de conteúdo antigo e são muito rápidas na execução de trabalhos. "Terminam em poucos minutos exercícios que entretêm a turma por duas horas", diz. Para mantê-las instigadas, Lucyana chega a dar quatro atividades a mais.
Em Matemática, por exemplo, ela usa folhetos de supermercado para trabalhar as quatro operações. Quando as meninas terminam, pede que aprofundem as questões, pensem como ficaria a conta se houvesse uma promoção ou quais produtos um cliente teria de deixar de comprar se tivesse menos dinheiro do que o valor final. Em Português, todos leram a fábula A Cigarra e a Formiga, de La Fontaine. Em seguida, escreveram os possíveis diálogos dos personagens - e as meninas com altas habilidades foram além. "Perguntei se hoje a cigarra poderia ganhar dinheiro cantando. E elas fizeram uma história a mais."
Lucyana também promove a integração ao pedir que as alunas auxiliem os que têm menor nível de conhecimento. "Às vezes, por explicar com a mesma linguagem infantil, elas conseguem bons resultados ou, pelo menos, percebem que cada um tem uma maneira de aprender", diz. Fora tudo isso, a sala dispõe de um varal de livros, para ser lidos nos intervalos ou quando alguém acaba a atividade antes que os outros. "A maioria pega os exemplares mais ilustrados para folhear. Elas não: leem livros que seriam para crianças mais velhas", conta. 4. Todos os superdotados são similares? Especialistas ressaltam que nem sempre esses alunos são os mais comportados e explicam que as altas habilidades são divididas em seis grandes blocos:
-Capacidade Intelectual Geral: crianças e jovens assim têm grande rapidez no pensamento, compreensão e memória elevadas, alta capacidade de desenvolver o pensamento abstrato, muita curiosidade intelectual e um excepcional poder de observação.
-Aptidão Acadêmica Específica: nesse caso, a diferença está em: concentração e motivação por uma ou mais disciplinas, capacidade de produção acadêmica, alta pontuação em testes e desempenho excepcional na escola.
-Pensamento Criativo: aqui se destacam originalidade de pensamento, imaginação, capacidade de resolver problemas ou perceber tópicos de forma diferente e inovadora.
-Capacidade de Liderança: alunos com sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, capacidade de resolver situações sociais complexas, poder de persuasão e de influência no grupo.
-Talento Especial para Artes: alto desempenho em artes plásticas, musicais, dramáticas, literárias ou cênicas, facilidade para expressar ideias visualmente, sensibilidade ao ritmo musical.
-Capacidade Psicomotora: a marca desses estudantes é o desempenho superior em esportes e atividades físicas, velocidade, agilidade de movimentos, força, resistência, controle e coordenação motora fina e grossa. 5. Onde buscar ajuda? O superdotado pode ter qualquer perfil, do mais bagunceiro ao braço direito da professora, passando pelo tímido. O que o torna diferente é a habilidade acima da média em uma área específica do conhecimento. Isso pode ter razões genéticas ou ter sido moldado pelo ambiente em que o aluno vive. Raramente, os superdotados têm múltiplas habilidades. Portanto, uma boa pista para encontrá-los é reparar no desempenho e no interesse muito maiores por um determinado assunto.
O professor deve desconfiar de estudantes com vocabulário avançado, perfeccionistas, contestadores, sensíveis a temas mais abordados por adultos e que não gostem de rotina. O Ministério da Educação montou um formulário com 24 frases que ajudam a identificar estudantes assim. Se você reconhece um de seus alunos como possível superdotado, procure o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação na Secretaria de Educação de seu estado.
Os núcleos têm a obrigação de indicar uma psicopedagoga para avaliar se a criança ou o jovem têm mesmo uma alta habilidade - e encaminhá-lo ao programa oficial de estímulo, com atividades extraclasse e orientações para o professor e a família. Instituições não governamentais também apoiam professores e familiares que procuram ajuda para desenvolver talentos. Alguns exemplos são o Instituto Rogério Sternberg (www.irs.org.br), no Rio de Janeiro, e o Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais da Universidade Federal do Paraná (www.prograd.ufpr.br/napne.html). 6. Mau comportamento pode ser um sinal?
Para ler, clique nos itens abaixo:
1. Como diagnosticar um superdotado? Mesmo nos casos em que não há a certeza de que o estudante tem altas habilidades, o estímulo do professor é bem-vindo. Foi o que pensou Sandra Nogueira quando percebeu o talento de Guilherme Oliveira de Souza, seu aluno da 7ª série da EE Odylo de Brito Ramos, em Teresina. Ela passava pelas fileiras quando notou um desenho muito bom no caderno. "Vi que ele tinha feito um em cada página. Era o conteúdo das aulas na frente e um desenho no verso."
Ela conversou com o garoto, tido como desinteressado pela maioria dos professores, e percebeu sua paixão por imagens. Nas semanas seguintes, apresentou materiais especiais, como pastel a óleo, bico de pena, nanquim e papel apropriado para desenho. "Ele aprendeu vários estilos", conta. Em História da Arte, Guilherme também se destaca. Quando Sandra pede um exemplo de pintura da fase que está sendo estudada, todos colam figuras recortadas - Guilherme reproduz. Em Ciências, ele ajudou a todos ao desenhar em uma parede uma grande flor decomposta, com todas as suas partes.
Recentemente, quando o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades do Piauí esteve na escola e pediu aos educadores que ficassem atentos à possibilidade de alguns alunos terem altas habilidades, a professora indicou o garoto (que havia chegado até a 7ª série sem ser descoberto). "Agora, os colegas comentam que ele tem estado mais presente também nas outras disciplinas", afirma ela.
Denise Fleith, professora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (Unb), tem pós-doutorado em altas habilidades no Reino Unido e é formadora de novos especialistas no Brasil. Ela também defende a criação de salas de recurso e acredita que o professor da classe regular pode contribuir com o enriquecimento do currículo. "Ele pode e deve apresentar ao aluno caminhos para o desenvolvimento de seu potencial, desde materiais para pesquisa até contatos de estudiosos dos assuntos."
2. Como identificar a superdotação? Reserve alguns minutos para listar os nomes dos alunos que logo vêm à sua mente quando você lê as descrições abaixo. Utilize essa lista (preparada pelo MEC) como uma "associação livre" e de forma rápida. É provável que você encontre mais do que um estudante em cada item. Quem exibir consistentemente vários dos comportamentos tem fortes chances de apresentar altas habilidades.
-Aprende fácil e rapidamente.
-É original, imaginativo, criativo, não convencional.
-Está sempre bem informado, inclusive em áreas não comuns.
-Pensa de forma incomum para resolver problemas.
-É persistente, independente, autodirecionado (faz coisa sem que seja mandado).
-Persuasivo, é capaz de influenciar os outros.
-Mostra senso comum e pode não tolerar tolices.
-Inquisitivo e cético, está sempre curioso sobre o como e o porquê das coisas.
-Adapta-se com bastante rapidez a novas situações e a novos ambientes.
-É esperto ao fazer coisas com materiais comuns.
-Tem muitas habilidades nas artes (música, dança, desenho etc.).
-Entende a importância da natureza (tempo, Lua, Sol, estrelas, solo etc.).
-Tem vocabulário excepcional, é verbalmente fluente.
-Aprende facilmente novas línguas.
-Trabalhador independente.
-Tem bom julgamento, é lógico.
-É flexível e aberto.
-Versátil, tem múltiplos interesses, alguns deles acima da idade cronológica.
-Mostra sacadas e percepções incomuns.
-Demonstra alto nível de sensibilidade e empatia com os outros.
-Apresenta excelente senso de humor.
-Resiste à rotina e à repetição.
-Expressa ideias e reações, frequentemente de forma argumentativa.
-É sensível à verdade e à honra. 3. Como trabalhar com superdotados? A professora Lucyana de Araújo Domingues de Andrade tem três superdotadas entre seus 35 alunos da Escola Classe 106 Norte, em Brasília. Beatriz foi identificada com altas habilidades em artes na 1ª série. Laura Helena teve a superdotação em conhecimentos gerais reconhecida quando estava na 2ª. E, este ano, Lucyana percebeu que Daniele tem interesse e capacidade acima da média em todas as disciplinas. Como o Distrito Federal conta com salas de recursos disponíveis na rede pública, as meninas têm acesso duas vezes por semana a atividades de estímulo no contraturno, o que não significa que deem mais sossego à professora.
"São ótimas alunas e, por isso mesmo, me dão mais trabalho do que os colegas", diz. Segundo ela, Beatriz chama a atenção quando faz atividades artísticas e as outras duas perguntam o tempo todo, lembram de detalhes de conteúdo antigo e são muito rápidas na execução de trabalhos. "Terminam em poucos minutos exercícios que entretêm a turma por duas horas", diz. Para mantê-las instigadas, Lucyana chega a dar quatro atividades a mais.
Em Matemática, por exemplo, ela usa folhetos de supermercado para trabalhar as quatro operações. Quando as meninas terminam, pede que aprofundem as questões, pensem como ficaria a conta se houvesse uma promoção ou quais produtos um cliente teria de deixar de comprar se tivesse menos dinheiro do que o valor final. Em Português, todos leram a fábula A Cigarra e a Formiga, de La Fontaine. Em seguida, escreveram os possíveis diálogos dos personagens - e as meninas com altas habilidades foram além. "Perguntei se hoje a cigarra poderia ganhar dinheiro cantando. E elas fizeram uma história a mais."
Lucyana também promove a integração ao pedir que as alunas auxiliem os que têm menor nível de conhecimento. "Às vezes, por explicar com a mesma linguagem infantil, elas conseguem bons resultados ou, pelo menos, percebem que cada um tem uma maneira de aprender", diz. Fora tudo isso, a sala dispõe de um varal de livros, para ser lidos nos intervalos ou quando alguém acaba a atividade antes que os outros. "A maioria pega os exemplares mais ilustrados para folhear. Elas não: leem livros que seriam para crianças mais velhas", conta. 4. Todos os superdotados são similares? Especialistas ressaltam que nem sempre esses alunos são os mais comportados e explicam que as altas habilidades são divididas em seis grandes blocos:
-Capacidade Intelectual Geral: crianças e jovens assim têm grande rapidez no pensamento, compreensão e memória elevadas, alta capacidade de desenvolver o pensamento abstrato, muita curiosidade intelectual e um excepcional poder de observação.
-Aptidão Acadêmica Específica: nesse caso, a diferença está em: concentração e motivação por uma ou mais disciplinas, capacidade de produção acadêmica, alta pontuação em testes e desempenho excepcional na escola.
-Pensamento Criativo: aqui se destacam originalidade de pensamento, imaginação, capacidade de resolver problemas ou perceber tópicos de forma diferente e inovadora.
-Capacidade de Liderança: alunos com sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, capacidade de resolver situações sociais complexas, poder de persuasão e de influência no grupo.
-Talento Especial para Artes: alto desempenho em artes plásticas, musicais, dramáticas, literárias ou cênicas, facilidade para expressar ideias visualmente, sensibilidade ao ritmo musical.
-Capacidade Psicomotora: a marca desses estudantes é o desempenho superior em esportes e atividades físicas, velocidade, agilidade de movimentos, força, resistência, controle e coordenação motora fina e grossa. 5. Onde buscar ajuda? O superdotado pode ter qualquer perfil, do mais bagunceiro ao braço direito da professora, passando pelo tímido. O que o torna diferente é a habilidade acima da média em uma área específica do conhecimento. Isso pode ter razões genéticas ou ter sido moldado pelo ambiente em que o aluno vive. Raramente, os superdotados têm múltiplas habilidades. Portanto, uma boa pista para encontrá-los é reparar no desempenho e no interesse muito maiores por um determinado assunto.
O professor deve desconfiar de estudantes com vocabulário avançado, perfeccionistas, contestadores, sensíveis a temas mais abordados por adultos e que não gostem de rotina. O Ministério da Educação montou um formulário com 24 frases que ajudam a identificar estudantes assim. Se você reconhece um de seus alunos como possível superdotado, procure o Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação na Secretaria de Educação de seu estado.
Os núcleos têm a obrigação de indicar uma psicopedagoga para avaliar se a criança ou o jovem têm mesmo uma alta habilidade - e encaminhá-lo ao programa oficial de estímulo, com atividades extraclasse e orientações para o professor e a família. Instituições não governamentais também apoiam professores e familiares que procuram ajuda para desenvolver talentos. Alguns exemplos são o Instituto Rogério Sternberg (www.irs.org.br), no Rio de Janeiro, e o Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais da Universidade Federal do Paraná (www.prograd.ufpr.br/napne.html). 6. Mau comportamento pode ser um sinal? O histórico escolar de Louis Pasteur, Albert Einstein, Walt Disney e Isaac Newton costuma chocar quem espera um comportamento exemplar. O francês responsável pelas primeiras vacinas era mau aluno, especialmente em Química. O alemão que elaborou a Teoria da Relatividade fugia das aulas de Matemática. O americano que criou um império do entretenimento foi reprovado em Arte. E, durante a infância, o cientista inglês que primeiro percebeu a gravidade teve de ser educado pela mãe porque foi expulso da escola. Hoje, ninguém duvida de que os quatro eram superdotados, o que ajuda a entender que nem sempre alunos assim são os mais interessados e bem comportados em sala de aula.
O estudante com altas habilidades costuma ter um interesse tão grande por uma das disciplinas que acaba negligenciando as demais. A facilidade de expressar-se, por exemplo, pode ser usada para desafiar o professor e os colegas. Mesmo os mais aplicados dificultam a aula ao monopolizar a atenção. Muitos não querem trabalhar em grupo por não entender o ritmo "mais lento" dos colegas. A descoberta das altas habilidades é o primeiro passo para melhorar esses comportamentos. Primeiro, porque muda o olhar do professor. E também porque o próprio jovem passa a aceitar melhor as diferenças.
FONTE DE PESQUISA: http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/educacao-superdotados-498467.shtml
domingo, 25 de outubro de 2009
Cientistas desvendam segredos da aprendizagem
Cientistas desvendam segredos da aprendizagem
por BRUNO ABREU19 Outubro 2009
Uma equipa de investigadores espanhóis, britânicos e colombianos conseguiu medir as alterações cerebrais à medida que se aprende a ler. Uma evolução que é difícil de perceber nas crianças, mas que nos adultos é mais visível. Para isso usaram um grupo de ex-guerrilheiros da Colômbia, que, após anos de luta no meio da selva, decidiram alfabetizar-se
Aprender a ler pro- voca alterações no cérebro, concluiu uma equipa de investigadores, espanhóis, britânicos e colombianos. Os investigadores estudaram um grupo de ex-combatentes das FARC [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia] que estavam a alfabetizar-se e descobriram que os seus cérebros tiveram aumentos de massa cinzenta.
"Trabalhar com ex-guerrilheiros da Colômbia proporcionou-nos uma oportunidade única para ver como se altera o cérebro quando se aprende a ler", explica Manuel Carreiras, director do Centro de Cognição, Cérebro e Linguagem do País Basco, em San Sebastián. Como o ensino da leitura é feito nos primeiros anos de vida, é difícil fazer esta experiência com crianças porque a aprendizagem social e de habilidades motoras impedem um estudo centrado apenas na alfabetização.
O estudo, publicado na revista Nature, indica que Carreiras e os seus colegas analisaram, por ressonância magnética (RMN) os cérebros de 20 guerrilheiros que, após décadas de luta, decidiram reintegrar-se na sociedade colombiana e aprender a ler.
Compararam imagens dos seus cérebros com as de 22 outros ex-FARC que ainda não haviam feito o curso e descobriram que os guerrilheiros alfabetizados tinham mais massa cinzenta nas cinco áreas do córtex cerebral, envolvidas na aprendizagem da leitura.
Os investigadores observaram que para quem aprendeu a ler, tanto em adulto como em criança, a densidade da massa cinzenta (onde ocorre o "processamento" cerebral) é maior em diversas áreas do hemisfério esquerdo do cérebro. Essas áreas são responsáveis pelo reconhecimento da forma das letras e pela sua tradução em sons e significados. Ler também aumenta a intensidade das conexões da massa branca (constituída pelas fibras que interligam os neurónios) entre diversas regiões do cérebro.
O estudo destaca que as conexões de uma área conhecida por "giro angular" são especialmente importantes. Os cientistas sabem há mais de 150 anos que essa região do cérebro é importante para a leitura, mas este estudo mostra que o seu papel não era ainda totalmente compreendido.
Até agora achava-se que o giro angular reconhecia as formas das palavras antes de associar os seus sons e significados. O estudo mostra que o giro angular não está envolvido directamente na tradução de palavras visuais em sons e significados. Em vez disso, ele apoia este processo ao fornecer previsões do que o cérebro espera ver.
"A visão tradicional tem sido a de que o giro angular actua como uma espécie de dicionário que traduz as letras de uma palavra num significado. Na realidade mostramos que o seu papel é mais uma antecipação do que o nosso olho vai ver. É algo parecido com a função de sugestão de texto dos telemóveis quando se escreve mensagens", explica Cathy Price, da University College London, uma das autoras da pesquisa.
As conclusões deste estudo podem ter implicações importantes na investigação de problemas neurológicos como a dislexia. Estes doentes têm diminuições das áreas de massa branca e cinzenta em zonas que cresceram com a leitura.
Tags: Ciência
FONTE DE PESQUISA: http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1394641
Neurociência aplicada à aprendizagem
Telma Pantano / Jaime Luiz Zorzi
É inegável o crescente avanço das neurociências e sua enorme contribuição no sentido de aumentar nossa compreensão quanto ao funcionamento do cérebro. Hoje podemos entender melhor como tornar o processo de aquisição de conhecimentos mais objetivo, prático e facilitado, modificando a forma como lidamos com as informações novas e as integramos àqueles já existentes. Neste mecanismo reside o processo de aprendizagem, sua conservação e recuperação na forma de memórias.
Este livro, escrito por profissionais reconhecidos em suas áreas de atuação, pretende trazer para o universo daqueles que trabalham com desenvolvimento e aprendizagem, o que atualmente tem sido estudado na interface entre neurociências e educação. Nosso objetivo é o de fazer com que as informações desta obra possam ser diretamente aplicadas á prática clínica e pedagógica, explorando os seguintes temas:
-Introdução as neurociências
-Atenção e memória
-Crescimento, desenvolvimento e envelhecimento do sistema nervoso
-Funções visuoconstrutivas, praxias e agnosias
-Linguagem e cognição
-Processamento auditivo central
-Aprendizagem e habilidades acadêmicas
-A análise do processamento ortográfico e suas implicações no diagnóstico dos transtornos de aprendizagem
-Avaliação das funções cognitivas na criança, no adolescente e no adulto
-Neurociência na educação I e II
Sumário:
Capítulo 1 - Introdução as neurociências
Capítulo 2 - Atenção e memória
Capítulo 3 - Crescimento, desenvolvimento e envelhecimento do sistema nervoso
Capítulo 4 - Funções Vísuo-construtivas, praxias e agnosias
Capítulo 5 - Pensamento, inteligência e funções executivas
Capítulo 6 - Linguagem e cognição
Capítulo 7 - Processamento auditivo central
Capítulo 8 - Aprendizagem e habilidades acadêmicas
Capítulo 9 - A análise do processamento ortográfico e suas implicações no diagnóstico dos transtornos de aprendizagem
Capítulo 10 - Avaliação das funções cognitivas na criança, no adolescente e no adulto
Capítulo 11 - Neurociência na educação I
Capítulo 12 - Neurociência na educação II
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Palestras via web .
Palestras via web sobre Dislexia e TDHA! Acesse os sites abaixo e assista vi web palestras sobre Dislexia e o TDHA! Vale muito a pena e eles oferecem certificado. Reserve um tempo e aumente seu conhecimento sobre estes dois problemas.
Link sobre dislexia: http://www.lerecompreender.com.br/
Link sobre o TDHA: http://www.atencaoprofessor.com.br
Link sobre dislexia: http://www.lerecompreender.com.br/
Link sobre o TDHA: http://www.atencaoprofessor.com.br
'Ninguém incentiva o aluno a estudar'
Juliana Ravelli
Do Diário do Grande ABC
Professor há 47 anos, Pierluigi Piazzi, 66, é crítico ferrenho do sistema de ensino brasileiro. Nasceu na Bologna, Itália, chegando ao Brasil em 1954. Nessa época, já havia lido pelo menos 100 livros de ficção científica, todas as obras de Shakespeare, as comédias de Molière, a Ilíada e a Odisséia. Integrante da Mensa, maior e mais antiga associação internacional de pessoas com alto Q.I. (Quociente de Inteligência), desde 1980, já preparou cerca de 100 mil alunos em cursinhos pré-vestibulares. Há 10 anos, realiza palestras em todo o País para pais, alunos e professores com o objetivo de divulgar a neuropedagogia.
Para ele, inteligência e talento se aprendem. "As pessoas têm o péssimo hábito de colocar uma etiqueta dizendo eu sou capaz de fazer isso e não sou capaz de fazer aquilo." Autor dos livros Aprendendo Inteligência, Estimulando Inteligência e Ensinando Inteligência, no dia 24 fará palestra gratuita no Senai Almirante Tamandaré, em São Bernardo.
DIÁRIO - Qual a opinião do senhor sobre o novo Enem?
PIERLUIGI PIAZZI - Há uma diferença gigantesca entre exame e concurso. A função do exame é medir o grau de conhecimento do examinando. A função do concurso é discriminar candidatos, selecionar. Até o ano passado o que era o Enem? Um exame. Agora, transformaram-no em concurso. Ele decide se alguém consegue vaga em faculdade de medicina. O que vai acontecer, vão ter faculdades federais de medicina que terão 40 vagas e 300 candidatos que atingiram a nota máxima. E agora?
DIÁRIO - E quanto ao vazamento da prova?
PIAZZI - É óbvio. O processo de impressão e de distribuição disso tem mais vazamento que uma peneira.
DIÁRIO - O ensino brasileiro está muito atrasado?
PIAZZI - Em 2003 foi feito um exame envolvendo 41 países. Só ficamos acima da Tunísia. Quer coisa mais absurda do que escola publicar calendário de provas? É o mesmo que estar falando: ‘Para que estudar todo dia? Só na hora da prova você dá uma rachadinha, tira nota e esquece tudo para não abarrotar o cérebro.''
DIÁRIO - A escola incentiva o aluno a tirar nota e não a obter conhecimento?
PIAZZI - Exatamente. E os pais querem que o filho passe de ano, tire nota. Ao invés da nota ser consequência do processo, virou objetivo.
DIÁRIO - O que acontecerá com o ensino brasileiro?
PIAZZI - Se continuar essa demagogia que sobrepõem as vontades eleitorais ao processo técnico, acabou. O ensino brasileiro vai ser destruído. Nós já somos um País de analfabetos funcionais; seremos um País de analfabetos reais. Sempre falo que as horas de estudo são mais importantes que as horas de aula. Ninguém incentiva o aluno a estudar. Agora, o Ministério da Educação resolveu mudar o Ensino Médio. O que fizeram? Aumentar as horas-aula ao invés de aumentar as horas de estudo.
DIÁRIO - O que falta para o ensino brasileiro atingir níveis aceitáveis de qualidade?
PIAZZI - Da noite para o dia poderíamos atingir níveis de qualidade fantásticos. Bastava mudar três coisas: primeiro, restaurar a autoridade do professor; depois, criar um mecanismo de não existir uma aula sequer que não tenha uma tarefa a ser executada depois; o terceiro é reformular a técnica de se ensinar Literatura. O Brasil tem milhões de alunos, mas pouquíssimos estudantes. Na hora em que o Ministério da Educação perceber que o único truque é transformar aluno em estudante, vai resolver. Porque aluno é quem assiste aula, estudante é alguém que estuda.
DIÁRIO - Por que existem tantas disparidades entre ensinos Fundamental e Médio públicos e a universidade pública?
PIAZZI - As universidades públicas também são ruins. Elas só são melhores do que as particulares porque, como são gratuitas, há seleção na entrada.
DIÁRIO - O que o senhor aborda em suas palestras?
PIAZZI - Mostro que a componente genética da inteligência é quase irrelevante. Qualquer um que tenha cérebro saudável tem condições de se tornar mais inteligente.
DIÁRIO - Como é possível ficar mais inteligente?
PIAZZI - São cinco passos. O primeiro é acreditar que é possível. O segundo é evitar as coisas que fazem abaixar o Q.I. - drogas lícitas e ilícitas e excesso de tecnologia. O terceiro é estudar pouco, mas todo dia, para fixar o que foi visto. O quarto passo é, se tiver um jeito fácil e um difícil, fazer o difícil; o cérebro precisa fazer musculação. E o quinto é ler muito.
DIÁRIO - Por que temos a ideia de que pessoas nascem com determinados talentos?
PIAZZI - A modelagem do cérebro humano começa no útero. Como os reflexos disso são muito precoces, as pessoas têm a sensação de que é genético, quando na realidade é ambiental. No século 19, uma família alemã tinha dois filhos. Um era bem-dotado musicalmente, o outro, uma nulidade musical. O bem-dotado foi para o conservatório, a nulidade foi para a faculdade de Direito. Anos depois, o músico morreu. A vontade da família em ter um músico era tão grande que o que estava fazendo Direito abandonou a faculdade, entrou no conservatório e se tornou um dos maiores compositores, Richard Wagner. As pessoas têm o péssimo hábito de colocar uma etiqueta: ‘sou capaz de fazer isso e não sou capaz de fazer aquilo.''
FONTE DE PESQUISA: http://home.dgabc.com.br/default.asp?pt=secao&pg=detalhe&c=1&id=5770486&titulo=%27Ninguem+incentiva+o+aluno+a+estudar%27
Do Diário do Grande ABC
Professor há 47 anos, Pierluigi Piazzi, 66, é crítico ferrenho do sistema de ensino brasileiro. Nasceu na Bologna, Itália, chegando ao Brasil em 1954. Nessa época, já havia lido pelo menos 100 livros de ficção científica, todas as obras de Shakespeare, as comédias de Molière, a Ilíada e a Odisséia. Integrante da Mensa, maior e mais antiga associação internacional de pessoas com alto Q.I. (Quociente de Inteligência), desde 1980, já preparou cerca de 100 mil alunos em cursinhos pré-vestibulares. Há 10 anos, realiza palestras em todo o País para pais, alunos e professores com o objetivo de divulgar a neuropedagogia.
Para ele, inteligência e talento se aprendem. "As pessoas têm o péssimo hábito de colocar uma etiqueta dizendo eu sou capaz de fazer isso e não sou capaz de fazer aquilo." Autor dos livros Aprendendo Inteligência, Estimulando Inteligência e Ensinando Inteligência, no dia 24 fará palestra gratuita no Senai Almirante Tamandaré, em São Bernardo.
DIÁRIO - Qual a opinião do senhor sobre o novo Enem?
PIERLUIGI PIAZZI - Há uma diferença gigantesca entre exame e concurso. A função do exame é medir o grau de conhecimento do examinando. A função do concurso é discriminar candidatos, selecionar. Até o ano passado o que era o Enem? Um exame. Agora, transformaram-no em concurso. Ele decide se alguém consegue vaga em faculdade de medicina. O que vai acontecer, vão ter faculdades federais de medicina que terão 40 vagas e 300 candidatos que atingiram a nota máxima. E agora?
DIÁRIO - E quanto ao vazamento da prova?
PIAZZI - É óbvio. O processo de impressão e de distribuição disso tem mais vazamento que uma peneira.
DIÁRIO - O ensino brasileiro está muito atrasado?
PIAZZI - Em 2003 foi feito um exame envolvendo 41 países. Só ficamos acima da Tunísia. Quer coisa mais absurda do que escola publicar calendário de provas? É o mesmo que estar falando: ‘Para que estudar todo dia? Só na hora da prova você dá uma rachadinha, tira nota e esquece tudo para não abarrotar o cérebro.''
DIÁRIO - A escola incentiva o aluno a tirar nota e não a obter conhecimento?
PIAZZI - Exatamente. E os pais querem que o filho passe de ano, tire nota. Ao invés da nota ser consequência do processo, virou objetivo.
DIÁRIO - O que acontecerá com o ensino brasileiro?
PIAZZI - Se continuar essa demagogia que sobrepõem as vontades eleitorais ao processo técnico, acabou. O ensino brasileiro vai ser destruído. Nós já somos um País de analfabetos funcionais; seremos um País de analfabetos reais. Sempre falo que as horas de estudo são mais importantes que as horas de aula. Ninguém incentiva o aluno a estudar. Agora, o Ministério da Educação resolveu mudar o Ensino Médio. O que fizeram? Aumentar as horas-aula ao invés de aumentar as horas de estudo.
DIÁRIO - O que falta para o ensino brasileiro atingir níveis aceitáveis de qualidade?
PIAZZI - Da noite para o dia poderíamos atingir níveis de qualidade fantásticos. Bastava mudar três coisas: primeiro, restaurar a autoridade do professor; depois, criar um mecanismo de não existir uma aula sequer que não tenha uma tarefa a ser executada depois; o terceiro é reformular a técnica de se ensinar Literatura. O Brasil tem milhões de alunos, mas pouquíssimos estudantes. Na hora em que o Ministério da Educação perceber que o único truque é transformar aluno em estudante, vai resolver. Porque aluno é quem assiste aula, estudante é alguém que estuda.
DIÁRIO - Por que existem tantas disparidades entre ensinos Fundamental e Médio públicos e a universidade pública?
PIAZZI - As universidades públicas também são ruins. Elas só são melhores do que as particulares porque, como são gratuitas, há seleção na entrada.
DIÁRIO - O que o senhor aborda em suas palestras?
PIAZZI - Mostro que a componente genética da inteligência é quase irrelevante. Qualquer um que tenha cérebro saudável tem condições de se tornar mais inteligente.
DIÁRIO - Como é possível ficar mais inteligente?
PIAZZI - São cinco passos. O primeiro é acreditar que é possível. O segundo é evitar as coisas que fazem abaixar o Q.I. - drogas lícitas e ilícitas e excesso de tecnologia. O terceiro é estudar pouco, mas todo dia, para fixar o que foi visto. O quarto passo é, se tiver um jeito fácil e um difícil, fazer o difícil; o cérebro precisa fazer musculação. E o quinto é ler muito.
DIÁRIO - Por que temos a ideia de que pessoas nascem com determinados talentos?
PIAZZI - A modelagem do cérebro humano começa no útero. Como os reflexos disso são muito precoces, as pessoas têm a sensação de que é genético, quando na realidade é ambiental. No século 19, uma família alemã tinha dois filhos. Um era bem-dotado musicalmente, o outro, uma nulidade musical. O bem-dotado foi para o conservatório, a nulidade foi para a faculdade de Direito. Anos depois, o músico morreu. A vontade da família em ter um músico era tão grande que o que estava fazendo Direito abandonou a faculdade, entrou no conservatório e se tornou um dos maiores compositores, Richard Wagner. As pessoas têm o péssimo hábito de colocar uma etiqueta: ‘sou capaz de fazer isso e não sou capaz de fazer aquilo.''
FONTE DE PESQUISA: http://home.dgabc.com.br/default.asp?pt=secao&pg=detalhe&c=1&id=5770486&titulo=%27Ninguem+incentiva+o+aluno+a+estudar%27
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Projeto - 30/07/2008 14h05
Exercício da psicopedagogia pode ser regulamentado
Gilberto Nascimento
Raquel Teixeira: atuação do psicopedagogo é fundamental na melhoria do ensino
A Câmara analisa o Projeto de Lei 3512/08, da deputada Professora Raquel Teixeira (PSDB-GO), que regulamenta o exercício da psicopedagogia. De acordo com a proposta, essa profissão poderá ser exercida pelos portadores de diploma em curso de graduação em Psicopedagogia ou pelos portadores de diploma de Psicologia, Pedagogia ou Licenciatura que tenham concluído curso de especialização em Psicopedagogia. A especialização deverá ter duração mínima de 600 horas e carga horária de 80% na especialidade.
Além desses, os portadores de diploma de curso superior que já venham exercendo ou tenham exercido, comprovadamente, atividades profissionais de psicopedagogia em entidade pública ou privada, até a data de publicação da lei, também terão direito ao exercício da atividade.
Atribuições
Entre as atribuições do psicopedagogo estão a intervenção para a solução dos problemas de aprendizagem; a utilização de métodos, técnicas e instrumentos que tenham por finalidade a pesquisa, a prevenção, a avaliação e a intervenção relacionadas com a aprendizagem; e o apoio psicopedagógico aos trabalhos realizados nos espaços institucionais.
Para Raquel Teixeira, a resposta para o desafio da qualidade da educação é a prática psicopedagógica exercida por um profissional especializado. Segundo ela, a atuação desse profissional busca não apenas sanar problemas de aprendizagem, mas melhorar o desempenho do aluno e aumentar suas potencialidades.
Proposta semelhante a essa, como lembra a parlamentar, foi apresentada pelo ex-deputado Sebastião Barbosa Neto em 1997 e foi arquivada ano passado, sem apreciação pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. "Decorridos mais de dez anos, este tema continua muito atual, impondo-se ainda hoje a aprovação de uma lei que regulamente a profissão", avalia Raquel Teixeira.
A deputada destacou que retirou do projeto original a previsão de criação dos conselhos federal e regionais de psicopedagogia, pois, segundo explica, por se tratarem de autarquias públicas, a iniciativa para sua criação é privativa do Poder Executivo. A proposta prevê ainda as infrações disciplinares e as punições correspondentes para os profissionais.
Tramitação
O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
- PL-3512/2008
Notícias anteriores
Projeto prevê medidas para identificar a dislexia
Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição - Maria Clarice Dias
(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')
Agência Câmara
Tel. (61) 3216.1851/3216.1852
Fax. (61) 3216.1856
E-mail:agencia@camara.gov.br
Exercício da psicopedagogia pode ser regulamentado
Gilberto Nascimento
Raquel Teixeira: atuação do psicopedagogo é fundamental na melhoria do ensino
A Câmara analisa o Projeto de Lei 3512/08, da deputada Professora Raquel Teixeira (PSDB-GO), que regulamenta o exercício da psicopedagogia. De acordo com a proposta, essa profissão poderá ser exercida pelos portadores de diploma em curso de graduação em Psicopedagogia ou pelos portadores de diploma de Psicologia, Pedagogia ou Licenciatura que tenham concluído curso de especialização em Psicopedagogia. A especialização deverá ter duração mínima de 600 horas e carga horária de 80% na especialidade.
Além desses, os portadores de diploma de curso superior que já venham exercendo ou tenham exercido, comprovadamente, atividades profissionais de psicopedagogia em entidade pública ou privada, até a data de publicação da lei, também terão direito ao exercício da atividade.
Atribuições
Entre as atribuições do psicopedagogo estão a intervenção para a solução dos problemas de aprendizagem; a utilização de métodos, técnicas e instrumentos que tenham por finalidade a pesquisa, a prevenção, a avaliação e a intervenção relacionadas com a aprendizagem; e o apoio psicopedagógico aos trabalhos realizados nos espaços institucionais.
Para Raquel Teixeira, a resposta para o desafio da qualidade da educação é a prática psicopedagógica exercida por um profissional especializado. Segundo ela, a atuação desse profissional busca não apenas sanar problemas de aprendizagem, mas melhorar o desempenho do aluno e aumentar suas potencialidades.
Proposta semelhante a essa, como lembra a parlamentar, foi apresentada pelo ex-deputado Sebastião Barbosa Neto em 1997 e foi arquivada ano passado, sem apreciação pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. "Decorridos mais de dez anos, este tema continua muito atual, impondo-se ainda hoje a aprovação de uma lei que regulamente a profissão", avalia Raquel Teixeira.
A deputada destacou que retirou do projeto original a previsão de criação dos conselhos federal e regionais de psicopedagogia, pois, segundo explica, por se tratarem de autarquias públicas, a iniciativa para sua criação é privativa do Poder Executivo. A proposta prevê ainda as infrações disciplinares e as punições correspondentes para os profissionais.
Tramitação
O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Íntegra da proposta:
- PL-3512/2008
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Projeto prevê medidas para identificar a dislexia
Reportagem - Cristiane Bernardes
Edição - Maria Clarice Dias
(Reprodução autorizada desde que contenha a assinatura 'Agência Câmara')
Agência Câmara
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Fax. (61) 3216.1856
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Recusa em não ir à escola pode não significar uma simples preguiça
Recusa em não ir à escola pode não significar uma simples preguiça
quarta, 16.09.2009, 08:39pm (GMT-3)
Mãe, não quero ir à escola hoje!" Na maioria das vezes, essa reclamação das crianças é entendida pelos pais como uma manifestação de preguiça de estudar. Mas, se o hábito se repete com frequência e o rendimento em sala de aula caiu, vale observar.
A dificuldade no aprendizado ou a falta de vontade de ir à escola pode sinalizar a insegurança da criança diante de alguma situação ou até problemas mais graves como dislexia ou até depressão. "A primeira atitude a se tomar quando isso acontece é avaliar se há algo de errado dentro de casa", explica a terapeuta familiar Tânia Vieira.
Um novo acontecimento pode interferir no comportamento da garotada. A chegada de um irmãozinho, a separação dos pais, a perda de um ente querido, do bichinho de estimação ou a aquisição de um brinquedo podem alterar o estado emocional da criança. Dependendo da situação, ela pode se sentir desmotivada, carente, solitária e tentar chamar a atenção dos pais negando o espaço escolar ou focar a atenção num videogame novo, por exemplo, fazendo com que não queira se afastar do objeto que tanto a seduz.
Diante da recusa de encarar os estudos, o segundo passo é conversar com a criança e perguntar como é a rotina dela na escola. Saber quais aulas e professores mais gosta, o que faz nas horas de descanso, como é a turma de amigos ajudam a desenhar a imagem que seu filho tem do ambiente de ensino. "Muitas vezes, o motivo é o desentendimento com algum colega ou problemas com um professor", diz a psicopedagoga Albertina Chraim. "Nesse caso, os pais devem procurar a escola e conversar com os educadores e com o diretor para encontrar uma solução."
Assumir a dificuldade é o primeiro passo para o entendimento
Quando o problema é de aprendizado, por exemplo, o importante é quebrar os preconceitos e detectar os motivos da dificuldade. "Embora a criança sinalize com sua indisposição que alguma coisa vai mal na escola, os pais muitas vezes têm dificuldade de entender o que realmente está acontecendo e geralmente acabam interpretando o gesto como preguiça ou frescura", diz Tânia. "Também ocorre de os pais perceberem que a criança está com dificuldades, mas preferirem não aceitar por medo da concepção que se tem de que inteligência e bom desenvolvimento escolar estão intrinsecamente ligados", explica ela.
Como detectar o problema?
De acordo com a psicopedagoga Patrícia Gouveia Ferraz, a melhor maneira de detectar se a criança tem problemas em aprender é prestar atenção na maneira como ela se comporta diante das tarefas escolares. "Observar se a criança lê muito perto do papel, se escreve na ordem invertida ou se tem dificuldade de prestar atenção na aula são atitudes primordiais para detectar problemas de ordem cognitiva, como dislexia e hiperatividade, ou algum distúrbio de visão, que podem gerar um sentimento de inferioridade na criança fazendo com que ela não queira ir à escola", afirma.
Super-proteção também atrapalha
Uma outra razão comum para a recusa da criança em estudar ou de seu baixo desempenho nas aulas é a super-proteção dos pais que, para evitar que os filhos sofram, resolvem todos os seus problemas e retiram deles a responsabilidade de enfrentar os obstáculos sozinhos, tornando-os inseguros e despreparados para lidar com as novidades. "A capacidade de autoconfiança da criança fica desestabilizada e ela tende a rejeitar tudo aquilo que supostamente a ameaça", explica a terapeuta Tânia Vieira.
Paz para estudar
Fenômeno muito comum nas escolas, o bullying também é um dos motivos que afasta crianças e adolescentes do colégio. Sem tradução para o português, o termo compreende todas as formas de agressão (física ou verbal) praticadas por um ou mais estudantes contra outro. Os ataques são realizados de maneira intencional e repetitiva sem motivação evidente e executados dentro de uma relação desigual de poder, causando dor, medo e angústia. Entre as ações características de bulliyng estão colocar apelidos ofensivos, humilhar, perseguir, machucar, dentre outras. "Quando se percebe que a criança está sendo vitima, o ideal é conversar com educadores, com a criança e, dependendo da gravidade do caso, procurar ajuda psicológica e até mudá-la de colégio", explica Patrícia.
Quatro dicas para ajudar seu filho a vencer os medos da escola
- Se o problema for ciúme do irmãozinho, a separação dos pais ou outros problemas familiares, mostre a ele que, por mais que o núcleo familiar tenha se alterado, o lugar dele de filho não mudou.
- Caso a dificuldade seja proveniente de motivações cognitivas, como dislexia, déficit de atenção ou hiperatividade, procure um especialista e converse com a criança para que ela entenda que não é diferente dos coleguinhas de sala, apenas tem mais dificuldade em uma habilidade, enquanto os outros também têm suas limitações.
- Evite sobrecarregar a criança sem antes observar se ela consegue dar conta de tantos afazeres. A indisposição pode ser resultado de cansaço mental e isso faz com que a rotina, que deveria ser prazerosa, se torne estressante e afaste seu filho da escola. "Às vezes, a sobrecarga é até positiva, pois a criança canaliza suas energias para o aprendizado, mas quando deixa de ser prazeroso para ser uma obrigação, pode trazer problemas mais sérios", afirma Tânia Vieira.
- Converse com educadores e psicopedagogos se suspeitar que a criança está sendo vítima de bullying para que, juntos, encontrem a melhor solução.
FONTE DE PESQUISA: http://www.correiodopovo-al.com.br/v2/index.php
quarta, 16.09.2009, 08:39pm (GMT-3)
Mãe, não quero ir à escola hoje!" Na maioria das vezes, essa reclamação das crianças é entendida pelos pais como uma manifestação de preguiça de estudar. Mas, se o hábito se repete com frequência e o rendimento em sala de aula caiu, vale observar.
A dificuldade no aprendizado ou a falta de vontade de ir à escola pode sinalizar a insegurança da criança diante de alguma situação ou até problemas mais graves como dislexia ou até depressão. "A primeira atitude a se tomar quando isso acontece é avaliar se há algo de errado dentro de casa", explica a terapeuta familiar Tânia Vieira.
Um novo acontecimento pode interferir no comportamento da garotada. A chegada de um irmãozinho, a separação dos pais, a perda de um ente querido, do bichinho de estimação ou a aquisição de um brinquedo podem alterar o estado emocional da criança. Dependendo da situação, ela pode se sentir desmotivada, carente, solitária e tentar chamar a atenção dos pais negando o espaço escolar ou focar a atenção num videogame novo, por exemplo, fazendo com que não queira se afastar do objeto que tanto a seduz.
Diante da recusa de encarar os estudos, o segundo passo é conversar com a criança e perguntar como é a rotina dela na escola. Saber quais aulas e professores mais gosta, o que faz nas horas de descanso, como é a turma de amigos ajudam a desenhar a imagem que seu filho tem do ambiente de ensino. "Muitas vezes, o motivo é o desentendimento com algum colega ou problemas com um professor", diz a psicopedagoga Albertina Chraim. "Nesse caso, os pais devem procurar a escola e conversar com os educadores e com o diretor para encontrar uma solução."
Assumir a dificuldade é o primeiro passo para o entendimento
Quando o problema é de aprendizado, por exemplo, o importante é quebrar os preconceitos e detectar os motivos da dificuldade. "Embora a criança sinalize com sua indisposição que alguma coisa vai mal na escola, os pais muitas vezes têm dificuldade de entender o que realmente está acontecendo e geralmente acabam interpretando o gesto como preguiça ou frescura", diz Tânia. "Também ocorre de os pais perceberem que a criança está com dificuldades, mas preferirem não aceitar por medo da concepção que se tem de que inteligência e bom desenvolvimento escolar estão intrinsecamente ligados", explica ela.
Como detectar o problema?
De acordo com a psicopedagoga Patrícia Gouveia Ferraz, a melhor maneira de detectar se a criança tem problemas em aprender é prestar atenção na maneira como ela se comporta diante das tarefas escolares. "Observar se a criança lê muito perto do papel, se escreve na ordem invertida ou se tem dificuldade de prestar atenção na aula são atitudes primordiais para detectar problemas de ordem cognitiva, como dislexia e hiperatividade, ou algum distúrbio de visão, que podem gerar um sentimento de inferioridade na criança fazendo com que ela não queira ir à escola", afirma.
Super-proteção também atrapalha
Uma outra razão comum para a recusa da criança em estudar ou de seu baixo desempenho nas aulas é a super-proteção dos pais que, para evitar que os filhos sofram, resolvem todos os seus problemas e retiram deles a responsabilidade de enfrentar os obstáculos sozinhos, tornando-os inseguros e despreparados para lidar com as novidades. "A capacidade de autoconfiança da criança fica desestabilizada e ela tende a rejeitar tudo aquilo que supostamente a ameaça", explica a terapeuta Tânia Vieira.
Paz para estudar
Fenômeno muito comum nas escolas, o bullying também é um dos motivos que afasta crianças e adolescentes do colégio. Sem tradução para o português, o termo compreende todas as formas de agressão (física ou verbal) praticadas por um ou mais estudantes contra outro. Os ataques são realizados de maneira intencional e repetitiva sem motivação evidente e executados dentro de uma relação desigual de poder, causando dor, medo e angústia. Entre as ações características de bulliyng estão colocar apelidos ofensivos, humilhar, perseguir, machucar, dentre outras. "Quando se percebe que a criança está sendo vitima, o ideal é conversar com educadores, com a criança e, dependendo da gravidade do caso, procurar ajuda psicológica e até mudá-la de colégio", explica Patrícia.
Quatro dicas para ajudar seu filho a vencer os medos da escola
- Se o problema for ciúme do irmãozinho, a separação dos pais ou outros problemas familiares, mostre a ele que, por mais que o núcleo familiar tenha se alterado, o lugar dele de filho não mudou.
- Caso a dificuldade seja proveniente de motivações cognitivas, como dislexia, déficit de atenção ou hiperatividade, procure um especialista e converse com a criança para que ela entenda que não é diferente dos coleguinhas de sala, apenas tem mais dificuldade em uma habilidade, enquanto os outros também têm suas limitações.
- Evite sobrecarregar a criança sem antes observar se ela consegue dar conta de tantos afazeres. A indisposição pode ser resultado de cansaço mental e isso faz com que a rotina, que deveria ser prazerosa, se torne estressante e afaste seu filho da escola. "Às vezes, a sobrecarga é até positiva, pois a criança canaliza suas energias para o aprendizado, mas quando deixa de ser prazeroso para ser uma obrigação, pode trazer problemas mais sérios", afirma Tânia Vieira.
- Converse com educadores e psicopedagogos se suspeitar que a criança está sendo vítima de bullying para que, juntos, encontrem a melhor solução.
FONTE DE PESQUISA: http://www.correiodopovo-al.com.br/v2/index.php
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
A guerra dos hemisférios cerebrais
Uma proteína que funciona como um imã e outra, espécie de comparsa, que a ajuda a atrair mais neurônios para o lado esquerdo do cérebro. Não é uma competição equilibrada, mas o resultado final é desejável: que os hemisférios cerebrais sejam distintos tanto do ponto de vista anatômico como funcional. Especializados, eles trabalham de forma mais eficiente.
A assimetria hemisférica do cérebro já é conhecida há muito tempo, mas só agora os cientistas começam a entender como ela é esculpida. Pesquisadores da University College de Londres, Inglaterra, descobriram que uma proteína chamada Fgf8, encontrada em ambos os lados, orienta a migração de células nervosas. Seria uma luta justa se outra proteína, conhecida como Nodal, presente apenas no lado esquerdo, não facilitasse o trabalho da Fgf8 nessa mesma metade.
Embora a pesquisa tenha sido feita com peixes paulistinha (Danio rerio), os cientistas esperam resultados semelhantes em outras espécies e inclusive no ser humano, pois a assimetria hemisférica é um fenômeno amplamente difundido no reino animal e se manifesta logo na vida embrionária. Em humanos, evidências como essa, podem ajudar a entender por que alguns distúrbios psiquiátricos, como a esquizofrenia, estão associados a hemisférios cerebrais menos assimétricos. O estudo foi publicado na revista Neuron.
A assimetria hemisférica do cérebro já é conhecida há muito tempo, mas só agora os cientistas começam a entender como ela é esculpida. Pesquisadores da University College de Londres, Inglaterra, descobriram que uma proteína chamada Fgf8, encontrada em ambos os lados, orienta a migração de células nervosas. Seria uma luta justa se outra proteína, conhecida como Nodal, presente apenas no lado esquerdo, não facilitasse o trabalho da Fgf8 nessa mesma metade.
Embora a pesquisa tenha sido feita com peixes paulistinha (Danio rerio), os cientistas esperam resultados semelhantes em outras espécies e inclusive no ser humano, pois a assimetria hemisférica é um fenômeno amplamente difundido no reino animal e se manifesta logo na vida embrionária. Em humanos, evidências como essa, podem ajudar a entender por que alguns distúrbios psiquiátricos, como a esquizofrenia, estão associados a hemisférios cerebrais menos assimétricos. O estudo foi publicado na revista Neuron.
Múltiplas inteligências: Howard Gardner.
Para o psicólogo americano Howard Gardner, criador da teoria das habilidades múltiplas, a predisposição genética e as experiências vividas na infância podem favorecer nossos “computadores mentais”. Em sua opinião, é mais importante estimular do que medir os recursos mentais
“Não deveria valer apenas a nota tirada na prova de matemática, mas o respeito pelo outro e o tipo de ser humano que nos revelamos” - Howard Gardner
por Daniele Fanelli
O ser humano tem muitos tipos de inteligência. A hipótese do psicólogo Howard Gardner, formulada em 1982, o tornou conhecido mundialmente. Passados 25 anos, ele sustenta haver, além das reconhecidas habilidades lingüística e lógico-matemática, outras seis formas de inteligência: espacial (mais presente em navegantes e engenheiros); corporal-cinestésica (desenvolvida em atletas ou dançarinos); interpessoal (representada pela capacidade de compreensão dos sentimentos do outro); intrapessoal (expressa pelo autoconhecimento); naturalística (referente à relação da pessoa com a natureza) e musical. Professor da Universidade Harvard, Gardner é considerado um dos “demolidores” do conceito de quociente de inteligência (QI). Suas teorias, entretanto, têm pequena aceitação entre neurobiólogos. Resenha publicada recentemente na revista Educational Psychologist menciona a insuficiência de comprovação empírica. A possibilidade de medir a inteligência pela aplicação de testes simples parece ser um critério para validação das hipóteses.
Artigo publicado em 2004 pela revista Nature Neuroscience relacionava o desenvolvimento de competências a fatores socioeconômicos e a aspectos biológicos como dimensões do cérebro, duração da memória de curto prazo, velocidade de transmissão sináptica e metabolismo neuronal. No mesmo ano foi observada correlação entre o QI de bebês e a velocidade de crescimento do córtex cerebral. Tais descobertas não parecem perturbar o prolífico Gardner, que tem sua teoria aplicada com eficácia em escolas de todo o mundo. Nesta entrevista, ele declara-se mais interessado em estimular virtudes e talentos humanos do que em medi-los.
Mente&Cérebro: O senhor poderia resumir sua teoria da inteligência múltipla?
Howard Gardner: A visão tradicional a respeito da inteligência, que prevalece há centenas de anos, sustenta que em nosso cérebro existe um único computador, de capacidade muito geral. Quando funciona bem, a pessoa é inteligente e capaz de destacar-se em qualquer atividade. Se o desempenho for apenas razoável, o portador consegue resultado satisfatório em diversas circunstâncias. Mas se funcionar mal, o dono desse equipamento é um tolo, incapaz de estabelecer relações coe-rentes. Discordo disso tudo. Creio que a relação cérebro-mente pode ser descrita como um conjunto de oito ou nove sistemas distintos de elaborações fundamentais. Um deles pode atuar muito bem enquanto outro apresenta rendimento mediano e um terceiro funciona mal.
Qualquer observador admitiria que na patologia há fenômenos que sustentam minha hipótese. Existem pessoas dotadas de grande talento artístico ou com habilidade para números e xadrez que, no entanto, são incapazes de compreender os outros e manter relacionamentos. A medicina oficial as considera casos patológicos, mas eu sustento que esses fenômenos são normais.
M&C: Vejamos um exemplo: como o senhor avalia a sua mente?
Gardner: Com base na teoria da inteligência múltipla eu sou, certamente, do tipo lingüístico-musical. Minha lógica é boa, mas jamais fará de mim um matemático. Fisicamente não sou nada especial e sou medíocre na inteligência espacial, mas me viro bem com um mapa. A inteligência interpessoal, diferentemente de outras, pode ser melhorada. Assim, espero continuar aprimorando minha capacidade de compreender outros.
M&C:Uma das principais objeções à sua teoria é a impossibilidade de medir as oito formas de inteligência.
Gardner: Se eu estivesse de fora observando meu trabalho, é provável que dissesse a mesma coisa. Trata-se de uma crítica bem razoável. Mas estou certo de que, se minhas idéias forem um dia levadas a sério, algum pesquisador desenvolverá instrumentos capazes de medir as várias inteligências. Mas para mim isso jamais foi uma prioridade. Não me dediquei ao tema. Robert J. Sternberg [pai da teoria “triárquica”, segundo a qual a inteligência se manifesta em três modalidades distintas: analítica, criativa e prática] tentou fazê-lo no âmbito de sua pesquisa, mas os resultados não me pareceram muito convincentes. Posso deduzir que ou suas teorias são equivocadas, ou medir as diversas inteligências humanas é tarefa mais complicada do que parece.
M&C: Mas a psicometria clássica faz medições. As pontuações que a pessoa obtém nos diversos testes verbais e lógicos estão correlacionadas, o que sugere a existência de uma inteligência “geral”. O QI está vinculado a diversos parâmetros biológicos. O que o senhor pensa sobre isso?
Gardner: Levo a sério essa questão e, se tivesse de reescrever meu livro sobre a inteligência múltipla, trataria mais do tema. Mas há fenômenos que esses estudos não explicam, em particular as razões que nos tornam tão diferentes uns dos outros. Um cientista pode passar a vida tentando acumular provas da existência de uma inteligência geral, mostrando como esta se correlaciona a este ou aquele fator; ou pode tentar explicar por que as pessoas têm habilidades tão diversas, quais as causas dessas diferenças e a que servem.
M&C: Mas as duas coisas não se contradizem. Podemos fazer uma analogia com os músculos do corpo, que se desenvolvem de forma desigual em cada pessoa. Isso não impede que algumas pessoas possuam – graças à combinação de genes, alimentação e exercícios físicos – estrutura muscular bem mais desenvolvida e potente que outras. Nem todos podem se tornar um Schwarzenegger. O que vale para os músculos não poderia valer para os neurônios?
Gardner: Tenho a mente aberta em relação à questão. Caso eu viva mais 30 ou 40 anos e a ciência identifique uma propriedade biológica fundamental – por exemplo, a velocidade de transmissão nervosa ou a plasticidade das conexões entre os neurônios – que explique uma parte maior ou menor das diferenças de inteligência, estarei pronto a rever meu pensamento.
Mas isso não esclarece as razões para alguém ser mais capaz em certos setores que em outros. A resposta pode ser simplesmente que a vida humana não é infinita, e, portanto, não podemos ser excelentes em tudo. Penso que a explicação mais plausível esteja na predisposição genética e nas experiências infantis capazes de “estimular” e potencializar um dos computadores mentais de que dispomos. Um gênio poliédrico como Leonardo da Vinci é exceção, e não regra. E devemos explicar ainda a origem das diferenças nos perfis e talentos.
M&C: O senhor usa os termos “inteligência” e “talento” como sinônimos. Mas, para a maioria das pessoas, esses termos se referem a conceitos bem distintos.
Gardner: De fato. Mas, ao privilegiar o termo “inteligências” em vez de “talentos” ou “habilidades”, fiz um movimento retórico importante. Todos reconhecem a existência de diferentes talentos e habilidades humanas, e provavelmente eu não estaria aqui sendo entrevistado se tivesse usado essas palavras em vez de “inteligências”.
M&C: O que o senhor entende por inteligência?
Gardner: O ponto é que a definição de inteligência não é óbvia. Trata-se de algo debatido por estudiosos e leigos. Segundo minha análise, os pesquisadores orientados pela cultura escolástica se concentraram nas habilidades verbais e lógicas, denominando as “inteligência”. É uma questão de retórica e lingüística. Não é “a” resposta correta. As pessoas com bom desempenho em línguas e lógica são, em geral, bons alunos, e nós as classificamos inteligentes. Nada tenho contra isso, desde que se fale em “inteligência escolástica”. Se, porém, sairmos da escola e estudarmos a inteligência de arquitetos, bailarinos ou comerciantes, descobriremos que podem ser excelentes naquilo que fazem, independentemente do desempenho escolar. Se os homens de negócio tivessem inventado o QI, a avaliação mediria, provavelmente, atitude em relação a risco, iniciativa e capacidade de vender. Nenhuma dessas coisas é medida pelos testes clássicos de inteligência.
M&C: Mas isso não ameaça relativizar o conceito de inteligência, esvaziando-o de seu significado intuitivo e científico?
Gardner: A ciência não deve, necessariamente, reforçar o senso comum, muitas vezes equivocado. Minhas pesquisas, além disso, atingem o campo das ciências sociais, diferentes da física ou da biologia, justamente porque devem sempre elucidar os próprios conceitos, propondo definições novas e mais adequadas. O filósofo Bertrand Russell disse certa vez que as idéias de todos os grandes pensadores podem ser resumidas em uma ou duas frases: o que os torna notáveis é a estrutura argumentativa que criaram para sustentar as afirmações e defendê-las das críticas. Se eu transmitir às pessoas apenas o conceito de que, além da escolástica, existem outras formas de inteligência, já será um enorme progresso. Creio que já alcancei algo nesse sentido. Mas Daniel Goleman conseguiu ainda mais, pois seu conceito de “inteligência emocional” tem apelo intuitivo, aludindo às experiências do cotidiano, sobretudo no mundo do trabalho. O gerente de uma empresa pode ter a mente perfeitamente organizada e revelar-se um desastre para motivar funcionários. A diferença entre nossas pesquisas é que estabeleci oito critérios a serem atendidos por uma suposta inteligência (ver quadro na pág. 36).
M&C: Há poucos anos o senhor identificou a existência de uma oitava inteligência, a naturalística. Pensa em acrescentar outras?
Gardner: Escrevi bastante a respeito da possibilidade de uma inteligência moral. Até há pouco tempo era cético quanto a isso, mas mudei de idéia depois de algumas leituras, em particular o livro escrito pelos neurobiólogos Jean-Pierre Changeaux e Antonio Damásio. Avalio a possibilidade de uma inteligência existencial, mas o problema é saber se é diferente de qualquer outra capacidade filosófica. Se não for, poderá ser explicada pelas inteligências lingüística e lógica. As provas nesse sentido ainda não são conclusivas.
M&C:Haveria em nosso DNA genes que a seleção natural favoreceu, proporcionando assim a inteligência naturalística ou a existencial?
Gardner: Certamente. Há genes para a inteligência naturalística e, provavelmente, para todas as formas de inteligência que menciono. Creio, porém, que cada um desses tipos possui subcomponentes. Na inteligência lingüística, por exemplo, não haveria só um gene, mas centenas. Alguns deles podem predispor às línguas estrangeiras, outros, à poesia e assim por diante. Mas se dissesse em meus livros que há 500 inteligências, ninguém me levaria a sério.
M&C: Falemos de seu último livro, Five minds for the future. O senhor descreve com precisão as cinco mentes que devemos desenvolver para viver na futura sociedade: sintética, respeitosa, ética, disciplinada e criativa. Que mentes não deveríamos cultivar?
Gardner: Ninguém me havia feito esta pergunta até agora. No livro falo, sobretudo, do mau uso que se pode fazer de cada tipo de mente. Temo particularmente e penso que não deveríamos cultivar a mente fundamentalista, aquela determinada a não mudar de idéia sobre as coisas. É uma postura muito mais comum do que pensamos. Basta perguntar a alguém se recentemente mudou de idéia a respeito de algo. Provavelmente dirá que sim, mas se pedirmos um exemplo, terá dificuldade em responder. Sem perceber, nos aferramos facilmente a nossas convicções.
M&C: Permita-me uma provocação. O que o senhor diz é sem dúvida correto. Qualquer um concordaria que é bom ser mais disciplinado, respeitoso, razoável e assim por diante. Qual é, assim, a novidade da mensagem de seu livro?
Gardner: É uma pergunta legítima. Objetivamente, há aspectos da natureza humana sobre os quais é difícil hoje dizer algo de original. Esses temas, entretanto, devem ser reapresentados para cada nova geração de forma que lhe pareçam compreensíveis e sensatos. Creio ser importante fazer isso, sobretudo porque hoje se fala da mente quase que apenas do ponto de vista cognitivo. Em vez disso, eu falo de respeito, ética e educação em um sentido mais clássico. Não deveria valer apenas a nota tirada na prova de matemática, mas o tipo de ser humano que nos revelamos. Em segundo lugar, é verdade que o respeito sempre foi considerado qualidade desejável, mas na era da globalização, num mundo em que os povos podem facilmente se destruir, trata-se de algo indispensável.
M&C: Por qual de seus estudos o senhor gostaria de ser lembrado no futuro?
Gardner: Sou conhecido como “o fulano da bizarra idéia sobre inteligência”, mas gostaria que as pessoas recordassem a pesquisa sobre ética profissional que realizo há 15 anos e que se tornou um estudo sobre a confiança. Não sei se no futuro me darão crédito em relação a esse trabalho, mas não importa, pois estou totalmente convencido de que é indispensável. O domínio cultural exercido pelo mercado nos Estados Unidos está arruinando o que há de mais precioso no ser humano. Os americanos acabarão por destruir a si mesmos e provavelmente ao mundo, pois ignoram qualquer aspecto da vida que não seja comercializável. E porque pensam que, se fizerem uma prece todo domingo de manhã, terão indulto para arruinar qualquer habitante do planeta nos outros seis dias e meio.
Estudando a ética e o sentimento de confiança, gostaria de chamar atenção para coisas antes importantes que hoje não têm mais valor. De fato, a pergunta que você me fez é equivocada. A correta seria: por que as coisas de que falo, que todos deveriam saber, foram esquecidas?
OITO CRITÉRIOS PARA DEFINIR TALENTOS
1. Ser isolável em casos de lesão cerebral;
2. Ser desenvolvida em autistas “eruditos”, prodígios ou indivíduos excepcionais;
3. Basear-se em uma (ou mais) série de operações identificáveis;
4. Atingir níveis diversos de competência identificáveis em todo indivíduo;
5. Ter história evolutiva plausível;
6. Ser apoiada por dados da psicologia experimental;
7. Ser apoiada por provas de psicometria;
8. Ser codificável em um sistema de símbolos.
Para conhecer mais:
Five minds for the future. Howard Gardner. Harvard Business School Press, 2006.
Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Howard Gardner. Artmed, 2000.
A matemática na educação infantil – A teoria das inteligências múltiplas na prática escolar. Kátia Smole. Artmed, 2000.
FONTE DE POESQUISA:
http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/multiplas_inteligencias_7.html
“Não deveria valer apenas a nota tirada na prova de matemática, mas o respeito pelo outro e o tipo de ser humano que nos revelamos” - Howard Gardner
por Daniele Fanelli
O ser humano tem muitos tipos de inteligência. A hipótese do psicólogo Howard Gardner, formulada em 1982, o tornou conhecido mundialmente. Passados 25 anos, ele sustenta haver, além das reconhecidas habilidades lingüística e lógico-matemática, outras seis formas de inteligência: espacial (mais presente em navegantes e engenheiros); corporal-cinestésica (desenvolvida em atletas ou dançarinos); interpessoal (representada pela capacidade de compreensão dos sentimentos do outro); intrapessoal (expressa pelo autoconhecimento); naturalística (referente à relação da pessoa com a natureza) e musical. Professor da Universidade Harvard, Gardner é considerado um dos “demolidores” do conceito de quociente de inteligência (QI). Suas teorias, entretanto, têm pequena aceitação entre neurobiólogos. Resenha publicada recentemente na revista Educational Psychologist menciona a insuficiência de comprovação empírica. A possibilidade de medir a inteligência pela aplicação de testes simples parece ser um critério para validação das hipóteses.
Artigo publicado em 2004 pela revista Nature Neuroscience relacionava o desenvolvimento de competências a fatores socioeconômicos e a aspectos biológicos como dimensões do cérebro, duração da memória de curto prazo, velocidade de transmissão sináptica e metabolismo neuronal. No mesmo ano foi observada correlação entre o QI de bebês e a velocidade de crescimento do córtex cerebral. Tais descobertas não parecem perturbar o prolífico Gardner, que tem sua teoria aplicada com eficácia em escolas de todo o mundo. Nesta entrevista, ele declara-se mais interessado em estimular virtudes e talentos humanos do que em medi-los.
Mente&Cérebro: O senhor poderia resumir sua teoria da inteligência múltipla?
Howard Gardner: A visão tradicional a respeito da inteligência, que prevalece há centenas de anos, sustenta que em nosso cérebro existe um único computador, de capacidade muito geral. Quando funciona bem, a pessoa é inteligente e capaz de destacar-se em qualquer atividade. Se o desempenho for apenas razoável, o portador consegue resultado satisfatório em diversas circunstâncias. Mas se funcionar mal, o dono desse equipamento é um tolo, incapaz de estabelecer relações coe-rentes. Discordo disso tudo. Creio que a relação cérebro-mente pode ser descrita como um conjunto de oito ou nove sistemas distintos de elaborações fundamentais. Um deles pode atuar muito bem enquanto outro apresenta rendimento mediano e um terceiro funciona mal.
Qualquer observador admitiria que na patologia há fenômenos que sustentam minha hipótese. Existem pessoas dotadas de grande talento artístico ou com habilidade para números e xadrez que, no entanto, são incapazes de compreender os outros e manter relacionamentos. A medicina oficial as considera casos patológicos, mas eu sustento que esses fenômenos são normais.
M&C: Vejamos um exemplo: como o senhor avalia a sua mente?
Gardner: Com base na teoria da inteligência múltipla eu sou, certamente, do tipo lingüístico-musical. Minha lógica é boa, mas jamais fará de mim um matemático. Fisicamente não sou nada especial e sou medíocre na inteligência espacial, mas me viro bem com um mapa. A inteligência interpessoal, diferentemente de outras, pode ser melhorada. Assim, espero continuar aprimorando minha capacidade de compreender outros.
M&C:Uma das principais objeções à sua teoria é a impossibilidade de medir as oito formas de inteligência.
Gardner: Se eu estivesse de fora observando meu trabalho, é provável que dissesse a mesma coisa. Trata-se de uma crítica bem razoável. Mas estou certo de que, se minhas idéias forem um dia levadas a sério, algum pesquisador desenvolverá instrumentos capazes de medir as várias inteligências. Mas para mim isso jamais foi uma prioridade. Não me dediquei ao tema. Robert J. Sternberg [pai da teoria “triárquica”, segundo a qual a inteligência se manifesta em três modalidades distintas: analítica, criativa e prática] tentou fazê-lo no âmbito de sua pesquisa, mas os resultados não me pareceram muito convincentes. Posso deduzir que ou suas teorias são equivocadas, ou medir as diversas inteligências humanas é tarefa mais complicada do que parece.
M&C: Mas a psicometria clássica faz medições. As pontuações que a pessoa obtém nos diversos testes verbais e lógicos estão correlacionadas, o que sugere a existência de uma inteligência “geral”. O QI está vinculado a diversos parâmetros biológicos. O que o senhor pensa sobre isso?
Gardner: Levo a sério essa questão e, se tivesse de reescrever meu livro sobre a inteligência múltipla, trataria mais do tema. Mas há fenômenos que esses estudos não explicam, em particular as razões que nos tornam tão diferentes uns dos outros. Um cientista pode passar a vida tentando acumular provas da existência de uma inteligência geral, mostrando como esta se correlaciona a este ou aquele fator; ou pode tentar explicar por que as pessoas têm habilidades tão diversas, quais as causas dessas diferenças e a que servem.
M&C: Mas as duas coisas não se contradizem. Podemos fazer uma analogia com os músculos do corpo, que se desenvolvem de forma desigual em cada pessoa. Isso não impede que algumas pessoas possuam – graças à combinação de genes, alimentação e exercícios físicos – estrutura muscular bem mais desenvolvida e potente que outras. Nem todos podem se tornar um Schwarzenegger. O que vale para os músculos não poderia valer para os neurônios?
Gardner: Tenho a mente aberta em relação à questão. Caso eu viva mais 30 ou 40 anos e a ciência identifique uma propriedade biológica fundamental – por exemplo, a velocidade de transmissão nervosa ou a plasticidade das conexões entre os neurônios – que explique uma parte maior ou menor das diferenças de inteligência, estarei pronto a rever meu pensamento.
Mas isso não esclarece as razões para alguém ser mais capaz em certos setores que em outros. A resposta pode ser simplesmente que a vida humana não é infinita, e, portanto, não podemos ser excelentes em tudo. Penso que a explicação mais plausível esteja na predisposição genética e nas experiências infantis capazes de “estimular” e potencializar um dos computadores mentais de que dispomos. Um gênio poliédrico como Leonardo da Vinci é exceção, e não regra. E devemos explicar ainda a origem das diferenças nos perfis e talentos.
M&C: O senhor usa os termos “inteligência” e “talento” como sinônimos. Mas, para a maioria das pessoas, esses termos se referem a conceitos bem distintos.
Gardner: De fato. Mas, ao privilegiar o termo “inteligências” em vez de “talentos” ou “habilidades”, fiz um movimento retórico importante. Todos reconhecem a existência de diferentes talentos e habilidades humanas, e provavelmente eu não estaria aqui sendo entrevistado se tivesse usado essas palavras em vez de “inteligências”.
M&C: O que o senhor entende por inteligência?
Gardner: O ponto é que a definição de inteligência não é óbvia. Trata-se de algo debatido por estudiosos e leigos. Segundo minha análise, os pesquisadores orientados pela cultura escolástica se concentraram nas habilidades verbais e lógicas, denominando as “inteligência”. É uma questão de retórica e lingüística. Não é “a” resposta correta. As pessoas com bom desempenho em línguas e lógica são, em geral, bons alunos, e nós as classificamos inteligentes. Nada tenho contra isso, desde que se fale em “inteligência escolástica”. Se, porém, sairmos da escola e estudarmos a inteligência de arquitetos, bailarinos ou comerciantes, descobriremos que podem ser excelentes naquilo que fazem, independentemente do desempenho escolar. Se os homens de negócio tivessem inventado o QI, a avaliação mediria, provavelmente, atitude em relação a risco, iniciativa e capacidade de vender. Nenhuma dessas coisas é medida pelos testes clássicos de inteligência.
M&C: Mas isso não ameaça relativizar o conceito de inteligência, esvaziando-o de seu significado intuitivo e científico?
Gardner: A ciência não deve, necessariamente, reforçar o senso comum, muitas vezes equivocado. Minhas pesquisas, além disso, atingem o campo das ciências sociais, diferentes da física ou da biologia, justamente porque devem sempre elucidar os próprios conceitos, propondo definições novas e mais adequadas. O filósofo Bertrand Russell disse certa vez que as idéias de todos os grandes pensadores podem ser resumidas em uma ou duas frases: o que os torna notáveis é a estrutura argumentativa que criaram para sustentar as afirmações e defendê-las das críticas. Se eu transmitir às pessoas apenas o conceito de que, além da escolástica, existem outras formas de inteligência, já será um enorme progresso. Creio que já alcancei algo nesse sentido. Mas Daniel Goleman conseguiu ainda mais, pois seu conceito de “inteligência emocional” tem apelo intuitivo, aludindo às experiências do cotidiano, sobretudo no mundo do trabalho. O gerente de uma empresa pode ter a mente perfeitamente organizada e revelar-se um desastre para motivar funcionários. A diferença entre nossas pesquisas é que estabeleci oito critérios a serem atendidos por uma suposta inteligência (ver quadro na pág. 36).
M&C: Há poucos anos o senhor identificou a existência de uma oitava inteligência, a naturalística. Pensa em acrescentar outras?
Gardner: Escrevi bastante a respeito da possibilidade de uma inteligência moral. Até há pouco tempo era cético quanto a isso, mas mudei de idéia depois de algumas leituras, em particular o livro escrito pelos neurobiólogos Jean-Pierre Changeaux e Antonio Damásio. Avalio a possibilidade de uma inteligência existencial, mas o problema é saber se é diferente de qualquer outra capacidade filosófica. Se não for, poderá ser explicada pelas inteligências lingüística e lógica. As provas nesse sentido ainda não são conclusivas.
M&C:Haveria em nosso DNA genes que a seleção natural favoreceu, proporcionando assim a inteligência naturalística ou a existencial?
Gardner: Certamente. Há genes para a inteligência naturalística e, provavelmente, para todas as formas de inteligência que menciono. Creio, porém, que cada um desses tipos possui subcomponentes. Na inteligência lingüística, por exemplo, não haveria só um gene, mas centenas. Alguns deles podem predispor às línguas estrangeiras, outros, à poesia e assim por diante. Mas se dissesse em meus livros que há 500 inteligências, ninguém me levaria a sério.
M&C: Falemos de seu último livro, Five minds for the future. O senhor descreve com precisão as cinco mentes que devemos desenvolver para viver na futura sociedade: sintética, respeitosa, ética, disciplinada e criativa. Que mentes não deveríamos cultivar?
Gardner: Ninguém me havia feito esta pergunta até agora. No livro falo, sobretudo, do mau uso que se pode fazer de cada tipo de mente. Temo particularmente e penso que não deveríamos cultivar a mente fundamentalista, aquela determinada a não mudar de idéia sobre as coisas. É uma postura muito mais comum do que pensamos. Basta perguntar a alguém se recentemente mudou de idéia a respeito de algo. Provavelmente dirá que sim, mas se pedirmos um exemplo, terá dificuldade em responder. Sem perceber, nos aferramos facilmente a nossas convicções.
M&C: Permita-me uma provocação. O que o senhor diz é sem dúvida correto. Qualquer um concordaria que é bom ser mais disciplinado, respeitoso, razoável e assim por diante. Qual é, assim, a novidade da mensagem de seu livro?
Gardner: É uma pergunta legítima. Objetivamente, há aspectos da natureza humana sobre os quais é difícil hoje dizer algo de original. Esses temas, entretanto, devem ser reapresentados para cada nova geração de forma que lhe pareçam compreensíveis e sensatos. Creio ser importante fazer isso, sobretudo porque hoje se fala da mente quase que apenas do ponto de vista cognitivo. Em vez disso, eu falo de respeito, ética e educação em um sentido mais clássico. Não deveria valer apenas a nota tirada na prova de matemática, mas o tipo de ser humano que nos revelamos. Em segundo lugar, é verdade que o respeito sempre foi considerado qualidade desejável, mas na era da globalização, num mundo em que os povos podem facilmente se destruir, trata-se de algo indispensável.
M&C: Por qual de seus estudos o senhor gostaria de ser lembrado no futuro?
Gardner: Sou conhecido como “o fulano da bizarra idéia sobre inteligência”, mas gostaria que as pessoas recordassem a pesquisa sobre ética profissional que realizo há 15 anos e que se tornou um estudo sobre a confiança. Não sei se no futuro me darão crédito em relação a esse trabalho, mas não importa, pois estou totalmente convencido de que é indispensável. O domínio cultural exercido pelo mercado nos Estados Unidos está arruinando o que há de mais precioso no ser humano. Os americanos acabarão por destruir a si mesmos e provavelmente ao mundo, pois ignoram qualquer aspecto da vida que não seja comercializável. E porque pensam que, se fizerem uma prece todo domingo de manhã, terão indulto para arruinar qualquer habitante do planeta nos outros seis dias e meio.
Estudando a ética e o sentimento de confiança, gostaria de chamar atenção para coisas antes importantes que hoje não têm mais valor. De fato, a pergunta que você me fez é equivocada. A correta seria: por que as coisas de que falo, que todos deveriam saber, foram esquecidas?
OITO CRITÉRIOS PARA DEFINIR TALENTOS
1. Ser isolável em casos de lesão cerebral;
2. Ser desenvolvida em autistas “eruditos”, prodígios ou indivíduos excepcionais;
3. Basear-se em uma (ou mais) série de operações identificáveis;
4. Atingir níveis diversos de competência identificáveis em todo indivíduo;
5. Ter história evolutiva plausível;
6. Ser apoiada por dados da psicologia experimental;
7. Ser apoiada por provas de psicometria;
8. Ser codificável em um sistema de símbolos.
Para conhecer mais:
Five minds for the future. Howard Gardner. Harvard Business School Press, 2006.
Inteligências múltiplas: a teoria na prática. Howard Gardner. Artmed, 2000.
A matemática na educação infantil – A teoria das inteligências múltiplas na prática escolar. Kátia Smole. Artmed, 2000.
FONTE DE POESQUISA:
http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/multiplas_inteligencias_7.html
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
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